A chefe

9 Capítulo 09


Notas iniciais
Boa leitura!

Já estava em minha mesa quando Emilly chegou toda sorridente, a menina que ficava na recepção do andar até achou estranho ao receber um bom dia.

A morena e eu passamos o fim de semana juntos em seu apartamento. Tive que me esconder quando Alice chegou, por escolha minha. A garota estava triste, tinha tido a primeira brigar com meu irmão. Graças a esse fato ouvir um sermão por meia hora de como eu não sabia criar meu irmão.

Ao contrário do que fez com a garota da recepção, Emilly não me deu bom dia, ganhei uma piscada e um sorriso. Sorrindo, levantei e a acompanhei segurando seu café matinal.

-Você deu um jeito no seu irmão? – perguntou assim que fechei a porta.

-Tive uma conversa muito séria com o pirralho, ele disse que foi só ciúmes sem sentido.

-Bom. — Emilly me encanou e sorriu. – agora vem aqui e me mostra o quando você me quer hoje.

Me aproximei sorrindo, mas não a abracei. Emilly me tocou no rosto com carinho e beijou meus lábios de leve.

—Onde está nosso profissionalismo? — brinquei.

—Ah um beijo de bom dia não tem problema.

Sorri safado e a abracei, nossos corpos se encaixavam tão bem que era até difícil acreditar. Beijei seus lábios carnudos com força, ela suspirou. Era tão lindo quando Emilly se entregava a mim por completa. Nos afastamos quando seu telefone tocou.

Correndo a morena atende no quarto toque.

—Sim? Ah meu pai, claro. Pode deixar entrar. — ela desligou e me encarou. — Meu pai está entrando.

—Quem o anunciou? — perguntei, eu não estava lá para anunciar, no mínimo Marcus deveria entrar sem permissão.

Antes que Emilly respondesse algo Marcus abre a porta e eu vejo Celine a garota da recepção sorrindo atrás dele. Ela sorria para mim como se tivesse salvo minha vida por eu não está presente. Minha morena não gostou nada pelo olhar fulminante que a pobre garota loira recebeu.

-Papai. — falou Emilly rodeando sua mesa quando a porta se fechou e Marcus ganhou sua atenção. — A que devo a honra de sua visita?

Me aproximei dele apertei sua mão. Marcus sorriu.

—Minha filha acabou deixando sua boca suja.

Nunca fiquei tão constrangido em toda minha vida, e acho que Emilly também não. Passei a mão na boca para tirar o batom que tinha ficado.

—Pai!

O senhor sorriu divertido.

—Bom, vamos ao que interessa...

—Ah eu já vou indo. — falei.

—Garoto, fique. É algo que quero que você saiba também. — concordei e sentei na cadeira ao seu lado.

Emilly a nossa frente, sentou em sua cadeira e pegou seu café.

—Então, pai...

—Bom, hoje recebi a visita que um novo cliente. Um concorrente do Uber, ele pediu nossos serviços e nosso melhor marqueteiro. Pensei no Matt, mas resolvi que Austin vem se mostrando melhor em alguns trabalhos. Filha, você quem vai decidir.

—Entre Austin e Matt?

—Sim.

Emilly me encarou pensativa. Ah merda, eu conseguia. Seguraria esse cliente com toda certeza é só ela me escolher.

—Pode ser o Austin. — ela deu um sorriso fraco.

A morena não parecia tão segura, mas eu não ligava. Iria surpreender a todos segurando um cliente novo. Daria o meu melhor para que o negócio desse certo.

-Então, Austin? — falou Marcus.

—Eu aceito, é claro que aceito. — soei empolgado, na verdade eu estava muito empolgado. Aquele trabalho me faria alguém no meio do marketing.

...

Alice e Mike conversavam na sala, enquanto Emilly e eu estávamos na cozinha comendo pizza que ela trouxe.

-Você ainda não confia em meu irmão, não é?

Ela negou de boca cheia.

—Hormônios, lembra?

—Sim. — falei sorrindo.

Emilly cortou mais um pedaço de pizza e levou a boca. Aquilo me irritava, não estávamos em público.

—Comer com a mão é tão mais prático. — falei chamando sua atenção.

—E tão anti-higiênico.

—Vem aqui.

A puxei assim que soltei minha pizza na embalagem, Emilly protestou por eu estar puxando ela com a mão suja. A levei até a pia e coloquei sua mão embaixo do jato de água da tonteira.

-O que você está fazendo? — perguntou quando derramei detergente em sua mão.

—Lavando sua mão, vai ser mais higiênico quando você pegar a pizza com a mão.

—Ah não — ela negava com a cabeça. — Eu não vou tocar na pizza com a mão.

Beijei seu pescoço, enquanto esfregava nossas mãos embaixo da água. Emilly jogou a cabeça pra trás curtindo o carinho.

—Por mim, só tenta. — falei manhoso.

—Isso é jogo sujo.

Virei a morena, quando fechei a torneira e a beijei.

Mesmo usando todas as minhas táticas de sedução, não a convenci, Emilly insistiu em comer no prato, nem tentei mais.

-Então, você quer me contar sobre sua mãe? — perguntou antes de comer o ultimo pedaço de pizza.

Suspirei, não sabia se estava pronto para contar tudo a ela.

—Meus pais se conheceram na faculdade, em uma festa da fraternidade que minha mãe fazia parte. Eles eram como todo estudante com hormônios a flor da pele, bebiam e se drogavam.

-Isso são universitários normais para você? — A pergunta da morena soou meio chateada.

—Para os que não estão nem aí pra nada, é normal sim. Continuando... Minha mãe engravidou de mim na metade da faculdade, daí eles focaram nos estudos para me dar uma vida melhor. Tudo estava indo bem para meus pais até Mike nascer, minha mãe afundou em uma depressão pós-parto terrível e meu pai nem ao menos notou.

Dei uma pausa para tomar um copo de água, não seria fácil contar tudo. Emilly ouvia atenta a história da minha família. Então, continuei.

—Minha mãe voltou a beber e em uma saída com umas amigas antigas da época da faculdade, acabou voltando a usar drogas também.

—Nossa, eu não sabia que...

—Em toda minha vida tive dois dias horríveis, o dia em que minha mãe esfaqueou meu pai em minha frente e quando ela teve uma overdose no sofá da nossa sala. Quando vi meu pai estirado no chão tive ódio da minha mãe, mas o dia da overdose ainda considero pior, não sei explicar o que sentir, mas foi a pior sensação da minha vida.

—Nossa, você... — Emilly pareceu pensar .- Não imaginava que você tinha passado por isso.

—Sim, mas vamos mudar de assunto...

—Emilly vamos embora. — pediu Alice aparecendo na cozinha.

A loirinha chorava, as bochechas até estavam rosadas.

—Tudo bem.

Emilly levantou sem nem perguntar nada a irmã, acho que ela já imaginava o que teria acontecido entre o casal de adolescente. Suspirei antes de acompanha-las até a sala. Meu irmão estava sentado no sofá da sala.

-Quer me contar o que aconteceu? — perguntei quando elas foram embora.

—Não, agora eu vou pra minha cama.

Meu irmão levantou e foi embora para seu quarto. Ótimo, amanhã eu enfrentaria uma Emilly furiosa, obrigado Mike.