A canção do lobo e da leoa
6 Capítulo 5-Um elo com o passado
Notas iniciais
Skagos finalmente havia desaparecido de sua vista por completo após o que ele julgava passar cinco dias de viagem pelo navio. Nunca teve uma boa noção de tempo e quase sempre ficava em sua cabine com seu Cão-Felpudo. Sua cabine era a maior de todas, não só pelo seu status como príncipe, mas também, pelo fato do garoto ter um verdadeiro pavor de lugares apertados demais. Naquele dia ele tentou olhar para ilha e não a encontrou. Sentiu-se triste.
"Skagos foi meu lar durante anos. O que restará para mim além das ruínas de Winterfell?"
Esforçou-se ao máximo para retirar essa dúvida de sua tola cabeça e deixar sua mente apenas a firmeza que se esperava do herdeiro de Robb Stark. Os ventos ainda estavam gélidos e frios. No convés ele encontrava Raymond com olhos fixos para o horizonte. Sempre teve boa amizade com os outros protegidos de Órion e igualmente considera todos como os irmãos que lhe foram arrancados. Mas, dentre todos eles, somente Raymond entendia plenamente seus objetivos. Sua família havia sido destruída pelos Lannisters e a mesma chama de vingança ardia no coração dos dois garotos. Falavam de dias em que voltariam a erguer suas casas em sua total glória e o lobo gigante dos Stark lado-a-lado com o leão vermelho dos Reyne teriam sua vingança contra o leão dourado.
–Não vai achar Westeros ainda, Ray!-Falou para o amigo mas sem esperar uma resposta-
–Lamentavelmente não.-Ele suspirou de desanimo e virou-se para encarar Rickon-Essa viagem parece que vai demorar anos.
–Estou tão ansioso quanto você.
–Você não compreende, Rickon.-Ele virou-se novamente para o mar-Você pertence à Winterfell de corpo e alma. Nasceu e foi criado no Norte. Eu nasci em Skagos e tudo o que sei de Castamare é o que meu pai me contou. Quero conhecer uma terra que, na verdade, nunca foi minha.
–Devia chamar-se Raymond Reyne, o dramático vermelho.-Disse aos risos-Pare com essa melancolia. Suas terras serão dignas de ti e quando vencermos os Lannisters será o senhor do Oeste.
–E você deveria chamar-se Rickon Stark, o lobo pulguento.-Respondeu aos risos também enquanto voltava a encarar de frente o amigo-
Os dois conversaram mais um pouco até perceberem a presença de seu mentor cambaleando pelo convés. Rickon e Ray caminharam até ele e o ajudaram a manter-se em pé. O rosto dele transparecia todo o mal-estar que o návio lhe causava. Órion nunca gostou de návios e rogou pragas á todos os deuses quando chegou o dia de partirem de Skagos. Raymond ria e comentava.
–Um anão bêbado. E eu pensava que unicórnios eram uma rara visão.
Órion resmungava enquanto tentava ficar de pé. Falhou miseravelmente.
–Continue rindo de minha desgraça enquanto estou debilitado por esta maldição flutuante que chamam de navio. Mas quando chegaremos em terra-firme te ensinarei uma lição para não zombar de mim. Pensa que esta velho demais para uma surra, Raymond? Pense de novo.
Mas as ameaças do anão só os fizeram rir mais ainda enquanto ele resmungava. Rickon tinha um certo medo das ameaças de Órion quando era criança, mas, ao passar dos anos aprendeu que metade delas não cumpriria.
–Vamos, Órion-Rickon respondeu-Melhor levá-lo para sua cabine.
–Bah! Aquele lugar apertado e fedido? Estaria melhor no alto mar.
O pequeno senhor sentou-se apoiando as costas no mastro enquanto segurava seu estomago. Jurou que não vomitaria no návio e até então estava cumprindo a promessa bravamente mesmo com as provocações de Quinlas e Domerick. Rickon sentou-se em frente a ele sendo seguido pelo jovem Reyne.
–Porquê não tenta distrair sua mente ocupando-se com outras coisas? Sempre nos disse isso.-Sugeriu Ray-
Uma subita curiosidade dominou Rickon então ele perguntou algo que durante anos nunca havia perguntando.
–Porque é tão leal aos Starks? Sei que a casa Stanne é vassala de Winterfell, mas, vocês tem pouco contato com o seus suseranos. Arriscou-se muito para me treinar e me preparar.
Órion fez uma pausa de meio minuto e depois encarou fixamente seu protegido e suserano enquanto se preparava para falar.
–Tantos anos e só agora me pergunta? Pois eu responderei. É sabido que toda Skagos era composta unicamente do povo-livre até a conquista de Winterfell. Quando isso aconteceu, muitos do povo-livre passaram a desprezar os homens que se ajoelharam aos Stark. Uma ferida que nunca se fechou por completo.
Havia verdade nessas palavras. durante os anos que passou em Skagos, Rickon viu o Salão dos Troncos ser atacado mais de uma vez por tribos selvagens. Algumas viviam suas vidas como se aquilo não importa-se, outras eram amigas dos vassalos de Winterfell e outros, simplesmente, eram inimigos mortais.
–Lembra-se de quem teve de matar para conseguir sua Galagon, rapaz?-O anão falou em tom melancólico-
–Claro! Venci Malagorn, este havia vencido Kazar--
–E este havia vencido Hakim, o errante-O rosto de Órion endureceu e suas feições tornaram-se sombrias-
–Hakim!? Já ouvi falar dele-Raymond indagava sobriamente-não foi um Magnar que atacou o salão dos troncos?
