A complicated love
2 O segredo do oceano
Notas iniciais
"Era impressionante... Um humano acabara de ganhar minha confiança...
Será que ele iria trai-la? Não... Não seria capaz. Eu espero."
***
Andando pelas ruas de Magnólia, ia seguindo Natsu para sua casa, eu acho. Poucas pessoas caminhavam por ali, conversando, comprando coisas... As vezes gostaria de fazer coisas de humanos. Acho que seria muito mais legal do que passar o dia inteiro se escondendo por causa do sol.
Em poucos minutos, chegamos na casa... Mansão seria o correto. Chegamos na mansão de Natsu. Tinha um grande jardim com flores rosas. A mansão era branca com traços da cor marrom. Parecia familiar...
Lembro de quando eu era pequena... Sempre corria pelo jardim, observando as flores rosas com minha mãe, e sempre ficava sentada a beira do lago (que eu costumava chamar de oceano, pelos seus mistérios) observando-o. Sorri comigo mesma, e me toquei que Natsu estava me chamando.
– Ei, Luce... — Natsu me cutuca, e eu desperto do meu transe, prestando atenção. — Entra. — disse ele, me dando passagem para entrar na mansão. Entrei e arqueei a sobrancelha pra ele, que logo acendeu a luz.
– Não tem medo não? vai que eu ataco sua família... — perguntei, fazendo com que ele desse risada.
– Não... Eu já prometi que não irei te fazer mal. — respondeu ele, subindo as escadas.
Bufei, e o segui, admirando a casa. Era bem bonita. Era branca, como eu disse, e tinha bastantes móveis... Ainda achava aquela mansão um tanto familiar...
– Eu tenho uma irmã e uma prima que moram comigo. Minha prima pode te emprestar uma troca de roupa, já que vocês tem a mesma idade, acho... — pronunciou ele, logo depois de subir as escadas. Ele acha que eu moraria com ele?
– Eu não vou morar com você! — exclamei, com os braços cruzados. Ele arqueou a sobrancelha, me fitando.
– Prefere ficar por aí, bebendo sangue de humanos durante a noite e se escondendo durante o dia? — perguntou ele. Abaixei a cabeça, derrota, fitando o chão. Suspirei, balançando a cabeça de forma negativa. — Então, pode ficar aqui. No quarto de hospedes. — disse ele, com um sorriso alegre. Sorri junto, agradecendo.
Andamos uma porta, do lado direito do corredor. Natsu bateu na porta, e eu escutei um grito lá dentro.
– Já vai...– uma voz feminina gritou. Passos se escutavam vindo em direção a porta.
Era a prima dele? Acho que sim...
A porta se abriu, mostrando uma menina de cabelos escarlates cor de sangue... Sangue... Droga, Lucy! Você acabou de beber sangue e já quer mais? Continuando.. Seus olhos eram castanhos, um pouco mais escuros que os meus. Ela olhou para mim, e depois para o Natsu.
– Oi, sou Erza Scarlet. É a namorada desse idiota aqui? — perguntou ela, apontando para Natsu. Senti meu rosto arder um pouco. Droga...
– N-Não.. Sou só uma amiga. Sou Lucy. Lucy Heartphillia. — respondi e me apresentei forçando um sorriso. Ela sorriu gentilmente.
– O que foi? — perguntou para Natsu, que sorriu.
– Pode emprestar uma troca de roupa para ela? — perguntou ele. Erza desconfiou, mas acabou indo ao seu armário e pegou uma troca de roupas. Agradeci, sorrindo, ou pelo menos tentando sorrir. Não sei o por que, mas ainda não conseguia sorrir verdadeiramente...
Ouvi um som de porta se abrindo e se fechando próximo dali. Olhei em direção ao barulho, avistando uma garotinha de cabelos azulados, com um vestido de traços azuis e amarelos. Parecia que tinha acabado de acordar. Ela estava coçando seus olhos, com os mesmos semicerrados.
– Oi, onii-chan, Erza-chan... — cumprimentou a azulada. Coçou os olhos de novo, me observando. — Olá, onee-chan. — me cumprimentou, sorrindo. "Ela é fofa", pensei.
– Olá... — ia cumprimentando. — Qual é o nome dela? — perguntei sussurrando para Natsu, que respondeu "Wendy". — Olá Wendy. — cumprimentei ela, e a mesma sorriu. Logo depois, seus olhos brilharam.
– Você é a namorada do onii-chan? — perguntou ela, correndo em minha direção e me abraçando. Senti meu rosto arder de novo. Francamente... Erza começou a rir. Percebi que ela ainda não havia saído dali
– Não. Sou somente uma amiga. — respondi, entre as risadas, tentando disfarçar o constrangimento. Olhei para Natsu, que estava com a cara virada. Ri comigo mesma disso. Ele estava constrangido?
Percebi que Wendy estava cheirando meu vestido. O que ela estava fazendo?
