A caminhada da Morte
7 Alessandra.
A garota abaixou a arma lentamente. –Você é da classe do João?
– Sim....quem é você? –Perguntou Daisy, confusa, ainda assustada.
– Sou Alessandra, o pai dele me enviou aqui para buscá-lo. Cheguei no quartel faz pouco tempo, todos que chegam precisam fazer algo como pegar suprimentos em cidades, assim. Como agradecimento por deixar ficarmos no local. É uma troca justa,mas...eu acho que fiquei com a tarefa mais arriscada. –Disse a garota, olhando Daisy, pensativa. –Então...cadê ele?
– Não estou com ele...eu estou sozinha. Só vi eles partirem de vã, mas não sei para onde foram, talvez para a casa da Mylena por ela e Carol estarem brigadas, e ela se preocupa muito com a irmã e a família dela. Ou eles iriam de casa em casa para ver os parentes, eu não sei. –Admitiu Daisy.
– Sabe aonde está tal de Mylena...mora? Os outros de seus amigos? –Perguntou Alessandra.
– Sei sim. Iremos até eles? –Empolgou-se Daisy.
– Sim. Mas não agora. –Alessandra olhou para os lados. –Lá em cima não é seguro agora, os errantes estão seguindo para o sul, espero que na manhã seguinte não esteja quase nenhum por aqui. Meu carro está na calçada da escola, tudo isso por causa de um garoto idiota e seus amiguinhos. Agora torça para que nenhum errante entre aqui enquanto dormimos.
– Errantes? –Perguntou Daisy.
– Zumbis. Tanto faz. –Alessandra colocou seu chapéu militar em seu rosto, e dormiu encostada na parede.
Daisy deitou no chão gelado, encolhendo-se um pouco, tentando aquecer a si mesmo. Tinha inveja de Alessandra naquela hora por sua roupa militar aparentar ser bem quentinha. Depois de pensar tanto no que estava acontecendo, adormeceu.
Daisy acordara onze da manhã. O sol invadia as pequenas janelas cobertas por cortininhas daquele porão. Daisy sentiu-se feliz ao ser acordada com o sol em seu rosto, por um momento até pensou que estava deitada em sua cama, e tudo ali fosse tudo um sonho, mas não era isso. Assustou-se quando viu um zumbi na janelinha a encarando.
Olhou ao redor procurando por Alessandra. Mas ela não estava ali. Sozinha de novo?
Até que a porta dos fundos do porão, abriu-se e Alessandra apareceu, olhando a garota.
– Vamos, sumiram quase todos, mas tenha cuidado.
Daisy se levantou e as duas saíram do porão, correndo direto para fora da escola. Em comparação ao dia anterior, a calçada era um paraíso. Uns dois zumbis encontravam-se na frente do carro de Alessandra, a mesma pegou sua arma do bolso e atirou nos dois na cabeça, que caíram no chão logo depois.
Alessandra entrou no carro, já com as mãos no volante. Daisy sentou-se no banco carona, colocando o cinto de segurança olhando para frente. –Vamos ir embora logo daqui.
Alessandra segurou firme no volante, pisou no acelerador e saiu em disparada dali. Seguiu as explicações de Daisy, logo chegando em frente a casa da Mylena. Alguns zumbis estavam andando pela rua, percebendo a presença das duas. Não eram tantos, havia alguns caídos e provavelmente não iriam voltar a vida, por alguns estarem sem cabeça e outros com furos nela, como se tivessem levado tiros ou algo afiado.
Nada que tiros no meio da cabeça daqueles vermes não iriam resolver. Alessandra terminou com as “vidas” de alguns, logo entrando no quintal da casa de Mylena, junto com Daisy.
A porta estava arrombada, sangue estava pelo quintal, zumbis estavam jogados por ali também. A cerca de trás estava destruída.
Foram pra entrada da casa.
– Vai você primeiro. –Disse Alessandra.
– E-eh?! Porque eu? –Perguntou Daisy.
– Não conheço a casa, é mais educado. –Alessandra deu um sorrisinho.
– Está com medo? –Debochou Daisy.
Um zumbi vinha da sala de estar da casa, se aproximando de Daisy por trás aos poucos.
Daisy deu um grito ao perceber a aproximação dele, e ao virar para ele.
– Quem é que está com medo agora, hein? –Riu Alessandra.
O zumbi agarrou os braços de Daisy, abrindo sua boca.