–Hakim, o demoníaco, era como deveria ser chamado.-Órion fez uma careta enquanto falava com um olhar vazio-A verdade é bem pior do que isso, garoto. Desde Ronarrk nenhum dos Magnars teve sucesso em incitar uma rebelião aberta contra os Stark. Hakim, contudo, chegou muito perto disso.-Apertou seu punho-Perto até demais. Já em tenra idade, diziam que Hakim era inconformado com a presença das casas vassalas dos Stark. Ele gostava de se gabar que praticava o antigo costume de Skagos.
–Canibalismo?-O jovem Stark falou sem quase acreditar nas próprias palavras-
–Escravidão e violação também. Uma besta em forma de homem aquele. Ele desafiou diversos líderes de tribo e os venceu muito antes de tornar-se o Magnar-de-toda-Skagos. Quando tirou a Galagon de Malar, o estranho, deixou bem claro que era diferente de seus antecessores. Lançou um brutal ataque a uma tribo do povo-livre cujo o único erro foi cultivar amizade conosco. Anunciou para todos as outras tribos que teriam o mesmo destino senão o ajuda-se a por fim aos "ajoelhadores"-A lábios dele se apertaram enquanto continuava a contar sua história-e depois disso apenas a tribo de Kazar ficou contra ele.
Até então ouviu falar muito pouco de Hakim e chegou a conhecer Kazar logo quando chegou em Skagos. Um homem alto e esguio de cabelos claros e muito amistoso.
–O que aconteceu depois disso?-Ele perguntou curiosamente como uma criança-
–Estávamos em total desvantagem numérica e presos nos nossos castelos. A comida era escassa, pois, eles nos cercavam e não nos deixavam caçar. Quase recorremos ao canibalismo. Decidimos tentar nosso último recurso: Pedir ajuda para Winterfell-Soltou um suspiro de cansaço-e na época parecia uma esperança de tolos, mas, era o que nos restava.
Rickon se irritou ao ouvir aquilo e disse-Tolos? Foram tolos ao duvidar do meu pai.
–Sim! Fomos tolos ao duvidar dele, garoto. Mas, havia uma razão para tanto. Até aquela época nos sequer conhecíamos o nosso suserano e na prática governávamos a nós mesmos. Afinal, porquê um senhor de uma nobre família iria dar alguma importância para uma terra esquecida e vassalos que ele sequer conhecia? Porquê um homem arriscaria sua vida por nós? Mas seu pai não era um homem comum.-Houve um pequeno sorriso no rosto dele-Eu fui até Winterfell em um único návio. Quando cheguei aos salões de seu pai eu não esparava nada além do escárnio. Disse que fui um tolo, não é? Um grande tolo eu fui. Seu pai alimentou a mim e a minha pequena tripulação enquanto convocou seus vassalos e depois marchamos para Porto Branco e de lá para Skagos. Superamos a grande tribo unificada de Hakim em número e força graças a seu pai enquanto Kazar enfrentou Hakim em um combate de morte e tomou-lhe Galagar e a vida.
Os olhos do jovem príncipe de Winterfell brilhavam radiantes ao ouvir a história. durante anos ele ouviu histórias de seu pai e aquela foi a mais incrível que ele já ouvira. Seu pai parecia para ele como Sor Duncan, o alto. Seu cavaleiro favorito.
–Hakim havia prometido nos matar, tomar nossas terras, violar nossas mulheres, escravizar nossos filhos e comer a carne morta de nossos ossos.-Órion completou com um sorriso maior no rosto-Mas agora ele jaz no mais profundo inferno. E ainda temos nossas terras, nossas mulheres não foram violadas, nossos filhos não foram escravizados e nossa carne não serviu de banquete tudo por que um senhor lembrou-se que faziamos parte de seu povo.
–E agora você protege o filho de ned Stark. A verdadeira amizade é um tesouro mais reluzente que o ouro, dizia o meu pai.-Raymond respondeu sorrindo-
–E estava com a verdade-Órion completou enquanto se balançava com o enjoo-e que isto lhe sirva de aprendizado, garoto, pois agora é um rei e o senhor do Norte, lembre-se sempre do seu povo. Do mais nobre ao mais distante deles.
–O norte se lembra e eu me lembrarei.
Naquela noite o sono demorou para encontrá-lo pois as palavras do senhor Stane ecoavam em sua mente. Era difícil de aceitar, mas, o jovem Stark tinha um grande receio de governar agora. Durante todo o tempo ele foi um aprendiz e agora deveria ser o líder da matilha. Ele agora trilhava o mesmo caminho que seu pai e Robb antes dele e não ousaria fracassar. Pensou bastante em Jon e como estaria ele na muralha. Rickon queria ir até lá e ver o irmão, pedir para ele voltar para Winterfell e ajudá-lo a governar. Mas eles já tinham idade o suficiente para saber que o serviço da Patrulha da noite seria eterno para seu irmão mais velho.
Os dias passaram longos demais e as noites mais longas ainda. Felizmente nenhuma tempestade invernal os atingiu como havia sido previsto. Ainda continuava treinando ocasionalmente com Aramyr no convés e segundo Quinlas "somente eles dois seriam loucos o bastante para continuar a treinar em um návio". A única parte boa da viagem era que ele não sonhava ali. Mas na ultima noite antes da chega em Porto Branco isso também mudou.
Era o mesmo sonho sempre. A árvore-coração estava ali o encarando com seus olhos mortos. O bosque sagrado era banhado pela neblina e as folhas se agitavam ao vento gelado vindo do norte. Se aproximava cada vez mais perto da Árvore-coração e do lago abaixo dele. O manto alvo o mostrava que seu visitante já esta perto. A neve começava a cair e os flocos derretiam no cabelo ruivo dele. Estava sentado em uma espécie de tronos feito de galhos logo abaixo da árvore.
"Seria este somente um sonho?"
Encarava-o por alguns instantes até finalmente sentar-se ao lado dele olhando em direção ao lago. Ficaram assim em silêncio por um bom tempo. As vezes apenas a companhia um do outro bastava.
