Capítulo 1.

Niko estava entediado no meio da aula, claro, ele tinha coisas para fazer, mas simplesmente não queria. Niko observava a janela, olhava para cada floco de neve com atenção, observava os padrões dele. Ele achou estranho, pois não existiam flocos de neves iguais. Ao menos, isso era o que ele achava.

Um pequeno pombo voava por perto, ele estava batendo com força na janela da classe, ele aparentava estar desesperado, fugindo de algo. Surpreendemente, ninguém da classe parecia perceber o desespero do pequeno animal, todos... ignoravam.

De repente, uma criatura monstruosa, cheia de chifres e vários olhos de diferentes cores, uma boca cheia de dentes afiados, engoliu em uma mordida todo o corpo do pássaro, apenas a cabeça ficou grudada na janela. Niko ficou completamente horrorizado, ele realmente tinha se simpatizado com o animalzinho. Ele era um jovem muito sensível à essas coisas, tanto que, começou a lacrimejar.

Todos da classe se voltaram para Niko, dando passos pesados até cercarem Niko. Até que, Mint, um antigo amigo de Niko, abriu a porta com a maior violência do mundo, gritando para Niko. –NIKO, ME SEGUE! –Mint segurou o braço de Niko e saiu correndo.

Niko gritou no meio de lágrimas. –O QUE QUE ESTÁ ACONTECENDO?

Mint não sabia, também estava muito assustado. –EU NÃO FAÇO A MÍNIMA IDEIA, SÓ VAMOS FUGIR DAQUI! –Ele tropeçou e caiu de cara no concreto do chão. Niko, como estava com o braço sendo segurado por Mint, também caiu. Niko sente uma dor queimando em suas costas, como se um lobo selvagem estivesse comendo todos os seus órgãos internos. E adivinha! Realmente havia um ser comendo todos os seus órgãos. Essa dor incrível, misturada com o forte sentimento de medo, fez com que Niko acordasse.

Ele estava ofegante, seu travesseiro estava cheio de lágrimas e suor. Niko decide pegar seu celular para ver o horário. 05:38, se levanta e anda calmamente em direção ao banheiro, toma um banho rápido e coloca suas roupas de sempre. Uma blusa azul-cinzento, calças pretas e um all-star vermelho, como o horário de sair para sua faculdade estava chegando, ele já tinha se arrumado, agora ia sair para tomar café da manhã quando seu celular começa a tocar. Alguém estava ligando.

—Alô? –Atendeu Niko.

—CACETE, NIKO. –Disse uma voz familiar.

—Pois não? Quem é?

—CARA, É O MINT, EU TIVE UM SONHO MUITO LOUCO, VOCÊ ESTAVA NELE E –Mint foi cortado por Niko.

—.... Olha, me encontra naquele restaurante 24h que a gente ia quando era menor, ok?

—S-Sim. –Disse Mint, ainda com a voz de choro.

—-Fim da ligação.-

Niko saiu de casa rapídamente, e chamou um Taxi. Entrou no mesmo e esperou chegar em seu destino.

Assim que Niko saiu do carro, Mint correu para o abraçar, ignorando completamente a chuva. –Eu pensei que você nem ia vir, há ha.

—É bom te ver também. Vamos entrar, está começando a chover forte.

Os dois entram na churrascaria, o garçom pergunta o que eles querem. –Ah... Três picanhas, bastante arroz, uma porção de batata frita, o de sempre.

—E um suco de laranja, e uma Coca-Cola! –Completou Mint.

Assim que o garçom saiu, Niko começou a falar. –Heh, obrigado por me lembrar, a gente ia ficar sem beber nada se não fosse por mim.

—Niko, você sabe por que estamos aqui, né? Não fica de papo. –Disse Mint, seriamente.

—Bipolar da porra. –Niko riu, desmanchando a seriedade de Mint, fazendo com que o mesmo risse também.

Os dois ficaram ali por um tempo, rindo da graça que Niko tinha feito. Ambos não riam assim fazia um bom tempo.

—Ok, agora que tu percebeste que eu não sei ser sério, vamos direto ao ponto, aquela porra de sonho estranho. –Disse Mint, que ria um pouco ainda.

—Ok, eu acho que a gente teve literalmente o mesmo sonho, tipo, ao mesmo tempo. Aquele você que abriu a porta com tudo não era um você da minha imaginação, era você mesmo.

Principalmente por que eu não fazia ideia que você ia pintar seu cabelo de verde-água, ficou legal! –Disse Niko, sorrindo.

