A consciência além do tempo.

3 Mil novecentos e... como é que é?!


Quando Harry despertou, estava na ala hospitalar. Reconheceu o local de tantas vezes que já tinha ido para lá. A sala estava limpa e sem nenhum sinal de madame Pomfrey.

Talvez tudo tenha sido um sonho ruim. Talvez Harry nunca saíra de Hogwarts para as férias. Sentou-se e sentiu suas costas reclamarem. Sua cabeça e estômago também doíam e sua mão estava enfaixada.

Não, tudo era verdade.

— Ah, meu jovem, vejo que acordou.

Uma figura conhecida por Harry adentrou o local. Harry não pôde evitar esboçar um sorriso de alegria ao ver o homem:

— Professor Dumbledore...

— Ah, então você sabe quem eu sou. – O velho deu uma risada divertida. Ele caminhou até o pé da cama de Harry.

— Por que eu não saberia... – Harry parou a pergunta ao lembrar-se do vira-tempo. Havia retrocedido anos no passado.

Ele podia reconhecer Dumbledore, contudo, se olhasse com atenção, veria que o velho professor estava mais jovem. O menino fechou os olhos, respirando fundo e tentando se acalmar.

— Ah, meu rapaz, reconheço que tenho certa fama. Mas são tempos difíceis, apenas um nome é dito com frequência.

Voldemort. Só podia ser. Harry voltara para o período da ascensão do lord das trevas. O mero pensamento causou-lhe arrepios.

— Grindelwald é quem ocupa toda a fama do mundo bruxo pelas atrocidades que comete, meu jovem.

Quem? Harry sabia que já havia escutado aquele nome antes, mas não lembrava-se. Anda, Você sabe! Tente se lembrar da figurinha de Dumbledore dos sapos de chocolate, uma vozinha muito parecida com a de Hermione falou em sua mente. Ele então se lembrou que Dumbledore, era excepcionalmente conhecido por derrotar um bruxo das trevas. Esse bruxo era lembrado como o pior antes de Voldemort: Gellert Grindelwald.

— Grindelwald, senhor?

O velho colocou uma de suas mãos no ombro do moreno. Seus olhos encheram-se de ternura e tristeza.

— Rapaz, eu sei que deve doer escutar o nome dele. Nós sabemos o que os seguidores dele lhe fizeram.

E agora mais essa...

— Como, senhor? – perguntou o moreno confuso.

— Não precisa ter vergonha. Sabemos que o torturaram. Mas não se preocupe, seus machucados foram devidamente tratados.

Dumbledore achava que a surra de tio Válter era obra de Dumbledore? Harry não sabia se contava o que realmente aconteceu ou se simplesmente entrava no jogo do velho. Ele lembrou-se do que Hermione falara sobre mexer com o tempo. Se falasse, Harry já estaria alterando o futuro? E ainda tinha todo aquele papo de loop e versões que ela tentara explicar a ele...

Mas espera...Dumbledore disse “nós”?

— Senhor, quem mais... sabe... sobre isso? – Perguntou com certo constrangimento. Apesar de não saberem a verdade, só o fato de alguém ter visto o estrago em seu corpo, fazia Harry sentir vergonha.

Ele sentia-se humilhado por aquilo tudo. Nunca contou sobre as surras exageradas para Ron e Hermione.

— O professor de poções e o rapaz que o achou desmaiado.

O rapaz que o achou desmaiado... ah, não... o moreno quase esqueceu que havia trombado em alguém. Mas não podia ser quem ele tinha visto. Harry deve ter alucinado por causa da tontura causada pela viagem temporal e pela surra

Só tinha um jeito de saber:

— Senhor, poderia me dizer a data do dia de hoje?

De início, o velho estranhou a pergunta, mas logo chegou a mais uma de suas conclusões mirabolantes:

— Ah, você deve ter ficado muito tempo à mercê dos homens de Grindelwald, isso deve ter afetado sua noção de tempo.

— Ah, foi isso mesmo...

O velho professor então conjurou um calendário em cima do colo do jovem Potter. Harry correu os olhos pelo papel. Havia um círculo vermelho ao redor do número que indicava o dia, mas o que mais interessava ao moreno era o ano. Para seu azar, as suspeitas do garoto estavam certas.

Estava em 1943.

O rapaz que vira antes de desmaiar era Tom Riddle.

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Tom Riddle estava no salão comunal da sonserina. Era uma sensação maravilhosa ter o lugar inteiro só para si. Havia conseguido convencer Slughorn a deixá-lo ficar em Hogwarts durante as férias para realizar um projeto pessoal de poções. O professor nunca negaria nada a seu aluno mais promissor. Então facilmente os dois conseguiram convencer o diretor Dippet com astúcia e lábia.

Tom precisava permanecer em Hogwarts. Não aguentava mais o orfanato em que foi obrigado a crescer. Não aguentava mais passar todas as férias com comida escassa e frio intenso. Não aguentava mais as zombarias das outras crianças e não poder retribuir com um belo crucio.

Ele simplesmente não suportava mais a vida com trouxas.

Não foi difícil convencer Slughorn a elaborar um projeto de poções. Agora, poderia ficar ali o quanto quisesse e, claro, aquilo facilitaria também seus planos com a câmara secreta. Depois de cinco longos anos trabalhando para encontrar a entrada, o jovem Riddle finalmente conseguira. Tinha planos para algumas pessoas.

Mas isso teria esperar. Depois que o jovem trombou acidentalmente com o garoto misterioso, os papéis que carregava se espalharam pelas escadas. Depois de achar Dumbledore e ajudá-lo a levar o menino para a ala hospitalar, Riddle voltou às escadas para tentar achar os papéis. Slughorn o chamou de volta para a sala dizendo que seria ótimo testar suas habilidades de poções medibruxas. Com isso, ele voltou e ajudou a cuidar do rapaz. Até Dumbledore pareceu ficar orgulhoso.

Por que, claro, se o garoto misterioso estava machucado daquele jeito é porque cruzou com Grindelwald. E como parecia ter sofrido um tratamento não mágico, significava que ele era ou nascido-trouxa ou mestiço. Alguns dos homens de Grindelwald compartilhavam a ideia de que os sangue-ruim não mereciam nem mesmo um castigo bruxo, por isso usavam de métodos e torturas trouxas nos mesmos. E apesar do garoto ser um sangue-ruim, Riddle o ajudou sem hesitar.

Isso valia alguns pontos com Dumbledore.

Tom não se importava em ajudar o garoto. Havia certo interesse naquilo...Por estar ali, e por conta de seu sangue também ser sujo, Slughorn fez questão de colocar uma barreira de proteção máxima ao redor do lugar. E mesmo assim o garoto conseguiu entrar. O sonserino não resistiu e usou sua legilimência no rapaz assim que ele desmaiou. Não pôde descobrir muita coisa antes de Dumbledore aparecer.

Mas o que descobriu era bem... interessante.