A canção do lobo e da leoa

8 Capítulo 7-Guerra fria


Notas iniciais
O capítulo de hoje foi longo. Mas houve uma boa razão para tanto, conforme vocês podem conferir. Prometo que vou tentar atualizar com mais frequência e não deixa-los na mão. Peço que leiam as notas finais. E mais uma coisa: Já fui perguntado sobre algo, que provavelmente, 90% de quem lê a fanfic deve estar curioso que é quando Rickon e Myrcella vão se encontrar. Eu só posso responder que isto, eventualmente, vai acontecer. Porém, ainda deve demorar um pouco. O motivo? Veja bem alguns eventos ainda precisam acontecer. Agora peguem a pipoca e assistam de camarote a grande batalha de Winterfell. OBS: Sei que na imagem é o Lyonel Baratheon, porém, é mais ou menos assim que imagino o Edric atualmente.

Por um instante Rickon voltou no tempo. Mais especificamente ele voltou ao período em que Robb partiu para a guerra e jamais voltará. Na época ele era jovem demais para compreender o que a guerra significava e hoje estaria trilhando o mesmo caminho que seu irmão mais velho.

Desde a tomada do Fosso Cailin os seus vassalos não paravam de chegar. Corvos haviam alçado voo convocando os vassalos lealistas Starks para guerra contra Ramsay Bolton. Ao ver quantos homens juntavam-se ao exército do norte, o jovem Stark pensava consigo mesmo se o que viria a seguir seria uma batalha ou apenas um massacre de traidores.

Estava em seu quarto, na Torre do Portão, observando pela janela quando três batidas leves na porta de seu quarto o interromperam seus devaneios.

–Entre-Ele disse secamente.

–Vossa graça.-Thorion entrou junto com Quinlas-O conselho de guerra começará agora se lhe aprouver.

–Quanto mais cedo terminarmos com isso, mais cedo estarei matando alguns Boltons.-Rickon respondeu enquanto caminhava.

–Se me permite, príncipe. Gostaria de lhe fazer algumas recomendações.-Thorion dizia com um ar tranquilo e sereno.

–Pois diga.

–Creio que deveria incluir alguns homens do exército recém-chegado no conselho de guerra. Muitos deles eram membros do conselho de guerra de seu irmão e não seria de bom tom excluí-los dos planos para a batalha vindoura.

Rickon refletiu sobre aquilo por alguns segundos e assentiu silenciosamente com a cabeça.

–Deixo a seu encargo quem chamará para o conselho.-O príncipe de Winterfell respondeu-Mas traga-os rápido.

Thorion assentiu e caminhou separadamente de seu suserano e Quinlas. As vezes era difícil notar que por debaixo da rude aparência do senhor da casa Magnar havia um homem extremamente inteligente.

–Quinlas.-Ele dizia ao irmão adotivo-Foi bom você ter vindo. Robett Glover e os outros insistem que preciso de uma guarda na batalha.-Seu rosto se contorceu somente com a menção nisso. Para Rickon sua lança era toda guarda que precisava-Órion e Osha me convenceram a aceitar, portanto, gostaria que fizesse parte dela.

–Me sinto honrado.-Rickon nunca poderia adivinhar isso pelo tom simplório que dizia isso-E quem mais fará parte?

–Nossos outros irmãos adotivos.

O rapaz de Skagos deu um triste sorriso e sacudiu a cabeça negativamente.

–Ah, Rickon seu pobre tolo. Não escutou nada que o grande Thorion disse? Os homens podem ficar insatisfeitos se seu rei demonstra mais valor a um determinados súditos.

–E o que vou fazer? Nunca lutei ao lado deles. Sequer os vi lutar.

–E desde quando isso te impediu? Escolha alguns deles e suma no meio da batalha.

Rickon confirmou a veracidade das palavras. E os dois caminharam de encontro com Órion e Bor. Quinlas se separou deles na metade do caminho para inspecionar os exércitos. Reuniram-se em uma câmara localizada na Torre do Portão.

Lá estavam Thorion, Robett Glover e Alysane Mormont também. Mas, a atenção dele estava voltada para aquele rosto desconhecido para ele. Um homem ainda mais alto que o senhor da casa Magnar. Ele era barbudo e Rickon notou que faltava-lhe dois dedos em uma de suas mãos. Ao seu lado, Cão Felpudo parecia bem responder bem a ele.

–Que os outros os carreguem.-Ele dizia com uma expressão de pura surpresa-É mesmo verdade.

–Jon Umber?-Órion falava.

O gigantesco homem levantava gargalhando correndo em direção ao seu mentor anão e o jogando ao alto como uma criança faz com um adulto. Órion estava com o rosto rubro de raiva.

–Então o meia-perna veio para a batalha também?-Ele dizia entre os risos-Senti falta das nossas competições, velho amigo.

–Agradeceria se me coloca-se no chão antes que eu corte o que sobrou de sua mão.-Ele respondeu bufando e prontamente foi atendido.

–Continua mal-humorado. Mas hoje derrotarei você novamente, meia-perna.

–Ha! Essa é boa. Matarei mais homens que vocês dois juntos e então os dois terão de me pagar uma boa bebida.-Bor disse enquanto apertava a mão de Jon Umber sorrindo-

–Bor! Como é bom ver esse seu rosto de pedra.

–Senhores!-Rickon finalmente falou para chamar atenção-Sinto interromper a reunião, porém, precisamos discutir os planos para a batalha que se seguirá.

Todos se sentaram, menos Jon Umber que apertou a mão de Rickon antes disso e se apresentou.

–Sou Jon Umber, vossa graça. Ou grande-Jon, se o aprouver. Parece-se muito com seu valente irmão.

