A caçada do noivado

1 A caçada do noivado


A decisão do casamento foi prontamente aceita por Hilda, mas não como Hyoga esperava. Como Freya pertencia à família real de Asgard, havia tradições e condições a serem aceitas, antes de pensarem em uma cerimônia, que seria, aliás, bem mais complicada do que a dos camponeses. Por conta da origem nobre de sua noiva, teria de conseguir a aprovação da maioria da aristocracia local para minimizar conflitos políticos no futuro.


Alguns meses antes da união oficial, era necessário que ele passasse por uma espécie de teste, no qual deveria provar o seu valor como homem para Freya por meio de uma caçada. Embora tal evento fosse completamente desnecessário, sendo que já havia conquistado a aprovação de sua noiva, Hilda reiterou sua importância política diante dos demais nobres.


Dezenas deles vieram para o palácio de Valhala, esbaldaram-se, elogiaram a beleza da noiva, desejada por muitos. Não era costume de Hyoga conversar com tantos desconhecidos, com discursos tão diferentes da realidade de um simples aldeão como ele. E o pior era que boa parte daqueles homens não escondia o desprezo por sua origem humilde, mesmo sendo um cavaleiro de Athena.


Na véspera da caçada, Hilda levou-o até um salão, contendo retratos e registros históricos da família. Ali, todas as pobres presas estavam presentes, em ilustrações ou empalhadas. Ela foi lhe mostrando cada um dos eventos:


“Este é nosso tataravô, Sven, que matou uma algália, sem trenó e com as mãos nuas. Seu filho e nosso trisavô, Sleipnir, caçou um urso pardo de Kamtchatka em pouco mais de duas horas. Seu filho, Gunar, caçou um tigre siberiano, como pode ver pelo tapete… Nosso avô, Egil, trouxe para casa dois leopardos de amur. Nosso pai, Baldur, surpreendeu a todos caçando uma orca.”


“É, todos estavam comentando no salão sobre como eu só seria aceito se caçasse algo maior… E olha que eles não estavam brincando.”


“Você não precisa ir tão longe. Só estou te mostrando que animais foram caçados até hoje em nossa família.”


“Que, aliás, são todas espécies ameaçadas de extinção.”


“É mesmo uma pena que não possamos abrir mão dessa tradição… Eles nunca aceitariam. Mas nós temos leis rígidas de caça aqui em Asgard, de modo que muitas espécies ameaçadas vivem em nossa floresta real, à qual você terá acesso amanhã.”


“Mais um motivo para eu não caçar lá amanhã.”


“De qualquer forma, você entendeu, não é, Hyoga? A ideia dessa tradição é mostrar que é um caçador forte e hábil, capaz de alimentar sua futura família.”


“E o que os nobres têm a ver com minha capacidade como caçador?”


“Tradicionalmente, é à Freya que você deve agradar, tanto é que deve levar sua caça diretamente a ela, e só ela reconhecerá ou não sua habilidade como caçador.”


“Acho que ela, você e eu sabemos muito bem do que sou capaz.”


“É claro. Mas, infelizmente, esse evento acabou se alterando com o tempo entre a elite… A caça, que deveria ser apenas um ritual entre homem e mulher, acabou sendo um parâmetro para a aceitação de um novo membro na nobreza. E você deve saber que eles não estão exatamente satisfeitos por Freya ter escolhido um aldeão de fora de Asgard. Mesmo sendo um cavaleiro de Athena, sua origem é que importa.”


“Então, devo matar um animal em extinção para agradar um bando de aristocratas.”


“Sim… Basicamente é isso.”


“Certo. Vou pensar no que vou caçar. Obrigado por ter me mostrado esses registros, Hilda, me ajudou bastante.”


“Já tem ideia do que irá caçar?”


“...Estou com algumas ideias. Não sei se darão certo, mas… Ou é isso, ou terei de achar um dragão.”


“Seja o que for… farei de tudo para que seja bem-visto entre eles.”


“Talvez eu te decepcione, Hilda… E também à Freya…”


“Veremos, Hyoga.”


Hyoga não disse mais nada, mas a verdade é que estava com medo do resultado de suas ações. Com certeza era mais fácil matar um urso polar para receber a aprovação dos nobres, mas sentia que esse não era o caminho correto. Só lhe restavam opções em direção ao óbvio fracasso. Contudo, por mais que amasse Freya, não desviaria de seu caminho por causa de mera aprovação social.



