A chefe

6 Capítulo 06


Notas iniciais
Olá :D Boa leitura!

Abro a porta de casa segurando o blazer, minha gravata borboleta estava em meu bolso, meu cabelo não estava mais tão arrumado como na noite anterior. Estava péssimo não tinha dormido nada, passei a noite sentado em um banco na praia observando Seattle e tomando cerveja que comprei em uma loja de conveniência no caminho pra lá.

Ainda não tinha acreditado no que tinha acontecido na festa, estava confuso pelas minhas atitudes. Já tinha me convencido que eu queria minha odiável chefe, mas não entendia porque tinha ficado tão decepcionado com o tapa que ganhei ao final do nosso primeiro beijo. Também não tinha entendido o porquê dessa atitude quando na segunda-feira ela quis me beijar.

-Você está péssimo. — falou meu irmão me tirando da minha dúvida interna.

—Bom dia para você também. — falei me jogando ao seu lado no sofá.

—Você ainda tem um emprego depois de tudo o que aconteceu?

—Você viu?

—Todo mundo viu. — falou Alice me assustando aparecendo na sala com duas canecas. — Aqui, toma. Esse café era meu, mas acredito que você está precisando mais. Sua aparência está terrível.

—Obrigada em dobro, cunhadinha. — falei sorrindo e peguei a caneca.

Tomei um gole do café e agradeci por Emilly não exigir o café da Alice todo dia, isso está melhor que o da cafeteria do escritório.

—Então, você dormiu?

—Não, nem se eu quisesse, cunhadinha.

—Acha que Emilly vai te demitir? — meu irmão tornou a perguntar.

—Não sei, eu acho que não. Quem vai pegar o café dela todas as manhãs? — falei sorrindo, mas os adolescentes a minha frente não sorriram.

—Bom, eu vou me arrumar. — falou Mike levantando e beijando sua namorada.

Meu irmão subiu as escadas para ir ao seu quarto, restando na sala apenas Alice e eu. A loirinha sorria para mim, enquanto tinha as mãos no colo. Levei a caneca a boca e coloquei uma boa quantidade da bebida quente na boca.

-Você gosta da minha irmã?

Imediatamente cuspo tudo que tinha na boca tossindo logo depois. Alice não podia perguntar uma coisa dessa enquanto eu tomava algo, a menos que quisesse me matar engasgado.

—O que?

Eu estava todo molhado de café, por sorte não estava tão quente.

—Você... Ahh, Austin você entendeu.

—Não gosto.

—Não pareceu ontem quando beijou ela. Foi um belo espetáculo, o beijo de vocês foi bem apaixonado para pessoas que não se gostam.

—Não concordo.

Alice sorriu sínica e concordou.

—Perguntei pra ela quando você foi embora e minha irmã teve uma crise de choro que durou por meia hora.

Legal, Alice tinha colocado mais perguntas a minha cabeça já confusa. Emilly tinha me estapeado e chorado logo depois, aquilo já era informação demais. Tive vontade de perguntar sua resposta, mas preferi tomar mais do meu café.

—Não quer saber a resposta dela? — perguntou parecendo ler meus pensamentos.

Neguei, eu não queria misturar as coisas na segunda quando a visse vestido suas roupas apertadas que eu tanto gostava. Independente da resposta dela, aquilo seria uma merda das grandes, nossos mundos são diferentes.

—É informação demais, cunhadinha.

—Mas e se a resposta tivesse sindo que não, isso te deixaria chateado?

—Sim... Quer dizer não sei, eu... espera, você quase me pegou. Eu não vou te responder mais nada, senhorita.

Alice sorrio da minha confusão, mesmo sem querer eu sabia que tinha respondido o que ela queria ouvir.

Meu irmão desce a escada arrumado. Terminei que café e coloquei a caneca na mesa de centro, onde Alice estava sentada.

-Aonde vai? — perguntei levantando.

—Jogar boliche com a turma da escola. — respondeu Alice recebendo um olhar de desaprovação do meu irmão. — você quer ir?

—Alice!

—Não acho uma boa...

—Vamos lá cunhadinho. Nós precisamos de mais uma pessoa mesmo para fechar o pacote do club de boliche.

Meu irmão olhava para a namorada irritado, estava louco que eu negasse. Não gostava quando eu saia com seus amigos sem ser convidado por ele mesmo. É claro que eu aceitaria, ver meu irmão irritadinho seria ótimo.

—Não dormir nada, vou precisar de um banho antes de irmos. Vocês me esperam?

—Não. — respondeu meu irmão.

—É claro que esperamos, cunhadinho. Vai lá melhorar essa cara e ficar gato.

—Alice! — falou Mike repreendendo a namorada.

