A doença do mundo
1 Capítulo único
Na aula de química
ela quase adormecia
ouvia
as explicações sobre geometria
molecular.
Todos usavam o celular
sem pensar.
Ao seu redor
só via almas vazias
e frias.
Na verdade o contrário,
vou recolocar:
Ao seu redor todos eram quentes
ferviam
sorriam
Ela não compreendia
a alegria.
Garotas fúteis,
Garotos inúteis
Ela não compreendia
a euforia
Não tinha noção
da razão
daquela agitação.
Almas vazias
em branco
em pranto
Ela era um cubo de gelo em um mar de lava
escrava
do sistema comunal
Teria nascido
no lugar errado?
Num mundo quebrado
estragado
com ódio incrustado!?
Mas ela seguia
e agora também sorria
Ainda incompreendia
sofria
Com tantas monstruosidades
nas cidades
ou em qualquer lugar.
Tudo era igual
nunca situacional
E ela não queria se render
Derreter
Apenas o mundo entender
Sem saber o porquê
de viver
ou morrer
conviver.
Queria se perder
se esquecer
Mas como, se nem conseguia se achar
ou amar
escutar
as palavras de papel.
O mundo se afogou nesse mar de lava
O calor das pessoas
acabou com tudo o que era belo
puro
natural.
A vida não tinha razão
explicação
ou compaixão
Morte por dinheiro
Disputa por poder
Guerras por diferenças,
Seriam essas
do mundo as doenças?
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