– Qual é o seu nome? — perguntou ela. Respondi, com um ar de dúvida. — Lucy, seu vestido está com cheiro de sangue.. Acho melhor você se trocar... — disse ela. Fiquei tremula. Se ela soubesse que eu era vampira... Que olfato bom o dela! Eu nem sujei o vestido com sangue. — Mas não aqui, óbvio. — continuou, olhando para Natsu, que sorriu maliciosamente.
– Tudo bem, vou me trocar... — disse, mas antes de sair, Erza fez uma pergunta.
– Você se machucou? Por que está com cheiro de sangue? — ela perguntou, com um ar de curiosidade. Estava pensando em uma mentira, quando Natsu responde por mim...
– Ela menstruou. — respondeu ele por mim. O que esse garoto tem na cabeça? Não podia inventar uma desculpa melhor?? Erza assentiu, entendendo, e Wendy do lado dela, estava boiando. Acho que ela estava com muito sono.
Fui até o banheiro e me troquei. Era uma regata branca, com uma calça jeans. Coube direitinho. Qual a idade dela?
Saí do banheiro, me deparando com Natsu, que me olhou de cima a baixo. Menino pervertido.
– Quer parar de me comer com os olhos? — perguntei, sorrindo irônica. — Qual a sua idade e a da sua prima? — perguntei.
– Erza tem 17 anos. Eu tenho 16 e Wendy tem 10 anos. — respondeu, me fitando, e logo depois descendo as escadas. Fui atras dele. — E você? — ele me perguntou, sem me olhar.
– Tenho 16 anos, também. — respondi, terminando de descer as escadas. — Que horas são? — perguntei. Ele olhou para o relógio em seu pulso.
– São 22:30. — respondeu ele. — Venha, tenho que te mostrar um lugar. — disse ele, pegando na minha mão. Olhei para as paredes da sala, observando os quadros. Havia vários dele criança. Ele com a Erza e a Wendy, e um garoto de cabelos negros. Sorri observando os quadros. Mas observei que em nenhum deles tinha sua mãe ou seu pai. Meu sorriso desapareceu aí. Ele não tinha pai nem mãe?
Natsu abriu a porta de casa, me levando ao jardim. Soltou minha mão, sorrindo. Retribui o sorriso. A noite estava linda. A lua brilhava, deixando tudo mais claro. O jardim ainda me soava familiar. Ainda mais aquelas flores rosas que estavam ali. Me lembrava muito de quando eu era criança. Suspirei, lembrando das cenas de quando criança. Me lembrando de meus pais...
– Venha comigo. — disse Natsu, me levando para a parte de trás da mansão. Eu observava tudo, até que avistei o oceano (não era um lago para mim) de quando eu era criança. Voei até lá, com os olhos brilhando de felicidade. Aquele era o oceano, com certeza. Aquela... Era minha casa?
Não me importei. Sentei na beira do oceano e fiquei observando-o. Não era um oceano qualquer. Tinha uma magia nele...
Percebi que Natsu havia sentado do meu lado.
– Ei, Natsu... Essa casa.. Era minha, não era? — perguntei, ainda fitando o oceano. Ele suspirou, e respondeu em seguida.
– Antes de meu pai morrer, ele dissera que era de uma família de vampiros... — respondeu ele. Sorri, ao me lembrar daquele oceano que eu tanto amava quando criança. Será que eu podia confiar no Natsu para mostrar a magia? Bom, talvez amanhã eu mostre...
Voltei com o Natsu para casa, Erza estava sentada no sofá, enquanto os empregados preparavam o jantar. Me sentei ao seu lado, e Natsu subiu ao seu quarto.
– Oi, Lucy. — disse ela, sorrindo. Cumprimentei ela, igualmente, sorrindo verdadeiramente agora. Eu ainda estava meio impressionada por estar confiando neles. Eram pessoas boas.
– Lucy, posso te perguntar algo? — perguntou ela. Assenti, com um pouco de medo da pergunta. Ela suspirou seriamente, e me fitou com os olhos. — Sei que você não é... Digamos... Normal. Posso sentir isso. — começou ela. Engoli seco. Ela sabia? — Desde pequena, eu consigo sentir algumas coisas estranhas. Por exemplo... Posso sentir quem é vampiro ou não. Eu não sei o por que. Wendy, minha prima, tem um olfato ótimo e também conseguiu perceber. Eu nunca senti raiva ou ódio dos vampiros, ao contrário de meu pai e meu tio... — explicou ela, suspirando tristemente. Estava surpresa. Quem era o pai dela? E o.. Pai de Natsu? — Deixarei você morar conosco. Óbvio, se você quiser. — disse ela, sorrindo. Abri um sorriso. — Bom, essa casa era de uma família de vampiros... Era sua? — perguntou ela. Assenti, fitando o chão. — Bom, estranhei quando você veio com o Natsu. Meu primo sempre sentiu um certo ód... — ela ia falando, quando Natsu apareceu na escada, interrompendo.
– Vamos jantar? — perguntou ele. Senti Natsu forçando um sorriso. Sentindo um certo o que? Será que... Não. Natsu não podia me odiar... Podia?
Erza mandou um olhar "depois falo com você". Fomos até a cozinha, e os pratos já estavam na mesa. Eu não comia. Somente bebia sangue das pessoas, e em certos momentos, bebia.