–Tenho escutado muito isso ultimamente. E obrigado, Jon Umber. Soube que foi um leal vassalo de meu irmão e sua lealdade lhe será recompensada no devido momento.

Com isso todos se sentaram e olharam diretamente para seu jovem príncipe a espera de uma palavra. Pela primeira vez o jovem Stark conheceu a pressão de governar um reino. Estava simplesmente paralisado.

–Vamos começar com as casas ausentes.-Órion falou então para sua salvação.

–As nevascas atrasaram muitos deles.-Robett Glover falava em um tom cortês-Nem temos como saber se todos receberam os corvos. Contudo, apenas as casas Karstark, Dustin e Flint não chegaram.

–Ótimo. Que não venham então. Sobraram mais inimigos para mim.-O jovem príncipe disse irritado. Grande-Jon concordou batendo com o punho na mesa.

–Existe alguma possibilidade deles estarem nos traindo e tramando um ataque agora contra o Fosso Cailin?

–Difícil.-Robett ponderava-Ainda com essas faltas nosso número é muito superior ao deles. E nenhum deles se arriscaria a enfrentar a fúria do norte por causa de Lorde Bolton. Não existe qualquer tipo de amor por aquele homem, apenas o medo.

–A neve também os atrasaria demais. com sorte ainda os encontraremos acampados no cerco contra Winterfell.-Agora Alysane Mormont era quem falava.

–Pois digo que devemos dar batalha a esses porcos miseráveis.-Agora Jon Umber berrava mais alto que Bor-Depois saqueamos aquele Forte do Pavor e espetamos a cabeça do traidor Roose Bolton em uma lança.

–É quase o que farei.-Rickon respondeu-Ouçam todos o que tenho a dizer.-Tomava um pouco de ar antes de começar a explicar-lhes o plano-Vamos todos marchar para Winterfell pela estrada do Rei. os Cranogmanos marcharam pelas árvores ao lado evitando que qualquer eventual batedor de surpresa venha nos apanhar. Assim que chegarmos ao acampamento formaremos uma linha de trinta dos nossos melhores arqueiros. Eles devem disparar um chuva de flechas contra os homens dos Boltons e depois outra, dessa vez para cima. Farei com que o Cão Felpudo uive também para assustar os cavalos dos inimigos. As flechas e o uivo do lobo devem deixa-los desprovidos de montarias.

Após explicar essa parte do plano, todos o olhavam com maior confiança e silenciosamente pareciam concordar com o que lhes estava sendo proposto.

–Três chuvas de flechas de vão ser disparadas e depois os arqueiros abriram espaço para que a primeira linha de lanceiros montados ataque. Equiparemos as lanças com chifre de unicórnio que extraímos de Skagos. Formaremos uma linha de dezessete de nós avançando contra os homens do bastardo quando ainda estiverem atordoados pelas flechas. Os homens em montarias ficaram posicionados a cinco metros dos primeiros e devem segui-los após a primeira investida e assim não dando chance para que os malditos possam se recuperar. Teremos seis linhas de ataque montadas seguindo o mesmo padrão. Os inimigos provavelmente iram se dispersar para o lado e para isso teremos alguns homens montados e o resto desmontados para poder persegui-los melhor.

–Gostei deste plano.-Jon Umber falava com um largo sorriso no rosto-Gostei muito dele.

Na verdade o plano foi de Malchiorr. Rickon sentia-se mal de levar os espólios de uma estratégia que nunca foi sua. Contudo, o próprio autor da tática sugeriu que Rickon fica-se com os créditos. Ele julgava que os homens o respeitariam melhor se achassem que estavam indo para a batalha sob um plano de seu líder e não de um aleijado.

"Quando isso acabar revelarei a eles que a ideia foi sua, Malchiorr"

–Com um pouco de sorte o exército do tal Edric Storm se juntará a nossa causa.-Ele falou enquanto refletia sobre as próprias palavras-Mas eu não gosto de fazer da sorte meu escudo, então não contarei com isso. E também recolham toda provisão que encontrarem. Torres de cerco também, podemos precisar delas quando atacarmos o Forte do Pavor. E mais uma coisa-Tomou uma nova pausa agora enquanto levantava de sua cadeira-O tal Ramsay Bolton...quero ele vivo para que eu mesmo possa matá-lo.

Todos o encaravam concordando silenciosamente.

Após discutirem outros poucos assuntos a reunião estava encerrada e Rickon voltou ao seu quarto para preparar-se a batalha que viria. A noite sonhou com Winterfell e os flocos suaves de neve a derreter em seu cabelo. Estava tão perto agora e tão distante ao mesmo tempo. Lembrou-se de tudo o que Ramsay Bolton fez. Dos corpos mortos em Winterfell, o fogo reduzindo a cinzas seu lar, de como lhe contaram que ele caçava mulheres e as esfolava-muitas vezes vivas-logo após estrupa-las e lembrou-se do estado em que encontrou a pobre Jeyne Poole. No começo pensou ter raiva da menina por ela ter se passado pela sua irmã, mas, logo entendeu que ela foi coagida a fazer aquilo e depois de vislumbrar as marcas do açoite que seu marido deixou-lhe nas costas ficou ainda mais irado com o bastardo do Forte do Pavor.

Quatro dias depois o momento da batalha chegou. Cavalos e unicórnios partiam na formação descrita por Rickon com uma exatidão surpreendente. A neve, felizmente, havia cessado um pouco seu ritmo e agora banhava o norte com muito menos ferocidade que a costumeira nevasca de inverno. A marcha estava no ritmo mais acelerado possível, pois, era difícil dizer quando a nevasca poderia voltar a açoitá-los.

