Notas iniciais
Música da fic (de onde, aliás, saiu a frase que inicia a coisa toda): http://www.youtube.com/watch?v=Dl4QCNPVpyA
A cor cinzenta da indecisão.
Eu não acho que pequenas grandes garotas devessem andar sozinhas nessa velha e assustadora floresta.
O mundo esteve, por muito e muito tempo, aos seus pés, beijando o chão empoeirado onde você pisava. Por muito tempo, você não teve sexo – era só aquela segunda criança – e, embora naquela época você não soubesse, atualmente – no topo do mundo e, ao mesmo tempo, bem embaixo dele – você daria tudo para que as pessoas voltassem a te tratar daquele jeito. Você é uma leoa, querida, mas quem diria que você faria tudo para ser um leão?
Você gosta de lembrar, com certa dose de amargura, da época em que as coisas eram pretas no fundo branco, tão fáceis de definir, de aceitar. Mas agora tudo deixou de ser simples e as coires se mesclaram bem em frente aos seus olhos, mas quem poderia dizer que você não fez o que devia ser feito?
Você quer – deseja tão profundamente que quase se arrepende – voltar para aquelas noites e dias gelados onde você e Jaime não eram diferentes. Você quer voltar até antes de ser enfiada num vestido elaborado e de ter seu sempre idêntico irmão arrancado de você e posto para treinar uma coisa que você nunca teria o direito de ter. Uma espada, um pouco de honra. A própria liberdade.
Você quer voltar até quando casamento era só uma palavra bonitinha, e você se censura porque, quando criança, você queria sempre tão desesperadamente crescer, sem saber que com o marido vinha a dor de ter sua identidade arrancada para se tornar mil e uma facetas que você nunca soube ser – esposa, rainha, mãe.
Você quer voltar a ser só uma criança sem sexo com os pés enfiados na lama, os cabelos bem trançados e o vestido rasgado. Quer voltar a não entender quando sua mãe dizia que a sina de uma mulher é ser infeliz de seu primeiro suspiro até seu último – porque, naquele tempo, você achava que sua doce, doce mãe só estava meio senil.
Você daria tudo – qualquer coisa – para deixar de ser Cersei, a Rainha, e ser Cersei, o Menino.
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