Os detalhes daquela noite nunca serão esquecidos, será como o sangue de um rei, passado de pai para filho e ela permanecerá sempre no coração de todas as crianças, o conto de um jovem caçador, aquele que sempre protegeu os mais fracos, que sempre seguiu o código.

A lua estava cheia aquela noite, as nuvens se vangloriavam sobre o alto céu, a luz pálida da lua invadia meu quarto pela grande janela, o vento uivava e chicoteava ferozmente as paredes do castelo, meus aposentos ficavam logo abaixo dos de meu pai, o rei, levantei-me de minha cama e fitei o vaga-lume que penetrava meu quarto pela janela e voava ate minha escrivaninha, nenhum inseto conseguiria subir tão alto naquela noite de ventania forte, mas aquele não era qualquer inseto, aquele era o mensageiro da ordem de prata, me dirigi ate ele e ele voou ate meu dedo, o acheguei ate meus ouvidos e escutei a mensagem, o coloquei de volta sobre a escrivaninha, a hora estava se aproximando eu caçaria aqueles que me caçavam fora das muralhas, eu honraria minha linhagem essa noite, eu me tornaria um verdadeiro Argent.

Elevei minha mão ate a pena sobre a escrivaninha e molhei sua ponta no tinteiro, e então escrevi sobre a parede ao lado “Prata”, letra por letra foram desaparecendo como se fosse sugada pela parede então os blocos começaram a se movimentar e como um quebra cabeça desmontando a parede se desfez, então um enorme tablado de madeira foi empurrada aonde em poucos segundos era a parede de pedra, pendurado sobre o tablado havia uma aljava de couro cheia de flechas, um arco de madeira recurvado cujas pontas era de prata e afiadas como lâminas, ao lado do Arco se encontrava um peitoral pesado de bronze e acima dele uma capa estendida, a capa era marrom acinzentada e bordada a fios de ouro um desenho de um caçador erguendo a cabeça de um lobo sobre a montanha.

Fui ate meu guarda rouba me despir de minhas vestis de dormir e vestir as mais confortáveis para a caçada, coloquei o peitoral e prendi a capa sobre mim, ao abotoa-la o botão parecia uma moeda cujo estava escrito “Nous protegéons les faibles” ao ler aquela mensagem, recordei-me que desde pequeno não houve um só dia em que meu pai não a recitasse para mim, gritei para dentro de mim para que me alma escutasse e que jamais restasse dúvidas EU PROMETO. Sentei-me sobre a cadeira da escrivaninha e calcei minhas botas, coloquei as luvas de couro bordado com o brasão de minha casa em fios de prata, a luva se estendia de meus dedos ao cotovelo, pendurei a aljava sobre meus ombros, peguei o Arco com cuidado o apreciando, andei ate o parapeito de minha janela e subi sobre ela. Meu quarto se encontrava na torre norte, de lá via se a bela paisagem das colinas ao reino do lado e o lindo bosque de pinheiros depois da muralha, lá em baixo o vento rugia como um leão balançando os pinheiros freneticamente para ambos os lados direito e esquerdo, os mais fracos já haviam se partido, a luz pálida da lua tocou em minha face meus olhos passaram de um azul céu para um prateado nebuloso, agauchei-me sobre o parapeito e observei o bosque, então algo mais alto que os rugidos dos ventos me chamaram a atenção, aquele era o sinal, a caçada começara, os lobos uivavam.