–Quero acreditar que de alguma forma isso é real.-Rickon dizia em tom lamuriento-
–Tão real quanto precisa ser, irmão-Ele respondeu em um tom calmo.-
–Estou agora voltando para nossa casa. Seria bom vê-lo lá.
–Ele soltou um longo suspiro enquanto fechava os olhos-Sabe muito bem que não posso.
–Então ao que parece sou o último Stark em Winterfell.
Sua resposta foi apenas um melancólico silêncio.
–Ainda não dominei totalmente o meu dom. O futuro ainda é incerto para mim, mas, sei que terá um papel fundamental nele.
–Sim! Terei a vingança pela nossa família.-Cerrou o punho esquerdo-
–Vejo algo além de vingança, irmão. Devia ter tentar ver esse isso também.
–O branco sempre foi sua cor, mas o negro sempre foi a minha.
–Deveria tingir-se um pouco de branco.
Então ele apareceu na árvore. Como sempre grasnando para chamar a atenção de Bran. Rickon o detestava deste sempre com aqueles olhos agourentos. Aqueles três malditos olhos. O corvo de três-olhos eles o chamavam. Bran se levantou do seu trono e ficou de pé, da forma que fazia antes de sua queda. Deu um abraço no irmão mais velho enquanto ele partia para desaparecer entre a neblina do bosque.
–Verei você de novo?-Perguntou Rickon-
–Sempre faz a mesma pergunta, irmão.-Ele respondeu ainda caminhando-
–E sempre me responde a mesma coisa.
–Ele parou por alguns instantes e depois virou-se para Rickon enquanto sorria-Poderá me ver sempre, irmão. Fogo, frio e espadas não são fortes o bastante para separarem laços de sangue.
Rickon sorriu de volta enquanto via seu irmão desaparecer em meio a neblina do bosque. Só então o corvo dirigia um ultimo olhar para Rickon antes de se juntar ao seu irmão deixando Rickon sozinho novamente. A solidão e o lobo negro não eram estranhos.
Então ele acordou. Seu Cão-felpudo acordou junto com ele e lambeu seu rosto. Ele coçou atrás da orelha do lobo gigante e permaneceu ali acordado. Afogado, mas não pela água, e sim pelos seus pensamentos e dúvidas. A ansiedade atravessava perfurava suas emoções como o chifre de unicórnio transpassa o aço. Após um longo período de reflexão o príncipe de Winterfell decidiu sair de sua cabine enquanto observava o nascer do sol. Permitiu-se pensar que aquilo seria um bom presságio para sua causa, embora nunca acredita-se muito em coisas do gênero.
–O que faz aqui tão cedo?-Ouviu a familiar voz feminina falar atrás dele-
–Poderia pergunta-lhe a mesma coisa, Osha-Encontrava Osha atrás dele-
–O sono tem dificuldades em me encontrar.
–Eis a sua resposta. Lembra-se do dia em que me levou para Skagos?
–Ela apertou os braços uns contra o outro enquanto encarava o horizonte e o já visível Porto Branco-Lembro perfeitamente. Disse-lhe que viveríamos uma grande aventura porque estava com medo e só se acalmou quando lhe disse isso.
–E acho que vivemos uma grande aventura sim.-Ele suspirou e olhou para o corte que ele mesmo fez em sua mão quando desafiou Malagorn-Mas não não foi aquela que eu esperava.
–As melhores coisas raramente são.-Ela respondeu-
A conversa demoraria pouco tempo depois, contudo, as reflexões do garoto a cerca das palavras de sua guardião duraram muito mais. Afinal, ele saiu de sua casa expulso como apenas uma criança assustada e agora era um homem-feito e o Magnar-de-toda-Skagos mais jovem da história. Havia treinado na arte da guerra com Órion, o meia-perna, com o poderoso Thorion, e o trovejante Bor. Seu exército agora esperava um homem firme, decidido e valente como seu irmão fez.
Era isso que eles teriam dele.
Quando finalmente chegaram em Porto Branco, Rickon teve de enxugar seus olhos para ter certeza do que estava vendo era mesmo real. Era a maior cidade que ele já vira. Suas casas e castelos eram brancos e de alguma forma aquilo os tornava tão bonitos. Logo todos os seus irmãos adotivos se amontoavam para ver a cidade. Todos eles estavam bestificados.
–É lindo como um sonho de donzela-Disse Kya entusiasmada-
–Ainda se lembra?-Disse Quinlas-
–Veja que castelo altivo.-Aramyr dizia enquanto se inclinava para enxergar melhor-Certamente muitos nobres cavaleiros vivem lá.
–Todos melhores que você, certamente-Mais uma vez falou Quinlas-
–Essa é a sua casa, Rickon?-Perguntou Mya-
–Não! A casa dele é uma toca cheia de lobos e pulgas-Novamente Quinlas-
–Quinlas, você é tão desagradável quanto uma doença em dias de verão-Raymond esbravejou-
–Sério? Isso significa que sou quase tão desagradável quanto você-Ele respondeu-
Rickon e seus irmãos adotivos então cercaram Quinlas e cada um lhe desferiu três socos todos ao mesmo tempo. Rickon acertou cinco socos. Após isso ele finalmente se calou.
–Vocês não tem um farrapo sequer de senso de humor. Que os outros carreguem todos.-Ele resmungava-
–Que esbórnia é esta?-Órion chegava junto a Osha e Domerick. Claramente ainda enjoado-Não vou adimitir esse comportamento infantil em Porto Branco. Escutaram?
–SIM-Todos responderam em uníssomo-
–Ora, também não precisa serem tão formais assim. Fazem-me parecer um anão velho e autoritário. Sugiro uma reunião entre nós três antes de irmos para Corte do tritão, vossa graça.