– SOCORRO!!! FAZ ALGUMA COISA!! –Dizia Daisy desesperada.
Alessandra tirou uma faquinha de seu bolso, e encravou na cabeça do zumbi, que logo caiu no chão.
– Eu deixaria você se virar, mas você morreria fácil, e eu preciso de você pra encontrar esse garoto. –Alessandra falou, limpando sua faca com um pano que retirara de seu bolso.
– Morreria fácil? O que está insinuando? –Daisy franziu a testa, irritando-se.
– Que você é fraca. –Alessandra disse, entrando na casa, olhando ao redor.
As gavetas estavam abertas, quase completamente vazias. A geladeira não tinha nada, só melancia estragada, e resto de salada.
Alessandra olhou para aonde deveria ter as facas de cozinha, mas não tinha todas.
– Eles certamente passaram por aqui. Ou...só poderia ser os pais da Mylena e ela fugindo. –Observou Alessandra.
– Eu não sei. –Daisy passou pelos outros quartos, entrando em um, com uma cama de casal, dos pais da Mylena, observando um armário aberto, com um único martelo ali, e um papel escrito jogado no chão, a frente do armário.
– “Abra apenas quando estiver em perigo, voltamos logo e não precisará mais usa-las.” –Leu Daisy. –Então...significa, que eles usaram...? -Perguntou Daisy, enquanto pegava o Martelo, colocando em sua mochila.
– Ou significa que os pais da Mylena voltaram. –Disse Alessandra.
– Você não tá sendo muito positiva aqui. –Falou Daisy.
– To sendo realista. E o que tem de positividade saber que eles passaram por aqui? Podem estar mortos já. Eu quero acha-lo. Eu preciso acha-lo, mas não temos nada que indica que estão vivos, só que escaparam daqui. Além disso, não vi nenhum zumbi usando o uniforme de vocês. –Observou Alessandra. — Eles passaram por aqui, e estão vivos. Mas até onde ficaram vivos?
– Eu não sei.
– Você não sabe de nada. Se eu não levar uma prova que procurei, Jorge não vai acreditar em mim, preciso de uma prova. Ele vai querer conversar contigo. Você vem comigo. –Afirmou Alessandra.
Daisy queria protestar. Já estava perdendo a paciência com aquela garota. Mas, ela queria encontrar seus amigos novamente, e um quartel seria uma boa para se proteger da praga que estava solta no mundo.
– Vamos.
Entraram no carro, passando por uma rua, com alguns zumbis caídos, alguns ainda se mexiam. No final da rua, havia vários deles, mas com a atenção virada para a outra esquina, e seguir um caminho para longe de Alessandra e Daisy.
No banco de trás, Daisy olhou para a janela do carro, logo depois para o chão daquela rua. Um celular estava jogado no chão, com um pouco de sangue manchando sua capa branca.
– Olha! –Gritou Daisy.
– Não faça muito barulho! –Sussurrou Alessandra, olhando para aonde Daisy olhava. – O que foi?
Daisy abriu a porta do carro, saindo, e pegando o celular, mostrando a Alessandra. Tocou a tela dele, revelando um papel de parede de um jogo que João gostava. Daisy não demorou muito para perceber que aquele celular era de João.
–Ele esteve aqui! –Disse Daisy animada.
Alguns zumbis ouviram, e voltaram antes de virar a esquina, seguindo elas.
– Olha o que você fez! –Gritou Alessandra.
– Você não ta ajudando! –Gritou Daisy de volta. –Olha, é uma pista! Ai meu Deus, estamos pertos de encontra-lo! –Disse Daisy animada, com o rosto vermelho, já mexendo no celular de João, indo nos álbuns, e vendo suas fotos.
– Nem você! Entra logo no carro! –Alessandra estava prestes a pisar no acelerador.
Mais zumbis se aproximavam no final da rua, já eram quinze. No começo da rua aonde estavam, alguns também se aproximavam em um grupo.
– ENTRA NO CARRO AGORA! –Gritou Alessandra.
Daisy olhou a sua volta, com todos aqueles zumbis se aproximando. Arregalou os olhos, e pulou para dentro do carro.
– Você é louca?! –Reclamou Alessandra.
Daisy olhou para a janela de trás do carro. –Acho melhor você ir logo!
Alessandra deu ré, mas os zumbis de trás já alcançaram o carro, arranhando e batendo no vidro.