–Ansioso para a batalha, Aramyr?-Rickon dizia na cavalgada para o amigo que estava em sua guarda pessoal-

–Sim-Ele respondia em um tom que denunciava clara tristeza.

–O que é isso?-O príncipe de Winterfell indagava-Nem mesmo parece que esta cavalgando rumo à uma grande batalha.

O sor selvagem então passava a mão sobre o cabo da espada enrolado com uma fita de cetim verde-escura. Havia sido um presente de Wylla para marcá-los que estariam sempre juntos.

–Eu pedi a mão de Wylla em casamento.-Ele sequer precisou completar a frase e sabia imediatamente o que acontecerá.

–Bah! os pais não deixaram você casar com ela, certo?-Quinlas falou também-Esses fidalgotes se acham superiores a nós com suas armaduras reluzentes.-Cuspiu ao chão-É o que eu acho de todos eles. Retiro o que disse, Aramyr, você poderia vencer todos esses fidalgotes esnobes enquanto limpa a bunda.

–Ah...obrigado.

–Prove seu valor na batalha de hoje, meu jovem.-Howland Reed, o capitão de sua guarda pessoal respondeu-E quem sabe convencerá Wyllis Manderly do bom partido que você será para à filha dele.

Rickon gostava bastante de Howland Reed e das histórias dele. Ele contou que uma vez salvou a vida de seu pai em uma batalha contra três membros da guarda real. A princípio ele pretendia dar o posto de capitão da guarda para Aramyr, porém, Órion disse-lhe que Reed seria mais adequado ao cargo devido sua experiência e ele concordou. Sua guarda era composta por Howland Reed, Aramyr, Quinlas, Alysane Mormont, Jon Umber, Raymond Reyne e Onak.

Não que Rickon precisa-se de uma guarda, porém, se aquilo deixaria seus súditos mais tranquilos ele não via razão para recusar. Seus amigos ficaram com posições diferentes. Oliver Sand foi um dos lanceiros da primeira linha juntamente com Kya. Mya ficou encarregada de chefiar os arqueiros que fariam o primeiro ataque. Bor estaria pronto para atacar os homens que escapassem do ataque direto, Thorion posicionava-se na terceira linha junto com Osha, enquanto Órion e Domerick lutariam desmontados desde o início como uma dupla para atacar os que fugissem pelo lado esquerdo e visando capturar Ramsay Bolton para Rickon.

–Posso entregá-lo vivo para você-Órion dizia-Mas não garanto que ele estará com as duas pernas inteiras.

–Ainda irritado por termos você em um barril?-Domerick respondia aquilo em um tom de puro escárnio.

–Estou lhe avisando, Domerick, mais uma dessas e você vai ficar uma perna mais curto.

No ataque ao Fosso Cailin colocaram Órion dentro de um barril para que pudessem manter as aparências a qualquer inspeção antes do ataque. Naturalmente, o senhor do Salão dos Troncos não gostou nada.

Rickon ria e mais uma vez voltou no tempo na juventude passada no Salão dos Troncos. Jamais percebeu o quanto sentia falta de estar ali, pois, enquanto permanecia inerte naquela terra só pensava em voltar para Winterfell e agora que finalmente estava para alcançar esse objetivo sentia um desejo de voltar no tempo e apreciar as conversas perto da lareira com seus irmãos adotivos.

"Seu tolo"-Ele pensava consigo mesmo-"Mil vezes tolo. O tempo não voltará pela sua vontade. Faça o que deve fazer. Faça o que treinou para fazer."

A cavalgada pareceu durar uma eternidade e pensou que jamais chegaria ao seu objetivo. Dias de cavalgada e as provisões eram racionadas por igual para todos. E mesmo estando em dias não tão frios, os ventos do inverno ainda pareciam quase congelar seus ossos até sua alma.

Quando o batedor retornou avisando que o acampamento estava próximo o jovem Stark quase pulou de seu unicórnio para comemorar. Os arqueiros agora tomavam a frente de acordo com os planos acertados. Os guerreiros formavam as posições combinadas e a primeira linha armava-se de suas lanças, Rickon estava entre eles. Estava usando seu elmo cujo o formato parecia um capuz negro com uma mascara azul-escura que cobria sua boca até seu nariz presa ao elmo. Sentiu seu sangue ferver e ânsia pelo combate aumentava cada vez mais. Osha sempre lhe dizia que o sangue do lobo era forte no garoto e jamais havia comprovado a veracidade dessas palavras como agora.

–Tambores e berrantes.-Ordenou o jovem príncipe.

Tão logo a ordem foi dada os tambores começaram a gritar enquanto os berrantes rugiam. Em seguida, o Cão Felpudo uivou para a lua, um uivo muito mais feroz e agudo que qualquer outro que Rickon já tenha ouvido. Continuaram a marchar até chegarem no acampamento do bastardo.

Não era tão grande quanto Rickon esperava. De longe poderia ver as longas torres de cerco erguidas para transpassar as muralhas de Winterfell. E na verdade ele teve olhos apenas para Winterfell quando chegou. Seu lar estava diante dele após anos. Quantos luas haviam se passado desde que pôs os olhos naquela muralha? Não importava. Esqueceu-se de sua missão por um instante apenas para contemplar sua casa mais uma vez.

O uivo de seu lobo o acordou de seu sonho e ele então voltou sua atenção para o acampamento do bastardo que viera enfrentar. Os homens já estavam todos voltando sua atenção para o exército a sua frente. A maioria parecia desnorteada pela visão dos nortenhos. Em especial os Freys. Notava também que muitos cavalos estavam agitados e alguns até mesmo escapavam depois do uivo do lobo gigante.

