A cigana e o Véu

2 Capítulo 1- Luana Ramos.


Capítulo 1- Luana Ramos.

Julho de 2023... Quase 10 anos depois...

Agatha acordou com o cheiro de café invadindo suas narinas, mas não se mexeu. Podia ouvir a confabulação de sua mãe e Alexandre dentro do quarto. Ouviu sua mãe ralhar com ele quando subiu na cama de supetão, depois ouviu a risadinha dele quando esfregou de leve algo áspero na ponta de seu nariz.

Agatha resmungou e protegeu o rosto com a coberta, porém o sono já estava comprometido, se ergueu ainda estonteada fazendo o cobertor escorregar de sua cabeça, mostrando o cabelo castanho ondulado totalmente desgrenhado, os olhos semicerrados e a careta de sono não completado.

Então começaram a cantar “parabéns pra você”. Agatha olhou para o relógio, eram 5h30 da manhã de uma segunda-feira. Geralmente acordava a 6h para se arrumar, arrumar Alexandre e sair para a distribuidora que tinha e sociedade com o irmão. Viu a mãe segurando uma bandeja com seu café da manhã e um mini bolo confeitado no centro, soltando faíscas, enquanto Alexandre pulava em sua cama com um buquê de rosas em uma mão e uma banda de pão na outra.

- Parabéns, Babachím! Feliz aniversário! – Alexandre pulou no colo dela sem aviso derrubando-a novamente na cama, enquanto sua mãe gritava “eeeehh” procurando onde colocar a bandeja.

Agatha o abraçou sonolenta, depois agarrou sua cabeça dando vários beijos em seu rosto e cabelo. Para ela Alexandre ainda tinha cheirinho de bebê mesmo aos 9 anos.

Sua mãe resolveu colocar o café na cama mesmo e foi abraçar e beijar os dois também.

- Baetínha, feliz aniversário! Deus lhe abençoe e lhe dê muita paz, saúde e felicidade!

- Amém! A nós todos. — Disse Agatha beijando o rosto da mãe e contemplando a cena a sua frente.

Ali estavam as maiores riquezas que tinha. A mãe incansável, generosa, bondosa que era seu alicerce e porto seguro desde sempre na sua vida. Era pra onde sempre poderia voltar quando tudo mais estava errado. E seu filho que renovava suas forças todos os dias, era por quem aprendeu a ser forte e ser por mais alguém além dela.

Depois de tomar seu café especial de aniversário e preparar a ela e ao filho para um dia corrido, Agatha estava pronta para seu trabalho de sempre. Olhou no espelho e contemplou-se na camisa gola polo azul, com listas brancas na manga e o logotipo da sua loja, junto com a calça comprida de linho bege e um cinto marrom fininho com fivela dourada. Prendeu os cabelos ondulados e fartos em um arranjo meio solto, pôs um protetor solar que servia de base, um brilho labial rosa e rímel nos olhos realçando o verde deles.

Ela parou um pouco pra pensar que não havia envelhecido tão mal pra quem viveu com o mínimo de esforço pra si cuidar. Sorriu pensando na Agatha de 10 anos atrás e na de agora. Ainda exibia a boa forma nos seus 1,80 de altura apesar de ter ganhado mais gordura nas pernas e bumbum que os 37 anos não deixavam mais perder com facilidade. Ela exibia uma pele acastanhada que clareava ou escurecia dois tons dependendo da quantidade de sol. Herança do pai, assim como os olhos, a estatura alta, o porte físico que era atlético com o mínimo de esforço, mas principalmente o gênio. Seu Arimatéia era um senhor explosivo. “Que Deus o tenha!”

Agatha partiu para o escritório da distribuidora que construíra com o irmão. Ali foi onde ela recomeçou a viver novamente, de uma forma que nunca havia sonhado. Os últimos anos foram transformadores na vida de Agatha. Ela sentia que saiu de uma vida extrema de constante espetáculo! Era como se o mundo do entretenimento exigisse que ela atuasse constantemente, dentro e fora de seus trabalhos, sugando tudo o que ela tinha para oferecer, querendo ou não.