Rickon então percebeu que daquela vez, Órion não estava dando-lhe uma ordem e nem uma instrução e sim lhe aconselhando. Rickon é que agora deveria dar as ordens.
–Não creio que teremos tempo, Órion! Mas já pensei bastante sobre a questão e acho que é melhor mesmo que eu leve uma boa guarda comigo além do Cão Felpudo. Você e Thorion podem ir comigo. Bor ficará em Porto Branco preparando o exército para o caso de uma traição poderemos abrir caminho pela cidade até a Muralha. De navios não teríamos chance alguma.
Seu mentor o encarou por algum tempo até finalmente falar.
–Assim será então. Já esta começando a pensar como um líder. Ah, é melhor que não fale nada para o cavaleiro das cebolas.
Após tantos anos, Órion não confiava plenamente em Sor Davos e nos homens que vieram com ele para Skagos. Rickon, por sua vez, se afeiçoou bastante a Sor Davos e estava disposto a fazer causa comum com o rei dele, Stannis, até que Aegon o matou. Aramyr também forjará uma boa amizade com o cavaleiro. O návio deles foi o ultimo da pequena frota que velejaram de Skagos à chegar em Porto Branco. Logo que desceram foram ao encontro de Thorion e Bor. O alto senhor da casa Magnar observava todo o ambiente meticulosamente enquanto Bor esticava seu corpo.
–Senhores-O príncipe os chamou-Antes de irmos para a corte do tritão tenho algumas instruções. Thorion você virá comigo. Capitaneará minha guarda.
–As suas ordens, príncipe.
–Bor! Preciso que supervisione o desembarque do nosso exército e os mantenha sempre a postos. Órion irá ajudá-lo e depois ele nos encontrará na corte do tritão.
–Ha! Posso fazer isso. Mas a postos para que, princípe?
–Para uma traição.
Thorion franziu o cenho apenas; Bor empalideceu com a desconfiança de seu suserano.
–Meu príncipe-O senhor da casa Crowl falou-Isso...seria adequado? Eles são seus vassalos.
–Meu irmão foi morto pelos vassalos dele, Bor.-Mordeu o lábio antes de continuar-Não pretendo ter o mesmo destino.
–Ha! Pois deixe-os tentarem.-Bor serrou um punho e o ergueu furiosamente-Eu os esmagarei com minha maça.
–Nossa melhor chance será abrir caminho pela muralha até meu irmão Jon. O cão-felpudo me alertará para qualquer sinal de traição dos homens de Manderly.-Coçou atrás da orelha de seu lobo gigante.-
–Ele nunca falhou e não falhará agora-Órion completou-
Torcia para essas palavras se provarem verdadeiras. Enquanto Órion e Bor prosseguiam com suas tarefas designadas. Rickon caminhava de encontro com Sor Davos. O cavaleiro tinha um olhar mais leve hoje.
–Finalmente estamos aqui, cavaleiro acebolado.-Rickon respondeu a ele com um sorriso no rosto-
–Sim! Lamentavelmente demoramos cinco anos. E creio que tenhamos chegado tarde demais.
–Se seus filhos estiverem vivos eu os encontrarei, Sor Davos. Depois disso poderei dar-lhe um maravilhoso presente como recompensa aos seus serviços e sua amizade.
–Um presente?
–Sim! É um forte. Tem um nome feio então receio que terá de trocar o nome dele.
Davos parou por um instante encarando Rickon com uma certa descrença no olhar. O jovem Stark apenas sorria cordialmente para o ex-contrabandista. Ele parecia hesitar em responder, mas, enfim quebrou seu silêncio.
–Senhor, eu não sou...digno...existem outros melhores para esse presente...nortenhos.
–Sim! Mas todos tem suas ocupações e nenhum deles entende nada de como cuidar de castelos e os que entendem já tem castelos em Skagos. Se preferir uma terra mais ao seu poderei lhe dar as gêmeas no lugar destas. Elas ficaram vazias mesmo. E quantas malditas vezes terei de lhe dizer até que aprenda? Não gosto que me chame de senhor, faz-me parecer um velho ou um almofadinha sulista e não sou nenhum dos dois.
–Bem...sim...Rickon. Mas, seus vassalos podem se desagradar com isso.
–Com meus vassalos me entendo eu. Falemos disso depois então.
Ele escolheu para sua guarda pessoal na audiência com a Corte do tritão o seu lobo gigante, Aramyr, Raymond, Oliver sand, Kya e Thorion. Eles caminhavam juntos pela bela cidade portuária. Aonde caminhavam atraíram para si o olhar de todos e juntamente os comentários. Rickon olhava para todos eles e em seus olhos encontrava um sentimento que ele não sabia decifrar.
–Veja só.-Raymond apontou para a estátua do Tritão que se erguia na praça-
–É o tritão dos Manderly. Um símbolo digno se me perguntar-O dornês respondeu-
Era uma bela estátua, mas, ela não capturou o olhar do príncipe de Winterfell. O povo que estava as ruas ,visivelmente faminto, sim. Muitos deles ficavam a porta de estalagens e tabernas tremendo de frio.
"Os levarei para Winterfell depois que eu tomá-la de volta"
Chegaram as portas do castelo da Corte do tritão. Os guardas o olhavam pasmos com seus tridentes prateados. Pareciam ter visto um fantasma. Kya e Aramyr com fascínio para as armas que os homens usavam.
–Veja-Disse a jovem moça-parece a arma da estatua.
–Nunca havia visto uma lança de três pontas assim antes.-Aramyr exclamava curioso-O espaço entre as pontas da lança certamente seria útil para desarmar um oponente.
–Isso são tridentes, seus selvagens.-Oliver os respondeu aos risos-
–Quem são vocês?-Perguntou um dos guardas aflito. Eles já começavam a tentar cercar seu Felpudo que limitava-se a rosnar para eles-
–Sou Sor Davos Seaworth. Este é Rickon Stark, seu suserano.
