A casa

1 Capítulo 1


Notas iniciais
História revisada...

Meu nome é Isabella Marie Swan. Tenho 28 anos e vou contar minha história para vocês.

Há um tempo vinha acontecendo coisas estranhas comigo. Eu era o que podemos chamar de garota normal. Morava minha mãe, estudei, fui para a faculdade, comecei a trabalhar depois de formada... porem tudo isso mudou depois que eu fui para minha casa própria...


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A casa era perfeita. Tinha uma sala ampla, cozinha planejada, banheiro com uma banheira maravilhosa, dois quartos grandes e um jardim ao lado da casa. Assim que a vi eu me apaixonei. Sem contar que o bairro era calmo e bonito.

Me mudei dois dias depois de comprá-la, minha mãe Renee, que é design de interiores, me ajudou. Porém eu notei que minha mãe entrava na minha casa com receio, como se alguma coisa tivesse intimidando ela. Até que certa vez a interroguei.


LEMBRANÇA ON

- O que houve, mãe? Não gostou da casa? – perguntei numa tarde de domingo quando minha mãe foi me visitar.

— Não é isso filha, a casa é linda. – ela olhou para a rua, pois estávamos sentadas na varanda, já que ela se recusou a entrar. – Mas não sei.... Tem alguma coisa estranha.

Minha mãe era sensitiva. Ela não gostava de entrar em cemitérios e esses tipos de lugares. Eu particularmente não dou muita atenção para essas coisas que minha mãe fala. Não acredito nisso.

— O que tem de estranho? – perguntei levando a xícara de chá aos lábios.

Minha mãe olhou para a porta da minha casa que estava fechada e fez uma careta.

— Você não acha estranho o fato da casa ser absurdamente linda, creio eu que a mais linda do bairro, e a mais barata... ainda assim ninguém querer comprá-la?

Revirei meus olhos, minha mãe as vezes pira.

— Mãe, eu dei sorte. Era para a casa ser minha mesmo, por isso não tinha ninguém na frente para comprá-la.

Ela deu de ombros.

— Tudo bem, filha... só tome cuidado.

LEMBRANÇA OFF


Mal sabia eu que minha mãe estava totalmente certa. Depois de alguns meses, eu estava muito feliz com minha vida nova e tudo estava muito bem, até que uma coisa estranha aconteceu.


LEMBRANÇA ON

Eu estava na sala, vendo um filme qualquer, na verdade eu estava revendo as fichas de alguns pacientes meus. Eu era medica. De repente eu escuto um barulho na cozinha, me levantei rápido e fui ver o que era.

Tinha um prato da minha coleção de porcelana espatifado ao lado do fogão. O que eu achei estranho foi que a parte que ficavam esses pratos era do outro lado da cozinha. Como ele foi parar ali?

— Só pode ser brincadeira, agora não sei mais onde coloco as coisas?

Fui pegar a vassoura e a pá na parte dos fundos da casa e quando eu voltei não tinha nada ali no chão. Estava absolutamente limpo. Sem nenhum caco.

O que está acontecendo?

LEMBRANÇA OFF


E depois desse dia tudo desandou.


LEMBRANÇA ON

- Mãe, o que aconteceu? – minha mãe estava na maca de hospital.

Quando me disseram que minha mãe estava aqui eu corri para lá.

— Nada filha, só cai da escada.

Arregalei os olhos.

— Mãe, pelo amor de Deus, como assim? Estava correndo nela por acaso? – perguntei pegando os seus exames e avaliando.

— Claro que não. Só torci o pé.

Passei alguns medicamentos para ela.

— Quer ficar em casa até poder fazer as coisas sozinhas de novo?

Meu pai morreu quando completei 9 anos de idade.

Minha mãe negou na mesma hora.

— Não filha, estou bem. Prefiro ficar em casa.

Revirei meus olhos, mas assenti.

Depois de algumas horas minha mãe recebeu alta e Jake, meu primo foi buscá-la. Disse a ele que minha mãe precisava ficar de repouso e que Lea, nossa prima, fosse ficar com ela, porque eu não poderia, já que meus horários de trabalho variavam.

Depois do meu expediente no hospital fui ao supermercado comprar alguma coisa para fazer em casa e entrei em um corredor que vendia macarrão, vi uma mulher toda de preto, até mesmo os cabelos, parada em frente a prateleira de molho. Ela estava com a cabeça baixa e o cabelo cobria sua face. Não havia carrinho ao seu lado e nem cesta. Parecia que ela simplesmente estava ali dormindo de pé. Só que o que mais me intrigou foi o arrepio na nuca que eu senti assim que a vi. Resolvi ir por outro corredor para chegar ao açougue do mercado. Dei meia volta e fui para entrar no corredor ao lado e qual é a minha surpresa? Ali estava a mulher, do mesmo jeito, mas estava alguns passos mais para perto de onde eu estava.

Comecei a ficar com medo e andei uns três corredores até entrar em um que finalmente não tinha ninguém. Será que estou ficando louca?

Trii Trii Trii (celular tocando)

Tomei um susto com o barulho e o peguei do meu bolso olhando no visor.

Mãe chamando

— Oi, mãe. Algum problema? – continuei a andar e olhar para a prateleira de cereais. O macarrão e a mulher estranha totalmente esquecidos.

— Tudo ótimo, filha. Liguei para saber como você está.

— Estou bem. No mercado comprando algumas coisas. Sabe como é. Não deu tempo então ficou tudo para última hora.