Ela fora de uma caloura num programa de tv de São Paulo, à integrante de girl-band americana. Ela foi descoberta por que fazia cover do rei do soul, Alexander Davis, adotando até o mesmo o sobrenome dele em seu pseudônimo. A família Davis queria ressuscitar o antigo grupo deles, o “Wonder Davis” e precisavam de uma sexta integrante. A entrada de Agatha em um grupo apenas de primas rendeu certa polêmica. Todos achando que ela era filha bastarda do Alexander Davis, o que os Davis não negaram nem confirmaram deixando fomentar o mistério. Passou 5 anos nesse grupo até o sucesso dele esfriar e as integrantes irem se dispersando.

Depois disso virou cantora solo e atriz de filmes famosos em Hollywood. Mas quando estava no auge de tudo isso deixou todo seu legado para trás e tornou-se por um bom tempo uma dona de casa, mãe solo, vivendo dos aluguéis de alguns imóveis para pagar contas.

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Anos atrás...

Quando saiu dos Estados Unidos junto com Ângela, sua assessora e amiga de longos anos, Agatha ainda teve ímpetos para organizar a própria vida de forma hábil. Com ajuda de Ângela, vendeu a maior e mais luxuosa propriedade que tinha transformando-a em recurso liquido para fazer algo no futuro, fora todos os imóveis alugados que adquiriu ao longo dos anos. Arrumou uma moradia mais duradoura que o hotel que se hospedara de início.

Depois que conseguiu resolver as coisas mais urgentes e práticas Agatha se deu ao direito de cair em sua própria dor e desgraça. Todo o tumulto que a mídia marrom tinha causado a sua vida por conta de uma calunia suja, tinha lhe cobrado um preço alto. Perdera o amor da sua vida, estava gravida e sozinha, sem coragem sequer para voltar para casa da mãe e tentar explicar porque a imprensa a taxava de vagabunda sórdida.

Ela teve que fugir de Hollywood por que pessoas haviam chegado ao extremo de ameaçar sua integridade física e depredar uma de suas propriedades. Além disso foi embora para preservar o que lhe restava de sua sanidade mental. No entanto ao chegar ao Brasil e se estabelecer não conseguia sair de casa para nada. Ainda teve medo da perseguição de estranhos.

Se abastecia de suprimentos com a ajuda de Ângela, que mesmo dispensada não conseguiu deixar Agatha sozinha e desamparada. Ângela tentou convencê-la a procurar ajuda, mas Agatha sempre dizia que estava esperando se sentir melhor, que não queria assustar sua mãe com tudo que estava acontecendo.

Agatha, demorou tempo considerável até mesmo para cuidar de sua gravidez ainda no início, mas foi justamente aquele serzinho desenvolvendo dentro dela que a tirou da queda livre em que estava. Começou no dia que percebeu aquela sensação estranha na parte baixa de sua barriga.

Ela ia e vinha de um lado para o outro, de início era como uma borboleta batendo asas dentro dela, depois com poucas semanas a sensação era cada vez mais firme. Ela começou a realmente ter consciência da outra vida que estava crescendo emaranhada com a sua e decidiu, pelo bem do filho, que não poderia continuar do jeito que estava.

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No presente...

As onze e meia, Agatha estava voltando do trabalho para o almoço trazendo Alexandre do colégio. Ela entrou na cozinha seguindo seu filho que trazia pomposamente um boneco moldado em papel cola e tinta. Alexandre mostrou o boneco para a avó dizendo que aquele era ele mesmo quando se tornasse um super-herói de tv daqui a uns anos.

Agatha suspirou olhando para o filho dando graças a Deus pela infância dele ter sido diferente da sua, ela nunca falou com ele a respeito, mas se pudesse escolher ele faria qualquer outra coisa honesta na vida que não fosse atuar ou cantar.

Ela olhou pra mãe naquela cozinha resmungando um “Deus o livre e guarde” concordando sem saber com ela.

A cena familiar da mãe terminando de preparar o almoço e o cheiro da comida dela a levou para o dia em que decidiu procurar ajuda.

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Lembrando o passado...

Finalmente ligou para sua mãe e chorando contou que tinha voltado ao Brasil. Tentou explicar o melhor que pôde tudo o que estava acontecendo. De prontidão Eleanor foi de encontro a filha que estava em um estado lastimável. Agatha, desesperada, despejou todos os seus medos, dores e tristezas nos ouvidos da mãe que a acolheu e lhe garantiu que tudo ficaria bem.

