— Falta só uma semana para a exposição! Eu estou muito ansioso, e tenho que admitir, que com um pouco de medo – Jean revelou, na cama, para Sofia e Lia, deitadas ao seu lado, preguiçosamente.

— Não se preocupe, Jean. Você tem muito talento, será um sucesso – Sofia o incentivou.

— Mas, se você quiser podemos acalmá-lo – Lia propôs, brincando, acariciando suavemente o peito dele – Você topa, Sofia.

Mas, antes, que Sofia respondesse Lia se inclinou sobre Jean e o beijou ardente e apaixonadamente, ele a envolveu em abraço, naquele momento eram só os dois. Sofia ficou observando aquela cena, sem se mexer, considerando-se como uma intrusa.

— O que houve, Sofia? – Lia ergueu a cabeça, encarando-a — Estamos bem, não estamos? – quis saber, sem entender aquela atitude, Sofia assentiu com a cabeça, não muito confiante, mas Lia a puxou contra eles, que a envolveram em um abraço – Nós te amamos – sussurrou no ouvido de Sofia.

No começo de abril, Jean entregou o convite do coquetel de exposição para elas, e capa reproduzia um dos desenhos dele, o que era uma grande honra.

— Estou tão orgulhosa de você! – Sofia disse, emocionada, admirando o convite.

Lia puxou-o da mão de Sofia para admirá-lo.

— Nós duas estamos! Parabéns, Jean – disse Lia de maneira carinhosa, o envolvendo em um abraço.

— Obrigado as duas, vocês sempre me apoiaram – Jean agradeceu, carinhoso.

— Não, precisa agradece, Jean. Nós amamos você – respondeu Lia, olhando nos olhos deles com um sorriso apaixonado, mas uma vez, Sofia se sentiu sobrando.

— Podemos brindar a isso! Acho que ainda temos champanha na geladeira, vou pegar.

E saiu apressada deixando Sofia e Jean sozinhos.

— Realmente, estou muito orgulhosa, e devo admitir com uma pontinha de inveja de você.

— Não seja boba, Sofia! Você precisa acreditar em si mesmo!

— Com certeza, eu não tenho o seu talento.

— Mas, tem outros. Você é uma das melhores pessoas que eu conheci e...

Nesse momento, Lia entrou com taças e uma garrafa de champanhe na mão e Jean se calou.

No dia da inauguração, Lia e Sofia estavam muito agitadas, andavam pelo apartamento, tentando se aprontar, cheias de perspectivas em relação ao sucesso dos trabalhos de Jean, sabiam que era uma grande oportunidade para ele, mas finalmente ficaram prontas e lindas.

— Você está maravilhosa, Lia! – Sofia a admirou.

Lia usava um lindo vestido roxo de uma grife francesa famosa, presente de Sofia pela ajuda na compra do seu vestido de madrinha de casamento, também, comprara um vestido para ela própria usar na exposição e uma roupa nova para Jean.

— Você também. Estou tão ansiosa, parece que sou eu o artista! Vamos! Jean deve estar muito nervoso. Onde ele está? – Quis saber Lia.

— Ele foi direto para a galeria, queria chegar cedo, os pais deles estarão lá – Respondeu Sofia, ansiosa – Vamos, Lia, senão chegaremos muito tarde, precisamos apoiá-lo.

A galeria, onde seria a exposição era uma das mais conhecidas da cidade, seu proprietário Armand, um conhecido marchand que tinha a fama de descobrir promissores jovens artistas, por isso muitas pessoas importante e apreciadores de artes, até mesmo, investidores costumavam ir a esses coquetéis de inauguração, na esperança de conseguir uma obra de um iniciante a um bom preço, e que, no futuro, poderia ser muito valorizada, se seu autor ficasse famoso, tornando-se um excelente investimento. Aquela exposição reunia obras de cinco artistas desconhecidos, cada um exibiria cerca de dez trabalhos, e a galeria estava lotada de gente de todos os tipos, entre eles havia alguns nomes famosos e artistas consagrados convidados de Armand para prestigiar o evento, para ver e serem vistos.

Ao chegarem Lia estava tensa, Sofia considerou que era por causa de Jean, afinal, era uma grande oportunidade para ele ser conhecido no meio das artes e se consagrar.

— Sofia, antes de entrarmos, eu queria me explicar para você – ela começou a falar um tanto hesitante, bem diferente de como agia, normalmente.

Sofia a olhou sem entender, esperando que ela continuasse, mas, logo, na porta, encontraram Jean muito agitado e nervoso.

— Deixa para depois – Lia desistiu, dando de ombros.

— Será que vão gostar do meu trabalho? – Jean perguntou, inseguro, foi a primeira vez que Sofia o viu assim.

— Calma, você é um excelente artista. – Lia tentou tranquilizá-lo – Eles irão amá-lo. Tenho certeza que será um sucesso.

— Meus pais e tios ainda não chegaram – Jean disse, agitado.

— Venha! Vamos tomar um pouco de champanhe para nos acalmar — Lia sugeriu, pegando o braço de Jean e o levanto dali – Você não vem conosco, Sofia?

— Não, eu prefiro olhar os trabalhos dos outros artistas, antes que fique mais cheio ainda.

— Está bem. Vamos, Jean. Vamos procurar o que beber — Lia disse, em voz baixa, olhou-a com um jeito estranho, antes de se afastar.