A chave do coração
1 Prólogo
Notas iniciais

A Chave do coração.
Por Teylla
Capítulo 1
A saudade precisa de distância para crescer. (Pedro Bloch)
— Lucy... — Gray chamou à loira carinhosamente. Ele tinha ido novamente dar uma visita rotineira na mansão da garota, estavam nesse instante em um momento de pressão. — Não irei te esquecer, eu virei te buscar Lucy! Não se esqueça disso, Eu amo você!
— Gray... — Os dois estavam segurando a mão um do outro, o moreno olhou para os dois lados e soltou lentamente a mão da loira, saindo correndo e olhando de relance para ela. — Eu também amo você... — Lucy sussurrou em um tom inaudível.
—Lucy, onde você está? – Jude gritou, procurando-a. — Espero que não esteja novamente com aquele merdinha! —pestanejou.
—Oh, sim. Estou aqui papai! — respondeu tristonha.
—O que está fazendo sozinha aqui? — perguntou, ao chegar onde estava a filha.
— N-nada. Só vim olhar as flores do nosso jardim — respondeu abaixando a cabeça.
— Não minta Lucy, não adiantará de nada, você já está prometida ao conde Dragneel, lembre-se disso —falou estufando o peitoral, colocou as duas mãos para trás segurando-as, e virou-se para voltar a mansão.
— Prometida ao conde... Dragneel? — Lucy perguntou arregalando os olhos, e impedindo as lágrimas que ameaçavam a cair dos seus olhos. — Gray...
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O rosado estava dando mais uma de suas famosas voltas em seu belo cavalo importado de Portugal que fora muito difícil de conseguir pelo simples fato deles só darem aos que realmente sabiam cuidar dos mesmos. Ele praticava saltos com o seu animal, e deixava todo mundo admirado, principalmente uma certa albina que o encarava, esbanjando um sorriso.
Os homens sentiam inveja, claro.
Nenhum homem na Inglaterra conseguia cavalgar como o conde Dragneel, e se sentiam irritados por isso, já que suas mulheres e amantes ficavam fissuradas no rosado. O haras era um lugar bem movimentado pela nobreza, principalmente em dias de semana, quando os mesmos se encontravam em um tédio constante.
Natsu terminou de praticar e desceu do seu cavalo segurando as rédeas do cavalo e indo para o estábulo guardar o seu animal. As pessoas sempre comentavam sobre o primeiro haras que existiu que foi criado pelo rei Luis XIV, tinha sido apenas para o uso da família real e do exército, mas, o rei tinha um amigo que era da família Dragneel, dando-lhe direitos para ele e sua família andarem com seus cavalos também.
Claro que foi um momento em que toda a nobreza sentiu inveja da família Dragneel, já que o rei tinha permitido uma pessoa a caminhar com ele em seu haras, mas logo depois de alguns anos após a revolução francesa, o decreto de 1790 aboliu a instituição de haras, símbolo de privilégios, e suprimiu toda a regulamentação destinada a melhoramento de raças de cavalo.
E foi uma revolta para a nobreza que nunca tinha ido se esbanjar em um haras também. Em 1806, Napoleão havia restaurado os haras na França com a supervisão do ministério do interior e passada depois a instituição retornou à supervisão do ministério de agricultura.
Após a revolução da burguesia, foi permitida a todos os nobres e burgueses a terem e andarem em haras, e claro, que todos comemoraram, e sentiram o prazer de andar nos mesmos. Mas, como sempre, todos os condes de Dragneel, sempre tinham o melhor jeito de andar neles.
Ao chegar ao estábulo resignado a ele e sua família, colocou o seu cavalo dentro de um celeiro e trancou o mesmo lá, fazendo caricias no animal.
— Oh, vejo que está melhorando seu astral hein Garanhão... –- Natsu disse sorrindo, enquanto fazia passava a mãoe em seu focinho, e ele se mostrava bem feliz.
— Sr. Drangeel. –- Lisanna adentrou o espaço com seu vestido longo, segurando um leque.
— Oh, Lady Lisanna. –- Virou-se surpreso para a albina. –- O que está fazendo aqui? –-perguntou curioso, Lisanna sorriu e Natsu pegou a mão dela, beijando-lhe na face.