–RAMSAY SNOW!-Ele berrou a plenos pulmões-O NORTE NÃO SE CURVARÁ DIANTE DE FALSOS LORDES!-Enquanto dizia isso os arqueiros miravam a primeira saraivada de flechas-Nem hoje, nem nunca!

E assim as flechas disparavam como uma chuva pelo ar. Muitos do exército do exército do bastardo tentavam preparar seu arco-em especial homens da companhia dourada-para rivalizar com a tropa dos Starks, mas, a tentativa acabou vã devido a falta de organização. Após a primeira rajada de flechas vários deles caíam na neve com setas adornando todo seu corpo. Cavalos saíam em disparada. E logo vinha o segundo ataque agora os arqueiros inclinavam seu arco para alto fazendo chover flechas sobre as cabeças dos inimigos. Este ataque teve pouca efetividade em si e foram poucos os que caíram com eles devida a distância, mas, seu maior trunfo se revelou no terceiro ataque quando os arqueiros rapidamente voltaram seu arco para a posição original em linha reta e dispararam enquanto os homens ainda estavam recuando e com escudos levantados para se protegerem dos ataques que viriam por cima. Agora muito mais homens caíam perante este ataque do que nos outros dois e os poucos homens montados do exército inimigo haviam sido abatidos.

Após o ataque, os arqueiros recuavam imediatamente adentravam nas árvores em volta e deixando um bom espaço para que o exército avança-se. Podia sentir o cheiro do medo exalado pelos inimigos quando ele começou a cavalgar ao lado dos outros guerreiros nortenhos. Sentia sua capa se agitar ao vento e uma sensação de liberdade explodia fulgurante em sua alma e mente. Projetava sua lança bem á frente como um cavaleiro. Só então percebeu que deveria golpear para baixo com a lança ou não atingiria seu alvo, uma vez que seus oponentes não estavam montados.

Errou seu primeiro alvo-que acabou pisoteado pelo unicórnio-e somente no segundo conseguiu transpassa-lo com a lança na cabeça perfurando o crânio dele com extrema facilidade. Ao seu lado, o grande e mudo Onak já havia matado três homens. Mirou sua lança contra a mão de um homem e a perfurou. As montarias e os soldados dos Starks avançavam com brutalidade avançando em frente ao acampamento dos inimigos e eliminando vários deles. Naturalmente, muitos dos soldados do outro exército tentavam se deslocar para os lados fugindo da poderosa investida apenas para que sentirem o ataque do resto do exército do lobo negro posicionado estrategicamente nos dois lados para atacar os desgarrados. O primeiro ataque estava montado sendo liderado por Maege Mormont no lado esquerdo enquanto Bor abatia seus oponentes ao som de gargalhadas com sua poderosa maça no lado direito. Seguidamente após o ataque da montaria viriam os homens desmontados para abaterem todos os desgarrados.

–POR WINTERFELL!-Ele subitamente gritava e sentia-se muito bem.

Infelizmente ele acertava poucos homens com a lança feita para o primeiro ataque não parecia adequada para ele. Só havia acertado três homens enquanto a maioria já havia matado mais de seis. Irritado ele jogou longe a longa lança e sacou sua espada cortando á torto. Dessas vez cortava a cabeça de um Frey e abatia dois soldados Boltons com facilidade. Floquinhos-seu unicórnio-mordia quando tinha chance e perfurava os inimigos com seu chifre. Um rápido olhar pelo campo de batalha mostrava ao jovem Stark que seus mais formidáveis oponentes seriam claramente os soldados da companhia dourada. Os mercenários escaparam em maior número do ataque inicial e eram alguns dos poucos que conseguiam reagir efetivamente ao golpe sofrido pelas tropas no lado. Ficou claro que os mercenários não estavam assustados pela clara desvantagem numérica a que estavam submetidos.

Seguiu cortando mais cinco homens e o braço de outro também. Uma lança quase raspava sua perna o que quase o jogou para o lado direto para uma espada amiga. A linha começava a se espalhar deixando uma brecha para Rickon virar sua montaria para a direita enquanto seus aliados se espalhavam pelo acampamento abatendo os inimigos. Rickon cortou ainda mais quatro Freys e cinco Boltons. Ao longe podia ver seu lobo rasgando a garganta de um inimigo e o príncipe sabia que aquele foi apenas o primeiro de muitos.

No meio da tormenta acabou perdendo sua espada. Puxou as rédeas de seu unicórnio negro e o desmontou. Deu dois tapinhas no rosto de seu companheiro e puxou seu punhal para cortar as cordas que seguravam sua lança, Galagon, segurando-a firmemente com as duas mãos ele avançou perfurando a barriga de um Frey rasgando o aço e a carne com igual facilidade. A sua frente um soldado dos Boltons tentava mante-lo a distância com uma lança, porém, Rickon foi mais rápido e perfurou a garganta dele.

–Seus freys filhos-da-puta-Ouviu Jon Umber gritar enquanto ele enfrentava e matava três dos Freys ao mesmo tempo.

De relance conseguia ver também que seu exército estava superando os inimigos em uma clara vantagem. Maege Mormont, a despeito de sua avançada idade, atacava furiosamente especialmente Freys; Robett Glover estava engajado em um duelo com um soldado Bolton levando clara vantagem; Wyllis Manderly matava cinco homens e desarmava mais dois com seu tridente prateado; Onak desmontava do cavalo e golpeava com seu machado contra o pescoço de um mercenário da companhia dourada depois que este perfurou um nortenho; Raymond Reyne também matava vários homens com suas espadas curtas inclusive um soldado Bolton que usava um chicote.

