A cova dos Hipogrifos
13 Faço novos "amigos" - Stevie
Notas iniciais
Primeiro: Thomas morre, segundo: Emily fica Bipolar, terceiro: acho que estou apaixonada. Sério, o jeito que Dean se preocupou comigo... Eu simplesmente não consegui ficar brava com ele. Mudando de assunto, depois de almoçarmos, eu e Dean continuamos procurando pelos animais. O dia todo eu perguntei onde ficava a tal da caverna no sonho dele, mas Dean vivia dizendo que não sabia onde, porque não mostrava nenhum indicio do lugar. Pedi a ele procurar cavernas no Bronx. Ele procurou, mas não encontrou nada. Significava que a entrada para a caverna, ou covil, era mágica, então tínhamos problemas muito mais sérios do que pensávamos. O pior era que uma hora Emily estava carinhosa, outra quase arrancando o meu dedo. O comportamento dela me fez lembrar de quando Sonic era apenas um filhote. Parei.
–Tudo bem, Stevie? Dean tambem parou. Balancei a cabeça para me livrar daquele pensamento.
–Claro respondi e continuei andando. Quando me cansei, sentei num banco e enfiei a cara nas mãos.
–No que você estava pensando? perguntou Dean se sentando ao meu lado. Era assustador quando ele sabia o que eu estava pensando, mas eu não podia mentir agora.
–Em Sonic falei acariciando o pescoço de Emily você disse que ele estava naquela caverna e... fui interrompida.
–Eu não disse isso argumentou Dean.
–Tanto faz continuei o fato é: não sabemos se ele esta bem ou não.
–Ele com certeza esta bem Dean franziu a testa você acha mesmo que a entrada da caverna é mágica?
–Deve ser, por que... eu não sabia exatamente o porquê, mas sem duvida alguma, a entrada tinha algum véu magico a escondendo, tipo Névoa Ah, sei lá. Nem tudo tem uma explicação.
Ele inclinou a cabeça para poder olhar para mim e então arqueou as sobrancelhas.
–Tá ele disse vamos deixar desse jeito e voltou a olhar para o chão.
Bati na minha cocha e Emily pulou para o meu colo. Bufei com o peso, mas aprendi a aguentar porque na noite passada ela insistiu em dormir comigo na cama e rolava em cima de mim o tempo todo. Tive uma estranha sensação de estar sendo observada. Olhei por sobre o ombro e vi um anão nos espiando detrás de uma arvore. Cutuquei Dean no ombro e ele inclinou a cabeça para mim. Indiquei com a cabeça o anão, que não havia notado que tambem estávamos o espiando. Dean olhou para ele e arregalou os olhos azuis e murmurou algo como é o cara que apareceu no sonho. Prendi a respiração e pedi para Emily descer do meu colo e vi o anão pegar algo no bolso do macacão. Um rato amarelo de olhos vermelhos e presas gigantescas.
–Oh meus deuses murmurei e comecei a me levantar. Dean me puxou de volta. O rato veio andando devagar até nós e Emily inclinou a cabeça se levantando. Puxei sua correia e ela sentou de novo.
–Agora — murmurou Dean. Minha sorte era que os professores de arco e flecha no Acampamento me ensinaram direito e eu tinha uma pontaria boa. Tirei as adagas do cinto e me levantei, jogando uma no rato que se partiu ao meio e soltou faíscas, seguidas por uma pequena explosão.
–Aaah! gritou o anão e se virou para correr. Mas como suas pernas eram curtas ele não foi muito longe.
Joguei a outra faca na cocha dele e o anão tropeçou e começou a chorar. Muito estranho. Eu e Dean corremos até o anão caído, com a perna ensanguentada. Puxei a adaga da cocha dele e o cara gemeu de dor.
–Quem é você? gritei para ele.
–Por favor, não me mate, não me mate! ele rezou. Olhei para Dean como quem diz que Mané e depois me virei para o anão.
–Eu perguntei quem você é, vai me responder ou não? parte de mim estava só curtindo com a cara dele, a outra estava pensando em Sonic, no que aquele anão fedorento fizera com ele.
–Não posso dizer! ele respondeu não me lembro!
–Ele parece estar dizendo a verdade disse Dean.
Suspirei e coloquei o anão de pé. Ele era mais pesado do que parecia.
–Já que você não pode nos dizer quem é falei então vai nos levar até seja lá quem for que manda em você.