— Nada, vim apenas lhe falar o quão fiquei admirada ao ver você montado no seu cavalo. Devo lhe avisar que foi um sucesso — disse ao se aproximar.
— Oh, isso não me surpreende nem um pouco, mas fico lisonjeado com o elogio — agradeceu dando seu sorriso maroto.
— Não tem problema, os homens ficaram loucos de inveja, e devo completar que as mulheres ficaram encantadas, só não sei te dizer se foi pelo fato da sua beleza ou pelo seu andar no cavalo — disse cortês enquanto abria o leque.
— Hm, acho que pelos dois motivos — falou nada humilde.
— Sim... — concordou. — Passe em minha casa mais tarde Sr. Dragneel, irei esperar sua nobre visita. — avisou com um sorriso evidentemente malicioso e saiu rebolando.
Natsu apenas riu e pôs as duas mãos na cintura.
— E como irei... —murmurou.
Terminou de acariciar seu cavalo e se dirigiu para sua mansão que ficava em Londres, poucas vezes o mesmo iria a suas casas de campo, mas as mantinham ativas com sua mãe morando em uma delas. As outras haviam os empregados morando.
Ao entrar na mansão, foi recepcionado calorosamente pelos seus empregados sorridentes.
— Bem vindo de volta Sr. Natsu — disse seu mordomo se reverenciando para o mesmo.
— Obrigado Macao, se me permite, irei descansar um pouco — Natsu disse rumando para seu quarto.
Assim que o rosado entrou, bateram em sua porta e o mesmo resmungou, mas a abriu.
— Sr. Natsu, você gostaria que eu preparasse um banho? — Uma empregada branquinha de cabelos azuis estava em pé na porta.
— Oh, sim, obrigado. — Natsu permitiu a passagem da mulher e sentou-se em sua poltrona com uma taça na mão, pegou uma bebida que ficava ao lado, em cima de uma mesinha. Encheu sua taça com um pouco de conhaque, e bebeu esperando a empregada terminar de aprontar seu banho.
Bateu a taça com força na mesinha, ao ouvir novamente uma batida na porta.
Levantou-se e a abriu. Era o Macao com uma carta na mão.
— Perdoe-me Sr. Natsu, mas sua mãe me entregou essa carta mais cedo, só que como o senhor não se encontrava, avisei que te daria assim que lhe visse. Desculpe-me, estou indo agora. — Macao reverenciou-se.
—Oh, tudo bem — Natsu disse e logo sentiu curiosidade, o que sua mãe queria agora? Era o que ele pensava. — Mais problemas! —murmurou bufando.
Macao saiu e fechou a porta. O Dragneel voltou para sua poltrona, sentando-se confortavelmente e abriu a carta.
“ Olá meu amado Filho, como está?
Quero lhe avisar, que espero que você compareça hoje na festa que estou oferecendo, esqueci de te avisar antes, minha cabeça estava muito ocupada com a decoração, entre outras coisas.
É necessária sua presença essa noite, realmente muito importante. Espero que você não falte.
Nós estamos ansiando sua visita, cancele todos os compromissos que tiver hoje, e isso é uma ordem! E você que ouse desobedecer, está bem? Hoje teremos o honrável comparecimento da Lucy Heartfilia, filho daquele nobre riquíssimo que comentei outro dia, as vendas dele estão crescendo rapidamente, e bom. Essa festa dará o inicio da fase de debutante da jovem, espero que seja educado e não a assuste com o seu jeito!
Apesar da mesma, ser um pouco mais velha do que o normal para isso, o pai dela insiste que ela compareça e dê por fim, sua fase de debutante, eu e o Sr. Heartfilia, fomos bons amigos antigamente, mas nada que levasse ao amor. Pelo menos de minha parte.
E ele quer te conhecer... Sherry está com muitas saudades de você! E eu também meu filho. Você fica esbanjando sua riqueza, e seu cavalo no haras, que se esquece da gente. Isso machuca sabia?
Quero lhe contatar algo muito importante, e que fique bem claro. Você não pode faltar hoje.
Ass. Mamãe. “
— Lucy Heartfilia...? Hn... Onde eu já ouvi esse nome? — Natsu se perguntou pensativo, e logo foi despertado de seus devaneios com a empregada.