— Ai, Isa. Você não tem jeito. – ela riu. – Mas deixa a mãe te perguntar uma coisa. Vai demorar para chegar a sua casa?

Estranhei, minha mãe me chamando de Isa? Como assim?

— Não, mãe.... Por que? – tem alguma coisa errada.

— Em quanto tempo?

Certo, por que aquelas perguntas?

— Não sei, mãe. Meia hora talvez.

A linha ficou muda.

— Estarei te esperando.

Olhei para o celular dizendo que a chamada foi encerrada. Meu corpo inteiro tremeu. Alguma coisa me dizia que tinha coisa errada nessa história.

Ainda tremendo liguei para casa da minha mãe.

Chamou uma.

Duas.

Três vezes até que alguém atendeu.

— Residência dos Swan. – Era Lucia, a empregada da minha mãe.

— Oi, Lucia, é a Bella, mamãe ta por aí?

— Olá, senhorita Bella. Sua mãe está sim. Está na sala. Quer falar com ela?

— Quero, por favor.

Coloquei minhas compras no caixa e esperei a mocinha passar tudo para eu pagar.

— Oi, filhinha. O que foi? Sentiu saudade já é.

— Mãe, me responde uma coisa. Mas me diga a verdade ta?

— Está me deixando com medo, Bella. — a voz da minha mãe era séria.

— A senhora me ligou?

— Que horas?

— Agora a pouco.

— Não filha. A mãe estava aqui assistindo a um filme com a Lea.

Comecei a suar frio.

— Mãe, você jura para mim?

— Claro, Bella. O que foi? Por que a pergunta?

— Não, por nada. – não ia preocupá-la.

— Ah não, alguma coisa tem.

— Esquece, mãe.

— São U$100,00. – disse a mocinha do caixa.

— Ah, certo. – voltei ao celular. – Mãe, chegando em casa eu te ligo ta? Beijo. – nem dei tempo dela responder e já desliguei o celular.

Depois de pagar tudo e a compra já no carro eu fui em direção a minha casa. Só que a ligação não saia da minha cabeça e nem aquela mulher. O que está acontecendo comigo?

LEMBRANÇA OFF


Depois daquele dia eu comecei a notar reflexos nos espelhos que não deveria estar ali. As portas da minha casa batendo várias e várias vezes seguidas e depois vinha o silencio absoluto. Uma vez eu tive um pesadelo horrendo e quando eu acordei marcas de dedos estavam em meu braço, exatamente no lugar onde a pessoa do meu sonho com o rosto assustador pegou.

Passei exatos oito meses desse jeito. O medo tomava conta de mim. Eu não dormia mais, não conseguia ir trabalhar, não comia direito. Eu não saia do quarto. Minha mãe ia me ver e me obrigava a tentar sair de casa, mas cada vez que eu tentava passar pela porta eu era arremessada de volta para dentro.

Certa vez convidei uns amigos meus para ficarem na casa comigo por um fim de semana. Não aguentava mais ficar sozinha e eu não deixava minha mãe ficar porque tinha medo dela se machucar.

Depois que meus amigos chegaram o inferno começou. Coisas horríveis aconteceram e eles tentaram ir embora. Só que cada vez que um colocava as mãos na maçaneta aparecia uma marca de queimadura no braço.

Eu fiquei desesperada, tentei sair com eles, tentei ajudá-los, afinal a culpa deles estarem ali era minha, mas nada adiantou. Até que a casa começou a pegar fogo do nada. Eram chamas para todos os lados e meus amigos estavam simplesmente sentados no sofá sendo consumidos pelo fogo. Eu tentei tira-los de lá, mas todos eles estavam com os olhos negros e com um sorriso no rosto. Fiquei desesperada e numa última tentativa eu fui para a porta tentar sair. Consegui.

Pela primeira vez depois de meses eu estava do lado de fora da casa e a via ser consumida pelo fogo.

Em poucos minutos, pessoas foram se aproximando ligando para bombeiros... eu não sei, mas eu não conseguia fazer nada. Estava em estado catatônico. Apenas olhava para aquele lugar e vi a mesma mulher que tinha visto uma vez no mercado na janela do meu quarto. Ela sorria e tinha uma feição horrível.

Depois de tudo passado eu relatei tudo o que aconteceu comigo por todo esse tempo e adivinha? Não acreditaram em mim, disseram que era tudo coisa da minha cabeça.

Contei que minha mãe ia me levar comida e tudo mais e os policiais disseram que os vizinhos nunca mais viram minha mãe entrar na minha casa depois do primeiro mês de mudança.

E o policial me informou que minha mãe havia morrido naquele dia em que caiu da escada. Disse que ela voltou para casa com alta, mas que alguma coisa aconteceu e ela tornou a cair da escada e que havia falecido.

Agora vocês me perguntam... quem era a mulher que levava a comida para mim? Eu não sei.

— Isabella, hora do almoço, vamos?

Olhei para a porta e encarei Victoria.

— Já estou indo, Vic... Obrigada. Só vou terminar isso aqui.

Ela assentiu.

— Não demore, já está quase na hora do seu remédio e não pode tomar em hora errada. – e se retirou.

Bom, hoje aqui estou eu internada numa clínica psiquiátrica cercada de loucos. Tudo isso porque queria minha independência e ter minha própria casa. Meu sonho se tornou um verdadeiro pesadelo.



FIM


Notas finais
Obrigada por lerem até aqui. ;**