A dança das almas
7 Capítulo 7 - Sangue e estrelas
O silêncio que precede a tempestade pairava pesado sobre o reino. Os exércitos estavam prontos, as bandeiras dos três clãs tremulando ao vento. O céu, coberto por nuvens densas, anunciava que o dia não seria salvo pela luz. Lucius, o mago das sombras, reunira seu exército de criaturas das trevas, espectros corrompidos, demônios do véu e soldados encantados por feitiços de submissão.
Rafael montava seu cavalo negro, a armadura adornada por símbolos lunares e constelações cintilantes. Ao seu lado, Isabela portava uma espada forjada com cristais mágicos de seu clã. Serena entoava encantamentos antigos para fortalecer os aliados. Gilbert e Heloísa lideravam as tropas com a ferocidade e disciplina dos maiores guerreiros da história.
A primeira onda de inimigos surgiu como uma sombra viva, um mar de olhos vermelhos e rugidos ensurdecedores. Rafael ergueu a espada e bradou:
— PELO REINO! PELO AMOR! PELOS NOSSOS!
O choque foi brutal. Espadas colidiram, magias cortaram o ar, e o sangue tingiu o campo de batalha. Isabela cortava inimigos com precisão, seus olhos flamejantes com determinação. Rafael alternava entre o humano e o lobo, sua fúria incontrolável sendo canalizada contra as criaturas.
Mas Lucius era mais do que um mago. Ele era uma entidade de trevas encarnada, e quando apareceu no campo de batalha, as estrelas pareceram desaparecer do céu. Um manto negro o envolvia, e de suas mãos saíam lanças de sombra que atravessavam qualquer escudo ou feitiço.
— RAFAEL! — gritou Isabela ao vê-lo se aproximar.
Lucius sorriu cruelmente.
— Seu amor é sua fraqueza, lobo. E será sua ruína!
Com um gesto, lançou uma lança de sombra contra Isabela. Rafael correu, mas não foi rápido o suficiente. A lâmina negra atravessou o ombro da princesa, lançando-a longe, seu corpo caindo como uma flor arrancada pelo vento.
O mundo de Rafael parou. O campo de batalha sumiu. Tudo o que via era Isabela caída, sangue jorrando, seu rosto pálido.
— ISABELA! — o rugido de dor que ele soltou ecoou por todo o campo, sacudindo até os céus.
Ele correu até ela, tomando seu corpo nos braços. Ela sorria fracamente.
— Salve... nosso povo... Rafael...
— Não me peça isso. Eu não sei ser sem você — ele sussurrou, lágrimas misturando-se ao sangue.
Nesse momento, algo despertou dentro dele. A maldição do lobo e a bênção das constelações colidiram em seu coração, fundindo-se em um poder novo. Rafael se ergueu, com o corpo coberto por runas brilhantes, os olhos em chamas, a espada envolta por luz e trevas.
— LUCIIIIIIIIIIIIUS!
Ele correu como um raio, rompendo fileiras inimigas. Os guerreiros abriram caminho. A colisão entre Rafael e Lucius foi como a explosão de uma estrela. Magia e aço dançavam numa luta feroz. O mago invocava criaturas feitas de fumaça e dor, e Rafael as cortava com fúria e precisão, cada golpe movido pelo amor e pelo desespero.
Gilbert e Heloísa protegiam o corpo de Isabela, lutando como titãs. Serena canalizava feitiços de cura, mas Isabela estava fraca, sua vida escorrendo.
Rafael enfrentava Lucius no coração do campo, seus corpos envoltos em uma tempestade mágica. Lucius sorria, mesmo com o corpo ferido.
— Você não pode me destruir. Eu sou a escuridão que vive em todos!
— Mas eu sou a luz que nasce da dor! E por ela... EU TE DERROTO!
Com um grito primal, Rafael perfurou o peito de Lucius com sua espada brilhante. Um clarão iluminou o campo, dissipando as trevas. Lucius gritou, seu corpo se dissolvendo em chamas negras, e o céu, enfim, se abriu.
Rafael caiu de joelhos, exausto. Correu até Isabela, tomando sua mão gelada. Serena, em um último feitiço, invocou a energia das constelações, selando as feridas de Isabela. A respiração dela retornou, lenta e fraca, mas viva.
— Você voltou... — sussurrou ela, os olhos marejados.
— Nunca te deixarei. Nem mesmo a morte teria me impedido de te salvar — respondeu Rafael, tocando seu rosto com ternura.
A guerra havia deixado cicatrizes profundas. Corpos jaziam por toda parte. Sangue, suor, lágrimas... e amor. Muito amor.
O reino fora salvo. Mas todos sabiam: a escuridão nunca desaparece por completo. Ela recua. Espera. E os heróis... permanecem de vigília, armados de coragem, magia e coração.
Rafael ergueu Isabela em seus braços e, sob o novo sol que nascia, jurou protegê-la. Sempre.
O amor deles havia sobrevivido à guerra. E seria a centelha que manteria o reino vivo.
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