A bruxa e o caçador
2 Capítulo
Notas iniciais
Swirl sentava-se em um tronco esculpido e polido por seu pai, feito para servir de assento fora da nova casa. Perdido em pensamentos, absorvia os suntuosos olhos azuis da floresta que cercava sua moradia.
Quatro dias após seu encontro com a jovem, ele frequentemente se deparava com um semblante carrancudo. Seus pais e irmão acreditavam que sua tristeza era por não ter conseguido uma presa para o aniversário.
— Ainda furioso, mano? — perguntou Yeast, seu irmão gêmeo, que se sentou ao lado dele, pressionando a palma nas costas de Swirl. — Maninho, às vezes você é crianção. Não acha que está passando dos limites? Sei que é péssimo em perder, mas são quatro dias de cara emburrada. Dá um sorrisinho, vai.
— Yeast. — A pronúncia de Swirl saiu carregada de irritação, como se quisesse se afastar da paciência.
— Vim falar sério, nada de gracinhas. — Zoar o irmão nunca perdia a graça, mas Yeast começou a se preocupar com o mau humor prolongado. — Ano que vem, você decide tudo para o nosso aniversário. O que acha?
— Eu não estou nem aí pro aniversário. — Swirl bufou, levantando-se e empurrando o gêmeo para o lado. — Me deixe em paz.
— Se quiser conversar, lembre-se que sou todo ouvido. — Yeast exclamou, observando o irmão se afastar em direção à floresta.
***
— Sunset não está saindo para caminhar. — Screw comentou, preocupado, ao tio. Os dois consumiam a refeição da manhã, iluminados pela luz do dia que entrava pela porta aberta. — Percebi que ela anda preocupada. Acho que sabe que não conseguirá melhorar.
O pai da jovem bruxa olhou entristecido, rendendo-se:
— Sendo assim, não há jeito. Permitirei que meu pai faça o que for necessário. — Ele observou a pequena Flower brincar com uma boneca de pano na sala. — Sempre preservarei o bem para minhas filhas e a você, Screw, o único presente deixado pelo meu irmão.
— Obrigado, tio.
Sunset escutava a conversa deitada em sua cama, a porta do quarto permitia uma fresta e o som chegava nítido. Meia hora depois, saiu do seu humilde espaço.
— Bom dia, pai! Bom dia, primo! — Cumprimentou, esticando os braços para frente. Ao se abaixar perto da caçula, assoprou a bochecha pequena, pressionando os lábios na pele macia. Ouviu a gostosa gargalhada da irmã, que a abraçou no instante seguinte. — Bom dia, minha flor.
— Está se sentindo bem? — Screw perguntou, com um olhar indagador, enquanto a prima se juntava à mesa.
— Estou melhor, o fluxo dos meus dias íntimos diminuiu. — Respondeu ela, esboçando um tímido sorriso.
Os rostos dos bruxos ruborizaram. Era esse o motivo do comportamento diferente da jovem nos últimos dias.
— Penso em caminhar agora pela manhã, para compensar as noites que não fui. — Sunset comentou, ensaiando um bocejo.
— Que ótimo, filha. Não se esqueça de mudar a cor de seus olhos.
— Não esqueço, pai.
***
A jovem bruxa vagava temerosa pela floresta, pensando em escolher um caminho diferente, mas temia encontrar aquele caçador e correr o risco de se perder se precisasse fugir. Preferia seguir pelo caminho que já conhecia.
Uma pequena pedra voou em sua direção e se perdeu no mato ao cair.
Com cuidado, Sunset se moveu para espiar de onde a pedra viera. Ao abrir espaço entre os arbustos, avistou um enfurecido loiro chutando tudo o que encontrava no chão, principalmente pedras.
— Porcaria! — exclamou, mandando outra pedra para longe. Respirou fundo, tentando se acalmar. Sua quietude deu espaço para captar o som de uma criatura próxima.
Por um instante, a bruxa achou que tinha sido descoberta, mas o caçador pegou seu mosquete, que repousava nas raízes de uma árvore, e rapidamente se escondeu atrás de uma rocha.
— Ele é muito lindo... — murmurou o loiro, encantado.
Sunset arregalou os olhos ao reconhecer que ele pretendia matar um cervo. O quadrúpede possuía chifres brancos, maiores que o comum, e seus olhos eram verdes-acinzentados, diferentes da espécie.