Eleanor a fez ir tomar banho e trocar de roupa enquanto ela preparava algo para elas comerem. Agatha passou um tempo considerável no chuveiro tentando organizar pensamentos. Quando saiu, sentiu o cheiro acalentador de algo cozinhando enquanto viu a mãe tentando dar um jeito no caos que estava a casa.

Só aí foi que ela começou realmente a ver em que nível estava seu desalento e as condições em que estava vivendo. A desordem e o lixo acumulado a assustou, foram semanas a fio onde viveu letargicamente, como se o corpo se auto anestesiasse de todo o estresse emocional que passou.

Naquele momento as duas tomaram a decisão de voltar para onde a família morou antes de vir para São Paulo. Seu irmão Wilson já havia retornado para lá a algum tempo porquê a empresa que trabalhava se mudou para o Ceará. Morava em uma pequena e tranquila cidade perto de Fortaleza e sempre dizia que era um lugar excelente para viver. E era mesmo.

Depois que se mudou para a cidade de Eusébio. Mesmo conseguindo se sustentar com seus imóveis de aluguel e os juros de alguns investimentos, Agatha não conseguia mais ficar parada e começou a ver todas as suas possibilidades.

Foi aí que seu irmão, perguntou se ela poderia lhe dar uma ajuda momentânea com as demandas de um negócio que ele estava montando paralelo ao da empresa que trabalhava. Seria um trabalho simples, organizando estoques e separando pedidos. A empresa estava começando e ela, que estava ávida por fazer qualquer coisa que preenchesse o vazio de trabalhar em algo produtivo, não se fez de rogada.

Tinha sido muito fácil recomeçar naquele lugar, as pessoas de lá nunca fizeram real ligação dela com a cantora internacional Agatha Davis. No meio dos seus, sem todo o aparato que sua persona artística ostentava, ela era apenas Luana Ramos, a moça que vendia material importado em uma pequena distribuidora. Escolheu ser chamada pelo segundo nome quando se mudou para tentar preservar mais a privacidade, uma pessoa ou outra vinha e dizia que ela se parecia muito com uma artista internacional, que não lembravam o nome. Ela simplesmente ria e dizia, “quem dera!” e assim passou os últimos anos

Não demorou muito para que o irmão começasse a lhe dar mais atribuições até os dois estarem em pé de igualdade sobre o funcionamento da empresa. Agatha então perguntou se o irmão aceitaria uma injeção de investimentos no negócio em troca de sociedade. Ele que já estava à procura de um meio de expansão, confiando também no trabalho que Agatha estava fazendo junto com ele, aceitou.

E com isso a pequena distribuidora virou uma empresa de médio porte em alguns anos. Agatha se orgulhava muito do trabalho que estavam fazendo e o quão bem estruturado seu negócio se mostrara. Até mesmo na pandemia, com toda crise financeira, a empresa resistiu. Diminuiu para aguentar, buscou ajuda externa, mas não desmoronou. E hoje três anos após o lockdown eles si mantinham com finanças próprias e estáveis, além de conseguir pagar em dia os empréstimos que fizeram para segurarem as pontas.

Mas a situação não foi um mar de rosas. Agatha lembrou da loucura que precisou fazer para garantir os primeiros meses de pagamento do empréstimo por que a firma não estava conseguindo ter o mínimo capital.

Ela começou a abrir lives nas plataformas digitais para angariar algum fundo extra. Primeiro tentou fazer de forma anônima, disfarçando o rosto, cantando músicas conhecidas, porem que não tinham nada a ver com ela. Não teve sucesso. Foi quando no auge do desespero, vendo tudo que trabalhou durante anos ruir, começou a mostrar sua cara de verdade, em sua antiga rede social, parada a tempos. Foi um total estouro! Seus antigos fãs a receberam de braços abertos e Agatha, de início temerosa, sentiu-se de fato acolhida.

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- Ângela me ligou hoje. – disse Eleanor sua mãe tirando Agatha de seus devaneios, enquanto observava Alexandre diligentemente pôr sua comida no prato de forma concentrada. – Disse que está a dias tentando falar com você.

- Sério? Vaaaalha... – Disse de forma displicente, servindo-se também e seguindo para a mesa.