Daisy gritou, e se escondeu no chão. –VAMOS LOGO!!!
A janela já estava encharcada de sangue, o vidro ia se trincando aos poucos. Zumbis se aproximavam mais a frente também. Alessandra pisou no acelerador, não sabendo para onde ir. Quando viu que seria cercada, disparou para a primeira casa que viu, com o carro e tudo.
Derrubou a caixa de correio, as cercas, parando em outra rua com o carro. Mais alguns zumbis estavam pela aquela rua. Alessandra não tirou o pé do acelerador, e foi direto para a estrada, se livrando de todos aqueles monstros.
Daisy suspirou, sentando-se novamente no banco, sussurrando para si mesmo. –Estou viva. Estou viva. Ufa.
Alessandra estava com o coração a mil. Agarrou o volante, tentando manter a calma, respirando fundo.
***
Daisy estava sentada em um tronco de árvore curto, jogado no chão, em volta de uma fogueira, limpando seu rosto com um paninho molhado. Bebeu um suco de laranja, e comeu uma maçã.
– Aonde está meu filho? –Perguntou Jorge para a garota.
– Nós tínhamos acabado de sair da escola, depois de tudo que aconteceu. Nosso professor, ia oferecer carona para nós, mas foi mordido. Sua vã particular que ele já tinha ligado chegou, e não deixou nós entrarmos. Chegaram alguns zumbis, e o motorista foi atacado. O Rafael aproveitou e entrou na vã, depois de todo aquele tumulto, com zumbis vindo, mais , mais e mais, todos entraram na vã, menos eu. –Daisy fez uma pausa para tomar mais um gole de suco. –Eu consegui escapar dos zumbis, e encontrei Alessandra.
– A casa estava toda revirada. E encontramos o celular do seu filho. –Disse Alessandra, colocando o celular na frente de Jorge.
Jorge o pegou, e o estudou. –Sim, é dele. Mas...o que aconteceu? Tem sangue nele.
– Não vimos nenhum zumbi vestindo uniforme daquele colégio. Até porque eram muitos, e fugimos na hora.
– Iremos mais tarde procura-lo de novo. Eu, você e Daisy. –Disse Jorge.
– O quê?! –Daisy quase cuspiu o suco. –Mal cheguei, e voltar lá é suicídio.
– É verdade, pensei que só iria hoje e estava acabada a minha divida. –Disse Alessandra.
– Não podemos esperar mais um dia, se este celular estava lá ,ele estava por perto e...-Ouve-se um tiro no final do quartel.
Alguns Zumbis vinham da floresta que tinha atrás do quartel, passando os braços por dentro das grades que protegia ele.
Mais dois tiros.
Jorge correu para lá. –Quantos foram?!
– Três. Não foi grave, está tudo bem. –Disse um homem com um casaco cinza, e uma toca preta escondendo os cabelos castanho-claros.
– Marcos, Quantas vezes já falei que não usamos armas com poucos zumbis?! Só vai atrair mais! –Reclamou Jorge.
– Foi mal, senhor, foi a tensão. –Respondeu Marcos.
Mais zumbis se aproximavam devido aos barulhos dos tiros.
– Ótimo. –Murmurou Jorge.
Alessandra se levantou do tronco, puxando Daisy, a fazendo soltar seu copo com suco que caiu no chão, o derramando.
– Ei!
– Você ainda quer parecer uma garotinha indefesa inútil? –Reclamou Alessandra. –Vem. Vamos matar uns zumbis.
Alessandra entregou a Daisy um canivete.
– Mas...-Daisy olhou para ele, sem saber muito o que fazer.
– Ah, como esperado da senhora-indefesa-inútil. –Alessandra agarrou sua faquinha, correndo para o fim do quartel, subindo as grades que protegia o quartel por trás, atravessando-a, entrando na floresta.
Jorge já estava um pouco a frente, perfurando a cabeça de zumbis com um vergalhão. Alessandra foi logo atrás, com a faca na mão, correndo mais a frente dele. Um zumbi veio gemendo atrás da mesma, se virou rapidamente com a faca erguida, cortando o pescoço do zumbi ,que logo caiu no chão.
Alessandra sorriu, encravando a ponta da faca na cabeça de todos os zumbis que tentavam a cercar.
Do outro lado das grades, Daisy observava tudo, um tanto impressionada, logo atravessando a grade também.
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