A casa Cor-de-Judas.
1 Capítulo 1 - Sangue.
Cristanne estava nervosa, aquela era sua única chance de provar para Marcci que podia ser tão bom quanto ele e substitui-lo quando ele se for.
Nunca imaginou porém que seu primeiro caso seria no bairro Arco-Íris. Aquele era um dos lugares mais pacíficos da cidade e também o mais rico.
A mansão onde ocorreu o assassinato era enorme e vermelha. Havia policiais espalhados por todo o local, mas eles pareciam mais interessados em rir e contar piadas enquanto comiam donnuts do que investigar de fato. Aquela era uma cidade de pessoas que não se importam, ela já estava acostumada. Sabia que teria que resolver o caso sozinha, e talvez fosse esse o motivo de Marcci envia-la para lá.
Entrou na casa pelo portão principal. O jardim era grande e cheio das mais diversas flores. Cristanne amava flores, mas não sabia muito sobre elas, ao contrario de sua avó que era fascinada por suas rosas e orquídeas. Apesar do jardim ser grande e cheio, ele parecia mal cuidado. As flores estava murchando, e a terra estava seca. Isso era algo que precisava ser anotado.
O sheriff a esperava na porta da casa. Era um homem alto e forte, e bem bonito para sua idade. Ela fez questão de saber melhor sobre as autoridades daquela cidade, Sheriff Jamie ocupava seu cargo a mais de 40 anos, e poucas vezes, em todo esse tempo, teve de fato que trabalhar.
"Bom dia Doutor Berknard. Posso te chamar dessa forma?" Disse o velho estendendo a mão.
Ela achou melhor esconder sua identidade para essa tarefa. Não queria seu trabalho dificultado por machistas idiotas. Escondia os cabelos com um chapéu e os seios com um largo terno marrom.
"Pode me chamar apenas de Bill. É um prazer conhece-lo Sheriff, sei que você faz um grande trabalho para essa cidade." Respondeu apertando a mão áspera e gorda.
"Vamos entrando. Acho que um café antes de você começar seria apropriado." Disse ele entrando na casa.
Um café? Cristanne se segurou para não rir, não tinha tempo para papos de futebol. Uma senhora acabara de ser assassinada.
"Desculpa sheriff, terei que recusar seu convite. Depois que as investigações terminarem eu farei questão de convida-lo até o meu solar e tomaremos quantos cafezinhos o senhor desejar, mas agora preciso trabalhar" Disse passando por ele e esbarrando em seu ombro. Enquanto subia as escadas pode ouvir uma risadinha.
No corredor dos quartos havia um casal de policiais se acariciando e rindo. Eles não perceberam a entrada de Cristanne, então ela precisou tossir para chamar-lhes a atenção.
"Desculpa senhor, o que gostaria?" Disse o menino fardado que não deveria ter seus 17 anos.
"Eu estou aqui para a investigação." Disse se aproximando dos dois. "Doutor Billie Berknard." Disse. O garoto a olhou interrogativamente e pairou um minuto antes de apertar sua mão.
"Ah sim, a investigação! Me desculpe senh-,eh, doutor. Venha eu te mostro onde está o corpo". Coxixou uma palavra no ouvido da mulher que se encontrava com ele (que por sinal deveria ser uns 10 anos mais velha) e seguiu, deixando-a para trás.
"Você ainda não me disse seu nome garoto."
"Meu nome é Duppalf Richester, Doutor, mas pode me chamar de Dupp, se preferir."
"'Richester...". Você é algum sobrinho da Senhora Matilda, por acaso?"
"Sim, sim... Meu pai é seu irmão. Você conhece a minha tia?"
"Eu e sua tia eramos muito amigas na infância" Soltou, esquecendo de seu disfarce. "Amigos, quero dizer... Brincávamos muito juntos"
"Fico feliz em saber, Doutor. Esse é o quarto onde a Senhora Reddair se encontra." Disse parando na frente de uma porta de madeira escura talhada. Ele não queria entrar, estava com medo talvez.
"Óh, sim. Muito obrigado garoto Dupp, pode voltar com a sua garota se quiser."