— Levitate et Levitis me levitated. — sussurrou a bruxa, tentando levantar um tronco caído a dois metros atrás do caçador. Contudo, as palavras não surtiam efeito, pois era necessário pronunciá-las em voz alta. — Levitate et levitis me levitated!!!
Gritou, cheia de fervor.
Swirl se desconcentrou ao ouvir a voz feminina. Virou-se, procurando a dona daquela voz, mas, de repente, um tronco caiu e atingiu seu rosto. Ele despencou no chão.
— Ai... foi... — Largando a arma, Swirl ergueu-se, zonzo. — É... é você, anjo? — indagou, massageando a testa.
"Anjo?" A bruxa, ainda escondida, refletiu: Desde aquela noite, ele ainda pensava que ela era uma criatura divina.
— Eu não contei a ninguém sobre você! — o jovem caçador afirmou, suportando a dor. — Por favor, não tema. Quero muito conhecê-la!
O silêncio durou trinta segundos. Ele olhou atentamente ao redor, buscando qualquer sinal do anjo.
— Swirl!
O chamado ecoou, fazendo o jovem caçador praguejar.
— Merda! É meu irmão. Veio atrás de mim... desgraça... — Ele juntou sua arma e girou lentamente nos calcanhares, fazendo mais uma observação. — Hoje irei ao lago à noite. Por favor, me encontre lá. — Implorou, sua voz carregada de expectativa. Aquela doce voz, não foi sua imaginação. De algum lugar, seu anjo falou e o observava, tinha certeza.
— Swirl! — o chamado soou mais uma vez, indicando que Yeast estava mais próximo.
— Tenho que ir... Peço mais uma vez que vá. Prometo que não levarei minha arma. — Ele não queria assustá-la.
Depois da partida do loiro, a bruxa permaneceu escondida entre os arbustos.
— “Swirl”.
***
Sunset passou o resto do dia duvidando se deveria ir ou não ao lago. Considerou que, se o caçador tivesse falado sobre ela para outras pessoas, uma multidão já teria aparecido à sua porta. Seu primo, sendo um médico famoso, tornava-se conhecido por todos onde residia. Screw havia ido à cidade nos últimos quatro dias e, após seus retornos, não comentou nada diferente; a normalidade seguia.
— "Talvez eu consiga fazê-lo esquecer o que viu..." — pensou, mas logo percebeu que era uma péssima ideia. Apenas seu avô tinha experiência suficiente para mexer na mente humana. — "Ainda não cheguei a esse nível..." — Com seu razoável domínio de magia, poderia acabar bagunçando sua própria mente ou misturando-a com a de Swirl.
Ao anoitecer, decidiu ir ao lago.
***
Swirl chegou ao local marcado e avistou a bela moça de perfil, abaixada, lavando o rosto e coletando graciosamente água nas mãos, jogando-a suavemente sobre suas feições. Mesmo os movimentos simples dela pareciam encantadores ao caçador, que se sentia bobo apenas ao assisti-la.
Sunset percebeu sua presença pelo canto do olho e rapidamente se levantou, fixando os olhos azuis claros no caçador, que ergueu as mãos em rendição.
— Boa noite, eu vim me desculpar. — Ele se ajoelhou, colocando as palmas no chão e encostando a testa na umidade da terra. — Eu não queria espiar você, mas acabei fazendo isso... perdoe-me!
A bruxa o avaliou, surpresa pela ação. Passaram-se poucos segundos até que ela se assegurasse de que ele realmente vinha desarmado, como prometera pela manhã.
— Você não contou a ninguém mesmo...
Swirl balançou a cabeça, as mãos ainda espalmadas contra o solo. Ele percebeu o temor na expressão da jovem e, erguendo-se lentamente, admirou serenamente sua figura.
— Eu pensei em contar para minha família, mas depois conclui que não seria uma boa ideia. Eles não acreditariam em mim. Pensariam que estou inventando desculpas por ter perdido minha caçada. — A moça enrugou o nariz ao ouvir isso, e ele notou seu desagrado. — Você me impediu de atirar na criatura da floresta... é a mãe-natureza?
Quem dera! Pensou a bruxa, ao menos assim não seria caçada. Meneando a cabeça, apertou as mãos antes de responder:
— Você mataria o cervo simplesmente porque o achou bonito? Isso me enraiveceu. — Sua voz engrossou na última palavra. — Se fosse para sua alimentação, eu teria deixado passar... mas por pura estética... — Ela expressou seu nojo.
