A cabana da morte - Trilogia Viagem mortal
7 Um ultimo presente
Notas iniciais
–Ana? – pergunta o homem.
–Oi...
–Por que diabos você está aqui?
–Eu vim ver como era aqui em cima. Estava curiosa, estava vendo as coisas, ai a portinhola fechou e fiquei presa.
–Você deveria ter pedido minha autorização, estamos perdidos no meio da mata. Tem certeza que quer fazer as coisas sem avisar ninguém?
–Não.
–Ótimo, saia daí.
Ele ajuda a garota a descer do sótão, e então ele se lembra da arma. Instantaneamente ele resolve entrar no sótão para checar.
Ele liga sua lanterna e vê as partículas de poeira passando pela luz. La no fundo ele observa o baú aberto, mas isso não tem tanta importância. Ele rapidamente se dirige para o local onde a arma deveria estar, e lá está ela.
–Graças a Deus essa garota não encontrou a arma – conclui o professor.
***
Ana depois de tudo isso, resolve ir em direção ao lado de fora da casa, Ainda com seu novo achado em mãos. Porém ela é interrompida por uma voz fraca que vem de um dos quartos do primeiro andar.
–Ana... venha aqui por favor – chama a voz.
–O que foi Vitor?
Ele coloca a mão no bolso e tira dele um objeto brilhante.
–Um anel?
–Sim, eu... encontrei. – conclui o garoto.
–Ei você não estava lá fora? – pergunta a garota.
–Sim estava mas com essa confusão me trouxeram para dentro.
Ela se vira com seu anel e diário em mãos e sai da casa, como ela não quer ser interrompida, vai para os fundos da casa e se afastando um pouco mais ela senta embaixo de uma arvore.
Ela abre o diário novamente e desta vez começa a leitura. No primeiro texto do diário Anna, a antiga e verdadeira dona do livro se apresenta:
“Olá diário, meu nome é Anna, tenho 25 anos, tenho pele clara, olhos azuis, cabelo liso e não sou muito alta. Resolvi escrever esse diário, porque meu marido me presenteou, e como moramos aqui, afastado de tudo, isso pode ser bem legal. Ah, esqueci de apresentar meu marido, o nome dele é Paulo, ele é alto, tem cabelo curto normal, e é ele quem traz madeira e comida todos os dias para que possamos viver bem”.
Por um momento ela fecha o livro e pega o anel que acabou de ganhar. O anel é muito simples, é de ouro e contém uma pedra brilhante em cima.
Por um momento ela pensa. Ela não pode esquecer isso, não pode continuar a ler o diário sem aquilo. Ela então se levanta e vai para o meio das arvores, e do chão ela arranca um pedaço de mato, uma folha comprida.
–Pronto, agora já tenho um marca pagina.
***
–VENHAM TODOS PARA DENTRO, JÁ VAI ESCURECER – grita o professor de dentro da casa.
Pouco a pouco todos os alunos se reúnem ali no primeiro andar.
–Peguem algo para comer, mas não abusem. Hoje teremos frutas que colhemos no caminho, temos mangas, limões, laranjas e algumas outras.
Cada aluno pega seu pouco de comida para aquela noite e vão se espalhando para os quartos, alguns ficam ali na sala mesmo. Mas Eduardo puxa a mão de Rafaela e a puxa para fora da casa.
–Ei para onde vamos?
–vamos ver o pôr do sol. Ou você prefere ir para aquele quarto sujo, escuro e frio?
–É, prefiro ver o pôr do sol com você – diz ela rindo
–Então vamos!
Eles então se sentam no mesmo lugar da noite passada, naquele lugar com uma vista tão perfeita.
A janta de Eduardo é um saquinho de rufles, enquanto a de Rafaela são algumas frutas.
–Quer um pouco? – diz eduardo oferecendo seu salgadinho a ela.
–Não obrigada, quer alguma fruta?
–Não – reponde ele rindo.
–Então, prefere uma noite de lua cheia ou um pôr do sol como este?
–Para mim os dois são incríveis, na verdade os três.
–Três? – pergunta Eduardo.
–Sim, o pôr do sol, a noite com lua cheia e você.
–Eu?
–Sim, se não fosse por você eu estaria dentro de um quarto sujo, escuro e frio.
Os dois riem enquanto olham para o sol, que fica menor a cada minuto que se passa. Rafaela apoia sua cabeça no ombro de Eduardo, este que passa seu braço ao redor dela.
Juntos, os dois permanecem ali até que o sol tenha sumido completamente.
–Vamos entrar? – pergunta ela.
–Vamos sim – reponde ele – preparada para receber um olhar desconfiado de todo mundo, por estarmos sozinhos aqui fora até esta hora?
–Não ligo para isso.
Junto os dois entram na casa, e a todos olham para os dois, que seguem em direção a escada sem se importarem.
–Já vai dormir? – pergunta Eduardo.
–Vou ler um livro e depois tentar dormir sem ser incomodada.
–Bons sonhos – diz Ele lhe roubando beijo logo em seguida.
Depois de ter desejado boa noite a Rafaela, Eduardo resolve ir ao primeiro andar junto a todos. La ele senta próximo ao lado de Pedro.
–E ai. – cumprimenta Eduardo
–E ai cara, tudo bem?
–Sim e você?
–Estou bem também. Ei, o que está rolando entre você e a Rafa?
–Nada muito sério – responde Eduardo rindo.
–Sei – responde Pedro em tom de ironia.
