A culpa é do amor.

2 Uma noite bem diferente!


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! Aqui vai um capítulo maiorzinho para compensar o prólogo! Boa leitura.

O que diabos eu devo vestir para ir a uma apresentação de balé com um amigo?

Eu estava só de cueca no meu quarto, encarando meu guarda-roupa. Eu parecia uma garota que está se preparando para um encontro com um “príncipe encantado” e não sabe o que vestir.

Decidi usar qualquer coisa. Peguei uma calça jeans azul marinho, uma camisa de botão branca, um par de tênis cinzentos e uma jaqueta de couro verde musgo. Torci para que aquela combinação não ficasse horrorosa. Vesti-me e me olhei no espelho. Até que eu não estava tão mal.

Meu celular vibrou e tocou. Era uma mensagem do Isaac.

Mané, estou te esperando aqui fora. Para de retocar a maquiagem e vem logo.

Isaac

Apenas revirei os olhos, coloquei meu celular no bolso da calça e saí do quarto. Despedi-me rapidamente da minha mãe e fui para fora de casa. Em frente a minha casa, estava um carro prateado, baixo e comprido. Andei o mais normal que pude, só que a perna falsa na ajudava muito. Isaac estava na parte de trás, com os seus óculos escuros e quadrados e uma bengala. Cumprimentei as meninas que estavam na frente.

– Oi, eu sou Augustus Waters. – falei sentando-me.

– Oi Augustus. Eu sou Kaitlyn e essa é minha prima Rose. – disse a motorista.

Balancei a cabeça para as duas.

A viagem durou cerca de quarenta minutos. Eu já na aguentava mais ficar dentro daquele carro. Tentava me distrair com alguma coisa. Confesso que passei uma boa parte do tempo só olhando para as pernas da Rose. Eram grossas e pareciam macias.

Kaitlyn estacionou e FINALMENTE saímos do carro. As vestes do Isaac não eram muito diferentes das minhas. Ele usava calça acinzentada, camisa preta com decote em V e tênis All Star. Fitei as garotas.

Perguntei-me se Kaitlyn conseguiu conhecer Isaac na época que ele ainda enxergava. Porque se ele conseguiu vê-la, eu não tirava a razão dele ter uma queda por ela. Aquela garota era linda! Sua pele era bronzeada e o corpo era esbelto. O cabelo dela também era incrível! Era preto, ondulado e chegava na região da cintura. As íris dos olhos possuíam uma tonalidade amendoada. Ela usava uma blusa branca com alças finas, uma saia azul escura e sapatos de salto agulha.

Rose também era muito bonita. Sua pele era mais clara que a da Kaitlyn. Seu cabelo era loiro e também ondulado. Os olhos eram bem azuis e os lábios, finos e rosados. Ela usava um vestido preto, de alças finas, justo e que chegava na metade da coxa. Ela estava me encarando de cima a baixo.

Entregamos nossos ingressos na entrada e fomos para os nossos assentos. Isaac conseguiu sentar ao lado Kaitlyn. Sentei ao lado do meu amigo e Rose e ficou perto de mim.

– Oi – disse ela.

– Oi. – falei.

– Você acha que eu não percebi seu olhar sobre as minhas pernas? – perguntou e eu ruborizei.

– Foi mal...

– Eu não disse que não gostei. – interrompeu-me. Ela sorriu de lado – Gosto que fiquem olhando para os meus... Atributos.

– Tudo bem. – foi o que conseguiu sair da minha boca.

– Atenção senhoras e senhores. – mirei minha atenção para o centro do palco, onde uma mulher segurava um microfone. Ela parecia ter ser quarenta e poucos anos, era morena, tinha cara de estressada e usava um longo vestido vermelho – Antes de começarmos as apresentações de balé da nossa escola, gostaria de chamar ao palco, dois grandes convidados: Peter Van Houten e Lidewij.

Um casal foi para o meio do palco, perto da apresentadora. O homem parecia meio carrancudo. Apesar de usar roupa social, tinha jeito desengonçado. A mulher não. Ela era elegante e jovial. O longo vestido esmeralda destacava a pele branca e o cabelo ruivo dela. Ela era bem magra.

O tal de Peter recebeu o microfone.

– É um prazer estar aqui. – disse ele – Eu e minha esposa, Lidewij, estamos bastante interessados em recrutar jovens bailarinos do mundo inteiro e leva-los para nossa escola de balé profissional, em Amsterdã. Vale lembrar que nossa escola é considerada a melhor do mundo inteiro, sem querer nos gabar. – todos riram.

