A coragem de encontrar-me
26 Epílogo: Sem mais viagens no tempo, por favor
Notas iniciais
— Se acalme, Link — diz Purah ao meu lado. — Não vai ser nem um pouco conveniente você desmaiando agora.
Tento controlar minha respiração. Apesar de estar um dia fresco, estou suando frio. Olho ao redor, preocupado, pois elas estão demorando demais. Eu entendo que a subida aqui para a montanha Tuft não seja a mais fácil, mas elas estão a cavalo. Já deveriam ter chegado, não deveriam?
— Olha só, elas estão chegando. Consigo ouvir o trotar dos cavalos — anuncia Paya.
Sinto alívio apenas para voltar a sentir nervosismo no segundo seguinte. Tento me perder em memórias para me distrair durante esses excruciantes minutos de espera.
Lutar contra guardiões foi fácil. Recuperar minhas memórias depois de um coma que durou um século, tranquilo. Destruir os demônios das Bestas Divinas? Moleza. Aniquilar Ganon e terminar a Calamidade? Só pedir e eu faço de novo.
Nenhuma dessas tarefas testou minha coragem tanto quanto pedir Zelda em casamento. Ainda mais considerando que ela estava fria e distante comigo naqueles dias. Mas ao ouvir as teorias dos outros Links… eu sabia que não podia esperar mais. A aliança já estava queimando em meu bolso há alguns meses, desde antes do dia da última Fonte, mas nunca houve a oportunidade perfeita. Então decidi parar de procurar pelo momento ideal e simplesmente seguir meu coração.
E quando ela aceitou… ah, quando ela aceitou. Nunca fui tão feliz quanto naquele momento. Com exceção de… bem, de agora. Avisto ela e Impa terminando de subir a montanha e desmontando seus cavalos. Zelda está vestindo sua antiga túnica branca cerimonial, pois não houve tempo de preparar um novo traje para ela.
Quando retornamos para Hateno depois de sair do Templo Perdido, nos reunimos com Impa e Purah para contar o que descobrimos e dar a notícia de nosso noivado. Elas receberam a notícia de nossa união com euforia, mas ficaram preocupadas com o momento. Durante as duas semanas que estivemos fora na jornada até Hebra, os casos de pessoas infectadas com a fumaça tóxica cresceu a uma taxa alarmante.
— Não acho que seja a época ideal para um casamento real, queridos — disse Purah. — O povo não vai aceitar bem.
Zelda respondeu decidida.
— Não tem problema, Purah. Não precisamos fazer algo grandioso, sequer anunciar pro mundo. Vamos fazer uma cerimônia pequena, apenas conosco.
Então, em poucos dias planejamos tudo. Eu usaria minha farda azul, ela sua túnica cerimonial. Como local, escolhemos o alto do monte Tuft, onde existe uma lagoa com formato de coração — e onde nós dois costumávamos passear com frequência para… fazer piqueniques. Foram convidados apenas nossos amigos mais próximos: Purah, Impa, Paya, Tauro, Riju (e Buliara a tiracolo) e Sidon.
A data foi marcada para o mais cedo o possível. Zelda e eu queríamos formalizar nossa união antes de embarcarmos em nossa próxima missão até as profundezas ao Castelo de Hyrule, onde investigaremos a fumaça tóxica e tentaremos confirmar a teoria dos Links de que a encarnação mortal de Demise está lá. Tal jornada envolve riscos, e, apesar de não querer pensar no pior cenário, não gostaríamos de perder a oportunidade de nos casarmos. Tudo isso aconteceu há meros 10 dias.
A Master Sword está de volta comigo. Ao sair de Hebra, passamos na floresta perdida para buscá-la. Ela permaneceu ali nos últimos anos, se recuperando da batalha contra Ganon. Ao receber a luz divina da floresta, a lâmina da espada se recupera e ganha força, e acreditamos que, por ter passado tanto tempo lá (entre inúmeras iterações dos Links, nos meu período em coma e agora nos anos mais recentes) ela esteja forte o suficiente para aniquilar Demise. Zelda acredita que seus poderes, amplificados pela energia da Triforce, conseguirão expurgar a energia demoníaca dele de dentro da lâmina; mas optamos por tentar fazer isso apenas se encontrarmos o corpo do homem em questão.
Amanhã partiremos nessa nova jornada, então decido aproveitar cada segundo de hoje. Vejo Zelda se aproximando de mim de braços dados com Impa, que irá oficializar nosso matrimônio. Ela para diante de mim e eu admiro seu rosto, tão familiar. Em seu cabelo está uma Princesa Silenciosa. Levo minha mão até sua bochecha para fazer um carinho, e ela deita a cabeça na minha palma.
— Bem, acho que podemos começar — diz Impa. — Estamos reunidos aqui hoje para celebrar a união da Princesa Zelda de Hyrule e o Soldado Real e Campeão de Hyrule, Link.
Vejo que Impa está emocionada e seus olhos estão cheios de lágrimas. Ela nos dá um sorriso.
— Estou muito feliz em conseguir presenciar este dia. É um presente de esperança depois de anos tão difíceis — continua Impa. — Que a vida de vocês seja repleta de alegria e cumplicidade até o último dia de sua existência.
Em seguida, fazemos nossos votos. Zelda promete me amar, cuidar de mim, ser minha companheira, e diz que nunca mais vai tentar me forçar a comer os sapos que encontra. Eu prometo amá-la, protegê-la e sempre resgatá-la, não importa qual a profundidade do buraco onde ela cair. E, claro, sempre cozinhar seus pratos preferidos.
— Eu os declaro marido e mulher — diz Impa, agora sem conseguir conter as lágrimas. — Pode beijar a noiva.
E, sem me preocupar por termos plateia, seguro Zelda e a beijo apaixonadamente.
— — -
Estamos no alto da escadaria que inicia a descida às profundezas do Castelo. Zelda está segurando o Purah Pad, preparada para usar sua câmera para documentar o que descobrirmos. Eu acendo as tochas que iluminarão nossa jornada. Meu coração está aflito com o que iremos encontrar hoje, mas sei que não importa desde que estejamos juntos.
— Ei — digo, chamando sua atenção. Ela sorri ao ouvir minha voz e desgruda os olhos do Purah Pad por alguns segundos. — Te amo — declaro, sem conseguir disfarçar o sorriso em minha voz.
— Também te amo — responde feliz. — Fico feliz em poder compartilhar essa existência com você.
— Concordo. Chega de viagens no tempo, né? Já tivemos o suficiente para a vida inteira — brinco.
E assim iniciamos a descida às câmaras ocultas do Castelo de Hyrule.
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