–Esta louco, maldito? Rickon esta morto.-Respondeu o guarda enquanto brandia seu tridente-
–Deixe-os passar. O homem esta com a verdade.-Atrás deles surgiu um homem trajando um manto escarlate com o símbolo de uma lava prateada em seu peito. Com cabelos castanhos. Alto e magro com um sorriso no rosto.-O garoto que vêem é mesmo o príncipe Rickon Stark, herdeiro de Winterfell.-Ajoelhava para ele enquanto os outros o seguiam no gesto deixando Rickon um pouco desconfortável-É uma enorme satisfação vê-lo bem e com saúde, vossa graça. Robett Glover, ao seu dispor.
–É uma honra conhece-lo também, senhor Glover.-Thorion o avisou que um pouco de cortesia seria útil embora Rickon não entende-se muito disso. Mas pelo sorriso de Glover ele julgou que não havia envergonhado-
–Por favor, tenham a gentileza de me acompanharem. São aguardados na Corte do Tritão.-Ele respondeu enquanto os outros o seguiam.-
O jovem Stark tentava prestar atenção no comportamento de seu lobo. Mesmo acordado, sua ligação com ele era forte e ele poderia quase sentir as emoções do seu Felpudo. Nenhuma delas parecia despertar desconfiança em Robett Glover. Mas os corredores que o levavam até o salão principal eram outra coisa. Eles despertavam a mais pueril das emoções em Rickon. Se agachava para tatear um dos caranguejos no chão e tolamente o tentou tirar do lugar até reparar nas paredes e em todas estrelas-do-mar, caranguejos e várias criaturas marinhas que faziam aquele lugar parecer o fundo do mar. Kya estava encantada também, os olhos de Aramyr brilhavam e até mesmo Raymond parecia fascinado.
–O senhor é um cavaleiro, senhor Glover?-Perguntou Aramyr-
–Tenho a honra de ser.-Ele deu um sorriso-
Rickon poderia ficar o dia todo admirando as estatuas e a bela decoração do lugar mas tinha assuntos de maior urgência naquele local. Mas se os corredores que levavam ao salão já eram um espetáculo, o salão principal da corte os faria se acanharem pois era uma das coisas mais incríveis que os olhos de Rickon já vira.
"Magia, pura magia"
Dois tritões de mármore adornavam o local enquanto tubarões brancos "nadavam" pelas paredes tingidas pelo azul-esverdeado. A batalha entre a lula-gigante e o leviatã, que ficava pintada atrás do palanque, chamava-lhe mais a sua atenção do que qualquer outra coisa. Ficou assim um tempo até que uma voz o despertou.
–É ele mesmo.
A voz vinha do homem mais gordo que Rickon já virá. Seu obeso corpo estava sentado em uma cadeira pequena para o porte dele. Atrás dele estavam duas jovens mulheres e ambas com cabelos trançados, sendo uma delas na cor do verde gritante. Havia outras pessoas ali também. Na realidade, a corte parecia bem cheia e as mesas estavam um grande banquete. Havia um homem baixo de capuz verde que estava perto do homem gordo. Ao lado deste havia uma mulher alta com um urso bordado em seu manto. Os olhos de todos estavam repletos de um misto de surpresa e alegria. Olhavam para o lobo e depois para Rickon. Ajoelharam logo depois enquanto Rickon corava e ficava sem jeito.
–Não há necessidade...senhores.-Ele falou-
–Esta mesmo vivo.-A garota de tranças verdes falou com as mãos no rosto-Veja, vovô.
O homem gordo falou então acenando a cabeça com um largo sorriso.
–Sim! Que os deuses o abençoem, cavaleiro das cabeloas. Você o trouxe mesmo. Tragam comida para o princípe. Tragam tortas de lampreia para o nosso suserano e seus companheiros.
Servos chegaram e os levaram para cadeiras. Cão-felpudo a princípio se agitava mas logo que Rickon passou sua mão pela sua cabeça de seu lobo conseguiu acalmá-lo um pouco. O homem gordo jogou um frango inteiro para o cão-felpudo e o lobo o agarrou ainda no ar destroçando-o e o devorando.
O lugar de Rickon ficava logo ao lado do homem gordo e do homem de capuz verde. Estava um pouco desconfortável ainda com toda a atenção direcionada para ele. Havia se esquecido de como era ser um príncipe. Podia ver Raymond e Oliver Sand cochichando e rindo dele. Aramyr e Kya sentaram-se ao lado da jovem de tranças verdes.
–Os cabelos dela são verdes-Kya expressava-parece uma sereia
–Gentileza sua.-Ela respondia sorrindo-É apenas tinta de Tyrosh.
–Ela...é linda...como uma sereia.-Aramyr dizia enquanto tocava suavemente uma de suas tranças-Bem...é o que eu acho.
A jovem trocava um tímido olhar com ele e ambos estavam com suas bochechas rubras. Havia uma roliça mulher olhando para os dois com um olhar tão feio. Logo cantores chegavam. Havia também um estranho bobo que chegou ali, aparentemente sem ser convidado, com um chapéu de veado e uma cara pintada. Davos pareceu reconhece-lo então disse, espantado.
–Cara-malhada?
–A leoa com falsos chifres de veado, o lobo negro quer salvar
Mas a estrela sombria, o chacal e a escura penumbra não querem deixar
A ira do leão dourado ele há de enfrentar
Eu sei, ei, ei, ei
O bobo cantarolou enquanto saltitava.
–
Sim!-disse o homem gordo sorrindo-A feiticeira vermelha o deixou aqui pouco tempo após você partir. A esposa de Stannis e sua filha desapareceram junto a mulher vermelha. Mas, alegre-se pois ela deixou seu filho Devan aqui conosco.