– Bom, que comecem as apresentações. – disse a senhora.

Os dois convidados holandeses desceram do palco e foram para seus respectivos lugares. Rente ao palco, tinham vários instrumentos como piano, violinos, flautas, tambores e arpas. Cada um com o seu tocador. A cortina vermelha se abriu no meio. Não dava para ver quase nada, já que estava tudo escuro.

Um holofote emitiu uma luz branca, iluminando um casal que estava bem no centro do palco. O rapaz estava com o joelho apoiado no chão, fazendo uma pose de “Quer casar comigo?”. Ele usava aquelas calças coladas de bailarinos na cor bege e uma camisa avermelhada com mangas bufantes. A garota usava meias longas e brancas, sapatilhas brilhantes e escuras e um vestido tomara que caia, com decote em formato de coração, saia armada e todo azul marinho com algumas pedrarias. Os pés dela só encostavam a ponta no chão.

As bailarinas não sentem dor nos pés?

Os dois começaram a dançar graciosamente. Os passos eram lentos e bem precisos. Eles trocavam olhares românticos. Ela pulou em direção a ele e ele a segurou pela cintura, levantando a. Quando os dois estavam prestes a trocar um beijo, apareceram outros dançarinos puxando o casal principal para direções diferentes.

As cortinas se fecham e se abrem, rapidamente. Agora, a protagonista estava sentada no chão, cobrindo o rosto com as mãos, como se estivesse chorando. Um homem fingia gritar com ela, dando-lhe ordens. Parecia que ele estava fingindo ser o pai dela.

De novo, o fechar e abrir de cortinas. O garoto principal também encenava uma cena de discursão com um senhor e uma senhora.

O resto da peça foi bem interessante. Cheio de música e coreografias contagiantes. Os dois protagonistas conseguiram fugir das suas famílias, que eram rivais, e terminaram a encenação em cima de uma pequena montanha feita de papelão cinzento e com um beijo de cinema.

Toda a plateia começou a aplaudir de pé, inclusive eu. Quando nos sentamos, Isaac perguntou:

– A peça foi boa?

Rimos com ele.

Todos os bailarinos se reuniram no palco, um do lado do outro e em linha reta. Os convidados holandeses parabenizaram a todos pelo talento e os dançarinos agradeceram. Peter anunciou que tinha apenas duas vagas para a sua escola.

– Já sabemos quem queremos levar. – disse Lidewiji – Os escolhidos são Dylan e Hazel Grace.

O som dos aplausos ficou mais forte.

[...]

Já estávamos no estacionamento de novo. Fiquei escorado no carro da Kaitlyn, sendo que a mesma estava conversando animadamente com Isaac. Eles, de fato, formavam um belo casal. Rose andou até mim. O movimento que o quadril dela fazia era harmônico e hipnotizante. Ela esfregou as mãos nos braços, como se estivesse com frio. Desci o zíper do meu casaco.

– Quer? – ofereci minha peça de roupa e ela aceitou. Meu casaco ficou um pouco largo nela e ela teve que puxar as mangas para cima, para que suas mãos ficassem visíveis. Ela ficou do meu lado, ficando a pouquíssimos centímetros de distância.

– Seu nome é Augusto, né? – falou.

– Augustus. – corrigi – Mas, pode me chamar de Gus.

– Certo... Gus. – ela mordeu o lábio inferior.

É aquele momento que o rapaz deve começar a puxar assunto com a garota, mas eu não fazia a menor ideia do que falar. Já estava com um bom tempo que eu não saia ou apenas flertava alguma menina. Rose tinha cara de quem já teve seus três ou quatro namorados e que estava à procura de mais um. Ela parecia ser uma pessoa bem decidida e que sabe bem o que queria.

– Faz o quê da vida? – perguntei. Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça.

– Eu curso Ciências Biológicas na Universidade de Indianápolis. – respondeu – E você?

– Bom... – droga! – Basicamente, nada.

– Nada?

– É. – respondi meio sem jeito – Terminei o colegial há algum tempo e ainda não sei o que eu quero fazer da vida.

– Também não trabalha?

– Não. – neguei.

O casal principal apareceu. Acho que eram Hazel e Dylan. O cabelo da Hazel era bonito. Possuía uma bela tonalidade de castanho médio, que era mais claro nas pontas e chegava até o busto com pequenas ondulações. O rosto dela era oval, as bochechas eram minimamente salientes e os olhos, castanhos. Suas pálpebras estavam cobertas com uma maquiagem azul petróleo. Ela usava um short jeans com detalhes rasgados, uma camiseta branca com detalhes de paetês dourados nas mangas, vários colares de tamanhos e pingentes variados e um par de botas marrons e felpudas. Ela era linda.

