A compilação do primogênito
4 O desvio de localização
O desvio da localização
—Não! — o grito alto de Katherine foi seguido por o barulho de algo batendo contra a parede. Leonard parou na porta de seu apartamento cogitando se deveria entrar ou não, enfrentar sua filha de três anos, recém completados naquele dia, e sua mulher grávida de sete meses não parecia algo muito animador. Ele poderia voltar para seu laboratório, ligar para Penny e dizer que estava atolado em trabalho, era uma boa saída. Porém, ele havia prometido que sairia mais cedo para poder ajudar a preparar a festa de aniversário de Katie, a última festa que eles fariam naquele apartamento, e ele não pode quebrar aquela promessa.
Suspirando, Leonard fechou a porta atrás de si e jogou a bolsa na sua escrivaninha. Ele caminhou lentamente até o quarto de Katie já sabendo qual seria o motivo da gritaria. Os brinquedos estavam espalhados pelo corredor, provavelmente jogados para fora do quarto por Katie. Ela ainda não havia aceitado muito bem a ideia da mudança, porque assim como Sheldon, ela odiava mudanças.
Leonard se apoiou no batente da porta e observou Penny respirar fundo de olhos fechados enquanto Katie estava à sua frente de braços cruzados e a boca contorcida em um beicinho.
—Katie, eu sou vou falar mais uma vez. Coloque os brinquedos na caixa. — Penny ordenou tentando manter a voz calma.
—Não! — Katie gritou batendo os pés contra o chão.
—Katherine Marie Hofstadter. Eu sou sua mãe e você tem que me obedecer.
—Não!
Leonard suspirou antes de adentrar no quarto soltando um assobio ao ver a bagunça do cômodo, ele então se agachou e pegou um dos ursos de pelúcia de Katie.
—Então o furacão Katherine passou por aqui.
—Papai! — Katie correu na direção dele abraçando suas pernas. Leonard se agachou para ficar na altura dela e disse.
—Por que você está irritando sua mãe, Katie? — Katie revirou os olhos, coisa que havia aprendido algumas semanas antes. — Você tem que obedecer sua mãe, ela não pode se irritar porque seu irmãozinho ainda está dormindo.
—Eu não quero ir. — Katie disse, sua dicção estava melhorando aos poucos, ela quase não trocava mais o “r” pelo “l”. — Eu quero ficar aqui.
—Eu sei. Mas temos que nos mudar, teriam espaço para você e seu irmãozinho brincarem. Você não quer ter um quarto só para você? Para não precisar dividir com Luke?
—O nome do nosso filho não vai ser Luke. — Penny falou cruzando os braços.
—Ainda estamos em discussão. — Leonard disse, mas Penny apenas arremessou uma das almofadas contra ele. Katie riu parecendo se divertir com a brincadeira de seus pais, Leonard então a ergueu pela cintura usando-a como escudo humano. — Eu tenho uma criança.
Penny riu abaixando a outra almofada que segurava e apenas o encarando.
—Seu pequeno idiota cabeludo. — ela murmurou revirando os olhos. Leonard se aproximou dela e lhe roubando um beijo, Katie se encolheu contra ele fechando os olhos com as mãos. — Como foi o trabalho?
—Bem. Bem. E como está por aqui?
—Ainda em processo. Katie não está ajudando muito. — Penny cutucou a barriga de Katie que apenas ria da mãe. Leonard então a colocou no chão. — Temos que limpar o apartamento até amanhã à tarde.
—Eu sei. A galera disse que iria nos ajudar amanhã.
—Ou seja, sentar na sala e ler a últimas revistinhas soltando suspiros melancólicos. — Penny murmurou passando por ele e saindo do quarto, Leonard a seguiu ignorando sua acidez gestacional. — Agora me ajude a arrumar a sala.
—Sim senhora.
××××
Leonard usou sua bombinha pela terceira vez até finalmente se sentir bem, Penny o encarou com os olhos brilhando de pena, mas com um sorriso doce nos lábios.
—Você fez um bom trabalho, querido. — ela disse beijando a bochecha dele. Leonard observou o sofá e as poltronas afastadas para os cantos da sala liberando o espaço para que as crianças brincassem, teria sido mais fácil e mais rápido se penny pudesse ajudar ou se Katie saísse de cima do móveis que ele queria mover, mas nenhum das duas estava apta ou disposta a isso. — Deixa que eu cuido dos balões, porque você não vai terminar de arrumar Katie.
Leonard assentiu sem conseguir falar nada já que seus pulmões pareciam queimar, ele apenas se virou e seguiu para o quarto de Katie.