Wendy estava com uma cebola na mão e um avental de cozinhar. Cebola... Arg!
– W-Wendy, p-pode deixar isso.. Er... Longe de mim? — perguntei, tampando os olhos e me afastando dela, que olhou pra cebola e depois pra mim.
– Ah, desculpa Lucy! — exclamou ela, jogando a cebola longe. Agradeci, rindo, e me sentei ao lado de Natsu, que estava sério. O que ele tinha?
Só fiquei observando Natsu, Erza e Wendy comendo. Não conseguia comer nada. Fazia 5 anos que não comia comia comida de humano. Somente sangue...
– Ah, desculpa... Está com fome? — perguntou Natsu, percebendo que eu nem tinha tocado na comida. Balancei a cabeça negativamente.
– Vou subir, descansar um pouco. Obrigada por tudo. — disse, sorrindo, e o fitando nos olhos. Antes de sair, percebi Natsu corando um pouco. Ri silenciosamente, e subi as escadas. Meu quarto era do lado do de Natsu, no corredor esquerdo.
Abri a porta. Era lindo o quarto de hospedes. Havia uma janela enorme ao lado da cama, tendo a vista da cidade, e de umas árvores de cerejeiras um pouco longe dali. A cama era de casal; do lado esquerdo, havia uma escrivaninha, e do direito, uma cômoda. A frente da cama, havia um guarda roupa, e uma suíte.
Me joguei na cama, pensando no que iria fazer dali pra frente. Iria ficar aqui? Bom.. Podia ser. Tanto faz...
Peguei no sono segundos depois. Minhas pálpebras pesaram, e acabei me entregando ao sono. Apesar de quase não dormir, naquela noite eu estava com sono. Estranhei isso, mas...
~.~
– Ãn? O que? — perguntei para mim mesma. Onde estava? O que era aquilo..?
Observei o lugar. Estava deitada em um jardim... Espera... Era o jardim de minha casa... Aquilo era um sonho, certo?
Me sentei, e observei uma garotinha com cabelos dourados logo a frente. Sou eu...
Uma mulher loira igual a garotinha estava do lado dela, Observando o oceano junto com a mesma. Sorri. Era minha mãe e eu...
Não conseguia me mexer dali. Meu corpo não obedecia. Fiquei ali mesmo, fitando eu e minha mãe no passado.
– Mamãe, mamãe!– gritava, com os olhinhos brilhando de alegria. — O que é esse oceano? — perguntava, para minha mãe. Ela riu, olhando para filha.
– Ora, Lucy... É um lago, mas tudo bem chamá-lo de oceano... O que importa é seu segredo... Se entrar nele, e esvaziar sua mente, poderá ver um mundo melhor... – disse minha mãe. A garotinha parou de olhar para o oceano e olhou para a mãe, com os olhos brilhando mais ainda.
– Posso entrar? Posso?– perguntava ela. A mãe assentiu. Mas antes de entrar, a menininha olhou com dúvida para a mãe. — Mas eu vou me afogar... E o oceano é pequeno demais...– falou a menininha, quase perdendo os brilhos em seus olhos. A mãe riu, olhando para a filha.
– Lucy, você não irá se afogar. Acredite em você... Acredite que você pode, e vai conseguir. Somente... Acredite. Você não disse que é um oceano? Ele é do tamanho que tem que ser... Você irá conseguir.– disse a mãe. A loirinha assentiu, entrando no seu oceano. Fechou os olhos, e entrou. De roupa e tudo. A água começou a brilhar. Um brilho ao redor de todo o oceano... Não era um lago, definitivamente. Não para ela. Aquele oceano... Ele podia revelar para você se tinha o poder de dar sua vida para outra pessoa. Ele tinha o poder de te mostrar coisas incríveis. Mas somente se você acreditasse nele. Você via todas as suas lembranças. Desde que nasceu, até agora. Ele podia te mostrar segredos de todo o mundo. Mas você se esqueceria... Em breve, se esqueceria desses segredos. Por que SÃO segredos, e não são revelados.
A menininha saiu com os olhinhos brilhando mais do que já estavam. Suas roupas não estavam molhadas. A mãe estava com um sorriso estampado no rosto, fitando a menininha.
– Mamãe! É incrível! É como se fosse tudo um sonho.. Tão real!– a menininha gesticulava com as mãos, com um sorriso de orelha a orelha.
– É sim, minha filha... É incrível... Pena que os outros humanos não tem vontade e não acreditam para ver...– disse a mãe, suspirando tristemente. Mas logo abrindo um sorriso, ao ver a filha animada olhando para o oceano.
– Eu AMO meu oceano, mamãe! Amo!– exclamava a garotinha, olhando para o oceano.
– Quem me dera voltar a esse tempo e mudar tudo... Mamãe... Papai... — sussurrei, olhando para a cena.
~.~
O sonho acabou, e eu fitava o teto ainda pensando no sonho. Uma lágrima de saudades caiu sobre meu rosto. Se eu pudesse voltar no passado...
Contínua...
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