Notas iniciais
Olá! Essa não é a primeira fanfic que posto, mas as ultimas não existem mais, então, considere essa como a primeira. Espero imensamente que gostem. Boa leitura!

As frias peças de madeira do assoalho rangiam a cada passo dado. Com os pés descalços, escondia-se entre quartos e portas. Escondia-se não por medo, escondia-se por diversão. O sádico sorriso entre lábios finos e rosados permanecia na face de olhos indecifráveis e pele pálida. Ora um passo lento, ora um passo rápido. Sentira-se demasiadamente bem, e de fato, o assoalho marcado do vermelho mais puro lhe passavam um ar tão bom. — Sangue. Porque lhe fazia bem. Lhe fazia tão bem quanto a própria cor, vermelho. Esse que, por sua vez, amava. Vermelho para si era ora vida, ora morte. Ora sangue fluente, ora rosa murcha. E por estranho que parecesse, lhe fazia tão bem.

E de pouco fazia fingimento. Como numa peça de teatro, a atriz chora litros após retirarem tudo de si. Mas não era uma atriz, quem dera tinha lágrimas. Era sádica, era vermelha. E mesmo nas piores das hipóteses, vivia num palco. Um palco, ainda que fosse sádico. Pouco importando-se com sentimentos, vivendo apenas da pura dissimulação. Mas quem precisa disso?

Como se o vento tirasse seu vestido para dançar, ele balançava-se. Assim como dançava, o sopro silencioso do vento cantava para si. Cantava uma das mais doces melodias, uma trilha sonora de seu teatro sadista e desumano, feito com marionetes. Marionetes, achamos, que eram todas de tecido. Eram de fato, um saco de ossos, que choravam todas as noites por perdão de algo que, quem dera os haviam cometido.

Mas a pequena fugitiva, com o vestido borrado em vermelho, pouco importara-se com eles, e nunca importar-se-ia de qualquer forma. Gostava apenas de manipulá-las. Pequena sádica.

A risada maquiavélica ecoava nos longos corredores, esses todos sujos do vermelho, aquele que tanto amava. Dançava sobre eles, fugindo de algo imaginário. Talvez um pesadelo. E todo o espetáculo a fazia explodir de forma indecifrável. Era como se seu coração negro pudesse parar a qualquer momento, manipulando seus sacos de ossos ou fazendo deles bonecos vodu.

Foi quando lágrimas saiam de seus olhos, essas sem esforço ou vontade de sua parte. Sentia algo tocar-lhe, mas não sentia medo. Era um toque bom, como o de um assassino. Porque essa, por sua vez, não sentia medo. E foi ainda mais quando a melodia que o vento cantava encerrou-se. E substituindo-o, uma melodia cantava pairava sobre si. E essa lhe causava arrepios.

Acelerava os passos, não por medo — esse que não sentia — mas pela curiosidade. Guiada sempre por melodias. Essas sempre pairavam sobre si, lhe causando prazerosos arrepios, lhe fazendo dançar ainda mais.

Seu nome fora chamado. Duas, três, quatro vezes. Uma voz falha, mas que não pertencia ao seu mundo. Talvez fosse uma das vozes que sua mente pertencia, essa já tomada por seu sadismo e psiquismo. Ou talvez, essa poderia ser uma marionete. Talvez realmente fosse, mas nunca dera-se conta da manipulação.

Abrira os olhos. Aonde estava agora? O vestido não estava mais borrado em vermelho, muito menos havia um assoalho a ser sujado ou arranhado por suas unhas negras. Havia uma parede de ferro, essa toda pautada de números. Não havia sangue ou vermelho. Havia correntes sobre seus braços e pernas, marionetes de pano sobre o chão de concreto do mais escuro possível.

Havia apenas a sua vida. Aquela que sempre fora um tanto quanto psicótica

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!