A desconhecida

1 A desconhecida


Notas iniciais
A minha inspiração para essa história foi a música "I am only happy when it rains - Garbage", portanto fica a dica de música, quem sabe vocês não gostam né? Agora vamos para a história, ou descrição como eu disse lá na sinopse!

A pálida luz da avenida realça uma mulher, andando a passos cadenciados na chuva forte, seu trench coach vermelho vivo está sendo realçado por uma regata e legging justas, as botas compridas negras pisam nos buracos da calçada.

Parece que a chuva não lhe incomoda e o barulho da cidade não lhe chega aos ouvidos. Ela está concentrada, olhando para frente com olhos semicerrados, sua maquiagem se dispersando na chuva, e o batom marrom vivo sendo levado embora. Todas as pessoas param um segundo para apreciá-la, enquanto ela parece não percebe-las ou se finge de desentendida.

Com um porte altivo, caminha calmamente para todos os lugares e para lugar nenhum, sem muito rumo, porém percebo que sabe onde vai.

Sua expressão não esboça reações, mas parece estar gostando da chuva... como se as gotas pudessem curá-la de algo que lhe deixou feridas abertas. Essa mistura de escuridão, chuva e loucura – com todos correndo apressados e se desviando dos pingos – parece deixá-la alegre, como se pudesse se divertir com a desgraça, afinal, o gosto da chuva não lhe sai dos seus lábios carnudos. Por um momento tenho a impressão de ter ouvido uma risada baixa, um sussurro inaudível saindo de sua boca.

Ela não parece ser desse mundo mortal e mundano, acho até que seja alguma estrela de cinema da qual ninguém compreende. Talvez ela também não se entenda, reflito por um segundo.

Sei que ela gosta de fazer coisas loucas, como por exemplo nadar no mar a meia noite, ou viajar sem saber seu destino final, ela, afinal, busca a liberdade essencial e sem limites. Sua vida é digna de filme hollywoodiano. Ela é uma inconformista, uma filosofa doida, uma artista mal paga.

Ela namora um monte de gente, só porquê acha que o amor não existe. Ela é destrutiva – de um modo (un)cool, ela faz as pessoas se apaixonarem, para que depois de um tempo, quando não sabe mais lidar com as relações humanas, as destruir também. Talvez, sofra de transtorno bipolar.

Apesar desse seu jeito quando uma “ficada” se inicia, ela faz as pessoas se sentirem especiais – as desenha de modo realístico, compra presentes, e age de um modo hiper-sexual, porém, depois de algum tempo, quando não quer mais saber delas, ela vai embora.

Ela nunca sabe a sua próxima “casa”, se é em Paris em um apartamento “lixo”, ou se é em um trailer nos Estados Unidos. Nunca estabelece raízes, nunca estabelece amor.

Eu me pergunto, se um dia isso irá mudar? E acho que não. A natureza dificilmente muda.

Ela é complexa. Ela sorri do escuro. Ela é meio mórbida. Ela gosta de meninas bonitas – e meninos também – e finge ser toda livre, mas no fim tem preconceito de amar e ser amada, porquê não quer sofrer demais.

Uma coisa que sei é que todas as pessoas que tem medo do sofrimento já sofreram (várias, e várias e várias e várias vezes).

O amor é estranho de certo modo para ela, pois ela possui um caso de amor e ódio com o amor. Ela é doida e fica feliz com Beethoven e músicas tristes. Ela gosta de estar sozinha mas não só. Ela é uma desconhecida que eu gostaria de chegar mais perto, ela é enigmática, e eu nunca sei o que ela pensa sobre nada. Sua boca nunca conta nada. Ela é estranha de um modo sedutor. Ela é aquilo que todas as pessoas tentam chegar perto e no final não alcançam...

Porquê ela fica feliz na chuva.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!