—Heh! Obrigado. –Mint corou um pouquinho.

—Aqui está senhor. –O garçom entregou a comida deles.

—Obrigado! A comida parece ótima! –Mint fez um sinal de ok com a mão.

O garçom se retirou, e assim que isso aconteceu, Niko começou. –Então, eu acho que... Ugh, eu não faço ideia, mas aquilo com certeza tem que ter algum significado da gente ter tido o mesmo sonho só que em perspectiv... –Niko deu uma pequena pausa. –Ei.... Como foi o seu sonho?

—Bem, eu estava em uma escola muito diferente para mim, parecia uma faculdade ou algo assim.

Eu estava no banheiro dela, num daqueles.... EU NÃO SEI O NOME DAQUILO, MAS É TIPO CABINE EU ACHO?! Do banheiro, e eu estava... Só estava lá, parado olhando para a porta.... Até que eu olhei pela.... Uh.... Janela? Do banheiro, e estava tudo vermelho. Eu fiquei bem confuso, e sai correndo do banheiro, quando eu olhei para a janela do corredor, tinha um bicho enorme engolindo um pássaro, saindo sangue para todo lado. Eu tipo.... Fiquei totalmente assustado, e não me lembro muito bem do resto, mas me lembro de estar com você, e a gente sair da escola...

—Eu me lembro exatamente dessa parte que você esqueceu! –Disse Niko, pegando um pedaço de picanha.

—Espera, sério?! –Perguntou Mint. –Ei, ei, ei! Me conta tudo!

Niko explica tudo o que aconteceu no sonho dele para Mint, cada detalhe.

—Puta. Que. Pariu. –Mint estava perplexo com o que tinha acontecido no final. –Então, tu praticamente morreste.

—No sonho sim. –Disse Niko, depois de beber sua Fanta laranja no canudo.

—E se aquilo tivesse sido tipo uma previsão do tempo? Tipo, no sonho nós estávamos juntos normalmente, e isso aconteceu... –Teorizou Mint.

—Vai dormir pelo amor de todos os deuses. –Disse Niko, olhando o celular. –Caralho! Já são 04:58! Eu tenho que ir, daqui a pouco eu vou para a faculdade e eu não dormi nada! –Disse Niko correndo para fora do estabelecimento, quando Mint segurou seu braço.

—Espera! –Mint interrompeu a pressa de Niko. –Você acha que você vai conseguir dormir assim?

—O que quer dizer? –Perguntou Niko, olhando para Mint.

—Em primeiro lugar, daqui alguns minutos tu já vai para a faculdade, até tu chegar em casa já deu hora de chegar na faculdade. Em segundo lugar, você acha que vai conseguir se arrumar, escovar os dentes, e se preparar para ir dormir? E finalmente, você com certeza não vai conseguir dormir pensando no que aconteceu –Mint deu um pequeno sorriso. –Tipo, no sonho.

—Ugh.... Você está certo. –Disse Niko, pegando seu celular.

—O que tu ta fazendo? –Perguntou Mint, olhando para o celular.

—Chamando um Uber para eu ir para a faculdade. –Disse Niko.

—Ah tá. Pode me levar? –Perguntou Mint.

—Que. Para que? –Perguntou Niko, olhando torto para Mint.

—É a faculdade de medicina, né? –Perguntou Mint.

—No real é um “colégio” de vários andares. Tipo, é bem gigante mesmo. Cada andar tem uma.... “Matéria”, por exemplo, direito, ciências, medicina. –Explicou Niko.

—Ah. E tu estuda em qual andar? –Perguntou Mint. –Eu estudo lá também, no de medicina.

—Andar 13, estou surpreso que você nunca me viu lá... E nem eu te vi, por que tipo.... O ANDAR DE MEDICINA É O DÉCIMO SEGUNDO. –Disse Niko, abismado.

—Heh! Eu também.... Aliás, tu faz de que? –Perguntou Mint.

—Ah, astronomia, por que? –Respondeu Niko.

—Isso explica sua camisa. “The sun goes down. ” -Disse Mint, rindo.

—No real isso é uma letra de uma música, mas, é faz sentido. –Niko vê que o Uber chegou. –Opa, vamos.

—Uns 17 minutos depois, Niko e Mint pagam o motorista e entram na faculdade. –Te vejo depois! –Mint abraça Niko e sai correndo.

—Heh... Até mais. –Niko sai andando até sua classe, corado.