A caça ao dragão de fogo
6 Guilherme, O mercador
Notas iniciais
Cerca de trinta e seis anos antes, em uma casa qualquer à beira mar, uma mulher deu à luz a uma criança, sua pele, branca, levemente rosada. Ele dormia pacificamente
Sua mãe, uma plebeia, sorria para seu filho, sentindo que ele faria coisas grandes ao seu lado, o pai da criança, um pescador olhava orgulhosamente para a criança.
— Que nome damos para ele?— Pergunta a mãe, Maria
— Há alguns anos, eu tive um sonho, um rapaz de cabelo azul, e roupas estranhas, me disse para nomeá-lo de Guilherme, significa “aquele que protege".— Diz o pai, José Pedro — eu sei que você fará algo grande rapaz.
Enquanto o jovem crescia, junto com a mãe, ele aprendeu a comprar alimentos na feira, ele sempre teve sorte, o que ele comprava, ou estava em um estado bom, ou, era logo em seguida comprado por um nobre que queria exatamente aquilo, com o pai, ele aprendeu a controlar um barco, e pescar.
— Então, segundo a lenda, O Deus do mar, Poseidon enviou Serpentes marinhas gigantes, chamados Drake para aqueles que ferem seus adoradores.— dizia o melhor amigo do pai, Adalberto
— Uau, incrível tio— diz o garoto sorrindo e olhando para o mais velho com brilho no olhar
— Eu sei, já pensou em entrar no culto do Poseidon?
— Adalberto…— José fala aparecendo atrás do filho e do melhor amigo — o que eu falei sobre tentar convencer meu filho a entrar no seu culto?
— Hehe, me pegou.— o homem se levanta enquanto o amigo suspira— então, vamos pescar logo.— Guilherme olha para o mar, se levanta e joga a rede à bombordo do barco, a rede fica subitamente pesada, Os dois adultos rapidamente puxam e é tanto peixe que parece que o milagre que o Santo Cristo fez quando conheceu São Pedro, São Tiago e São João, a diferença, é que era a sorte absurda, quase sobrenatural do garoto.
Ao voltarem mais cedo para a vila, eles salgam os peixes, e o garoto resolve vender alguns, 5 cobres por 3 peixes, e 10 por 6 cobres.
As pessoas rapidamente compraram.
Em um dia, ele ganhou o equivalente a 20 pratas –após os tributos, e dízimo, claro–
Assim, a vida dele seguiu, aos 13 anos, ele era conhecido na região, inclusive, sua sorte anormal, chamava a atenção da igreja, que achavam que ele era um amante do diabo, mas como toda liturgia ele estava lá, rezando, então rapidamente, eles mudaram de ideia, em grande parte, graças a sua sorte.
Mas um dia, ele e Adalberto saem para ir para a capital do império, Constantinopla, era a primeira vez que Guilherme saia de sua cidade natal, Trebizonda, claro, junto de uma caravana, por segurança. Mesmo que eles não precisassem
A viagem foi a mais tranquila da história, não houve imprevistos, nem nada do tipo. A incrível sorte dele, atingiu a todos na caravana, no caminho, eles encontram Âmbar e Mel.
Após dias de viagem, eles chegam aos enormes portões de Constantinopla.
Ao olhar para as enormes muralhas da capital que pareciam tocar o céu, pela primeira vez, ele se sentiu pequeno. As muralhas eram opressoras, ele se sentiu insignificante, sua altura era tão grande quanto, não, maior que a Panagia Chrysokephalos, aquilo o deixou com medo, mas adalberto conseguiu acalmá-lo
— Relaxa, vai dar tudo certo.
— tem razão…Eu consigo!
— ISSO AE GAROTO!!! VAMOS LÁ!!!— a carruagem anda mais um pouco e eles finalmente entram pela porta de São Romano, os guardas viram tudo que eles tinham, e os deixaram passar sem problemas.
Ao entrar, a primeira coisa que ele viu, não, ele sentiu, foi o cheiro. Sua vila cheirava a fezes e peixe, era o cheiro que basicamente ele entendia como comum em todas as vilas, ou aldeias, era isso. Mas não, o cheiro da capital era de incensos, e especiarias tão cheirosas que nada do que ele viu se comparava. Não havia o cheiro ruim era simplesmente
— Wow…
— Sim, eu sei. Incrível não é?