Mas não tinha muito tempo para prestar atenção na luta de seus companheiros pois os oponentes não davam-lhe uma trégua. Dois soldados Boltons avançavam e Rickon perfurou a coxa dos dois deixando-lhes aos gritos. Uma lamina raspava seu elmo enquanto ele deslocava seu corpo para a direita. Um soldado da companhia dourada caía sobre ele desferindo golpes furiosos com sua espada. Rickon acompanhava os golpes e os bloqueava usando o cabo de aço valíriano na direção da lamina até ter a chance de deslocar a lança para baixo junto com a espada e faze-la penetrar a barriga do mercenário.

Ao seu lado mais um mercenário atacava desta vez armado com um machado de batalha. Ele xingava Rickon até seus antepassados enquanto o jovem príncipe apenas recuava analisando uma brecha perfeita para atacar. Acabou não precisando, pois, Alysane Mormont cavalgou em disparada feito um raio e acertou a cabeça do seu atacante com o mangual com tamanha força que Rickon pensou que a cabeça do pobre homem havia explodido com o impacto.

–Meu príncipe.-Alysane falava-Esta se afastando demais de sua guarda.

–Vocês é que estão lentos demais.

A mulher pareceu não gostar disso e desmontou mantendo-se ao lado de seu jovem suserano. Howland Reed os alcançava derrotando quatro homens no caminho. Olhava ao lado em busca do bastardo e nada encontrava. Seguia o ratro de Órion para tentar encontra-lo e observou ele e Domerick lutando juntos formidavelmente. A maioria deles não notava a aproximação do meia-perna até perderem suas pernas e depois a vida. Domerick os distraia com golpes velozes de sua cimitarra distraindo a atenção deles para o verdadeiro perigo que era seu sabre feito com chifre de unicórnio ou para o ataque de Órion. Juntos com essa tática os dois já haviam matado mais de dez homens pelas contas rápidas de Rickon.

Entretanto ele percebia que haviam perdas também. Houve um soldado da companhia dourada trajando uma armadura negra e um longo machado de guerra que havia matado alguns dois soldados Manderly, cortado o braço de um guerreiro da casa Magnar e mais três nortenhos dos Cerwyn foi parado apenas quando Cão Felpudo pulou sobre ele e rasgou sua garganta. Rickon abatia mais sete inimigos com relativa facilidade.

–Guarde um pouco para mim, lobinho.-Grande-Jon berrava enquanto golpeava com a sua espada ainda maior que a antiga espada de seu pai, gelo.

Um mercenário da companhia dourada avançava dançando sua espada contra Jon Umber uma dúzia de vezes até que o gigante o sobrepujou e cortou sua cabeça. Raymond e Quinlas desmontavam simultaneamente e juntavam-se a batalha ao lado deles. Ray usava duas espadas curtas e Quinlas um longo sabre e cada um manejava prodigiosamente suas armas. Ao julgar pelo sangue que tingiam as laminas, Rickon achou que os dois haviam eliminado vários inimigos.

–Melhor se apressar, grande-Jon.-Falava enquanto perfurava o crânio de um Frey-Ou vou matar todos esses vermes antes que chegue. Tenho fome por carne de traidor hoje.

O gigante parecia rir da brincadeira enquanto matava mais um Bolton vociferando que isto era pelo seu filho morto no casamento vermelho. Seu olhar finalmente encontrava o bastardo de Bolton ou o que deveria ser ele segundo as descrições que lhe foram dadas. O homem usava uma armadura completa trajando as cores e o símbolo do homem-esfolado em seu peito. A segunda coisa que notou era que estava muito bem guardado, havia pelo menos uns doze homens o protegendo. Um deles parecia ser um alto homem com uma orelha a menos, pela descrição, deveria ser Hosteen Frey, o mais forte lutador das gêmeas. Havia também um guerreiro que trajava uma armadura completa vermelha exceto pela caveira dourada em seu peito e seu elmo fazia alusão a um gigantesco par de chifres demoníacos, parecia ser um guerreiro de grande reputação conhecido como Oswell Storm, o demônio vermelho. Ao ver a forma como ele derrotou dois guerreiros da casa Crowl e um dos Umber percebeu que sua fama era justificada.

"É ali que esta a verdadeira batalha então?"

Resolveu avançar para lá , mas, acabou cercado por cinco homens. Girou sua lança afastando todos e atacou primeiro o que estava mais distante com uma estocada leve na garganta e então matou o segundo com um golpe no coração. Logo, sua guarda chegou e Aramyr, Quinlas e Howland reed se encarregaram dos outros três. Um outro Frey saltava sobre ele tentando golpeá-lo com a espada, mas, era tão lento e fraco que Rickon não teve trabalho algum em se defender.

–Lembra-se de mim, Stark?-Ele dizia enquanto tentava golpeá-lo.

–Eu deveria? Vocês doninhas parecem todos iguais para mim.

–Eu sou o pequeno-Walder Frey, lembra? Seu lobo idiota quase me matou quando criança agora vou pagar a dívida matando você e seu lobo estupido como minha família fez com seu irmão e sua mãe e depois--

Rickon sequer deu tempo para que ele falasse alguma coisa depois que acertou sua lança bem no cranio dele e o perfurou transformando-o num amontoado de cérebro esmagado, olhos, restos de ossos partidos e orgãos grotescamente empilhados ao chão.

–Faça sua travessia para o inferno agora.-Rickon dizia friamente.

