A chefe

1 Capítulo 01


Notas iniciais
Boa leitura!

Austin

Era uma tarde de domingo quando meu irmão mais novo sentou ao meu lado e me olhou com cara de quem precisava de um favor, conhecia aquele moleque quinze anos o suficiente para saber quando ele queria pedir favores.

-Austin? — chamou olhando para a TV, onde eu assistir um filme qualquer na netflix.

—Hum? — murmurei mastigando meu salgadinho.

—Preciso de um favor...- ele olhou para os dedos que brincavam uns com os outros. — dos grandes.

Suspiro, quando Michael me pedia favor não eram os mais legais, sempre me envolvia em coisa de criança ou programas que nunca me interessava. Suspirei, larguei o pacote de doritos e olhei para meu irmão.

—Pode falar, Mike.

—Então, eu... tenho um encontro.

O garoto falou tão baixo que eu quase não escuto.

-E onde isso me inclui? Você quer dinheiro?

—Também, mas eu queria que você me levasse...

—No seu encontro? — falei divertido, segurando o riso.

—Sim, Austin.

—No seu encontro, eu... no seu encontro! — já não aguentava de tanto ri, Mike tinha uma carranca na cara, zoar meu irmão casula era a melhor coisa do dia.

—Sim, Austin, no meu encontro. Você vai me ajudar ou não?

—Tudo bem. — falei me recuperando da minha crise de risos. — Por que precisa de mim, exatamente?

—Então, minha garota vai encontrar a irmã no cinema, eu meio que acabei falando que eu e você havíamos marcado de fazer a mesma coisa.

—Dia dos garotos? — sorri novamente, aquilo ficava melhor a cada dia.

—Você não existe. — diz meu irmão levantando irritado.

—Tudo bem, eu já parei. Podemos ir, se caso for depois do meu trabalho, não vai rolar, Mike.

Eu começava a trabalhar as oito da manhã, largando apenas as seis da noite, mas sempre ficando até tarde com minha chefe, então considerava meu horário até as nove.

—Por favor, Austin. Eu nunca te peço mais nada.

—Você falou isso a última vez que me fez ir te levar a uma festa e buscar... Não vai rolar. — repito.

—Não aceito, por favor, cara.

—Por que você não pode ir com o Ítalo, é só você dizer que eu acabei desistindo.

—Você pode pedir folga amanhã, a irmã dela também precisa trabalhar. Eu lavo a louça por um mês. — prometeu.

—De jeito nenhum, Mike. Não vai rolar.

—Você é insuportável, preferia mil vezes a mamãe. — falou levantando chateado.

—Então volte no tempo e a impeça de ser uma bêbada assassina. — berrei irritado enquanto o garoto subia a escada.

Encostei a cabeça no encosto do sofá, Mike agia como criança quando não recebia o que queria, nossa mãe o mimou pra caramba.

Depois que ela matou nosso em minha frente a dois anos atrás, eu havia ficado com a guarda de Michael. Fiz questão de falar em meu depoimento que ela estava bêbada e em uma briga estupida com meu pai, acabou puxando a faca e o esfaqueado duas vezes.

Sou despertado dos meus devaneios pelo meu celular indicando mensagens, diversas mensagens, todas da minha chefe gostosa e insuportável. Cobrava uma planilha dos funcionários, aparentemente iria ter reajuste no salário de todos e alguns cortes.

Eu trabalhava em uma empresa de marketing no centro de Seattle, era uma ótima empresa e maravilhosa para meu currículo. Minha chefe era filha do dono, havia acabado de terminar sua faculdade de administração e tinha um curso de marketing que havia feio pela internet, não que ela de fato precisasse, a mulher era um gênio e com bastante criatividade.

“Hoje é seu dia de sorte, Matt, aquele grandíssimo filho da puta, acabou de dar pra trás no contrato com a coca-cola, preciso de ideias urgente. Não se preocupe, apenas preciso de fotos para divulgação.”

Não acredito, já se passavam das nove da noite e ela estava me pedindo para bolar ideias para divulgação para amanhã as oito da manhã, filha da puta. Seria minha primeira vez fazendo o que de fato tinha estudando para fazer e não tinha ideia de como começar.

…

—Uma pessoa que não acredita na magia do natal, recebendo nosso refrigerante do papai noel? — falou um dos investidores, na verdade não era de fato um investidor, apenas um encarregado de levar as ideias que mais gostasse.

—Sim, faz bastante sentido. — falou Emilly, minha chefe pela primeira vez.

A mulher havia chegado a sala de reuniões sem nem dar bom dia, de óculos escuro e um copo de café. Intragável como sempre foi, só que pior.