–Não! o anão tentou escapar de mim, mas com a perna machucada ele tropeçou e caiu. Levantei-o de novo a Senhora irá me matar!
–Se você não nos levar intrometeu-se Dean Nós vamos.
O anão engoliu em seco e se encolheu.
–Tudo bem ele disse por fim mas quero um pagamento.
–Pagamento? perguntei.
–Minha liberdade ele respondeu.
–Liberdade murmurei pensando nas possibilidades. Podíamos solta-lo, mas então ele podia começar um comércio de animais sozinho, mas se não concordássemos, ele não nos levaria até sua Senhora Tudo bem, mas só depois que nos levar.
–Feito disse o anão estendendo a mão. Eu a apertei e fechamos o acordo. Emily chegou perto e farejou o anão. Ela não parecia feliz.
–Hã... disse Dean atrás de mim Stevie, podemos conversar um minutinho? Emily, cuide dele está bem?
Levantei-me e fui com ele até um canto.
–Acho que esse acordo não foi... Assim... Bem... Dean coçou a cabeça.
–Uma boa ideia? ironizei minha resposta.
–É...
–Olha, ficará tudo bem eu falei ele não parece ser de quebrar acordos.
–Você devia ter o feito jurar pelo Estige Dean subia e descia nos calcanhares. Parecia realmente nervoso.
–Tudo bem revirei os olhos e me virei pro anão que estava sentado e brincava com Emily de pegar o graveto. Voltei-me para Dean erguendo as sobrancelhas.
–Fala sério murmurou ele balançando a cabeça negativamente. Deixei escapar um sorriso.
Voltamos para onde o anão e Emily brincavam.
–Vou te chamar de Billy soltei.
–O que? perguntou o anão, pasmo.
–Você ouviu, Billy peguei sua mão e o ajudei a se levantar para onde?
Ele ponderou um pouco e apontou para o táxi.
–Canadá disse ele é para lá que temos que ir.
–Canadá?! exclamou Dean é muito longe!
–Você ouviu, filhinho disse o anão e mancou na direção do carro.
–Gostei desse cara sorri e segui o anão. Depois de entrarmos em taxis três vezes, pegarmos um ônibus e mais meio metro, chegamos ao aeroporto. Enquanto Dean comprava as passagens, sentei em uma mesa na praça de alimentação e observei Billy e Emily passearem num canto. Pelo mais incrível que parecesse, Billy não tentara fugir nenhuma vez, ele aparentemente gostou de Emily, e ela dele. Nem percebi quando Dean sentou na cadeira ao meu lado. Ficamos num silencio constrangedor por um tempo até que Dean o interrompeu:
–No que está pensando?
Dei de ombros. Eu realmente não sabia no que pensar. Não sabia se pensava em Sonic, no covil dos hipogrifos, ou nas almondegas que estavam sendo servidas a três mesas de distancia. Dean tocou meu ombro e estremeci.
–Se é em Sonic, ficara tudo bem. Se for no covil, Billy disse que fica em Otawa. Se for naquelas almondegas, realmente, parecem deliciosas.
Consegui dar uma risada fraca. Olhei para ele e percebi que agora ele olhava para Billy e Emily. Olhei para os dois tambem. De repente pensei em como minha vida era louca. Quer dizer, meu pai era um deus e tem mais um milhão de filhos por ai, meu bichinho era um animal mitológico que não deveria nem existir, minha mãe... Pensar em minha mãe me deu dor de cabeça. Eu não pensava nela a meses, desde a guerra contra Gaia. Pensei em como aquele Drakon destruíra nossa casa, levando minha mãe. E ela fizera tudo isso para me proteger... Balancei a cabeça para esquecer aquilo. Uma lagrima desceu meu rosto mas a enxuguei rápido para que Dean não a notasse. No interfone uma voz de mulher soou anunciando que o nosso voo, o 316, sairia em 30 minutos. Levantei-me e Dean tambem. Seguimos até onde Billy acariciava as asas de Emily.
–Vamos disse Dean bruscamente. Cotovelei-o.
–O voo vai sair logo, pegue... lembrei que Billy não trouxera nada quer saber? Apenas coloque Emily na coleira e venha.
Billy colocou a coleira nela e seguiu Dean e a mim até o portão. Depois de meia hora, embarcamos no avião. Emily ficou no fundo com as malas e outros animais. Sentei-me com Dean e o clima frio do ar condicionado me fez adormecer com a cabeça encostada no ombro do garoto.
Quando acordei, o avião caia.
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