— Com certeza.— Ele olhava ao redor com fascínio, então acaba trombando, e empurrando um cavaleiro, este que caiu diretamente ao chão. Sua capa levantou e foi possível ver um brasão de uma família nobre, a família Focas, e em sua cintura um pequeno broche de ouro, ele não era qualquer cavaleiro, mas sim um Protospatharios¹.
pelo tempo de uma oração jaculatória², tudo fica em silêncio, todos param de andar e encaram a cena, o silêncio foi tanto que por um momento até os pássaros pararam,foi então que ele acabou sendo quebrado não por um grito de ódio ou uma ordem de execução imediata, mas sim pelo barulho de madeira caindo de uma das sacadas das casas. Exatamente onde ele estava a poucos segundos antes
O Cavaleiro em silêncio ao perceber que quase morreu, se levanta e estende a mão ao jovem, e estende a mão para o garoto. — Obrigado, você me salvou. Eu me chamo focas. Sou um oficial do palácio imperial. E como retribuição por salvar minha vida,vou lhe conceder um desejo. Diga-me. O que desejas e eu considerei.
O jovem comerciante Guilherme em choque e gaguejando responde — M-minha p-própria guilda de comércio…
— Pois bem, é isso que lhe entregarei a minha autorização, diga que Bardas Da família focas lhe deu a autorização.
Após esse dia, a sorte dele começou a aumentar de forma constante.
Tudo que ele fazia dava lucro,de uma forma anormal.
Aos 20 anos, ele foi para a Índia em busca de mercadorias, no caminho encontrou um homem ferido no mar.
Antes de falar qualquer coisa, para ele o tempo para, de um momento para o outro o comerciante se depara com uma dimensão vazia
— Onde eu
— está? — uma sombra se materializa na frente dele, que se transforma em um jovem de cabelos azuis, e pele negra aparece,a voz dele é estranha,como se estivesse sobreposta. Em seu anelar direito ele tem um anel aparentemente feito de ouro, seus olhos são castanhos.
— Quem é você?!— o comerciante pergunta para o ser à sua frente
— Me chame de Aethon, eu te convidaria para sentar mais, sabe, aqui nada existe. Além de nós é claro
Olhando ao redor, o Senhor Guilherme nota que é apenas um lugar branco.
—...o que é você? O demônio?
— hehe, não, não mesmo, sou só alguém que precisa de uma resposta.
— Resposta? como assim?!
— Isso mesmo, uma resposta, e tudo vai depender de sua escolha, salvar ou não o homem no mar que você viu. Caso salve ele, você morrerá, sua tripulação também, e sofrerá damnatio memoriae, tudo que você construiu não existirá nos documentos, mas em troca, isso existirá — de repente eles se encontram em uma colina, e guilherme começa a ver os aviões, casas, carros, tecnologia tão avançada que o deixou boquiaberto— porém, claro, não existe apenas coisas boas— a imagem muda, hitler aparece, guerras, fome, pragas e doenças, e crimes tão bárbaros que chocaram ele ao ponto de vomitar.
Se recuperando parcialmente, o comerciante volta a falar — e o que acontece caso eu ignore?
a entidade apenas abriu os braços — seu universo vira isso, um vazio branco eterno e imutável. Onde nada nunca existiu.
assustado, o comerciante volta a falar — se o que eu escolher, eu vou me lembrar depois? — o jovem negou com a cabeça. Suspirando, o comerciante tem sua decisão tomada.
retornando ao mundo real, sem saber que sua próxima decisão seria a mais importante de sua vida
— HOMEM AO MAR! RÁPIDO,AJUDEM!— ordenou o jovem, enquanto jogava uma corda no caido
Ele havia salvado o homem. Que se apresentou como Ricardo um mercenário.
Um ano depois um boato novo começou a surgir, sobre um anjo que veio à terra. e tem um filho, provavelmente era mentira
e assim sua vida se passou, ele teve filhos e netos, e aos 36 anos resolveu dar uma ajuda a dois jovens para chegarem a éfeso
Afinal, o que poderia dar errado, não?
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