O som do despertador me acordou na manhã seguinte como sempre, hora de levantar e ir para a escola, outro dia havia recém começado… mas aquela estranha mensagem ainda estava bem clara em minha mente, não fazia nenhum sentido receber uma mensagem daquele tipo em meio à um jogo, teria sido uma atualização geral do jogo? Bem, não importa muito, é só deixar passar, logo a internet vai me dizer o que é de qualquer forma…

A aula hoje foi apenas no período da manhã, era sábado afinal, e sabem o que mais? Sábado é final de semana e a tarde é livre, logo, é possível sair com alguém para passear ou algo do gênero, não comecem a pensar besteira ok? Eu tenho apenas quinze anos gente, poxa, não esperava isso de um leitor. Bom, voltando ao que interessa, Sakura e eu resolvemos passear no shopping hoje para aproveitar a tarde e largar um pouco o vicío do DMO, até convidamos a Shelinda para vir junto, mas ela aparecia um pouco… hã… abalada, lembro-me de ela ter dito algo como: “Não acredito nisso! E vocês nem pra me contar… buááá… me deixem sozinha, preciso pensar um pouco, Sakura-chan sua idiota!” e saiu correndo, como eu já comentei antes, não faço ideia do que se passa na cabeça dela.

Chegando lá, já tínhamos um destino pré-definido, uma loja de celulares, Sakura tinha feito a façanha incrível de quebrar um Nokia em um de seus dias de fúria, mas não era um Nokia qualquer, era um daqueles antigos que parecem um tijolo, é, os que se tu jogar na cabeça de uma pessoa mata e se derrubar abre um buraco, conhecem né? Pois é, a primeira loja a nossa frente não tinha nada de seu interesse e claro que não fomos direto para a loja, ela parou para olhar anéis, roupas e agora eu afirmo, o hobby dela deve ser realmente o que eu contei a vocês, depois de mais ou menos umas três horas de procura finalmente compramos um celular para Sakura, mas havia mais uma coisa importante há se fazer antes de irmos embora…

– S-sakura… antes da gente voltar, eu...

– Hm? O que foi? Porque sua cara está toda vermelha?

Seria esse o momento certo? Talvez eu não tivesse outra chance tão cedo de fazê-lo, apenas a Sakura estava aqui então, não havia mais nenhum conhecido por perto… sim, era a hora, não tinha porque exitar, poderia não ter outra chance.

– Eu… quero muito ir ver o novo do filme do Pokemon, mas ninguém aceita vir comigo, vamos ver? Por favor, por favor? — meus olhos se encheram de lágrimas naquele momento e eu senti uma mão encostar e acariciar a minha cabeça.

– Hai, hai. Sabe que eu também quero ver esse filme né? Vamos logo, mas você paga a pipoca, o refri, o chocolate, as balas e o sorvete, ok?

– Ta legal, mas e o que você vai querer pra comer durante o filme?

– Ta me chamando de gorda?

– Gabumon.

– Ownt! Ta bom vamos logo!

As coisas estavam indo muito bem, nenhum comentário o DMO havia ocorrido até o momento, um alívio pois caso ela não tivesse recebido a mensagem talvez pensasse que eu estava ficando louco. Conseguimos dois lugares um ao lado do outro no cinema e compramos os suprimentos necessários, digo, pipoca, refri, bala, etc. Agora era só sentar e aproveitar o filme, era uma reprise do mesmo, mas igual, um filme bom nunca perde a graça, ainda mais se for de algum anime legal. O filme que estava reprisando era Arceus e a Jóia da vida, meio antigo realmente, mas nem por isso a sala de cinema estava vazia, pelo contrário, ela estava bem lotada, uma pena que não deu para terminarmos de assistir ao filme, foi nesse dia que tudo mudou.

Quando estava passando a cena em que Arceus lançava o seu ataque Julgamento sobre o templo o portal se abriu, sem aviso, silencioso e mágico. Ao mesmo tempo que a técnica explodiu aos céus na tela de cinema, da mesma saiu um branco que tomou conta da sala, fazendo com que todos desaparecessem, até mesmo as demais poltronas sumiram, apenas as minha e de Sakura permaneceram ali, em um vazio enorme a assustador, do qual cores similares aos de um arco-íris, talvez até mais voavam em nossa direção, incansáveis e em com uma velocidade que as tornava ambas, belas e amedrontadoras, ainda que fosse só isso para nos surpreender naquele momento, mas havia mais, o novo celular dela e meu relógio, que esqueci de mencionar antes, sempre estou com um relógio verde no pulso, também passaram a emitir uma rajada de luz colorida como a que vinha do inifinito. Nos olhamos por um curto instante, surpresa, medo e talvez um pouco de alegria se escondia por entre nossos sérios olhares, até o momento em que tudo desabou, tudo o que eu senti foi que o chão desapareceu e eu comecei a cair, cada vez mais fundo, até ver um clarão e quando pude finalmente abrir meus olhos, estavámos caindo de uma altura que eu não era capaz de descrever, ainda não sei como nem de onde tirei energia para tal, mas naquele momento consegui me aproximar de Sakura e com o intuito de amortecer sua queda, algo que seria inútil a altura em que estávamos a segurei em meus braços, enquanto girei meu corpo para ficar de costas para o chão, seja lá o que estivesse acontecendo, a única que poderíamos ter era que a morte estava chegando… ou não.

Caímos sobre uma superfície macia e quente, a mesma parecia estar se movendo rapidamente em alguma direção, mas eu não sabia dizer qual era, ao finalmente reunir coragem para abrir os olhos e olhar para frente, tinha em minha visão uma outra garota, talvez mais nova, talvez mais velha do que eu, possuía cabelos ruivos, cobertos por um chapéu, ou uma touca azul, luvas rosas, uma calça azul, tênis e uma camiseta amarela.

– Vocês dois estão bem aí?

Sua voz… ela não me era estranha, mesma sua aparência não me causou estranheza. Irreal, surreal talvez, mas familiar e aconchegante, aonde eu já havia a visto? Minha mente girava tentando juntar as peças, pouco a pouco consegui montar uma imagem dela em minha mente… mas seria possível algo assim? Considerando tudo o que aconteceu nesse curto espaço de tempo, com certeza sim, se minha teoria estiver correta a garota que vejo a minha frente, sobre esta criatura com pelos laranjas que está voando, só pode ser uma pessoa… Sora Takenouchi.