Ao longe ele via que o primeiro membro da guarda pessoal de Ramsay debandará para longe dele. Era o tal Hosteen Frey que matava um dos homens da casa Stane e parou em frente ao meia-perna dizendo algumas palavras que Rickon não entenderia mas pelo rosto de Órion certamente foram ofensivas. Rickon quase sentiu pena do pobre Frey. O anão sinalizou para Domerick se afastar e parou a quase cinco metros do campeão das gêmeas. Hosteen tentava um golpe baixo de sua espada, mas, Órion bloqueava jogando-a para baixo com um machado. Ele desferia mais um golpe, agora vindo de cima, enquanto o anão deslizava para o lado esquerdo. O Frey agora estava vermelho de raiva e avançava como um touro com sua espada para passar por cima de Órion e não viveu para se arrepender deste erro, pois, para o anão foi uma questão apenas de deslizar para o lado esquerdo-oposto a espada-e deixar seu machado acertar a canela dele. Depois cortou-lhe a perna e por fim a cabeça.

Uma lança avançava contra Rickon, mas, o jovem Stark deslizou seu corpo para a esquerda enquanto arma passava direto por ele cortando apenas o vento. Projetou a ponta de sua lança por baixo do cabo da arma inimiga e a jogou com força para o alto, em seguida, perfurou o peito do oponente antes que a lança caísse ao chão. Tomou a arma caída do inimigo com uma mão e a lançou em direção a um soldado com a viseira da armadura abaixa a poucos metros de distância atingido certeiramente o rosto, matando-o.

Então os berrantes soaram novamente. Não eram berrantes dos nortenhos, certamente. Os portões de Winterfell abriam-se em um estrondo. Por alguns instantes a luta cessava para que todos olhassem ao mesmo tempo para o exército que agora saiu das muralhas da cidade caída. Novos gritos de guerra se juntaram aos dos nortenhos e um alto homem com um elmo em formato de chifres de veado gritou "Nossa é a fúria". Ele liderava a vanguarda do novo exército. em suas bandeiras haviam um veado corado na metade direita e uma raposa na esquerda enquanto um raio separava os dois.

–Por Ponta da Tempestade.-Eles berravam furiosos-Pelo rei Stannis.

O homem que liderava o novo exército manejava um grande martelo de guerra com uma precisão invejável. Derrubava diversos cavaleiros com relativa facilidade. Ao seu lado havia um homem com trajes esfarrapados e vestimentas estranhas para um cavaleiro, parecia mais um membro do povo-livre, e sua capa com manchas rubras esvoaçava ao vento junto com sua espada.

E se antes a batalha já estava desigual havia tornado-se um verdadeiro massacre agora. O exército do bastardo havia sido pego por dois lados e a vantagem numérica praticamente dobrava contra os Boltons e seus aliados. Rickon pensou já ter visto algo semelhante com aquele símbolo.

"Agora me lembro. O veado coroado é o símbolo da casa Baratheon. Aquele rei gordo que era amigo de meu pai"

Acertava mais três soldados Boltons diretamente no coração com a empolgação. Virou seus olhos ao redor do campo de batalha em busca de sua presa. Notou que o cavaleiro vermelho que o protegia dizia algo para os outros homens que protegiam Ramsay. em seguida, ele avançou e ergueu sua espada ao alto balançando-a. Dois homens se juntaram ele enquanto o homem passava ignorando os outros guerreiros nortenhos. Rickon não sabia o que ele pretendia com aquele gesto e nem para onde estava indo, queria apenas encontrar Ramsay Bolton.

–Guardas!-Howland Reed gritava-Formação de círculo em volta do príncipe, ele esta em perigo.

Só então ele percebeu o que estava acontecendo. Homens da companhia dourada vinham de todos os lugares ignorando todos os outros soldados não importando de qual exército fosse. O movimento com a espada do demônio vermelho parecia agora uma espécie de código para, pelo menos, matar o líder do ataque.

Segurou sua lança com firmeza e tentou identificar todos os seus atacantes. Contou doze. Seus guardas faziam um círculo em volta dele durante o ataque. Quinlas bloqueava a primeira estocada da lança com seu escudo e a partia com o sabre para depois cortar a garganta do seu agressor. Alysane Mormont sobrepujava dois soldados, mas, era esfaqueada no braço por um punhal. Mesmo Onak parecia ter dificuldades em lutar em enfrentar um desses soldados. Raymond enfrentava dois ao mesmo tempo também e os mantinha a distância com sua espada curta. Grande-Jon, por sua vez, já havia derrubado um deles e matinha dois deles a distância com sua colossal espada. Aramyr sobrepujou com velocidade o soldado que estava a sua frente. Howland Reed prendeu a espada de seu adversário entre sua lança e a lançou para longe e em seguida sangrou a garganta do homem.

Rickon cansou-se disso e resolveu juntar-se a luta também. Passou por Alysane e golpeou atravessando escudo, armadura e as costelas do soldado que avançava contra ela. Atrás de si escutou o inconfundível som de madeira se partindo contra a espada e da carne sendo rasgada pela lamina. Quando virou-se ele viu Howland Reed tendo a lança partida enquanto o ombro dele sangrava. O cranogmano caiu ao chão enquanto a lamina a têmpora protegida pelo elmo do príncipe o desequilibrando e o lançando ao solo. Sua cabeça doía com o golpe.

Rickon pensou que morreria agora , mas para sua surpresa, o cavaleiro cor-de-sangue recuou diante de um golpe desferido por um manto maltrapilho. Aramyr golpeava velozmente para afastar seu oponente dos amigos caídos. Rickon levantou-se rapidamente para socorrer Howland Reed.

–Não se preocupe comigo, rapaz.-Ele dizia enquanto Rickon o levantava-Tem uma batalha para vencer ainda.

Antes que pudesse protestar, Onak surgiu ao lado e carregou Reed pelo ombro bom. Rickon conhecia o rapaz mudo a tanto tempo que somente pelo olhar sabia o que ele queria dizer. Voltou a segurar sua lança firmemente com as duas mãos e acertou um Frey que tentava apunhalar Grande-Jon pelas costas. Seus olhos procuravam Ramsay, mas, em meio a tormenta era difícil encontrar uma única gota de chuva em especial.