_______________________________________________



Pensou em peixes, renas, e até em dinheiro. Afinal, ele só precisava provar que era capaz de sustentá-la, certo? Toda a ideia da caçada podia fazer sentido há séculos, quando dependiam da extração natural para a sobrevivência. Pensar que nobres de Asgard ainda precisavam caçar para levar comida à mesa da família era ridículo.


Reconhecia que, em sua aldeia, ainda caçavam pequenos animais para complementar a dieta. Não se tratava, no entanto, de uma competição para ver quem conseguia a maior presa; apenas de uma atividade usual no inverno, feita com algumas armadilhas. A maior parte da alimentação dos moradores de Kohotek vinha da pesca e da carne das renas. Antigamente, caçadores eram vistos como grandes homens em povoados como aquele, mas, com o comércio e a domesticação de animais, caçar tornara-se uma atividade menor.


Passou algumas horas a mais acordado, pensando no tal evento. O que precisava provar? Ele era capaz de quebrar gigantescas pedras, e os tais nobres sabiam disso. Caçar uma baleia ou um urso eram tarefas demasiadas simples e obviamente estava mais do que capacitado para alimentar Freya com um banquete todos os dias. Além disso, independentemente do que caçasse, muitos nobres tratariam de diminuí-lo simplesmente por ser um aldeão. Então como proceder?


Provavelmente ele jamais seria aceito. Por mais que aderisse aos costumes de Asgard, não conseguia sentir-se tranquilo por conta do peso político de cada movimento seu. Tornar-se um nobre, preocupar-se com a recepção do povo, impedir conflitos… Tudo aquilo sugava a alegria de casar-se com a mulher que amava. Não se importava de pescar um peixe para provar que seria capaz de sustentá-la; até o prepararia com seus temperos prediletos. O problema era que alimentar uma nobre de Asgard com peixes chegava a ser um insulto, de tanto que achavam a refeição pobre. Não sabiam eles que peixes possuíam gorduras menos nocivas do que todos aqueles bichos em extinção? E quem comeria um tigre ou um leopardo?


Irritado, Hyoga decidiu que faria a primeira coisa que surgisse em sua mente no dia seguinte. Que Freya e Hilda o perdoassem, mas não mais tentaria evitar o conflito com os nobres.


____________________________________




No dia seguinte, todos os aldeões reuniram-se em mais um banquete na entrada da floresta real. Tratava-se de um dia em que, enquanto o noivo caçava, todos aguardavam comendo e bebendo, comemorando o possível casamento. Hyoga, no entanto, precisava ficar de jejum, pois diziam que a fome atiçava o instinto caçador do homem, o que ele considerava uma grande bobagem. Apenas teria vontade de comer sua própria caça.


Tinha permissão para usar um cavalo ou um trenó, mas não para receber a ajuda de terceiros. Um guarda de Asgard fora designado a acompanhá-lo o caminho inteiro para certificar-se de que não roubaria no desafio. E precisava roubar? Assim que acordou, pensou no animal perfeito. Optou por usar um trenó, considerando que teria de cobrir uma boa distância até seu alvo.


Freya ajudou-o a vestir-se. Roupas nobres de Asgard eram apertadas e desconfortáveis, apesar de serem quentes o suficiente para protegê-lo do frio. Enquanto estavam a sós, ele comentou:


“Eu acho que vou te decepcionar hoje. Não importa o que eu traga, eles não irão me aceitar.”


“Você está tão preocupado em agradar os outros, Hyoga. Esqueceu que esta é uma tradição para agradar a mulher? Se eu gostar do que você me trouxer, te aceitarei como esposo. É simples. Não se preocupe com eles. Toda garota de Asgard, quando criança, sonha com esse dia.”


“É mesmo? Você também?”


“É claro! Até mesmo a minha irmã já sonhou com isso.”


“Então me diga, Freya, o que quer que eu te traga?”


Freya riu e ajeitou seu casaco.


“Perderia a graça se eu escolhesse a caça. Só quero algo que me faça feliz, sim?”


“Assim você dificulta as coisas para mim, senhorita.”


Como resposta, recebeu um afetuoso beijo na boca.


