A culpa é da calcinha
5 Lobo, lobo dançante
Notas iniciais
Bastante curioso, aproximei-me dela. Não estava sentindo cheiro algum; será que Bella tinha um super olfato?
— Tudo bem? – Jacob disse E quebrOU o clima sereno. – Não nos apresentamos.
Isabella o olhou com menosprezo, pude sentir seus olhos castanhos estudar cada canto do corpo do meu sócio. Após ficar algum tempo o encarando, assumiu uma aparência trespassada e piscou demoradamente. Colocou a mão no nariz e segundos depois, de forma imprevista até mesmo pela sociedade mais anormal do universo, estava aos pés de Jake cheirando, fungando, farejando e bisbilhotando.
Minha boca se abriu, era uma cena muito excêntrica.
— Cara, esse cheiro maravilhoso é dos seus pés? – Ele assentiu com um olhar de feiticeira sedutora e ela sorriu. A garota virou-se para mim e gritou: – Simplesmente, perfeito! Posso ver o seu banheiro?
— Claro, por aqui – falei e indiquei o andar superior.
Subimos as escadas e deixamos Jacob para trás. Ele sentou no sofá, passou as mãos nos pés e cheirou. A calcinha ainda estava em sua boca e Berrá nada havia notado. Quem não notaria aquela fantasia de lobo? Só podia ser uma louca ou… Uma fascinada por desinfetantes de banheiro. Odete estava ao lado da porta do banheiro, segurava um pano de prato e um copo de vidro vermelho. Parecia assustada, como sempre. A moça que estava ao meu lado acenou para a coitada e entrou no banheiro. Fora a cena que tinha visto há poucos segundos... A de Bella tocando as paredes e cheirando os azulejos era a segunda mais anormal.
— Senhor – Odete veio ao meu encontro e cochichou quando a moça se afastou -, essa garota é muito estranha.
— Eu sei – sussurrei em resposta. – Fica de olho nela que vou lá para a sala de estar conversar com o Jake.
— Sim, senhor – acredito que se fosse necessário, Odete faria uma continência.
Andei até poder ver Jacob sentado em meu sofá. Não estava mais fascinado com seus pés, contudo tinha um ar de orgulho a sua volta. Estava orgulhoso por ter pés cheirosos? Não sei.
— Então, qual era o assunto urgente que tinha para tratar comigo? – Sentei ao seu lado.
De uma hora para outra, quando pensei que iria dizer algo, simplesmente se calou. Suspirou. Suspirou. Suspirou e possivelmente, se a porta estivesse fechada, teria tirado todo o oxigênio da casa.
— Precisamos conversar sobre aquela dancinha.
O.K. Jacob não estava bem. O que ele estava falando? Desde quando tínhamos uma dancinha?
Mirei-o desacreditando que tinha dito aquilo. Não o satisfazia mostrar para a sociedade que estava vestido com uma fantasia ridícula e com uma calcinha na boca? Tinha que dizer coisas sem nexo? Não aguentei, explodi.
— Dancinha? – Perguntei incrédulo. – Você está passando mal? – Levantei do sofá de forma repentina, quase caí e dei uma andada pelo local. – Será que não pode me deixar em paz? Não tem vergonha de ser tão estranho? Olhe para você! Como teve coragem de vir até a minha casa vestido dessa forma? E essa calcinha? – Percebi que estava gritando e, bruscamente, parei de falar. Com um pouco de vergonha, abaixei meu rosto. Nunca fui tão sem educação em toda minha vida, pensei.
Em resposta a todas as minhas perguntas, Jacob começo a… Dançar.
Ele estava feliz e com um maldito sorriso no rosto. Caçoando da minha cara. Dançando alegremente. Mexendo os braços. Mexendo os pés. Mexendo a maldita bunda de um lado para o outro. Ele dançava, dançava, dançava, dançava. Como um verdadeiro dançarino. E, surpreendentemente, fomos parar em uma boate. O piso branco que Odete tinha limpado no dia anterior havia se tornado rosa néon. As paredes, que em sua maioria eram somente vidro, estavam ficando vermelhas. No teto surgiu um globo de espelhos e toda a claridade do sol se refletiu verde limão.
Jacob continuava a dançar. Isabella e Odete surgiram ao seu lado e olharam-me com espanto. Inferi que não entendiam o que acontecia com a realidade como eu. Contudo, entraram na brincadeira e, também, começaram a dançar. Como Odete balançava...
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