Conseguia ver Aramyr e Oswell Storm presos em um duelo mortal. As espadas dançavam e as faíscas nasciam e morriam em frações de segundos naquele embate. Lutavam como se não houvesse mais ninguém no mundo além deles dois. Pensou em ajudá-lo, mas, se o fizesse mataria para sempre o orgulho do amigo como espadachim.

–Luta ferozmente, nortenho.-O demônio vermelho brandia junto com sua espada-Eu lhe darei a morte de um cavaleiro como recompensa ao seu fulgor.

–Hoje um de nós a terá.-o sor selvagem respondia a altura tanto na espada quanto nas bravatas.

Relutantemente ele deixou os dois lutarem enquanto perseguia Ramsay. Quando finalmente o encontrou ele percebeu que o bastardo agora estava montado e e fugindo com uma escolta de aparentemente seis homens por entre as linhas inimigas. Mas ao invés de tentar fugir em direção ao Forte do Pavor, ele contornava as muralhas de Winterfell para a Mata dos lobos.

"Não escapará da minha vingança, Ramsay."

Rickon agora o seguia mantendo sempre o cuidado com eventuais golpes. Grande-Jon e Raymond cuidavam de reta-guarda enquanto o príncipe de Winterfell abaterá mais três inimigos em sua perseguição. A princípio, sem perceber, outro alguém juntava-se a sua caçada contra o bastardo de Bolton. Edric Storm logo estava ao seu lado e nenhuma palavra precisou ser dita para que os dois entendessem que tinham o mesmo objetivo.

Um a um a escolta de mercenários do bastardo ficava para trás e assim combater Rickon e Edric, mas, instintivamente os dois lutavam muito bem juntos. O jovem Stark não sabia explicar como e o outro rapaz provavelmente também não, mas era fato que juntos formavam uma boa dupla no combate como seus pais fizeram outrora. Até que o ultimo mercenário ficou para trás e Edric disse.

–Vá atrás de Ramsay ou ele vai fugir. Deste aqui cuido eu.

Rickon nada disse e aproveitou a oportunidade para correr em direção ao seu inimigo deixando Edric enfrentar sozinho o mercenário. Infelizmente, parecia que Ramsay já estava fora de alcance pois sua montaria disparava pela Mata dos lobos. Rickon já havia perdido as esperanças de alcança-lo quando uma flecha acertou o lombo da montaria de Ramsay e ela o jogou ao chão. O responsável pela flechada estava atrás de uma árvore e era uma coisa desagradável de se ver. Tinha dedos faltando, cabelos brancos e uma pele acinzentada além de uma expressão melancólica no rosto e mãos trêmulas. Foi um milagre que ele tenha conseguido disparar aquela flecha.

–Fedor, seu traidor miserável.-Ramsay parecia furioso enquanto as palavras saíam de seus lábios gordos. Desembainhou sua espada-Esqueceu quem você é?

–Fedor.-Ele disse com um olhar inspirando coragem-Fedor que rima com traidor.

–Desta vez vou arrancar sua mão e depois suas pernas. Torturarei você como nunca torturei ninguém.

–Não vai não.-O príncipe de Winterfell os interrompeu atraindo para si toda a atenção dos dois-Seu adversário sou eu, bastardo.

Aquilo pareceu enfurece-lo.

–Vai se arrepender de me chamar assim, Stark.-Ele caminhava enquanto falava-Meu pai foi muito piedoso com seu irmão, ele apenas o apunhalou, eu vou esfolá-lo vivo.

–É bem vindo para tentar.-Segurou firme a Galagon apontando para ele-Ou será que bravatas são suas únicas armas, bastardo?

De verdade, Rickon nunca teve nada contra bastardos especialmente pelo seu irmão Jon e o fazia justamente para irritar seu inimigo. Ramsay avançava furiosamente com a espada na diagonal esquerda e Rickon apenas projetou sua lança no mesmo sentido fazendo o chifre de unicórnio bater contra o aço e repelir o ataque. Mais três ataques semelhantes seguiram e Rickon os defendeu com igual facilidade.

"Lento demais"-Pensou consigo mesmo-"Não tem coordenação alguma nos seus ataques e eles não são especialmente fortes e nem mesmo rápidos."

Rickon defendeu mais dois golpes de Ramsay com a ponta da lança até finalmente perder a paciência. Desferiu um estocada com a lança contra o ar simulando um erro, só então direcionou sua lança para bater com o chifre de unicórnio de lado na coxa de Ramsay com uma forte pancada. A dor pareceu tanta que o bastardo caiu de joelhos na neve gritando e até mesmo vomitou. Ficou ali contorcendo-se de dor.

–É tão fraco.-Rickon dizia em sua decepção-Treinei durante anos para esta luta. Agora é isto que eu tenho? Tem certeza que esta lutando a sério, bastardo?

–Veremos se ainda terá essa ousadia toda quando eu quebrar seus dentes.

Ele voltava a se levantar com dificuldade e mancando. Agora seus golpes eram mais lentos e sua guarda estava tão aberta que Rickon sentiu-se tentado a perfurar o coração dele e terminar com essa farsa.

–Não gostou, bastardo? Se quiser eu chamo de novo: bastardo, bastardo, bastardo. Você é um bastardo.

Ele se enfureceu mais ainda e voltou a tentar cortá-lo, mas, Rickon limitava-se a desviar das investidas. Virou então sua lança ao contrário e acertou com a parte rompe na boca de Ramsay com força o suficiente para quebrar-lhe grande parte dos dentes e novamente o lançar ao chão contorcendo-se de dor.