“Nós estamos juntos há três anos. Já convivemos o suficiente para saber do que gosto ou não, senhor cavaleiro de Athena. Agora vá e realize o meu sonho.”


“Nem preciso trazer nada então. Só eu sou suficiente para te fazer feliz, não é?”


Ela riu e fez sua demanda:


“Mas eu espero que me traga algo a mais, ok?”


“Vai ser difícil pensar em algo melhor do que eu, mas vou me esforçar.”


Empurrado pela contente noiva, depois de sua piada, Hyoga apresentou-se a todos os convidados do banquete. Um deles comentou, jocoso:


“Vejam… Não é que ele consegue ficar parecido com um nobre vestido assim?”


Sua fala foi seguida de risos dos demais. Por um instante, Hyoga considerou comprar a briga, mas lembrou-se da alegria de Freya. Ele estivera pensando demais em obter aprovação daqueles nobres. Seu foco não podia ser os outros, quando aquele era um sonho de sua noiva. Com que caças ela teria sonhado na infância? Ursos? Tigres? De qualquer forma, ele não estava interessado em matar um animal ameaçado de extinção. Além disso, Freya abertamente dissera não apreciar mais caçadas, desde que começara a sentir pena de animais. Sorriu e respondeu:


“Não, senhor… Não tenho a pretensão e nunca parecerei um nobre, não importa que roupas use. Sou só um aldeão apaixonado por uma princesa. Mas eu vou provar a todos o quanto a amo.”


“Provaria se me deixasse ficar com ela, que tal?”


“Hein? Nem pensar! Ela nunca seria feliz ao seu lado.”


“Tem razão, rapaz! Ela não pode ser feliz ao lado de um homem bem-nascido. A grande filha do antigo representante de Odin só encontrará a felicidade numa aventura… E que aventura!”


“Aventura, você diz? Essa é uma boa palavra. Afinal, que vida sem emoção vale a pena ser vivida, não concordam? Freya! Eu já vou! Já aviso que demorarei umas boas horas, mas duvido que você não fique feliz com minha caçada!”


Deu ordem às renas para a direção oposta à floresta real. A caça que queria não estava lá. O guarda de Asgard seguiu-o a cavalo, e Hyoga comentou:


“É bom que tome cuidado com esse cavalo. Temos um longo caminho pela frente.”


“Como? O que pretende fazer, senhor?”


“Você verá…”


Felizmente ele aprendera a domar renas em Kohotek, apesar de utilizarem cães como principal meio de transporte. Embora as primeiras não fossem tão velozes, eram resistentes, e aguentariam bem a viagem. Esperava que o cavalo do guarda não se cansasse demais.



____________________________________



Freya suspirou quando percebeu que haviam se passado três horas. Quanto tempo mais levaria? Estava tão curiosa! Procurou não comer muito, pois sabia que, quando o noivo retornava com a caça, imediatamente esta era preparada como refeição à mulher. Quando criança, imaginava um renomado guerreiro trazendo animais fantásticos, como um dragão ou um pégaso como caça. Com o tempo, ao ver seu pai carregar animais mortos no lombo do cavalo, passou a desgostar de caçadas. Hyoga sabia bem disso.


Provavelmente seria um peixe. Possivelmente, assado e temperado, no estilo dele, que era muito bom, acompanhado de um pão. Ops. Estava pensando demais em comida. Não era por menos: estava com fome, e ele estava demorando demais.


Hilda, ao seu lado, estendeu-lhe um prato com um pouco de carne:


“Irmã, tente comer. Eu sinto o cosmos dele bem distante.”


“Distante quanto?”


“Bem distante. Não sei o que está planejando, mas ele deve demorar para voltar com aquelas renas. Procure se alimentar, porque, quando ele voltar, já estará com fome de novo.”


“Irmã… Considerando a riqueza da floresta real e toda a fauna da região… eu me pergunto o que Hyoga foi fazer tão longe.”


“Tenho certeza de que, independente do que seja, será para te agradar, Freya. Apenas aproveite o dia, sim? Em breve vocês dois serão uma família. Não é maravilhoso?”


“É sim, irmã. Obrigada por todo o apoio. Eu sei que nossa união vai causar problemas em nossas relações políticas…”


“Ah, eu já estou acostumada a lidar com esse tipo de coisa. Vocês deviam apenas aproveitar o momento e deixar o resto comigo. Eu só quero que você seja feliz, Freya.”