Hazel e Kaitlyn se abraçaram. Puxaram Isaac para o abraço também.

– Parabéns amiga. – disse Kaitlyn. Hazel agradeceu – Essa é minha prima Rose.

Rose apenas acenou para Hazel, que também acenou.

– E esse é o Augustus, meu amigo. – disse Isaac apontando para uma idosa que estava perto de nós. Puxei a mão dele e fiz com que ele apontasse para mim.

Todos começaram a rir.

– Sou Augustus Waters. – falei cumprimentando a Hazel, apertando sua mão pequena e macia.

– Oi. – disse ela. Sorriu para mim e eu acabei sorrindo também.

– Você foi ótima. – falei.

– Obrigada. – ela se afastou de mim e se aproximou do rapaz que dançou com ela – Bom, esse aqui é o Dylan, meu namorado, Kaitlyn e Isaac já o conhecem.

Dylan não parecia um bailarino. Os ombros dele eram largos e os braços pareciam as pernas da Hazel. Ele tinha cabelo preto e cacheado e era moreno. Os olhos eram negros e as sobrancelhas, grossas. Ele era um pouco mais alto do que eu.

– Temos que comemorar o presente que vocês ganharam. – disse Kaitlyn.

– Vamos todos para minha casa. – sugeriu Hazel.

Ela e o Dylan entraram em um carro verde que parecia aqueles veículos apropriados para acampar ou andar na selva. O automóvel era aberto em cima, nos lados e era pequeno.

– Rose. – chamei a – Não seria melhor deixar Isaac e Kaitlyn irem na frente, já que eles sabem o caminho?

– Claro. – disse ela, entrando na parte de trás.

Isaac passou por mim e sussurrou um “Obrigado”.

Fiquei ao lado da Rose e pus meu cinto. Kaitlyn nos colocou na estrada e seguimos o carro do Dylan. Ela e Isaac continuaram só conversando e, através daquela simples conversa sobre tempos colegiais, eu pude perceber um brilho no olhar da morena toda vez que o Isaac falava alguma coisa.

[...]

Paramos em frente a uma casa que ficava no meio de uma cerca de madeira branca, pontuda e pequena. Descemos dos veículos. Passamos pela cerca e andamos sobre uma passarela de cerâmica perolada, que dividia o chão gramado. Hazel abriu uma porta preta e entramos na casa dela. O chão era de madeira vernizado e as paredes eram de um bege claro que dava um ar de sem graça. Fomos até a sala e sentamos nos sofás vermelhos com almofadas marrons. Sentei-me ao lado do Isaac, de frente para Kaitlyn e Rose. Dylan sentou no chão e apoiou os cotovelos na pequena mesinha de centro de vidro.

Hazel se juntou a nós. Ela trazia consigo três latinhas de cerveja, duas garrafas de uísque e uma de vodca. Ela segurava um maço de cigarros com os dentes. Sentou-se no chão, no meio das pernas do namorado dela.

Todos começaram a conversar. A pessoa que mais falava era o Dylan. Ele adorava mencionar o fato que era filho de um importante empresário, que tinha uma conta bem gorda no banco e que falava mais de três idiomas. Isaac, quando foi falar sobre se mesmo, mencionou sobre o câncer que ele teve no olho. Sim, Isaac já teve câncer e foi assim que nós dois nos conhecemos. Passamos a frequentar o mesmo grupo de apoio a jovens que lutam contra o câncer. Kaitlyn falou sobre o curso de modelo dela e Rose, sobre a faculdade de biologia. Hazel também contou um pouco sobre a vida dela, enquanto fumava.

Olharam para mim.

– Ah... – comecei – Bom, sou Augustus, tenho dezoito anos e é só isso. – sorri amarelo.

– Como conheceu o Isaac? – perguntou Hazel.

– Num grupo de apoio para jovens cancerígenos. – respondeu Isaac, antes de mim.

– Que tipo de câncer? – interrogou Rose.

Levantei uma parte da minha calça, mostrando minha perna falsa, toda feita de metal, borracha e outras coisas.

– Osteossarcoma. – falei.

– O que você tem feito ultimamente? – indagou Dylan. Ainda bem que ele mudou de assunto, pois eu não queria mais falar sobre minha doença.

