A busca pela Estrela Gelada

7 7. A estrada rumo ao desconhecido


Notas iniciais
Mais um capitulo saindo do forno para todos e espero que gostem :)

7. A estrada rumo ao desconhecido

O som do alaúde negro se misturava ao som dos cascos dos cavalos contra o solo. Rose observava Ulf enquanto ele tocava o instrumento com absurda maestria e enquanto isso escutava o resmungar constante de Lia:

–Como o rei pode ter feito isso? – a elfa reclamava enquanto observava a paisagem – Já não basta me mandar em outra missão ainda me mandar a cavalo, ele sabe que odeio andar a cavalo se não for dentro de uma carruagem, e ainda por cima manda uma novata numa missão para suposta-mente provar sua lealdade

–O rei tem seus propósitos e a missão nem é tão complexa assim, por mais que seja absurdamente importante e já disse isso antes – falou com calma o moreno guardando seu instrumento numa caixa negra cheia de desenhos de pessoas ao redor de uma fogueira, só então Rose percebeu que o rapaz carregava algum tipo de pingente no pescoço e ele a encarou quando percebeu ser observado – Você ainda não merece saber – disse Ulf calmamente se ajeitando sobre seu cavalo

Lia suspirava observando a paisagem e fazia truques com os dedos, gerando pontos luminosos e brincando com eles. Ela já sabia que sua pupila podia agora ver o Fluxo e sabia de quem era a culpa por não poder brincar por mais tempo com ela, mas no fundo não se importava com isso, naquele instante ela só não gostaria de estar ali.

O grupo estava próximo da metade da sua viagem quando os cavalos pararam para descansar e o grupo parou para um breve almoço sob uma frondosa árvore. Nada muito grandioso foi servido, os cavalos comeram ração e beberam água enquanto seus donos comiam pedaços de queijo, carne seca, arroz misturado a diversos legumes cozidos e um pouco de água para Rose e Lia enquanto Ulf bebia um fraco licor

A elfa se aproximou de sua pupila e puxou um cantil contendo um liquido que a garota identificou como sendo sidra que a loira bebeu em rápidas goladas deixando um pouco mais da metade do pequeno recipiente:

–Desculpe por isso – disse Lia se aproximando mais – Mas apenas o álcool pode acalmar minha raiva, meu pai me daria um sermão ou uma surra se me visse bebendo, ele dizia que o álcool só servia para enganar a mente e o corpo e apenas os tolos bebiam, Ulf sempre discordou disso e muitas vezes bebeu na frente do meu pai sendo punido por isso

–Quando ele começou a beber? – Rose perguntou, mas no fundo já sabia a resposta, Lola

–Você não prefere saber o significado do anel?

–Acho que sim – ela realmente queria saber mais sobre aquilo

–Aquela é a prova de quem ele é – disse a elfa suspirando e bebendo mais um pequeno gole da bebida – O anel é feito de ouro vermelho e na parte de dentro é tem uma citação na Primeira Língua, é a prova de que Ulf sabe o Nome do fogo, se você aprende o nome de algo de grande importância você ganha um anel daqueles, existe o do fogo que é representado pelo ouro vermelho, da água que é representado pela platina branca, da terra pelo adamantine, do ferro pelo ferro frio e o do vento pelo mithril, existem muitos outros, mas não saberia lhe dizer do que são feitos nem seus significados, mas saiba que deve se sentir honrada de andar com alguém que possuí qualquer um deles

–Eu me sentiria honrado se pudesse almoçar em silêncio – disse o moreno comendo com calma um pedaço de queijo e recebeu de resposta a língua da elfa para fora

–A garota pode saber disso, ela é minha pupila na Arte e na Nomeação

–Como vai ensiná-la Nomeação se você mal domina o Nome da terra que é o único que você já vislumbrou? – Lia botou novamente sua língua para fora e bebeu mais um gole de sidra

–Você se acha só porque sabe o Nome do fogo e porque tem uma peça de ferro frio pode me assustar?

–Também tenho um manto feito de sombras e uma espada que invoca chamas além de ter uma alcatéia de wargs a minha total servidão e outras coisas bem desagradáveis, o Nome do fogo é o que você deve menos se preocupar já que é o que eu jamais ousaria dizer

–Que seja – a elfa deu de ombros e observou o céu, odiava quando ele começava a jogar na cara dela alguns de seus feitos

–Você tem uma espada que invoca chamas? – Rose perguntou observando na cintura de Ulf uma espada guardada na bainha e lembrou de quando ainda estava na Terra a dois dias atrás e vislumbrou chamas antes de desmaiar envenenada

–Uma obra que apenas alguém que domina o Nome do fogo ou a piromancia seria capaz de produzir – disse Lia se virando na direção do moreno fazendo questão de mostrar que ela era a mestra ali e só ela deveria ensinar a moça – Nosso querido Ulf aqui treinou com os piromantes da torre flamejante depois que meu pai morreu

–E era melhor que a maioria deles já que na época eu já dominava o Nome do fogo, também treinei com os Mestres do Ferro por mais que não tenha aprendido o Nome do ferro e treinei com os Espadachins de Han Go Dan, tudo em apenas dezoito anos de vida