“E eu estou feliz, muito! Hyoga é perfeito! Ele é tão amoroso, gentil e leal... Tive sorte de termos dado certo. Se os nobres abrissem a mente para conhecê-lo… tenho certeza de que o aceitariam.”


“Infelizmente, as coisas não são tão simples assim, irmã. Mas não se preocupe. Tenho certeza de que muitos irão aprender a respeitá-lo. Mudando um pouco de assunto, não quer tentar adivinhar o que ele vai trazer?”


“Adivinhar…? Tendo ido tão longe, não sei dizer o que é… Só consigo pensar naquele peixe assado, que é a especialidade dele.”


“Você quer dizer, um dos únicos pratos que ele sabe fazer?”


“Sim, mas ele é muito bom nele, não é?”


Hilda riu e respondeu:


“Ouvi dizer que é uma receita tradicional da aldeia dele, até bem simples. Mas acho que nunca servem esses alimentos para nós porque somos da família real, não é? Às vezes, a simplicidade é o melhor sabor. Mesmo assim, eu duvido que seja… Em Asgard, há os mesmos peixes que na aldeia dele, pois não estamos muito distantes. E ele foi pra lá, eu tenho certeza.”


“O que tem lá que não tem aqui?”


“Lá é mais quente, então pode ser que tenha algum animal que não tenhamos… Mas não sei.”


“Espero que ele não tenha abandonado a senhorita”, comentou um dos nobres, erguendo a caneca de vinho. Mas é melhor pra nós, podemos festejar até amanhã!”


“Hyoga nunca me abandonaria, Leif”, respondeu Freya, tranquilamente. “Não me abandonou quando eu mais precisei e não me abandonaria agora. Ele e seus amigos salvaram Asgard e a minha irmã, por isso acredito cem por cento nele.”


“Então por que ele foi tão longe caçar? Será que é incapaz de enfrentar as maiores feras de Asgard?”


“Hyoga é um grande e corajoso guerreiro… Além disso… Ele me conhece bem. Não iria tão longe se não tivesse algo certo em mente. Tenho certeza de que se sairá bem.”


“Mas não faz sentido”, comentou outro nobre, que tinha uma posição mais neutra com relação ao casamento. “Ele é um daqueles cavaleiros de Athena, certo? Recém-intitulado da categoria ouro, a mais forte do exército dele. Se ele é assim tão forte, por que ir tão longe para caçar? Será que ele conhece animais mais incríveis do que os de nossa terra?”


“Um animal mitológico, talvez”, brincou outro. “Um dragão!”


“Teremos um novo Siegfried, mas vindo dos camponeses!”


“Ouvi dizer que o senhor Siegfried deu uma surra em todos eles anos atrás.”


Os meses conseguintes com certeza não seriam fáceis para Hyoga, considerando a mentalidade daqueles homens. Hilda levantou-se e repreendeu-os:


“A origem de Hyoga não importa. Ele é um poderoso guerreiro, nobre de espírito e de alta patente no exército de Athena, que salvou Asgard anos atrás. Nós devemos ser gratos a ele. É com muita honra que o receberei em nossa família e confiarei a minha querida irmã aos seus cuidados. Eu sei que ele voltará com uma caça à altura de Freya.”


Alguns homens se recompuseram, outros riram, desrespeitosos. Freya suspirou e continuou aguardando, torcendo para que ele logo voltasse.



_______________________________________



Já era noite quando Hyoga retornou. Servos haviam acendido as luzes, e alguns nobres mal se sustentavam de pé, depois de tantas garrafas. Freya foi a primeira a levantar-se. No bagageiro do trenó, não havia nenhuma caça grande, apenas uma caixa embrulhada quase que na totalidade por um cobertor. Logo um dos nobres gargalhou e perguntou:


“Cadê a caça, rapaz? Levou o dia todo pra pegar um esquilo?”


“Cacei algo melhor.”


“Um peixe, que é coisa de gente da sua aldeia”, supôs outro.


“Não. Até considerei, mas achei que Freya não ficaria feliz o bastante. Freya, por que não mata a curiosidade de todos?”