– Nada de mais. Não faço faculdade e não tenho emprego, então passo a maior parte do tempo lendo livros ou treinando alguns acordes no violão. Antes de ter parte do meu corpo amputada, jogava basquete. – dei de ombros – Bons tempos.

O silêncio se instalou por pouco tempo naquele local. Bebi um pouco de cerveja. Eu nunca tinha ingerido nada alcoólico antes, eu acho. Os que mais bebiam era o casal principal. Hazel obedecia ao que parecia ser uma ordem: tragar o cigarro, beber uísque e beijar o Dylan. O beijo deles dois era bem... Selvagem. Eles faziam questão de mostrar as línguas se enroscando uma na outra, as mordidas e os chupões nos lábios.

Sentamos no chão formando um círculo. Pegamos uma garrafa de vidro vazia e deitamo-la no chão. Rose rodou a garrafa e a mesma apontou para Hazel.

– Verdade ou desafio? – perguntou Rose.

– Verdade. – respondeu Hazel.

– Qual a coisa mais nojenta que você já fez até hoje?

Hazel fez um bico e grunhiu.

– Eu já tive que beber leite azedo para não passar fome. – todos nós fizemos som de repúdio e ela riu. Ela girou a garrafa e a mesma parou em mim. Eu disse que queria a verdade – Augustus, como foi o seu primeiro beijo?

– Foi quando eu tinha seis anos. Beijei uma prima minha que, na época, tinha quinze anos. Ela me estapeou porque eu a agarrei enquanto ela dormia. – rimos. Fiz com que a garrafa rodasse e a boca dela parou de frente para o Isaac – Sua vez, amigão. – falei e ele choramingou – Verdade ou desafio?

– Desafio.

Sorri malignamente. Avistei um aparelho de DVD com karaokê. Perguntei para a Hazel se eu poderia usá-lo e ela deixou. Fui até a TV e selecionei uma música. Entreguei o microfone para o Isaac e ele começou a cantar Like a Virgen, da Madonna.

Gargalhamos bastante dele. Ajudei o se sentar e ele continuou a brincadeira.

– Quem é a minha vítima? – brincou ele.

– Eu. – disse Kaitlyn. Ele fez a pergunta típica do jogo – Quero desafio.

Isaac mordeu o lábio inferior e suas narinas bufaram, pensativo. Ele respirou fundo e falou:

– Me beija.

Kaitlyn ficou um pouco receosa com o pedido dele, mas cumpriu o que devia. Ela colocou uma das mãos no rosto dele, fazendo com que os lábios deles se encontrassem. No começo, era um simples selinho, mas, depois, percebemos que aquilo era especial para os dois.

A brincadeira continuou. Dylan rodou a garrafa e ela parou de frente para a Rose.

– Desafio. – disse a loira.

– Eu quero... Que você mostre os peitos. – respondeu.

Hazel olhou para o namorado dela, incrédula. Ele nem notou isso. Rose tirou meu casaco, levou as mãos para a parte de trás do vestido e desceu o zíper. Ela deslizou as alças pelos braços pardos. O sutiã dela era de renda vermelha. Ela desfez o fecho daquela peça de roupa íntima e, simplesmente, a tirou. Os seios dela eram bem redondos e tinham os bicos eriçados e rosados. Fiquei tão focado neles que nem percebi as coisas ao meu redor. Hazel se retirou e Dylan foi atrás dela.

– Ela mostrou os peitos? – cochichou Isaac no meu ouvido.

– Sim. – afirmei.

– São grandes?

– Médios.

Já era mais de duas horas da manhã. Fiquei sozinho na sala com a Rose. Ela estava completamente bêbada. Eu também não estava muito bem. Sentia-me meio zonzo. Rose começou a beijar o meu pescoço. Suspirei. Os lábios dela foram subindo para minha clavícula. Pus a mão na nuca dela e a beijei na boca. Nossos lábios se encaixaram e eu fiz com que nós nos deitássemos no sofá som ela por cima. Ela deixou uma perna de cada do meu quadril, enquanto nossas línguas dançavam uma com a outra.

Quando nosso beijo parou, abri meus olhos e a vi desafivelando meu cinto. Gemi em antecipação. Só que ela não continuou. Suspirou pesadamente e passou a mão pelos cabelos.

– Está tudo bem? – perguntei.

O que aconteceu depois foi sacanagem! Ela vomitou em mim, deixando toda a minha camisa nojenta e fedorenta. Rose desmaiou e caiu no chão. Ela acabou dormindo.

Fechei os olhos, decepcionado.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? É, Gus, não foi dessa vez! kkkkkk Comentem please! Beijos.