—Qual roupa você quer? — ele indagou observando a filha analisar as peças que Penny havia deixado espalhadas em cima da cama. Embora Katie ainda fosse muito nova para demonstrar qualquer interesse por moda ou ciência, Leonard havia percebido que assim como mãe, Katie amava fazer compras, seja de roupas, sapatos ou brinquedos. O amor por gastar dinheiro era hereditário.
—Esse! — Katie apontou para um conjuntinho formado por um macacão jeans e uma blusa azul com pompons brancos.
Leonard assentiu e se agachou para ajudar Katie a se trocar. Ele observou Katie rodar e saltitar pelo quarto segurando sua varinha de fada que fazia parte da fantasia de fada que ela havia usado no halloween.
—Mamãe, eu quero tranças! — ela gritou correndo para fora atrás de Penny. Leonard sorriu fechando a porta do quarto atrás de si e seguindo para seu próprio quarto.
—Por que ela é tão escandalosa? — Penny indagou ajudando Katie a subir na cama.
—Eu não sei. Talvez tenha puxado a mãe. — Leonard disse sorrindo para a esposa. Penny revirou os olhos e dedilhou os fios do cabelo de Katie puxando-os para fazer as tranças.
—Talvez ela tenha puxado a boca grande do papai.
—A gravidez te deixa ainda mais enjoada.
Desta vez ela ergueu o dedo do meio para ele. Leonard colocou a mão sobre o peito se fazendo de ofendido antes de teatralmente sair do quarto.
Ele seguiu para a sala observando se havia algo mais a se fazer. Os balões e a faixa de “Feliz aniversário, Katie” estavam pendurados no teto, na bancada da cozinha estava o bolo enfeitado de flores e todos os outros doces que Penny havia encomendado. Alguns brinquedos de montar estavam agrupados perto do sofá para quando as outras crianças chegassem, Leonard mal podia esperar para passar as próximas horas ouvindo Halley reclamar de Michael enquanto Katie tentava terminar de montar seu castelo de legos em meio ao caos.
—Leonard, Penny, Katie e bebê sem nome. — a voz de Sheldon soou sendo acompanhada por uma batida na porta. — Leonard, Penny, Katie e bebê sem nome. — outra batida. — Leonard, Penny, Katie e bebê sem nome. — mas outra batida. Leonard caminhou até a porta e a abriu. — Bom dia, Leonard.
—Oi de novo, Sheldon. — ele murmurou dando um passo para lado a fim de seu amigo entrar. Ele então sorriu para Amy e inclinou-se para dizer oi aos bebês na barriga dela, coisa que Sheldon impôs que todos fizessem para que os seus bebês não se sentissem “excluídos” das conversas. Porém, antes que pudesse continuar com o hábito estranho, Sheldon o parou.
—Não fale com eles. Stephen e Stan estão de castigo.
Leonard olhou para Amy buscando algum luz naquela situação.
—Um deles chutou. Eu chamei Sheldon e nenhum deles chutou mais. — ela disse soltando me suspiro cansado. — Agora não posso falar com eles, porque estão de castigo.
—E eu pensava que já era um castigo ser filho dele. — Leonard murmurou fechando a porta.
—Tio Sheldon! — Katie gritou correndo até Sheldon e abraçando as pernas dele.
—Oh! Criança, lembre do que eu disse. — Katie deu um passo para trás e rapidamente estendeu a mão para Sheldon apertar. Leonard coçou a nuca pensando seriamente como diabos havia conseguido um pequeno Sheldon como filho. — Bem melhor. Agora peguei seu presente.
Katie pegou a sacola estendida e se sentou no chão retirando a caixa embalada, ela hesitou por um segundo olhando Leonard pedindo permissão para abri-la, ele assentiu e Katie rasgou a embalagem colorida, então ela sorriu feliz ao ver o novo kit de ciências para iniciantes.
—Oh, Penny vai matar alguém. — Leonard sussurrou para si mesmo antes de sair de perto do casal já imaginando o que sua esposa pensaria quando Katie transformasse o seu quarto em um laboratório.
×××
—Não. Não. Não. Isso é humanamente impossível. — Howard refutou erguendo o copo com cerveja.
—Está diante dos seus olhos. Veja. — Penny colocou outro copo sobre a barriga completando a torre de copos de plástico perfeitamente equilibrada.
—Algumas vezes me surpreendo como acabamos parando nesse tipo de entretenimento coxo. — Sheldon murmurou balançando a cabeça em desaprovação. Leonard revirou os olhos e se levantou da cadeira indo pegar outra garrafa de água para sua esposa.