- Disse que você estava fugindo de dinheiro. Eu disse que provavelmente você estava fugindo era do ruge-ruge que devia vir com ele.

- Hummm – Ela concordou — E ela falou o que?

- Que estava vindo pra cá, passar uns dias.

- Tia Ângela vem pra cá? – Os olhos de Alexandre brilharam! – Será que ela vai trazer meu Hoverboard?

- Misericórdia... – Agatha meneou a cabeça para Alexandre, lembrando da promessa que a desgramada da amiga mineira fez ao filho. Depois voltou a atenção pra mãe — E a senhora deixou?

- Eu disse que se fosse pra ela me dar trabalho trouxesse pelo menos umas compotas da Dona Claudia (mãe de Ângela) e os morangos que eu gosto. – Disse Eleanor muito orgulhosa da barganha.

Agatha fez uma careta sabendo que aquelas compotas e morangos teriam como preço a sua paz.

Faziam alguns meses que Ângela a perseguia. Sabia que aquelas lives não viriam sem um quê de perturbação. E mesmo com a grande aceitação do público, em um momento ou outro ainda sentia uma fisgada de um hater. Não estava preparada para voltar para nada além daquelas apresentações restritas a olhar para a pequena câmera do seu celular e cantar músicas mecanicamente fincadas em sua memória.

De início Ângela, lhe ofereceu o patrocínio de algumas marcas, “sem pretensões maiores” – segundo ela. Agatha ia selecionando de acordo com suas necessidades e o que era solicitado, se algo fugia muito da simplicidade do formato que sua live estava era vetado de imediato.

Apesar da frustração que Agatha conseguia sentir emanando da amiga, não deixou de ser grata por, mesmo depois de tantos anos, ainda conseguir contar de maneira informal com a ajuda dela. Só que as demandas de Ângela começaram a escalonar de maneiras fora da curva.

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- O que te custa uma viagem rápida para Los Angeles, hein? – Dizia Ângela Tomando uma taça de vinho, enquanto observava Agatha trabalhando em uma planilha de resultados dos últimos 6 meses da campanha de vendas realizada na loja — Cinco dias... talvez uma semana no máximo! Uma propagandazinha para “Drems Concepción” e você iria ter dinheiro pra abrir 10 distribuidoras! – repetiu pela 5ª vez o mesmo discurso dos últimos 3 dias.

- 1º Não seria UMA propagandazinha, tendo eu que estar lá 5 dias, né Ângela? 2º PROVAVELMENTE não seriam SÓ 5 ou 7 dias, seriam Ângela? — Agatha ergueu a sobrancelha olhando bem pra fuça da mal caráter da amiga dela, que fingiu inocência.

Provavelmente ela emendaria uma ação atrás da outra até Agatha estar entrelaçada com vários pequenos e cansativos trabalhos que mais renderiam dor de cabeça que necessariamente renda. — 3º quanto você acha que vale minha loja?

Ângela revirou os olhos. – Tá certo, eu exagerei um pouquinho, mas você não disse que precisava de fundos para dar um UP na empresa? Uma propaganda aqui e outra acolá... talvez um contrato exclusivo como garota propaganda...

- Meu bem, não dá pra mim. – Agatha tentava pela enésima vez dissuadir Ângela – Entenda, eu não estou mais nesse ramo, coração. Tô fazendo um bico porque a coisa tá feia, você sabe...

- Amiga, pelo amor de Deus! Eu sei que a forma que você saiu da mídia foi bem feia, mas já faz quase uma década! Já deu tempo da sua imagem descansar até demais! Pensei até que já tinha virado defunta depois de tanto tempo...

- Nossa que amorzinho você, obrigada...

- ..., mas não! Menina, se você conseguisse ver o que eu vejo daqui. – Ela enquadrou o rosto de Agatha com os dedos e fez uma pausa dramática, Agatha voltou para sua tela, digitando enquanto a ouviu puxando o ar — Tá todo mundo enlouquecido por você! Num tesão danado! E me enlouquecendo junto no processo! Se arreganha logo, prêsse trem!

-Sssshhh! Misericórdia, Ângela! Tem gente dormindo, diferente do par de morcegas aqui! – Disse Agatha olhando para o lado do corredor verificando alguma movimentação, por conta da barulheira da amiga. Já era tarde e Eleanor e Alexandre já estavam dormindo.