–Ah, o bastardinho vai chorar.-Ele disse em tom de escárnio, enquanto pegava a cimitarra de Ramsay-

Ramsay murmurava palavras que Rickon já não mais conseguia compreender. O jovem Stark apenas lançou a arma de seu rival longe e depois chutou-lhe o rosto com tanta força que quebrou o que restou de seus dentes. Deu pisões fortes no rosto de Ramsay enquanto ele ainda estava no chão gritando.

–Isto é por tudo o que fez com Winterfell esta me ouvindo, bastardo? Isto é por Mikken, Sor Rodrik, Jeyne Poole, Beth Cassell e por todas as pessoas que você matou e violou do meu povo. Isto é por cada casa que você queimou e cada legado que conspurcou de minha terra.

Rickon descontava anos de fúria, tristeza e amargura em um único homem. Com sua lança ele perfurava diversas vezes a carne de Ramsay sempre tomando cuidado para não acertar um ponto vital. Ramsay gritava algo que para Rickon parecia ser "misericórdia" , ele não entendeu muito bem, mas de qualquer forma não lhe deu nenhuma.

–Você queimou minha terra, matou amigos de meu pai, violou mulheres e esfolou pessoas apenas pelo seu bel-prazer. Mas isso acaba aqui, bastardo.

Ele largou sua lança ao chão e por um instante, Ramsay parecia aliviado. Depois segurou o braço de seu oponente com as duas mãos e o quebrou com tanta força que deixou um osso exposto através da carne.

–Eu machuquei o braço do bastardo, é?-Desembainhou sua espada após isso-Dá-se um jeito.

Pareceu fácil para Rickon até mesmo quando a lamina transpassou a carne e os ossos dele. Escutava apenas os gritos. O tal Fedor apenas observou com olhos frios enquanto o que parecia ser seu ex-mestre sendo cruelmente morto. Havia algo de familiar nele, mas, Rickon trataria dele depois.

–Pronto agora sim esta bem melhor. Para que você queria este braço mesmo? Nem usava ele adequadamente. Agora, quais são suas ultimas palavras, bastardo? Ah é, esqueci que você não pode mais falar.

Os gritos haviam cessado e Rickon não sabia se Ramsay ainda estava vivo ou morto quando o beijo frio de sua lamina atingiu o pescoço, separando sua cabeça de seu corpo e terminando com sua fétida vida. A cabeça dele rolou pela neve tingida de sangue. Rickon a segurou e espetou na ponta ponta de sua lança.

–Bem melhor agora.-Virou-se para Fedor com desconfiança-E agora tratemos de você. Não se preocupe, não vou matá-lo a não ser que dê motivos para tal.

–Eu...'nhor...eu-Sua voz era falha e ele parecia sempre esconder seu rosto, talvez por medo-agradeço por me salvar.

–Ele não era seu mestre ou coisa do tipo?

Fedor então mostrou seus dedos a ele. Rickon compreendeu o que havia acontecido. Sentiu pena do pobre coitado.

–Sinto muito, sinceramente sinto muito pelo o que ele te fez. Mas agora ele é problema do demônios. Venha conosco para Winterfell. prometo que será bem tratado a partir de agora.

Rickon abriu um sorriso tímido, mas, convidativo para o pobre sujeito e estendeu sua mão em um gesto de amizade. Os olhos do homem ficaram marejados e ele caiu de joelhos enquanto o vento soprava uma canção que só os deuses conheciam.

–Não posso, 'nhor.-Ele dizia-Sinto muito, mas, não posso ainda.

–Será como diz.-Rickon suspirava-Desejo-lhe sorte em sua busca e lembre-se que os portões de Winterfell sempre vão estar abertos para você.

O homem agradeceu e correu desaparecendo pela mata deixando Rickon a sós com suas reflexões. Sentiu que já o conhecia antes, contudo, não conseguia lembrar de onde. A questão logo chegou ao fim quando viu chegar Edric Storm.

–Isso foi uma alegria de se ver. Mesmo quando eu queria cuidar disso com minhas próprias mãos.-Falava enquanto retirava o elmo deixando cair negros cabelos lisos e suas orelhas longas-Sou Edric Storm é uma honra conhece-lo.

Ele estendeu sua mão para cumprimentar Rickon, a principio ficou desconfiado logo apertou-lhe a mão também.

–Foi Uma bela luta, não acha?-Ele falou.

–Foi fácil.-Rickon respondeu.

–E por isso foi bela.-Edric Deu de ombros-Ainda não me disse seu nome.

–Sou Rickon Stark.

O rapaz parecia surpreso ao escutar aquilo. Certamente pensou que Rickon estava morto também. Ele então achou por melhor contar logo como foi que ele sobreviveu resumindo da melhor forma que pode.

–E então salvei você hoje.

–Quanto a isso discordo.-Edric respondia-Eu poderia esmagá-los com facilidade, porém, foi uma bela ajuda mesmo. Agora creio que podemos fazer uma causa-comum, como nossos pais fizeram antes de nós.

–Isso é verdade. Roose Bolton ainda esta vivo e não descansarei enquanto ele não se juntar ao filho.

–Sim. E depois tenho ambições maiores em mente. Sua ajuda seria bem-vinda.

–E quem você quer matar?-Rickon perguntava mesmo já sabendo a resposta.

–Leões e dragões.

Notas finais
Não sou de pedir comentários, porém, desta vez peço que todos os leitores que acompanham a história me digam o que acharam dela. O motivo é que eu nunca havia escrito uma cena de batalha no porte desta e gostaria de reviews sinceros quanto a esta parte. Outras batalhas vão acontecer e por isso quero saber aonde errei e como melhorar. E no próximo capítulo veremos a Myrcella e alguns velhos conhecidos.