A custo da felicidade
10 O outro lado de Berk. Parte 1
Soluço acordou novamente na floresta. Suas costas doíam e ele estava com uma grande dor de cabeça, olhou para Banguela e o grande dragão apenas cobriu sua cabeça com a asa. O menino abafou um riso.Se esticou e foi até a pequena lagoa para lavar o rosto
O ruivo acordou seu dragão e o chamou para ir caçar, o montou e sentiu o vento batendo em seu rosto enquanto subiam. Ele sorriu e sentiu a liberdade que sempre sentia ao estar junto de seu companheiro réptil. Quando ele era mais velho e era o chefe da aldeia não podia mais explorar como fazia antes, toda sua atenção era centrada na aldeia. Não ter que se preocupar com eles retirava um grande peso de suas costas, se sentia jovem como não se sentia a muito tempo. Ele e Banguela giraram como um entre duas rochas, voaram o mais alto possível e abaixaram rapidamente para perto do mar, Banguela abriu a boca e pegou alguns peixes. Eles sorriram e voltaram para o lugar deles, Soluço formou uma fogueira e o dragão a acendeu. O menino pegou apenas um peixe e o comeu, enquanto tirava as espinhas se lembrou de todas as aventuras que viveu nesse lugar. Onde ele descobriu qual era o problema de banguela, ou quando se tornou o primeiro a fazer amizade com um dragão, se lembrou de Astrid estar junto com ele em manhãs como essa quando ele queria um pouco de paz, sorriu ao reviver cada momento em sua mente. Podia ouvir em suas memorias o riso de Meleguento e Ruffnut , as piadas de Tuffnut, os concelhos de Perna-de-peixe, as intrigas entre Heather e Astrid.
Após comerem todos os peixes Banguela e Soluço se levantaram, o dragão se transformou novamente em um gato e pulou em um dos ombros de Solulço. Ambos voltaram para a vila, o ruivo foi até a ferraria para que Bocão o levasse para a padaria onde ele começaria seu primeiro dia aprendendo a fabricar pães. Em sua outra vida, ou seja o futuro inexistente, ele já tinha ido varias vezes na padaria, porém tudo mudou depois que os dragões se tornaram amigos deles. Soluço se lembrava brevemente que Berk no passado possuía muitas pessoas pobres, algumas que não sobreviviam ao rigoroso inverno Berkiano. Depois dos dragões ninguem mais passava fome em Berk, todos podiam caçar, afinal foi a primeira aula que Soluço deu. As casas não eram mais queimadas, na verdade algumas até eram ocasionalmente, mas normalmente eram apenas os filhotes aprendendo a soltar fogo.
Soluço se espantou com a pobreza do outro lado da ilha, onde haviam apenas as casas dos mais podres, e os estabelecimentos secundarios. Esse era o lado da ilha onde moravam os que não eram Guerreiros, ou não vinham de uma família de guerreiros. O menino se lembrou de que nessa época apenas alguns podiam ir para o treinamento de como matar dragões.
“Soluço, essa lado da vila é bem diferente do que você está acostumado.” Disse Bocão “ O cargo que você vai pegar é muito disputado entre os que moram aqui, já que quem trabalha na padaria pode levar uma certa cota de comida todos os dias para casa.”
Soluço olhou algumas crianças mais magras que as do outro lado da vila, algumas crianças eram tão magras quanto ele. Reparou que ninguém o olhou como se fosse uma aberração, do modo que faziam do outro lado. Estavam acostumados a ver Bocão ir buscar materiais para a ferraria e o menino que estava ao lado dele era bem magro, ou seja, provavelmente não era alguem importante.
“Bocão?” Chamou Soluço.
“Sim, Soluço?” Perguntou Bocão parando e o olhando.
“Ninguém sabe quem eu sou?”
“Sobre você ser o filho do Stoi…” Soluço o interrompeu antes que o loiro pudesse continuar.
“Isso mesmo”
“Não, eu apenas disse a Sra. Grito que um menino do outro lado da vila ia vir trabalhar com ela.” Bocão disse esfregando a parte de trás da cabeça.” Você quer que eu fale quem você é? Eu ia dizer agora quando chegássemos”
“Não” Disse apressadamente o ruivo.”Eu prefiro que não saibam, se souberem vão me olhar do mesmo modo que os outros, você não percebe Bocão essa é uma nova oportunidade. Uma oportunidade de encontrar pessoas que podem até mesmo se preocupar comigo”
Eles não vão se aproximar sabendo que você é do outro lado” Falou Bocão entendendo o que o menino estava falando, o pequeno ruivo sempre foi muito anti-social, porém talvez ele na verdade nunca tenha sido realmente anti-social. Apenas os outros que não o aceitavam, o menino sempre foi muito aberto com ele e sempre com varias invenções malucas. Stoico raramente vinha para este lado da vila, os outros também não. Talvez essa seja realmente a chance de seu garoto.
“Eles não precisam saber.” Falou o menino, ele tirou o colete de pele e entregou ao seu antigo professor, logo depois tirou as tiras de pele de sua bota. Soluço puxou Bocão para o começo da floresta e terminou de se arrumar. No final , até mesmo Bocão ficou impressionado com a diferença no visual do menor. Soluço agora usava botas simples, sua calça possuía um remendo verde que vinha da parte mais baixa de sua blusa que agora era menor depois do corte que ele tinha feito, sua blusa estava mais curta batendo acima do joelho, e seu cabelo estava mais bagunçado. Ele fez duas pequenas tranças da parte lateral de seu cabelo e olhou para o mais velho perguntando o que ele achava.
Bocão ficou impressionado, Soluço parecia diferente, suas roupas eram mais simples mas não era apenas isso. A postura dele era diferente, quase como a de um… chefe? A voz dele ao dizer que eles não precisavam saber era decisiva e de alguma forma impossivel de contrariar. Será que agora que o menino desistiu de ser o Vicking que o pai esperava , ele apenas tinha se tornado ele.
“Está bom, mas como eles vçao lidar com tudo isso?” Bocão levantou as sombrancelhas brincando com o menino. Soluço sorriu de volta.
“Ah, eles vão aprender.” Respondeu.
“Mas, o que vamos dizer a senhora Grito?” Perguntou o Vicking mais velho.
“Apenas que eu não sirvo para lutar, não acho que ela vá fazer mais perguntas.” Disse Soluço
Fale com o autor