A chefe
3 Capítulo 03
Notas iniciais
Emilly olhava para Mike como me olhava depois de me dizer que eu tinha ganhado o contrato com a Coca. Alice claramente estava furiosa por sua irmã está ali.
—Então, Emilly, está com fome? — perguntei, ainda achava estranho chama-la pelo nome, me negava a chama-la de senhorita fora do trabalho.
—Não. — respondeu encarando Mike.
—Tem certeza? Você está vestindo roupas do trabalho, ainda não comeu. Pode ir comer, eu estou apenas estudando com Mike. — falou Alice tentando se livrar da irmã.
—Temos pizza, vamos comer. — fui até ela e ousadamente segurei sua mão e a puxei.
A morena quase me mata com o olhar, tenho certeza que a qualquer momento sairia lazer dos seus olhos. Com muita relutância acaba aceitando ir para a cozinha. Lá esquentei a pizza e servi o refrigerante.
-Então, por que exatamente não confia no meu irmão? — falei segurando minha pizza na mão.
—Você não espera que eu coma a pizza com a mão como você, não é? — falou a mulher incrédula, como se eu estivesse cometendo o maior pecado.
—Por que não? Vai me dizer que quando está em casa come a pizza de garfo e faca.
—Gente normal come assim, Austin.
—Sério? — falei atônito, ela simplesmente concordou. Levantei a contragosto e peguei um prato e talheres. — Aqui, madame.
Ela pegou os utensílios e colocou sua pizza, comeu como uma dama ou como gente normal, como ela mesmo disse antes.
-Não confio em garotos cheio de hormônios perto da minha irmã. — falou por fim. — Ela é só uma garotinha.
—Meu irmão não é nenhum maluco, Emilly.
—Mas eu não confio, tá bom? Quero mante-la inocente, e talvez seu irmão não seja um bom caminho.
—Meu irmão tem bastante educação, tá?
—Atá, um garoto cuidado pelo irmão, é educado? Tá bom. — falou exibindo um falso sorriso.
Era a primeira vez que eu via seus dentes, ela tinha belos dentes afilados.
—Eu o educo bem. Mesmo antes da minha mãe ser presa, era eu quem cuidava dele.
—Sua mãe foi presa? Que legal! Vou pegar minha irmã e vou embora.
—O que? Isso é ridículo!
Ela ia levantar, solto minha pizza e seguro sua mão. A morena olhou para sua mão e para a mim.
—Tire essa mão nojenta, Austin. Me dê um motivo para não levar minha irmã embora agora mesmo.
—Minha cama é confortável.
—O que? — falou puxando seu braço indignada. — Você acha que vou pra cama com você? Não é porque você me viu com Matt que te dá o direito de falar essas coisas pra mim.
—Desculpa tá, não era isso que eu quis dizer. A cama do quarto de hospedes é boa. E não precisa se preocupar, minha mãe foi presa porque eu mesmo a dedurei.
—O que ela fez? — perguntou voltando a comer sua pizza, ela parecia está com fome mesmo.
—Informação demais para alguém que me exige café com creme todas as manhãs de segunda a sexta. Mas me diz, por que ninguém sabe da existência da Alice?
—Informações demais para quem me serve café com creme todas as manhãs. — falou me repetindo na tentativa de ser engraçada, eu quase sorrir. — Meu pai e sua querida mulher preferem assim, segundo ela não quer a filha dela entojada como eu.
—Ela falou isso para você?
Nossa, que mulher corajosa, falar a verdade assim.
—Claro que não, eu a ouvir dizer assim que descobriu a gravidez. Quando Alice nasceu eu prometi para mim que faria a garota ficar pior que eu, mas acabei me apegando a ela e aqui estou eu, dormindo na casa do meu funcionário para ela não acabar na cama com o irmão dele.
—Agora chegamos ao ponto.
Sorri, aquilo havia sido engraçado. Mike correu de uma garota a um ano, eu a ouvi implorar para ela ficar com ele, mas o menino a mandou embora sem pena.
—Você pode dormir no quarto de hospedes com Alice, a menos que ela vá dormir com o tarado do meu irmão cheio de hormônios.
—Muito engraçado.
Levantei e recolhi seu prato assim que terminamos de comer, o coloquei na pia, decidi que lavaria apenas amanhã.
—Sua casa é bem arrumada para onde só mora homens. Você tem namorada?
—O que te leva a crer que eu teria uma namorada apenas para arrumar a minha casa? Se você fosse minha namorada, arrumaria minha casa?
—De jeito nenhum, na verdade para eu ser sua namorada teríamos que viver em um mundo bem distorcido.
Talvez sim, eu não ficaria com aquela mulher, apesar de ser linda e bastante deliciosa, tinha visto outro homem com ela, me recusava a ter algo com ela.
—Não, tenho uma ajudinha da minha antiga babá, ela vem uma vez na semana. Nos faz comida de verdade e arruma a casa. — respondo matando sua curiosidade.
—E seu irmão fica sozinho?
—Sim... na verdade não, ele trabalha em uma livraria assim que larga da escola.
—Já, ele é bem novo, não?
—Sim, mas segundo ele não queria depender de mim, apesar de algumas vezes ele precisar de mim. — Olhei no relógio e já passava da meia noite. — Bom, eu acho que deveríamos ir dormir, se eu me atrasar novamente minha chefe me mata.