"Minha garota? Não, não... Ela não é minha..." Antes dele terminar ela entrou na sala e bateu a porta.
Logo de cara viu a mulher espatifada no chão. A luz do quarto era bem fraca, então abriu as janelas.
O tiro acertou sua cabeça, e a poça de sangue escorria até a porta. O local era pequeno e sujo. Havia poeira por toda parte e inúmeros objetos espalhados. A cadeira, a escrivaninha e os livros sugeriam um escritório, que pelo estado, a muito tempo não era utilizado.
Tossindo foi atéperto da janela. Muito facilmente alguem pularia da li. A janela não ficava muito longe do chão. Virou-se para o quarto e observou com atenção. Os móveis eram rústicos e antigos. A estante de livros era pequena, e organizada em ordem alfabética. Havia um quadro largado no chão, que parecia o retrato de uma velha senhora da realeza. Se aproximou da estante, havia algo de errado com ela, podia sentir. Algo não deveria estar ali. Então achou. Todos os livros estavam empoirados e sujos, menos um. Era uma biblia sagrada, e foi colocada ali a não muito tempo. Abriu-a e folheou. Encontrou um papel com um desenho, que parecia ser de uma criança. No desenho haviaum homem, uma mulher e uma menina. A menina parecia segurar uma bola de praia perto da barriga.
Cristanne desceu as escadas e voltou para a sala de estar, onde o Sheriff, sentado no sofá, ria e assistia TVcom outros policiais.
"Sheriff." Chamou.
O velho cuspiu sua cerveja e se levantou rapidamente. "Pois não doutor?"
"Achei algo que possa ser revelante..." Disse apontando para as escadas. "Por acaso o senhor e a senhora Reddair possuem filhos?"
"Óh, claro!" Pigarreou "Eles têm um filha, deve ter uns 8 anos. Já mandei uma equipe de busca encontra-la, suspeitamos que esteja passeando com o pai."
E nada disso foi dito a ela.
"A família era religiosa?" Perguntou.
"O senhor Reddair nunca perdia uma missa, mas agora que você falou, ele tem faltado muito..."
"Você conhecia o senhor Reddair? Eram amigos?"
"Não, não... O conhecia de vista apenas, mas ele parecia ser um bom homem, acha que ele possa estar envolvido?"
"Sheriff, preciso que mande uma equipe até a igreja que o senhor costuma frequentar. Preciso que mande agora."
Sheriff Petrick ficou parado por um instante. Então saiu pela porta gritando ordens.
Cristanne subiu as escadas novamente. Dessa vez foi até os quartos. O primeiro quarto do corredor parecia ser o da menina, os móveis eram rosas e infantis. A cama estava arrumada e limpa, mas no chão havia muitas roupas espalhadas. Se aproximou e cheirou o lençol. Tinha cheiro de novo, e pela etiqueta foi comprado na "Mazzelo", uma loja que foi aberta no dia anterior. Não era possível, o assassinato ocorreu por volta das 4 horas da manhã, a loja não estava aberta ainda.
Voltou correndo para o escritório. Ergueu a cabeça da mulher assassinada e analisou o buraco da bala. A bala atravessou sua cabeça. Olhou para cima, no teto havia um buraco. Não estava lidando com um caso de assassinato, e sim suicidio. Não havia nenhuma arma de fogo na mão da mulher. Aquilo era muito estranho. Olhou novamente pela janela. Avistou uma lixeira na parte de tras da casa. Não queria ser seguida, se pendurou na janela e pulou nos arbustos. Era realmente muito baixo, qualquer um pularia, até mesmo uma criança de 8 anos. Foi até a lixeira e a abriu. Havia um lençol ali, como suspeitava. E nele uma grande mancha de sangue estampada. Guardou-o e fechou a tampa. Quando se virou tomou um grande susto e gritou.
"Senhor Berknard" Disse o menino Dupp. "Algum problema?"
"Não, nenhum. Apenas estava distraído."
"Oh, peço desculpas. O Sheriffe pediu para te chamar. Parece que encontraram algo na igreja..." Engoliu em seco. "Encontraram sangue."
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