-É a magia do natal, até quem não crer adoraria receber seu refrigerante do papai noel.

Estávamos em agosto ainda, mas os comerciais e divulgações sobre o natal já havia começado a todo vapor.

—Sim, faz sentido! — disse a mulher com um enorme sorriso concordando com Emilly.- Ótimo, em alguns dias mando nosso veredito, até lá. — falou o apertando a mão de todos, a minha com um pouco mais tempo, e dando a reunião por encerrada.

Comei a desligar o projetor, iria pegar meu pen dreve quando Emilly começa a falar.

—Sabe, não lembro de pedir um comercial, isso nós já tínhamos.

—Eu não fazia ideia do que você e Matt havia escolhido para comercial, então tomei a liberdade de fazer tudo do zero. O investidor pareceu gostar.

—Puff, talvez não. Ela não veio receber outro comercial, queria apenas fotos de divulgação. Eu havia feito o comercial e eles já tinham aceitado. — falou batendo na mesa irritada.

Merda! Eu odiava essa mulher, e odiava ainda mais contraria-la, mas ela não havia especificado a merda do comercial.

—Desculpe. — falei puxando meu pen dreve do computador.- Juro que não fiz por mau.

—Claro que não, a culpa é minha por confiar a reputação da minha empresa a um estagiário. — ela levantou, rebolando aquela bunda deliciosa na saia apertada. — Me leve um café com creme decente e a planilha que te pedir. Você fez, não fez?

—Claro, senhorita. — falei controlando-me para não estourar.

—Ótimo.

Que ódio! Eu não era a merda de um estagiário.

Depois de organizar toda a sala de reunião, esses investidores sempre faziam a maior bagunça, sai em buscar do café com creme perfeito. Na cafeteria do escritório encontrei Dez, já pegando seu pedido.

—Aqui, toma. — falou me entregando dois copos de café.

—Obrigado. — falei bebericando o meu. — Aquela mulher o diabo, um diabo delicioso, mas ainda um diabo.

Meu amigo sorrio.

-Todos no escritório ouvimos o sermão que você levou, eu já estava vindo buscar meu café e já que você não saia daquela sala, resolvi comprar para você não acabar tendo mais problemas com ela, ouvir dizer que teremos cortes e reajuste.

—Isso mesmo, estou com o meu na reta, essa mulher me odeia. — falei.

…

O relógio marcava cinco e meia da tarde, em meia hora era supostamente a hora de ir embora, uma pena hoje ainda ser segunda e já está desejando me demitir, geralmente acontecia isso apenas nas sextas e eu sempre saia com meus amigos depois do trabalho pra tirar todo problema da cabeça. Pensando por esse angulo, eu poderia fazer o gosto do meu irmão hoje e pedir para sair mais cedo, ir ao cinema seria bom.

Liguei para meu irmão, ele não atendeu de imediato, o menino estava irado de raiva de mim, nem tinha me dado oi ou tchau ao sair do carro quando o deixei na escola hoje de manhã.

—Vamos, Mike, atende. — murmurei baixo.

—Austin? — falou Emilly saindo de sua sala já com a bolsa de lado e o celular na mão. — Vou precisar sair mais cedo, se quiser ir pode ir.

—Tudo bem. — falei com o celular na orelha, no exato momento, meu irmão decide me atender.

—O que você quer? — falou.

—Tive uma merda de dia, preciso me distrair, que tal aquele cinema?

—Quero, Alice ficou muito triste quando falei que não iria.

—Tudo bem garanhão, estou indo pra casa pegar você.

…

Além de pegar meu irmão, tinha conseguido tomar um banho e trocar de roupa, não aguentava aquela roupa social que eu sempre tirava só no fim do meu dia.

No caminho meu irmão não largava o celular por nada, estava conversando com sua garota. Estacionei o carro em um local permitido e fomos até o prédio de vidro com um enorme letreiro vermelho em led.

—Vamos entrar, a irmã dela já comprou nossas entradas.

—Tudo bem, apressadinho.

Entramos, meu irmão apontou para duas garotas, uma era loura e sorria para a morena de cabelos presos em um rabo de cavalo.

—A irmã da Alice é mais velha?

—Sim, sua idade talvez, eu não sei ao certo.

Aquela mulher não parecia ter mais de vinte anos do jeito que se vestia e como era pequena, na verdade se ela me dissesse que tinha dezessete eu acreditaria fácil.

—Nenem.- disse a agora quando viu meu irmão.

Sua irmã virou e eu quase morro, era minha chefe parada em minha frente vestindo jeans, all star e um moletom cinza do Harry Potter.