–Meu filho...Devan? ele esta--
–Acalme-se, Sor Davos, seu filho esta seguro aqui conosco. Pouco tempo depois eu pude trazer seus outros filhos e sua esposa para cá também.
Davos quase poderia chorar e até mesmo Rickon sorriu de felicidade. Ele segurou a mão do gordo homem e disse curvando seu rosto.
–Eu jamais poderei retribuir isto, Lorde Wyman. Arriscou-se demais por minha família. Terá minha eterna gratidão.
–Era o mínimo que poderia fazer por você ter se arriscado e ainda ter trazido o nosso príncipe de volta para casa.-Ele virava seu rosto sorridente agora para Rickon-Perdoe-me senhor, por não ter me apresentado devidamente. Sou Lorde Wyman Manderly, senhor de Porto Branco.
–Ah, obrigado. Mas não existe necessidade de me chamar de senhor e nem de se desculpar.
–E eu tenho a honra de ser Alysane Mormont, meu príncipe.-Falou a mulher alta com o símbolo do urso. Rickon sorriu para ela também.-
–Tenho a honra de ser Howland Reed, princípe.-Disse o homem baixo com capuz verde.-
–Reed...eu conheço--
–meu filho e minha filha, certamente.-Ele o interrompeu-Minha filha Meera retornou alguns anos.
Rickon entendeu o que aquilo quis dizer. Jojen e Meera partiram com Bran para além da muralha. Achava que poderiam estar mortos, mas, ao menos ela sobreviveu. Observava Ray e Oliver cochichando e rindo um com outro até que Raymond levantou sorrindo pedindo a atenção de todos.
–Senhores, estou grato pelo excelente banquete.-Disse ele erguendo sua taça de vinho-Mas ainda faltou-me um prato que adoramos lá em Skagos; Um pouco de carne humana me cairia muito bem.
Oliver estava com vinho escorrendo das narinas de tanto rir enquanto , por sua vez, Rickon limitava-se a corar e ficar agachado com a brincadeira do amigo. Robett Glover, Alysane e os outros convidados empalideceram , mas, lorde Wyman e Holand Reed limitavam-se a sorrir. Os dois trocaram um olhar cheio de segredos enquanto o cromagnamo deixava escapar um risinho.
–Então não lhe falta nada, meu jovem.-Wyman levantou-se enquanto dizia-De que acha que são feitas essas deliciosas tortas de lampreias?-Seu sorriso alargou-se por todo o rosto-Carne de Frey.
Agora foi a vez de Raymond e Oliver ficarem pasmos. O dornês cuspiu imediatamente o pedaço que tinha a boca enquanto o jovem Reyne apenas tocava sua garganta em desespero. Lorde Wyman estava vermelho de tanto rir. Howland também ria junto com o Senhor de Porto Branco.
–É apenas uma brincadeira, meus jovens companheiros.-Disse o senhor Manderly-Minhas tortas de lampreia não tem doninhas dentro. ao menos não estas. Comam sem medo.
Oliver encolhia-se em seu canto enquanto Raymond suspirava aliviado. Wyman pediu para que toca-se "O cozinheiro rato" em homenagem aos dois. Mesmo Aramyr juntou-se as risdas que seguiram. Rickon após um pouco de reflexão virou-se para o senhor Reed e lhe disse.
–Você e Wyman sabiam que os Skagosi não são canibais de verdade, não?
–Perspicaz, jovem príncipe.-Ele sorriu-O lorde Wyman e eu não somos estranhos ao povo Skagosi. Eu lutei na rebelião de Hakim e ele foi o responsável por receber e guiar os Skagosi que vieram para cá em busca da ajuda de Winterfell.
Tudo fazia mais sentido para Rickon agora. Logo os músicos tocavam músicas como "O urso e a donzela" e algumas pessoas começaram a dançar. Rickon ainda assim sentia-se pouco á vontade naquele lugar e em meio aqueles festejos. Lembrava-se do assassinato de seu irmão Robb. Controlava seu voraz apetite e nunca comia nada antes que alguém come-se antes. Não bebia muito vinho. E prestava atenção nos seus amigos. Kya já estava completamente absorta pelo clima festivo; Aramyr dançava junto com Wylla de forma desajeitada, mas, nenhum dos dois ousava se desgrudar e trocar seus pares; Raymond e Oliver ainda estavam acanhados pela brincadeira fracasada; Cão-Felpudo banqueteava-se com a comida logo ali e não demonstrava qualquer sinal de desconfiança; Thorion trocava boas palavras com Howland Reed, histórias passadas da batalha contra Hakim.
"Não posso contar com nenhum deles se resolverem me trair."
–Sua inquietação é visível, jovem príncipe.-Robett Glover disse-
–Não gosto muito de festas.
–Não somos os Freys, meu senhor.-Glover o respondeu-Isso posso lhe garantir.
Ao menos isso parecia verdade. Rickon tentou relaxar um pouco mais. Afinal, para que lhe resgatariam se fosse para matá-lo logo depois? No entanto, uma dúvida permanecia para o jovem Stark.
–Estamos festejando pelo que? Alguma grande vitória ocorreu enquanto estive fora?
–Muito e mais ocorreram enquanto esteve ausente, princípe.-Desta vez era Wyman quem o falava sentando-se. Mas seu sorriso era mais triste-Lamentavelmente, poucas vitórias. O Norte agora esta nas mãos daquele verme miserável do Roose Bolton e os malditos Freys vivem ainda.
–Não por muito tempo.-Rickon disse de forma sombria-Darei um fim em todos eles e logo.
Todos os lordes presentes sorriram diante das palavras do rapaz.
–Disso não duvido.-Wyman sorriu-Tem em si muito do seu valente irmão. Que os deuses o tenham em bom lugar.