“Eu também pensei que traria um peixe”, comentou ela. “Então o que será?”


Ouviu alguns ruídos vindos da caixa, o que significava que a caça ainda estava viva. Então Hyoga não havia machucado o animal antes de trazê-lo, certo? Cuidadosamente desembrulhou o pacote e imediatamente apaixonou-se. Tirou-o de lá, revelando a todos: um pequeno e amigável filhote de husky.


“Um cachorro! Você vai comer isso aí?!”, perguntou um dos nobres.


“É lógico que não!”, respondeu Hyoga, fechando a cara. “Eu não trouxe um bicho para ser alimento e sim, um amigo! Freya odeia caçadas, então não faz sentido eu trazer um animal morto. Além disso, eu crio esse filhote desde que nasceu, não recebi a ajuda de ninguém e nem quebrei nenhuma regra. Ele é saudável e forte, será um excelente companheiro para ela. Eu não preciso provar que sou capaz de sustentá-la. Eu só preciso provar que posso fazê-la feliz.”


“Ele é tão lindo, Hyoga! Eu adorei… Já tem um nome?”


“Você pode dar o nome que quiser, ele é seu.”


“Que nome darei… ele é tão adorável!”


Hilda aproximou-se de Freya, acariciou o cachorrinho rapidamente e lembrou, baixinho:


“Freya… o discurso.”


Ainda distraída com o agitado bichinho, a futura esposa adiantou-se para os nobres e anunciou:


“Hyoga de Aquário tinha a tarefa de trazer uma caça que me agradasse. Entretanto, por conhecer o meu coração, que não gosta de ver o sofrimento dos animais, ele optou, de forma muito inteligente, por um presente: este lindo e precioso cãozinho. Sabemos que, em nossa cultura, cães são importantes parceiros… para caçadas, proteção ou apenas como companheiros. Eu, Freya, não poderia estar mais feliz com o presente que ele me trouxe e o aceito como meu noivo e futuro membro da família real de Asgard. Quando criança, eu sempre imaginava o dia da caçada para mim… e hoje Hyoga me proporcionou uma caça que vai além dos meus sonhos. Estou muito feliz.”


O discurso de Freya ajudou a calar os nobres ali presentes. Um dos mais velhos gargalhou e ergueu a caneca:


“Esta foi a melhor caçada que já vi! O caçador caçou a própria noiva usando um filhote de cachorro! Vocês, bando de ostentadores, precisam aprender com homens espertos como esse!”


Freya apoiou-se em Hyoga, que carinhosamente a abraçou.


“Eu sabia que você conseguiria, Hyoga.”


“Hilda vai ter um trabalhão pra convencer esses caras de que valho alguma coisa, mas o importante é que você esteja feliz.”


“Nunca estive mais feliz, senhor cavaleiro. A espera valeu cada segundo.”


“E a melhor parte: ele já sabe fazer as necessidades no lugar certo!”


Hilda riu e anunciou:


“Como podemos ver, a noiva aceitou a caça do pretendente. Portanto, a partir de agora, começaremos as preparações para a grande cerimônia de casamento de minha irmã. Considerem-se convidados. É claro, aqueles que não são a favor dessa união não são obrigados a comparecer. Desejamos uma ocasião alegre, pois, em nossa família, há espaço apenas para o respeito e o amor.”


Depois de algumas conversas, os convidados começaram a ir embora. A atitude de Hyoga, apesar de arriscada, mostrou ter ganhado o respeito de alguns nobres, que elogiaram sua coragem em desafiar as tradições. Hilda também mostrou-se contente com sua solução, ao final da festa:


“Depois de eu te mostrar todas as feras caçadas, você foi lá e trouxe um cachorrinho. Estou entendendo o que Freya viu em você, Hyoga.”


“Não tem nada de impressionante em matar animais inocentes, Hilda. Com tanta comida aqui, seria uma morte inútil. A verdade é que eu também odiei a ideia da caçada. Não é melhor celebrar a vida?”


Hyoga acariciou o filhote nos braços de Freya, com a certeza de que dormiria com a consciência limpa naquela noite. Só não sabia se conseguiria dormir, pois o filhote provavelmente estranharia o novo lar. Mas tudo bem. Em pouco tempo, ele entenderia que estava em casa, assim como os seus donos.

______________________________________


FIM


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!