A dama e o vagabundo -Cobrade
22 Capitulo 22
No outro dia pela manhã Jade levantou-se bem cedo para dar sua aula de dança na Ribalta, depois de tanto tempo não tinham muitas pessoas da sua época de estudante. Exceto Joaquina que tinha assumido o lugar de Rene e João que ajudava sua mãe na organização dos eventos. Lucrécia e Edgard passariam o dia fora cuidando de assuntos da Ribalta. Cobra daria aula em uma academia um pouco distante dali em período integral, pois um dos professores de lá tinha precisado se afastar por motivo de saúde. Após ensinar uns passos de dança para os alunos pediu para que eles ficassem ensaiando enquanto ela iria ao banheiro. No andar de baixo os meninos estavam treinando para um exame de grau e a música da aula de Jade estava os encomodando.
– Filha, vai lá em cima pra mim e pede pra abaixarem esse som.
– Pai é a aula da Jade, será que não fica "chato" eu interromper?
– A única coisa que fica chata é eu não conseguir dar a minha aula.
Bianca subiu com receio. Ela e Jade não eram amigas, mas não tinham mais aquela rivalidade da época em que estudavam juntas. O tempo e a maturidade fizeram elas perceberem que brigas e competições não as levariam a lugar algum. Mas sabia que, assim como Lucrécia, não admitia que interrompessem seu trabalho. Ao bater na porta foi avisada por uma aluna que a professora tinha ido ao banheiro e a bastante tempo, por sinal. Ela, sem demora, foi até o local se encontrar com a menina. Ao entrar lá pode ver que Jade estava caida no chão, desmaiada. Com dificuldade conseguiu levanta-la e coloca-la deitada em um banco grande que tinha ali. Em pouco tempo ela acordou.
– Jade, o que aconteceu? Você está bem?
– Mais ou menos. Minha cabeça está doendo...
– Você está pálida... Me espera aqui que eu vou pegar água pra você.
***
Em menos de cinco minutos a menina voltou com a água e ajudou a "amiga" a tomar.
– Obrigada...
– Sem problemas. Quer que eu te leve no hospital?
– Não precisa não. Já estou melhorando... Vou pra casa descansar um pouco.
– Espera. Jade, eu sei que não somos amigas, mas nos conhecemos a muito tempo e eu me preocupo com você....
– Por que está dizendo isso?
– Jade, tem alguma possibilidade de você estar grávida? -A menina a olhou assustada.
– Não. Claro que não....
– Tem certeza? Você tem andado muito estranha ultimamente. Não se alimenta direito, fica tonta toda hora, desmaia...
– Já entendi.. Você está querendo colocar coisas que não existem na minha cabeça não é? Pra me ver por baixo, igual você sempre quis.
A menina saiu de lá e foi parar casa o mais rápido que pode. A única coisa que precisava era deitar e dormir. Será que Bianca poderia estar com a razão? Não. Não. Todas as vezes que tinha se deitado com Cobra tinha usado camisinha. Exceto aquela vez na praia que eles estavam desprevenidos. Mas de qualquer forma ela fazia o uso contínuo do anticoncepcional, apenas tendo o esquecido uma ou duas vezes. Nada com que precisa-se se preocupar. Sua tentativa de dormir era em vão, seus nervos estavam a flor da pele. Levantou-se da cama e foi até a cozinha pegar um copo de água com açúcar. Novamente a tontura veio impedindo-a de chegar a seu destino. Sentou-se no sofá e ouviu a campainha.
– Bianca? O que está fazendo aqui?
– Vim ver se você melhorou.
– Sim, obrigada! -Ela tentou fechar a porta, mas Bianca a conteu com o braço- Espera, eu não vim só pra isso. Será que... Eu posso entrar?
Ela deu passagem para Bianca e a menina sentou-se no sofá.
– Eu comprei um teste de farmácia pra você...
– Como é que é? Você só pode estar brincando...
– Não. Estou falando muito sério.. Olha, você pode até não acreditar em mim, mas eu quero te ajudar. É melhor fazer isso logo e acabar com qualquer dúvida. Não adianta ficar correndo Jade, uma hora você vai ter que fazer isso...
– Eu sei -Disse convencida- É que eu tenho medo...
– Eu estou aqui com você. Vai lá...
Disse entregando o teste para Jade, que com receio pegou e foi até o banheiro. Vinte intermináveis minutos era o tempo que teriam que esperar para ver o resultado. Durante esse tempo as meninas ficaram em silêncio sentadas no sofá, com o olhar fixo em um ponto qualquer.
– Eu não tenho coragem de olhar. Olha você Bianca..
– Eu não. Também não tenho coragem... -Jade olhou o resultado e, imediatamente , olhou para Bianca- O que foi? Diz logo Jade...
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