- Ah, sabe quem tá louco atrás de você? – Ângela mudou de assunto — Aquele seu amigo, Julius.

- Julius Carter? Mentira! Menina, séculos que não ouço nem falar dele.

Julius era um antigo colega, começando praticamente junto com ela. Quando o conheceu ele era VJ de um programa teen onde sempre se apresentava com o New Wonder Davis, a girl-band que participava. Julius saiu do programa e conseguiu se firmar na carreira de ator e assim foi galgando espaço no cinema.

- Virou diretor, meu bem! E casou com o homem tubarão, como chama?

- Nick Lorem. – Disse Agatha, Lembrando do outro amigo, que no caso tinha feito um super-herói aquático, o MarineHero. Era o seu papel mais famoso. Ele também foi seu parceiro de cena em alguns filmes, era um gigante gentil. sentiu um quentinho nostálgico no peito. — Oficializaram, né? Juntos eles estavam desde quando... – Agatha parou pensativa, estava prestes a dizer “desde quando eu e Henry começamos também” Bem, muitos anos.

- Pois é... — Ângela seguiu a divagação dela – Ele vai fazer uma série nova. Advinha com qual história!

- Me elucide. – Falou bocejando e desistindo de organizar qualquer coisa com Ângela tagarelando no ouvido dela.

- O véu e a cigana.

- Huuuummm, — Ângela acenou esperando, mas o motivo da empolgação da amiga não veio – o nome deveria me trazer alguma coisa?

- COMO ASSIM?! NÃO! VOCÊ NÃO SAB... hm-hmmm!?

Agatha tapando a boca de Ângela. — Anuncia no jornal, carái de asa! Mas não acorda meu filho não, quenga ruim! – Ameaçou um cascudo na amiga.

- Aiiii, burricida! – Ângela se esquivou — Criatura, a fanfic que fizeram com’cê, lembra não?

- Minha senhora, fanfic comigo tem de ruma por aí!

- Más só tem uma que virou livro!

- E foi?

- Ah Agatha, cria tipo, sô!

- Sério! Não sabia! E é sobre o quê?

Ângela vasculhou no google e lhe mostrou a capa do livro, resumindo a história, que falava sobre dois ciganos desgarrados – Veronica e Joseph Lancaster — que viveram uma década pelo mundo sem uma tribo para chamar de sua, até finalmente se estabilizarem em uma pequena cidade, porque Veronica a personagem principal ficou grávida. — Nessa parte Agatha sentiu uma leve pontada no baixo ventre, pela coincidência. — Um parente deixou um bar de herança para eles. O casal principal se juntou a um casal secundário – August e Lilian Lander

- como sócios do lugar e os dois viviam histórias aleatórias junto a uma pequena comunidade litorânea...

- É cheio de pequenas aventuras paralelos a romances tórridos e tal... – Ângela finalizou sua explicação.

-Interessante. – Agatha assentiu. — Mas e aí? Eu tenho que pedir direitos autorais de imagem ou algo assim?

- Ah querida! Se fosse assim seria você e a Hollywood inteira, né? – Ângela abriu os braços com as palmas pra cima — Mas a questão não é essa. Eu acho que seu amigo Julius Carter está atrás de você pra fazer essa série! Já pensou, você de Veronica?

Agatha começou a rir.

- O quê? – Ângela perguntou confusa.

- Faz dez anos que eu não sei o que é atuar! Na paixão de cristo aqui da cidade eu só sou escolhida pra figurante – (Por escolha dela, mas não iria dar esse detalhe.) — Qual é o doido varrido que vai me pedir uma presepada dessas? Não amiga essa você foi no espaço e voltou.

- Tá certo. Mas de qualquer forma, posso passar seu contato pra ele?

– Ele disse que quer te mandar a conta dos 9 anos de presentes que você não enviou para seu afilhado.

- Nossa, está vendo? Eu saio da toca e do nada tenho um afilhado e uma dívida de 9 an

os com ele. – Agatha meneou a cabeça, suspirando.

– Tá, pode passar meu número.

Ângela sorriu lentamente... E bem ali Agatha selou seu destino.