–Jamais esquecemos o que nos foi feito no casamento vermelho-Robett Glover completou-mas agora chegou a hora do troco, príncipe.
–O norte se lembra-Alysane disparou.
–Trouxe-nos mais do que nos foi pedido, cavaleiro das cebolas.-Wyman disse enquanto saboreava um pedaço de pernil-Além do nosso valente príncipe nos trouxe um bom exército. Muito ainda tem de ser discutido sobre os planos de batalha que traçaremos contra nossos inimigos, meu príncipe.-Ele oferecia um pedaço de torta de lampreia-Mas por ora, devemos festejar pelo seu retorno em segurança. E isto já é um motivo de grande alegria. Quando recebemos o corvo que trazia a mensagem sobre seu retorno pelos mares quase não acreditamos.
–Alias, os homens que acompanhavam Davos para me buscar, bem, só restou dois deles Pualie e Darius. Lamento.
Wyman emudeceu e suas feições ficaram tristes por alguns instantes
–Bons homens, certamente. Mas seus sacrifícios não foram em vão.
Subitamente escutou uma voz familiar sendo ouvida no lado de fora do salão. Com as portas ainda fechadas. A música havia parado por alguns instantes. Ambos os homens falavam alto demais para serem ouvidos. Uma das vozes era familiar demais para Rickon embora parecesse que somente Raymond e Oliver escutaram também.
–Guarde esse aço, rapaz!-Falava a voz familiar-Por acaso sabe com quem esta falando?
–Com um duende metido a senhor.
–DUENDE!?
Apenas a canção do aço era escutada agora. Em pouco tempo a porta se abria e um dos guardas Manderly caía rolando por fora dela com violência. Seguindo de perto, sua espada e seu tridente eram arremessados longe. O responsável pelo ato caminhava logo após com seus dois machados em mãos. Ele apontava um deles direto para a garganta do homem que ainda estava caído ao chão.
–Se me mostrar o aço ou chamar-me de duende novamente cortarei-lhe a perna e farei você a engolir.
Os guardas de Manderly no salão cercavam Órion com seus tridentes , mas, o senhor da casa Stane parecia ignorá-los por completo. Wyman Manderly apenas ria da cena e ordenava que seus guardas se afastassem.
–Quem temos aqui senão o próprio meia-perna em pessoa.-Disse o senhor de Porto Branco-Largue esses machados e junte-se à nossa celebração.
–Não esperava menos de você, Wyman.-Órion sorriu caminhando em direção ao gordo senhor e apertando-lhe a mão. em seguida virou-se para Howland Reed-É uma agradável surpresa encontrá-lo aqui, Reed.
–Digo-lhe o mesmo, velho amigo.-Howland levantou-se e deu um abraço afetuoso no anão e puxou uma cadeira para que ele se senta-se-Como vão as coisas em Skagos?
–Do mesmo jeito de sempre.-Tomou um corno de vinho-Lembra-se daquele aprendiz de Hakim? Aquele tal que o lorde Ned cortou fora o nariz na ultima batalha?-Comeu um pedaço da torta de lampreia e depois continuou-Tornou Magnar-de-toda-Skagos, mas, foi morto pelo nosso príncipe.
–Foi o meu pai quem arrancou o nariz de Malagorn?-Rickon perguntou surpreso-
–Sim! Na época da rebelião de Hakim, Malagorn estava mais jovem junto com outros como Yadrion e provavelmente achou que ganharia alguma glória se mata-se o senhor de Winterfell.-Órion respondeu-Perdeu um nariz para o pai e depois a vida para o filho.
Howland Reed olhou surpreso para Rickon e só então pareceu notar a Galagon que estava em suas costas ainda. Deu um sorriso de satisfação para o rapaz.
–Seu pai teria ficado orgulhoso.-Falou o Cranogmano-
–Obrigado.
–Músicos!-Wyman falou-To que uma música em honra ao nosso valente rei Robb e seu irmão, o príncipe Rickon. Toque "Lobo na noite".
Os cantores assim obedeceram e a música foi tocada. Uma bela melodia, sem dúvida, e Alysane contou para Rickon que a música fora feita em homenagem a uma grande vitória de seu irmão.
–E as estrelas da noite eram os olhos de seus lobos,
e o próprio vento era a sua canção.
Rickon aplaudiu de pé a canção assim que ela terminou. Sentiu-se mais relaxado naquele lugar. Finalmente a corte do tritão parecia-lhe um lugar mais amigável. Ele então foi dançar ao som de outras musicas. Alysane Mormont teve a primeira dança. A mulher era mais alta que ele e também mais graciosa em uma valsa. O que não era difícil, já que Rickon era uma lastima dançando e pisou no pé da senhora Mormont por cinco vezes. A filha mais velha de Lorde Wyman dançou com ele também e disse que ele era muito bonito. Rickon sorriu para ela. Kya também dançou com ele e pelo menos ela era tão desajeitada quanto ele. Depois de mais algumas danças ele voltou para seu lugar para comer mais.
–É bom vê-lo sorrindo, príncipe.-Lorde Wyman dizia enquanto bebia mais um gole de vinho-Sei que deve estar ansioso pelo combate, mas, por hoje é bom que descanse e festeje. O tempo de enfrentar seus inimigos esta próximo.
–Os Lannisters!?-Ele indagou.
Wyman soltou uma risadinha enquanto Robett Glover tratou de responder.
–Lannisters? Os leões são apenas uma mera sombra do que já foram um dia. Eles mesmo tramaram sua própria queda quando criaram inimizades com todas as casas. Aegon mantem o Gerion Lannister e alguns poucos leões vivos, mas, são quase dissidentes.