***
Naquela noite tudo parece dar certo, todos já estão dormindo, conseguiram bastante suprimentos, graças a espuma coletada nos bancos do ônibus, eles conseguiram deixar melhor o chão para dormirem; as coisas parecem que estão se acertando finalmente. Ali eles tem uma chance de sobreviver.
Pelo menos é isso que o professor imagina. Mas não se preocupe, essa ideia vai abandonar a mente dele muito em breve.
***
Desde o ocorrido com vitória na noite passada, ela não consegue mais ficar olhando para a janela o tempo todo, porém hoje ela está sem sono, e novamente a lua está bonita.
Neste momento ela está em pé e bem acordada, olhando através da janela, toda a paisagem que se estende pela frente da casa.
Mas em certo momento, Vitoria se assusta, ela vê um homem, de roupa preta, se aproximando da casa. Rapidamente ela veste seu tênis e, rapidamente, o corredor escuro ela atravessa e quando chega na escada, ela para e apenas fica ali no cantinho observando.
O homem abre a porta e entra na casa, anda em direção ao quarto onde o professor dorme. Vitoria ouve alguns grunhidos e alguns segundos depois vê o homem arrastando Vitor para fora da casa. O que ela também observa é que a cabeça e o corpo de Vitor estão meio moles, ela prefere pensar que ele apenas desmaiou.
Depois que o homem bate à porta, Vitoria corre para o quarto do professor, este que dorme como se nada tivesse acontecido.
–PROFESSOR ACORDA. ACORDA – diz a garota balançando fortemente o professor
–O que houve? – acorda o professor assustado.
–Paulo levou o Vitor embora.
–Quem é Paulo? E espere ai. Fez o que? – pergunta o professor levantando e constatando que Vitor realmente não está ali.
O professor rapidamente sobe a escada da casa e abre a portinhola para o sótão. Ele pega a lanterna e rapidamente pega a arma, e desce do sótão.
O barulho causado pelo professor acorda todos.
–Não deixe que ninguém saia daqui.
Professor sai com a arma e a lanterna em mãos. Ele segue as marcas no chão. O homem está arrastando Vitor.
Dentro da casa, Eduardo não sabe o que está acontecendo, mas sabe que é algo sério. Ele saca seu canivete que estava escondido em calcanhar, ele não queria ter de usar, mas aquilo era sério.
Sem ser avistado Eduardo sai da casa e corre por entre os rastros, ele corre como se não houvesse amanhã, pulando raízes e pequenas plantas.
Em certo momento ele vê um homem com camisa vermelho escuro correndo por entre a mata, com uma lanterna e uma arma grande em mãos. Porem aquele cara não carrega ninguém consigo.
–Professor? – pergunta Eduardo
–Por que esta aqui fora? Falei para ninguém sair da casa.
–Vou te ajudar.
Eles seguem rapidamente por entre os rastros. Quando de repente Eduardo avista um vulto ao longe.
–Ali. — Aponta o garoto.
Porém eles estão muito longe, e em certo momento os rastros simplesmente acabam.
–por onde ele foi? – pergunta o professor desesperado
–Não sei.
–DROGA.
De repente eles ouvem um barulho próximo na folhagem e rapidamente se assustam. Porém são apenas pássaros.
–Vamos voltar, não podemos nos perder, e além disso, vai que ele volta para a cabana.
Inconformados os dois voltam para a casa.
–Eu não acredito que isso aconteceu bem na minha frente, eu estava no mesmo quarto que Vitor, como posso não ter notado isso – diz o professor bravo consigo mesmo.
–E esta arma? Onde o senhor conseguiu?
–Encontrei no porão, estava mantendo em segredo pois imagine se algum aluno coloca as mãos nisso – reponde o homem.
Professor nem chegou a notar o canivete que Eduardo tinha em mão quando os dois se encontraram, este mesmo que Eduardo já guardou novamente. Ele não quer que absolutamente ninguém saiba da existência do canivete. Ele se sente melhor assim.
***
Ali dentro da casa o clima é tenso, ninguém abre a boca para nada. Todos estão com medo e confusos; ninguém acredita que um homem entrou ali e simplesmente sequestrou Vitor.
E para ajudar Rafaela está procurando por Eduardo em todos os quartos. Ninguém viu ele.
–Alguém viu o Eduardo? Ele também sumiu – diz Rafaela para o grupo.
–Ele não está em nenhum quarto? — pergunta Jackelyne.
–Não – diz Rafaela, com os olhos se enchendo de lagrimas.
–Droga!!! – exclama Pedro.
De repente os alunos ouvem passos vindo do lado de fora da casa, e o silencio toma conta da casa.
A porta se abre e todos olham em direção a ela. É Eduardo e o professor, a única coisa de estranho é que o professor está carregando uma arma grande.
Rafaela corre e dá um abraço bem apertado em Eduardo.
–Eu fiquei preocupada. Da próxima vez que quase me matar do coração, Eu te mato – diz ela rindo.
O professor passa através de todos e vai para seu quarto; ele guarda a arma embaixo de sua blusa e bolsa, ele precisa arrumar outro lugar para ela urgentemente.
Já na sala Ana pergunta:
–E o Vitor? Cadê ele?
Eduardo abaixa a cabeça e diz:
–Nós não o encontramos.
Ana se vira e sobe correndo para o seu quarto, antes de ir dormir ela tinha colocado o diário em baixo da espuma do banco onde dormiu, e é em direção a ele que ela vai.
Ela chega até o local onde dorme, mas o diário não está mais ali. Ela não mexeu, ela não viu ninguém mexer. Há algo muito errado acontecendo.
Fale com o autor