A Zirconita bate a porta e entra nos aposentos com muito cuidado sabendo que a gem que está ali aprecia sutileza.
—Senhorita Safira, venho lhe informar que a vossa Altíssima Diamante Azul requisita suas habilidades no combate contra as “Crystal Gems”. Uma nave está sendo preparada e partirá amanhã.
—Obrigada, Zirconita. —Respondeu Safira em baixo tom.
Ela sabia que seria chamada e estava a par da revolta que teria se iniciado na colônia da Diamante Rosa. Amadora, pensou. As outras Diamantes nunca precisaram de ajuda para colonizar novos planetas, mesmo que este planeta já estivesse dominado por vida inteligente possuidora de poder bélico. Foram raras as vezes, mas já aconteceu.
Teria de se preparar agora, estudar os movimentos anteriores dessas rebeldes para prever seus movimentos futuros e garantir meios para encerrar esse motim. A viagem e os dias que se seguirão serão de concentração.

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—Mexam-se seus projetos de gem! Quero todas em sentido AGORA! —Gritou a Ágata Azul. Não que não houvesse necessidade, foco não era, de longe, uma das principais habilidades das rubis. Diziam as más línguas que para a fabricação desse tipo de gem priorizou-se tanto a força bruta e destreza corporal que a parte que pensa ficou comprometida. Três rubis se alinharam diante da Ágata, —Vocês foram minuciosamente selecionadas para uma tarefa muito importante: proteger uma Safira, gem responsável por prever o futuro que irá nos trazer paz das dores de cabeça causadas por essas “Crystal Gems”. Vocês precisam ter em mente de que se trata de uma gem da alta corte da Diamante Azul, espero de vocês atitudes a altura dessa distinta classe da nossa sociedade, portanto nada de gracinhas! Arrumem o que for preciso, estão dispensadas.
Uma Safira. Nenhuma delas nunca havia visto uma, dizem que são raras. Com um poder desse, como não seriam? Porém as rubis estavam mais interessadas em lutar contra as rebeldes do que conhecer membros da corte Diamante.

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—Bom dia, senhorita. —Disse a pérola. —Eu fui designada para acompanhá-la durante sua estadia pela Terra. A nave aguarda.
—Certo, também estou pronta. —Disse Safira em um tom solene.
Suas três guarda-costas estavam à sua espera para partir junto a outras gems diplomáticas. Duas rubis lançaram olhares cobiçadores à pérola, comentando entre si como seria ter uma, discutindo planos para capturarem as traidoras e serem recompensadas com sua própria pérola, criadas muito finas dentro da sua sociedade. A outra, cuja pedra era localizada na palma da mão esquerda, ficou observando aquela criatura serena e azulada, que passou como uma briza alpina por elas. Ficou imaginando onde estaria sua gema, se era nas costas, por baixo daquele longo cabelo branco e sedoso ou no lugar de um dos olhos, escondida atrás da franja.
A nave era grande e comportava espaços de recreação e lazer para separados da ala onde ficavam as soldados, serviçais e técnicas de manutenção. Safira estava na sala acústica, onde a reverberação do som era melhor, treinando algumas notas quando previu alguém por detrás das cortinas do pequeno palco onde se encontrava. Ela sabia quem era e sabia que sua forma física não haveria de desvanecer naquela nave para retorná-la na Terra, por isso não havia o que temer ali, mesmo assim perguntou:
—Quem está aí?.
Nenhuma resposta.
—Apareça imediatamente. —Insistiu.
—Sou eu. Perdão madame. —Disse Rubi.
—Por que me vigiava, soldado?

—Eu, é, eu nunca tinha ouvido nada parecido antes. Me desculpa, eu não deveria ter aparecido, foi uma completa falta cortesialidade.
—Cordialidade, você quis dizer.
—Sim! Perdão, madame. —Disse Rubi constrangida por ter sido descoberta e por ter errado uma palavra frente a uma gem tão finamente letrada.
—Humm.
Sem esboçar semblante nenhum, Safira aproximou-se de Rubi. Tocou levemente sua mão direita ao lado do braço de Rubi, um pouco abaixo do ombro, e desceu com seus dedos delicados até chegar nas mãos grossas da soldado e virá-la para si. Rubi sentiu aquele toque como gelo do inverno. Aquilo lhe pareceu extraordinário porque até então só sentira o toque escaldante das suas companheiras rubis, apesar de estar tomada pelo nervosismo.
—Então você gostou da minha música. —Disse Safira soltando delicadamente a mão da gem depois de observar sua gema.
—Sim. Eu já tinha ouvido canto antes, até de orgânicos em outras colônias, mas nada perto disso.
—Você poderá me observar cantar sempre que puder e desde que isso não atrapalhe seus deveres. Ficarei feliz em vê-la em uma das minhas apresentações em nossa Terra-Natal.
—S-sim, muito obrigada, madame, eu prometo não te decepcionar! Agora eu, hum, preciso voltar aos meus afazeres.
Rubi rapidamente deixou aquele recinto com o medo de incendiá-lo, deixando Safira pensativa a respeito daquela distinta soldado que conhecera. Como posso não enxergar o futuro dela? Pensou intrigada. Ela já havia previsto sua vida inteira pela frente e era capaz de prever acontecimentos relacionados a outras gems, mas algo nessa rubi parecia diferente. Ambas só voltaram a se encontrar novamente na Terra, dentro da arena das nuvens.

Notas finais
Mais uma fic pra vocês, pessoal. Escrevi sobre um ship q eu não me pegaria escrevendo pq tudo nele é super saturado, mas tirando todo esse ruído, eu gosto muito da história das duas e pensei nessa q poderia muito bem ter acontecido.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!