— Sr. seu banho está pronto — A empregada disse e se retirou com o jovem falando; “obrigado, pode ir. “
Natsu colocou a carta em cima da bancada e dirigiu-se para o lavatório, retirou as peças de roupa do corpo, jogando-as no chão mesmo. Entrou na banheira e tomou seu longo banho. Ao sair, vestiu uma roupa simples, já que não receberia visita nenhuma.
— Lucy Heartfilia — Ele sussurrou pensativo, tentando lembrar. —Pelo jeito que minha mãe a descreveu na carta, deve ser uma caipira, provavelmente com uma verruga enorme, cabelo duro, e sem dente. Porque, claro, ser velha demais para debutar? E nunca querer participar da sociedade, nem festas, nem nada? Deve ter algo que quer esconder, e com certeza deve ser a sua feiura. — dizia enquanto pensava no que vestir, chamou um de seus empregados pessoais, ordenando-os a preparar sua roupa para a festa de hoje.
Lucy encontrava-se em sua cama, chorando pelo seu amado Gray, ele sumira, desde aquele dia havia sumido, não comparecera em sua casa, e isso a machucava bastante, ela o amava bastante, e recusava-se a comer, o que deixava o pai preocupado.
— Gray... —Lucy sussurrou entre suas lágrimas.
Bateram em sua porta, deixando-a assustada, secou suas lágrimas rapidamente e ergueu-se em direção à porta, ao abrir ficou surpresa.
—Pai? — Lucy perguntou com os olhos arregalados.
— Quando você irá sair desse quarto, Lucy? —Jude respondeu com uma pergunta, estava preocupado.
— Nunca, até ele voltar! — Lucy esbravejou.
— Lucy! —a repreendeu. — Ele não irá voltar! Por isso a te fiz prometida do conde Dragneel! Não quero ouvir idiotices como essa de sua boca! —pestanejou.
— É claro que ele irá voltar! Ele me ama! — retrucou quase gritando.
Jude deu um tapa na cara da filha, mas logo arrependeu-se, ele não queria fazer isso com ela —não ao todo, pois estava cansado das reclamações de Lucy—. A mesma ficou surpresa, todavia, o pai nunca bateu nela.
— Lucy, me desculpe! — pediu desculpas abraçando a filha que segurava as lágrimas. — Ele não te ama, ele apenas quer o seu corpo! E é por isso que logo, te prometi ao conde, este rapaz não presta meu bem. —falou carinhoso.
Lucy ouvia tudo silenciosa, pois pensava que o pai podia estar certo, ela sabia que o mesmo só queria o seu bem. Mas sabia também que Gray não queria apenas o seu corpo, e logo lhe veio à mente o mesmo dizendo que a amava, e encheu os olhos de lágrimas por conta da saudade que tinha do amado.
Jude lhe soltou, mantendo-a em seu campo de visão.
— Lucy, iremos a sua primeira festa hoje. Você irá gostar, e eu lhe mostrarei a sociedade! Ficarão encantados com sua beleza magnífica.
— Não quero ir, já disse! — Lucy retrucou irritada.
— Isso não é questão de querer, Lucy! — repreendeu. — Você tem que conhecer todos da sociedade! Sabe o que pensam de você? — perguntou curioso.
— Nada me importa do que eles pensam de mim — respondeu entediada.
– Ora, Lucy! —reclamou. — Eles acham que você é alguma caipira feia, sem corpo, com verrugas e o pior, sem dente! Pois todos adoram boas festas, mas você nunca foi a nenhuma! – falou com se fosse a pior coisa do mundo.
— E quem disse que me importo? Agora, pelo sem dente. Nossa, estou realmente espantada com a mente fértil dessa gente— disse espantada.
— Pois é — concordou pasmo.
— Que horror — reclamou boquiaberta conseguindo por fim esquecer-se do seu amado.
— Então Lucy, vamos? — O pai perguntou sorrindo.
— Não quero. Festas são tediosas, as pessoas da sociedade são chatas — respondeu.
— Mas minha filha, todos tem que conhecer minha filha! Não canso de ouvir falarem de você em todas as festas, afinal, somos os Heartfilia! — Jude disse enraivado.
— Está bem papai irei, mas é só hoje. — Lucy, sem opção concordou com o pai.
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