—Que horas o Raj disse que chegava? — Penny indagou ignorando o comentário de Sheldon.
—Já era para ele estar aqui. — Bernadette disse olhando para o relógio. — Talvez o voo esteja atrasado.
—Ele estava super animado para essa viagem ao Hawaii. Tinha até comprado sungas novas e um biquíni para Canela. — Howard disse, Leonard reprimiu uma careta e se sentou em sua cadeira entregando a água para Penny.
—Eu ainda não acredito que ele conseguiu levar aquela cadela na primeira classe. — Amy disse balançando a cabeça com descrença.
—Leonard, por que você não corta o bolo? — Penny sugeriu tentando aliviar o clima, ele assentiu e se levantou.
—Vamos Katie, hora de comer o bolo. — Katie saltitou atrás dele até a cozinha. Leonard a colocou sentada na bancada e lhe entregou os pratos plásticos para que ela os separasse. — Você já escolheu a cor que quer pintar seu novo quarto?
—Não.
—Talvez pudesse ser rosa ou amarelo. Você adora amarelo.
—Eu não quero ir. — Katie abaixou a cabeça brincando com as bolinhas em sua blusa.
—Por que você não quer ir? — ele indagou. Katie ergueu a cabeça e se ajoelhou em cima da bancada, então segurou o rosto dele com as duas mãos apertando as bochechas, era sua maneira de mostrar que estava falando sério.
—Tio Sheldon. — ela sussurrou baixinho. — Ele tem medo.
Leonard olhou para a filha que tinha os olhos castanhos brilhando intensamente e aquele beicinho em seus lábios, e então olhou para Sheldon. Ele se lembrava da época do prêmio Nobel, quando tudo na vida deles parecia estar em um ritmo frenético de mudança, Sheldon havia ficado assustado e confuso porque ele não sabia o que fazer ou como agir. Naquele momento, Leonard sabia que ele estava se sentindo assim novamente. Sheldon logo seria pai de duas crianças que ele não poderia devolver caso não fossem do jeito como ele queria. Duas crianças. Amigos longe. E Katie, mesmo com a pouca idade, queria ajudar Sheldon, porque ela o amava e cuidava dele.
Leonard bufou irritado consigo mesmo. Por anos tentou se livrar de Sheldon e justo no momento que finalmente tinha conseguido isso, seu próprio sangue o traiu.
—Sheldon, vem aqui. — ele chamou o amigo. O cientista se levantou do seu lugar no sofá e caminhou até ele. Leonard respirou fundo sabendo que Penny o mataria quando soubesse do seus novos planos. — Eu sei que você e Amy estão buscando uma casa, e que você se sentiria mais seguro perto de pessoas que você conheça. E pelo bem da sanidade mental de seus futuros vizinhos... a casa vizinha a minha está à venda. Talvez você e Amy…
—Sim! Sim! Oh Deus sim! — Sheldon gritou sorrindo como um o lunático que era antes de sair correndo até Amy.
—Pronto, já me arrependi. — Leonard murmurou pegando Katie em seu colo. Ela riu baixinho. — Isso é culpa sua, sabia?
Katie riu abraçando-o e beijando sua bochecha.
—Te amo, papa.
—Também te amo, minha abelhinha.
—Leonard. — Penny o chamou caminhando lentamente em sua direção devido ao peso de sua barriga e talvez a raiva instalada em seu corpo. Leonard fechou os olhos passando a mão pelo rosto esperando receber a irritação de sua esposa. — Por que diabos você falou para o Sheldon que a casa estava à venda?
—Por causa disso. — ele apontou para Katie que voltou a fazer beicinho e piscar os olhos, mas isso não teve nenhum efeito com Penny que voltou a resmungar.
—Não! Finalmente iríamos nos livrar da responsabilidade de cuidar do bebezão ali e dos bebezinhos dele. E agora você estragou tudo. — Leonard colocou a mão no bolso e puxou a pequena caixa preta enquanto Penny murmurava palavrões disfarçados, ele abriu a caixa e a colocou à frente dos olhos dela. O par de brincos de diamante brilharam intensamente. — Oh céus!
—Sheldon é o nosso novo vizinho.
—Poderia ser até o Hulk que eu não me importo. — Penny pegou a caixinha e analisou seu conteúdo fascinada com sua nova aquisição.
—Ela é como um peixe, atraída por objetos brilhantes. — ele disse à Katie que riu de sua risada.
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