A dama e o vagabundo -Cobrade
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Saindo dali fui logo telefonei para Joaquina e pedi que nos encontrássemos. Depois daquela conversa precisava de um ombro amigo para chorar. Chorar pela primeira e ultima vez. Tenho que prometer pra mim mesmo que não vou mais chorar por ele e muito menos na frente dele. Talvez eu esteja sendo um pouquinho exagerada, mas quem liga?
– Eu não consigo acreditar! Ele se declara para você e o que você diz? “Acho que não daria certo”! O que você tem na cabeça Jade? – Ela ria
– Mas não daria mesmo! –dei de ombros.
– Quem liga? Eu vou ter que repetir? Cobra se declarou! Pra você! Você tem noção do que é isso?
– Não foi uma declaração, ele disse que acha...
– Foi uma declaração. Homens são assim mesmo, eles ficam tímidos e agem assim ate se acostumar com a ideia.
– Tem outra coisa.
– O que?
– Eu me declarei pra ele também. –disse tímida.
– Mentira! Você se declarou? Eu sabia desde o inicio que você estava apaixonada, mesmo você dizendo que não. Mas olha só, o que mais você quer? Os dois apaixonados, pare de se preocupar com o futuro!
– Eu tenho medo de sofrer.
– Ninguém vive se não souber conviver com o sofrimento, Jade.
– Oh! Eu tenho uma amiga poetisa? – Ri.
– Meu talento meu amor! Hm... Falando sério. Vai pra casa, descansa e pensa se vale mesmo a pena ficar longe dele ou se é melhor ficar junto seja como for.
É talvez Joaquina tenha razão, mas isso não muda em nada meus pensamentos. Fui para casa e encontrei minha mãe me esperando na sala.
– Jade, onde você estava minha filha? Estou ligando há um tempão para seu celular e ó cai na caixa postal. Você quer me matar?
– Desculpa mãe. É que a festa acabou tarde e eu dormi na Joaquina.
– Custava ter ligado pra me avisar? Eu fiquei preocupadíssima! Eu vou tomar um banho pra ver se me relaxa, você me deixou muito tensa.
Me joguei na cama e fiquei pensando em tudo o que estava acontecendo na minha vida. Não seria melhor eu me afastar de Cobra para não sofrer mais? Eu não iria conseguir vê-lo e não toca-lo, beija-lo, abraça-lo. Mas também tem o conselho da Joaquina. Se eu não tenta-se iria sofrer a vida toda pensando se ia ou não dar certo. Quando estava quase adormecendo ouvi alguém bater na porta.
– Cobra, você é maluco? O que está fazendo aqui?
– Vim falar com você! –disse como se fosse à coisa mais normal do mudo- Eu posso entrar?
– A minha mãe está em casa, ela não pode sonhar em te ver aqui.
– Não adianta Jade, eu só saio daqui depois de falar com você.
Ele estava decidido a falar comigo. Levei ele pro meu quarto para que minha mãe não o vesse e tranquei a porta.
– Fala baixo! O que você quer?
– Jade, o que aconteceu hoje... –Interrompi-o
– Eu sei o que aconteceu. E espero que estejamos tomando a decisão certa...
– Isso é algo tão simples!
– Não, não é! Cobra, isso é difícil pra mim.
– O que é difícil?
Olhei para o chão. Boa pergunta. O que é difícil? Na verdade, porque é difícil? Eu não sei.
– Nada. Cobra deixa isso pra lá. Vamos mudar de assunto?
– Não. Eu quero perguntar mais uma coisa para você. Hoje mais cedo você disse uma coisa que eu só entendi depois. Algo sobre você estar... Apaixonada por mim. –Ele disse confuso. Senti minhas bochechas corando.
– E o que mais você quer saber?
– Isso é desde quando?
– Quer saber? Desde o dia que você me parou naquela praça e me ofereceu carona. Desde esse dia eu sabia que algo ia dar errado.
Uma lágrima caiu de meus olhos. Jade, sua fraca! Onde estão os panos “nada de chorar por ele e muito menos na frente dele”? Eu fitava o chão.
– Jade, que sensível... –Falou passando seu dedo e secando minha lágrima.
– Ah, muito obrigada! –ironizei.
– Eu não estou entendendo, você mesma disse que não daria certo. Por que isso agora?
– Eu sei... Quero dizer, não, eu não sei. –Ele me olhou confuso- Por favor, vamos mudar de assunto.
Mantive Cobra trancado em meu quarto o resto do dia. Não tinha como ele sair dali com a minha mãe sentada na sala assistindo filme. Como ela é desatenta e nunca presta atenção no que eu faço nem percebeu nada de diferente. Dado hora minha mãe foi dormir, mas continuamos conversando até tarde da madrugada.
– Eu acho melhor você ir. Já são quatro da manha e amanha tenho que acordar cedo.
Ele não me respondeu, apenas olhava fixo para mim. Ele pegou em meu braço e desceu a escadas, conduzindo-me para segui-lo.
– O que esta fazendo?
Ele não respondeu, apenas cuidava para não fazer barulho e o mesmo fiz eu. Não sabia o que ele iria fazer, mas de uma coisa que estava certa: Eu estava muito, muito curiosa. Ele abriu a porta da cozinha, entramos e logo ele a fechou. Prensou-me na mesma e, quando vi, estávamos nos beijando. Um beijo diferente, rápido... Desesperado. Minhas mãos passeavam em seus cabelos e nuca. As dele estavam apoiadas na porta.
Um minuto se passou. Dois, dez, vinte... Ar, folego e sono já eram totalmente insignificantes naquele momento. Meia hora depois percebi o que estava fazendo e o empurrei levemente para trás, respirando fundo.
– Não, eu não... Eu não posso.
Ele me olhou confuso e percebi que estaria me torturando se ficasse um minuto a mais longe dele. Dei um passo a frente e encostei meus lábios no dele. Foi estranho como ele contornava meus lábios com a sua língua, e mais estranho ainda eu ter aberto a boca para passagem dela.
Seus braços envolviam a minha cintura, e os meus seu pescoço, em uma tentativa idiota de não deixa-lo sair dali, prolongando o momento ao máximo. Logo nos separamos novamente em busca de ar. Ele puxou-me e quando achei que ele iria me beijar novamente, ele apenas abraçou-me. Eu estava tão confusa, não sabia se o que ele sentia era semelhante ao que eu sentia. Não sabia se aquele momento significava tanto para ele quanto significava para mim. Foi quando eu o ouvi falar:
– Eu não consigo mais viver sem você.
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