Cai na gargalhada junto com a loirinha, ela, assim como eu, sabia como irritar o Mike. Gostava daquela menina a cada dia.

…

—Eu falei para você não vi. — disse Mike.

—Não, você não disse para eu não vim. Você apenas repreendeu sua namorada por me chamar. Deveria ter avisado, “Austin não vai, é um jogo com os Carter”. Seu idiota.

A última coisa que eu queria era está aqui com a família da Emilly depois de tudo o que aconteceu na festa. Com certeza todos tinha visto nosso beijo e a vergonha que passei depois dele. Pra ficar pior, Brenda também estava aqui. Maravilha!

—Ah cunhadinho, vai ser divertido. Vem vou te apresentar minha mãe.

Ela segurou minha mão e me puxou. Pela primeira vez notei que Alice usava a aliança de prata que meu irmão tinha demorado duas horas na loja para escolher.

—Mãe? — chamou Alice.

Agora eu sabia de onde vinha os olhos azuis e cabelo loiros de Alice. A mãe dela era uma gata, não parecia ter mais do que trinta e cinco anos. O senhor Carter tinha escolhido bem a mulher que ficaria no lugar de Bethy, mãe da Emilly.

—Oi, minha vida. — falou a mulher alta abraçando Alice.

—Mãe, esse é Austin meu cunhado. — anunciou empolgada.

—Finalmente to conhecendo o loiro sedutor que Alice falou. — Ela me puxou e me abraçou. — Sou Lilian, mas pode me chamar de Lili. Emilly tem uma tremenda sorte de trabalhar com você, queria muito ver uma coisa linda dessa toda manhã.

—Mãe, você esta deixando Austin nervoso.

Lilian sorriu, estava se divertindo com minha cara de idiota. Eu definitivamente não deveria ter vindo.

—Tudo bem, desculpe, Austin. Não fiz por mau. — ela olhou para a filha. — Bom, já que todos chegaram, podemos jogar.

Olhei ao redor, aqui tinha pelo menos umas quinze pessoas, ocupariam umas três pistas de boliche. Emilly estava aqui, conversava com um garoto que não aparentava ter mais que quinze anos e o seu pai. A passos lentos caminhei até eles, não sabia bem o que estava fazendo, mas algo me puxava para ela, queria está perto.

—Boa tarde, senhor Carter.

—Ah garoto, não estamos no escritório, me chame de Marcus. Alias, por falar em escritório, você fez um ótimo trabalho com a marca de refrigerante.

—Obrigado. — falei sorrindo.

—Emilly, você deveria dar mais trabalhos a esse rapaz.

—Eu darei. — falou a morena.

Olhei para ela, seus olhos estavam mais calmos. Automaticamente também fiquei. Veio uma súbita vontade de abraça-la e beijar sua cabeça. Queria fazer carinho em sua bochecha.

—Bom, vamos indo lá pra dentro. — falou Marcos, o garoto o acompanhou me deixando sozinho com a morena.

—Por que veio, Austin? — perguntou enfiando a mão no bolso do casaco.

—Alice me enganou, falou que seria boliche com os amigos de Mike. Acredite, senhorita, eu não teria vindo se soubesse que você estaria aqui.

—Não é apenas eu que estou. Fique longe da Brenda.

Olhei para trás e lá estava a ruiva abraçando Alice. Quando voltei a olhar pra frente não encontrei Emilly, ela já caminhava atrás do seu pai. Olhei novamente para a ruiva e ela sorriu para mim.

Não quis jogar, não tinha clima para isso. Fiquei apenas olhando todos jogarem. Decidi ficar tomando cerveja e comendo nachos com queijo. Emilly jogava bem e a cada strike ela comemorava com uma dancinha adoravelmente ridícula, e eu idiota que sou vibrava a cada um.

-Eu vi você beijando a minha filha, ontem. — falou Marcus a meu lado. Talvez eu tivesse olhado demais para ela.

—Marcus eu...

—Se vocês decidirem namorar, tem o meu apoio. — Oi? -Embora que depois do tapa que vi, talvez Emilly não queira você o tanto que você a quer.

—Foi apenas o calor do momento.

—Tudo bem, eu só espero que esse mal-entendido não atrapalhe o trabalho excelente que está fazendo. Falei sério, garoto, você tem talento.

—Pai, deixe de conversar, é a sua vez. — falou Emlly o chamando.

O homem ao meu lado sorriu e deu um tampinha em minhas costas. Levantou e foi jogar, em sua jogada não derrubou em nenhum pino e Emilly vibrou dando um largo sorriso.

Eu estava ferrado, talvez aquela mulher tinha me fisgado de jeito.