–Você se lembra ainda a ordem dos fatos da sua vida? – perguntou Lia esquecendo completamente de ficar brava com ele por ter ignorado seu pedido silencioso, ela adorava as histórias dele mais do que o odiava

–Primeiro domei o alfa dos warg, foi por isso que seu pai começou a me treinar, não muito tempo depois descobri as origens do meu sangue e sai numa missão com seu pai para testar os limites dos meus poderes, nessa missão seu pai descobriu o meu caso com Lola e morreu enquanto eu pronunciava o Nome do fogo – o rapaz fez uma silencio quase ritualístico e suspirou antes de continuar sua história – Depois matei o outro irmão do rei por ter causado a morte de Galamion e então me pus andar a pelo mundo

Rose escutava tudo atônica, ela sentia estar perto de algo grandioso, mas não conseguia tocar como se jamais fosse saber toda a história, apenas os nomes dos feitos do encapuzado:

–Pelas minhas andanças adentrei a torre flamejante, foi decepcionante, mas lá aprendi sobre a localização do reino dos gigantes e parti para lá subindo o pé de feijão gigante buscando o item que diziam estar em posse do rei, um mapa para o mausoléu do maior necromante da história, depois roubei aquele lich maldito e com sua capa me aventurei pelo mundo me encontrando com uma pessoa que me viu pela capa, um Espadachim Han Go Dan que me treinou na sua arte e me instruiu a procurar os Mestres do Ferro, lá treinei ainda mais e então voltei para o reino, cinco anos de treino com seu pai, e cinco anos de aventura pelo mundo, dez anos para ir de um humano dito com o filho do demônio para um dos maiores campeões que o mundo já viu

–Meu pai estaria orgulhoso

–De todos nós – o homem completou bebendo um pouco mais de licor e começou a ajeitar suas coisas enquanto comia um pedaço de carne

Em menos de meia hora o grupo voltou a estrada rumo aos arredores de Avalon buscar a fonte de uma nova dúvida na mente de Rose que se entretinha no momento com o levitar de uma folha que ela provocava com sua Vontade manipulando o Fluxo, algo que ela ainda não entendia perfeitamente, mas já era capaz de fazer com as rápidas que Lia lhe dera noite passada:

–Por que chamam o meteorito de estrela de fogo gelado? – perguntou a ruiva fazendo assim que sua folha voar mais longe do que gostaria e não foi capaz de trazê-la de volta com sua utilização de iniciante da Arte, já fazia quase duas horas de viagem agora

–Porque os humanos os chamam de estrelas cadentes? – perguntou Lia sorridente pelo fim do silêncio – Existe um bom motivo, em lendas antigas as pessoas diziam quando uma estrela caia era porque sua chama havia esfriado e o deus dos céus a expulsou do firmamento por sua fraqueza, então ela caia, uma estrela com a chama mais fria que deveria

–Uma chama gelada? – a elfa assentiu com a cabeça e Ulf soltou um som de escárnio alto o suficiente para as duas ouvirem

–Não é só isso – disse o encapuzado na frente do trio e sem se virar – Os Mestres do Ferro foram que deram esse nome e não pelo fato do fogo delas supostamente ter esfriado, mas sim porque era isso que esperavam encontrar dentro delas, fogo gelado

–Como assim?

–Quando se abre alguns cometas, meteoros e demais coisas que nunca aprendi a diferença é normal se encontrar ferro estelar, uma coisa que todo ferreiro busca e todo guerreiro anseia em sua arma, mas em alguns casos encontravam gelo e diziam que ambos eram resquícios do fogo que esfriara, quando esfriava demais virava gelo, quando esfriava em parte virava ferro que era negro porque tinha sido queimado pela chama que restara lá dentro e que sumiu escurecendo o ferro

O moreno olhou para o céu como se tentasse lembrar do seu passado e então voltou a olhar para a frente da estrada:

–Mas existiam aqueles que começaram a questionar o que aconteceria se a chama não tivesse esfriado o suficiente para virar gelo ou ferro, mas ainda assim tivesse esfriado?

–Aonde quer chegar?

–Os Mestres do Ferro começaram a buscar uma estrela que não tivesse seu fogo apagado, em busca de uma chama ainda viva, mas gelada, uma chama única que poderia ser utilizada para forjar coisas nunca antes feitas, talvez até uma nova forma de ferro frio pudesse ser desenvolvida e até novos metais pudessem ganhar suas formas “frias”

–Esse é o motivo do termo fogo gelado?

–Exato, um lenda muito antiga, com séculos de história, mas o pessoal gostou e a adotou como termo geral – o rapaz suspirou – Os Mestres do Ferro ainda o buscam e é por isso que estamos indo para esse local

–Para pegar ferro ou talvez gelo?

–Não, Rose – disse Lia suspirando e vendo que já estavam próximos do local e o céu já entrava no crepúsculo, mais um atalho que pegavam, mais para preservar os cavalos do que a si mesmos – Para pegar o fogo gelado, dizem que lá pela primeira vez acharam uma estrela com fogo gelado ainda dentro

Notas finais
Reviews???