Emilly sorriu pra mim, pela primeira vez em seis meses trabalhando como seu assistente.
—Austin, hoje foi a primeira vez que fiquei com Matt, não quero que pense eu faço aquilo com qualquer um.
—Emilly, sua vida pessoal não me interessa. Eu deveria bater hoje, me desculpe.
—Exatamente, não te interessa. — e a Emilly chata voltou. — Pode me levar até meu quarto? As horas de estudo acabaram para eles.
…
Parecia um zumbi sentado em minha mesa tomando chá de hortelã, a cafeteria estava lotada e eu não estava com muita paciência.
Hoje de manhã fui acordado as cinco e meia, meu irmão não queria se atrasar e as meninas precisavam passar em casa antes. Então aqui estava morrendo de sono.
Emilly chegou, ouvi seus saltos assim que saiu do elevador, hoje ela estava diferente, usava jeans apertado ao invés de saia. Não que a saia era ruim, mas a calça jeans era melhor ainda.
—Pode vim até a minha sala?
—Sim, Emilly... Quer dizer, senhorita.
Ela deu um minino sorriso e entrou em sua sala. Hoje não tinha café, graças a meu humor. Segurei meu caderno de anotações e alguns contratos para ela assinar que eu já havia lido e pedido revisão ontem.
-Bom dia. — falei ao entrar, depois de bater, claro.
—Onde está meu café? — Perguntou quando deixei os documentos em sua mesa.
—Desculpe, hoje não tem. A fila da cafeteria estava enorme, mas não se preocupe a tarde trago um.
-Tudo bem, a tarde prefiro sorvete de chocolate.
—Claro.
—Com calda de morango.
Que pedido mais estranho.
—Não vou esquecer. — respondi.
Abri meu caderno e anotei tudo o que ela pediu para hoje. Quando acabamos ela me encarou por um tempo antes de ouvimos alguém bater na porta.
—Entre. — falou ainda me olhando.
—Imaginei que Austin estava aqui. — falou Matt entrando sorrindo.- Emilly, podemos conversar?
Talvez eu tivesse sentindo uma pontada de raiva por ele poder chama-la de Emilly aqui, sem problemas.
—Sim, Austin é isso por hoje, quero tudo no fim da tarde, certo?
Emilly parecia mais doce comigo, havia perdido sua pose de mandona.
—Sim.
Levantei e passei por Matt parado próximo a porta. Quando me pegou o encarando, ele piscou e sorriu, cretino. Ele sabia bem que imaginava o que eles fariam aqui depois eu saísse.
Engano meu, Matt passou exatamente treze minutos. Com certeza eles não haviam feito nada, ou ele era um idiota por não idolatrar cada parte daquele corpo.
-Vou foder com sua carreira. — falou enquanto batia em minha mesa.
—Como?
—Não se faça de idiota. — berrou chamando atenção de algumas pessoas próximo.
—É sério cara, eu não estou entendendo.
-Matt.- gritou Emilly em sua porta.- Volte para minha sala, agora! Austin, venha também.
Levantei rapidamente, não estava entendo nada do que estava acontecendo.
—Você foi um idiota, Matt. Todos contavam com você, mas graças a um vacilo seu Austin passou em sua frente.
—Gente, o que está acontecendo? — perguntei mais uma vez, eu não estava entendendo porra nenhuma.
Matt partiu para cima de mim e socou na boca, antes de me agarra pelo colarinho o amassando.
—Matt, solte-o. — gritou. — Aceite, Austin pegou seu cliente, outros viram, ou não se não largar o Austin. — ela puxava as mãos dele de mim, mas sem sucesso.
—Espera, isso é tudo porque perdeu o contrato? Deixa de ser idiota, você que vacilou. — tirei suas mãos de mim e o empurrei.
—Você deveria apresentar ideias para as fotos de divulgação, e não um comercial novo.
—Melhor que o nosso. — disse Emilly me surpreendendo. — Escuta, Matt, outros viram. A marca já é nosso cliente fixo e o próximo trabalho será seu. Agora vai embora.
Matt vai embora, depois de nos encarar várias vezes. O homem estava possesso, talvez até em sua chefe estava querendo bater. Tinha pena da sua secretária hoje.
-Sua boca está sangrando. — falou indo buscar algo em sua bolsa.
Ela voltou com um pano na mão e colocou no canto da minha boca. Tinha doido, claro, mas eu não quis demonstrar ou não consegui, não consegui parar de olhar seus olhos cor de chocolate.
Vi quando ela se aproximou de mim, claramente querendo me beijar, vi seus olhos encarar minha boca com desejo. Mas sua imagem com Matt no meio das suas pernas me fez recuar, não queria ser mais um funcionário, talvez Dez tivesse razão.
—Não precisa me ajudar, posso sair mais cedo hoje? — pedi, eu precisava ficar o dia longe dela.
—Não, hoje eu preciso de você muito mais que os outros dias.
Engulo seco, eu não estava com raiva, apenas confuso por ter sido notado por ela ou por está gostando de ser notado, pior está notando ela também.
—Tudo bem. — me virei para ir embora.
—Pode pedir japonês para mim? Hoje vou almoçar aqui, temos reunião as duas.
—Claro.
Fale com o autor