–Tywin Lannister foi morto pelo seu próprio filho, o duende. Este, por sua vez, desapareceu após matar o pai e nunca mais foi visto em Westeros. O regicida sumiu também após o cerco de Correrrio e desde então foi dado como enforcado pela irmandade sem-bandeiras, Kevan Lannister foi morto e a identidade do seu assassino permanece desconhecida, seu filho Lancel foi morto pelo frio.-Wyman Manderly falou-Esses são os que me lembro, vossa graça. Porém, mais Lannisters de Lannisporto morreram também.
–E os que sobraram não são convidados para justas, festas e dizem que Aegon recolhe uma quantia maior de impostos deles para evitar que todo o poderio de Westeros esmague Rochedo Casterly.-Completou Alysane-Além disso, quando o chacal atacou o Oeste, o dragão não moveu uma palha para ajudar.
–Chacal? Que casa é essa?-Perguntou Rickon.
–Oh, não é uma casa, vossa graça.-Howland falou-Tratam-se de um grupo vil de mercenários que tem feitos ataques por Westeros e depois se escondem.
–Chacais não me interessam.-Raymond brandiu-Se Aegon não quer terminar com os Lannisters eu farei isso para ele.
–Tem ferocidade, garoto.-Alysane disse para ele enquanto sorria o olhando de cima a baixo-Guarde essa ferocidade para tipos como Tyrek Lannister, o terror-dos-chacais. Dizem que é um prodigioso guerreiro.
–Pois derramarei o sangue dele.-Agora cerrava o punho-E com este sangue eu lavarei a honra dos Reyne.
Os lordes pareciam surpresos com a declaração do rapaz.
–Por acaso seria um Reyne, meu rapaz?-Robett Glover indagou.
–O ultimo deles, senhor.
–Pensei que Tywin Lannister os tivesse erradicado anos atrás.-O filho de Wyman, Wylis falava agora-Como sobreviveu, garoto?
–Meu pai era um irmão mais novo do leão vermelho de Castamare. Ele sobreviveu a primeira batalha contra o exército de Tywin Lannister.-Tomava uma pausa antes de falar-Após a destruição da sua casa ele tomou um navio rumo as ilhas-do-verão , mas, ele acabou fazendo uma parada em Skagos e lá ele ficou. Alguns anos depois ele se casou.
Os lordes ficaram em silêncio por alguns instante. Robett Glover sorriu tristemente e pôs a mão no ombro do jovem Reyne de forma consoladora.
–Lamento muito, meu jovem. Mas encontre consolo no fato de que aquele demônio agora esta queimando no inferno após uma vergonhosa morte na latrina. Seu precioso legado dourado provou ser apenas ouro de tolo.
–Estamos preparando o terreno para seu retorno durante muito tempo, meu príncipe.-Wyman falava enquanto abocanhava um pedaço de pernil-Oh, sim. Os malditos Freys e suas corjas haviam tomado reféns após a guerra contra o jovem lobo-agora ele cerrava seu punho e seu sorriso havia desaparecido-para assegurar nossa lealdade. Meu filho Wendel foi a um casamento como convidado e eles o mataram. Depois tiveram audácia de vir até a corte do tritão conspurcar a imagem de nosso bravo rei com fábulas sobre Wargs e troca-peles.-Ele batia na mesa com o punho fechado enquanto seu rosto estava rubro de raiva-Malditos sejam eles e os traidores dos Boltons. Esses traidores queimaram Winterfell e o passaram na espade depois acusaram os homens-de-ferro pela sua vil traição.-Estava bufando de raiva agora-O maldito bastardo de Bolton agora se senta na cadeira de Winterfell profanando séculos de tradição com seus esfolamentos. Mas a farsa acabou, jovem princípe. E preparamos sua chegada durante todo o mês. Temos inclusive um presente de boas-vindas.
Wyman agora sorria de forma enigmática. Rickon percebia que ele não estava falando apenas do banquete. Certamente ele tinha um plano em mente. Agora percebeu que a mesma chama de ódio queimava no olhar de todos os lordes ali presentes. O casamento vermelho feriu profundamente todo o norte.
–Preparar? Do que fala?
–Edric Storm pediu nosso apoio em sua vingança pouco tempo atrás.-Wyman falava agora mais calmo-Contudo pouca ajuda pudemos oferecer ao pobre bastardo, pois, se nossa batalha fracassa-se seriamos passados pela espada e os malditos bastardos da companhia dourada as tomariam para si.
–Stannis perdeu quando Aegon reuniu o poderio da Campina, Dorne e da Companhia Dourada através das gêmeas e do fosso Cailin.-Agora era Glover quem o falava-O fosso sempre foi a chave para defender o Norte.
–Para começar nossa vingança precisamos tomar primeiro o Fosso Cailin, vossa graça.-Alysane falava com entusiasmo-Os Freys agora ocupam o Fosso Cailin junto com alguns dos membros da Companhia Dourada. Assim eles impediriam Edric de fugir e ainda poderiam enviar reforços ao acampamento de Winterfell que o bastardo de Bolton fez para assim retomá-la de Storm.
–Roose Bolton nos convocou para ajudá-lo na batalha e nós enviamos poucos homens somente para não levantarmos suspeitas.-Wyman falava novamente-Ele nos solicitou mantimentos para o Fosso Cailin e estamos atrasando a entrega.-Ele agora sorria enquanto entregava uma uva para ele-Vamos entregar sim as provisões solicitadas, mas, elas virão com uma surpresa para aquela corja maldita. Este, meu príncipe, será o nosso presente de boas-vindas.
–Agora eu entendo, mas, vocês já atacaram o Fosso Cailin?-Rickon perguntou-
–Ainda não.-O senhor de Porto Branco respondeu.
–Seu plano me parece ótimo, mas, quero fazer uma única modificação.-O ódio brilhava no olhar do jovem Stark.
–E qual será, príncipe?
–Eu vou liderar o ataque ao Fosso Cailin.
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