— Eu entendi... não farei de novo. — O caçador levantou-se devagar, notando a vigilância dela sobre seus movimentos, mas optou por permanecer onde estava. — Como aprendeu aquele truque de voar? — perguntou, sorrindo timidamente.
Sunset hesitou em respondê-lo, lembrando-se de que ele a viu nua, o que a fez corar violentamente. Swirl, por sua vez, também recordou daquela noite e ficou inquieto, sem saber onde focar o olhar, vermelho como um tomate.
Ambos compartilhavam um silêncio constrangedor. Quando a moça achou que o tempo sem falar era demais, decidiu tentar reatar um clima aceitável:
— Como qualquer outra bruxa aprende, a magia se manifesta quando o corpo e a mente amadurecem... — Ela percebeu a expressão estupefata do caçador.
— Você é uma bruxa? — ele perguntou.
A face dele ainda possuía um resquício de rubor.
— Desacredita? Mesmo depois do que viu? — ela retrucou.
— É que pensei que você fosse um anjo. — Swirl coçou a cabeça, envergonhado.
Primeiro um anjo, depois mãe-natureza... Ele a confundia com seres apaixonantes. Sunset aspirava ser um deles.
— Nunca vi uma bruxa antes. No meu antigo lar, me diziam que eram criaturas horríveis e que deveriam morrer.
O semblante de Sunset se decaiu.
— Eu não acho você uma criatura horrível! — ele se apressou em tentar consertar a situação. — Até agora, sou eu quem se comportou de modo horrível. — Ele se envergonhou.
A bruxa notou a mão enfaixada do jovem. Seria o ferimento da noite no lago? Quis tirar a dúvida:
— E-eu... posso ver sua mão?
O caçador olhou para a faixa e, confiando nela, assentiu, estendendo o braço enquanto permanecia de pé.
Sunset hesitou, corando. O belo loiro não demorou a atender seu tímido pedido. Ao se aproximar, tocou na mão dele, acariciando suavemente a faixa e recitando as palavras: “Sed sanabo contritiones”.
Concluída a ação, a jovem recuou dois passos. Swirl, sentindo a mão diferente, desenrolou a faixa.
— Que incrível... — Admirado, as pupilas de Swirl dilataram enquanto avaliava a região da pele antes ferida, agora totalmente limpa. — Não sei como agradecer!
Sunset negou, abanando as delicadas mãos diante do corpo, mas, após alguns segundos de ponderação, humildemente pediu:
— Apenas continue mantendo em segredo sobre mim.
O caçador mergulhou em silêncio, imaginando mil coisas sobre como a jovem se escondia dos humanos. Do que ela vivia? Com quem morava? Ou se habitava sozinha na imensa floresta. Nunca a vira na cidade perto de sua casa. Observando as copas das árvores, Swirl se refugiou em recordações de infância.
— Me falaram tanto que bruxas eram criaturas arrepiantes, soube de condenações ocorridas nas cidades vizinhas. Eu tinha medo só de pensar. — Suas palavras entristeceram a moça. — Estou feliz por hoje ter visto um exemplo que desmente tudo o que acreditei sobre bruxas. Sinto-me aliviado por nunca ter participado de uma condenação.
A jovem abriu a boca, mas as palavras falharam, emocionada ao ouvi-lo.
— Eu lamento pelo que você teve que passar. Se as pessoas a conhecessem, não a julgariam de modo cruel.
— As pessoas da minha antiga cidade me conheceram. Eu mantinha minha natureza em segredo, mas quando fui suspeita de bruxaria, me aprisionaram... minhas amigas não se salvaram... — A dor da perda emergiu em seu coração.
O loiro se via entrando em uma nova realidade e lamentava profundamente.
— Isso está errado. A humanidade comete um crime brutal. Temos que fazer algo! — Ele se revoltou repentinamente. — Se as bruxas são como você, as pessoas pecam matando-as em nome de Deus. Não creio em um Deus que aprovaria atos tão cruéis! — Agarrou os cabelos, visivelmente perturbado. — Você é um ser bom; eu posso saber só de olhá-la. Nós... temos que fazer algo. Eu quero fazer algo!
Sunset encontrou alguém que a entendia.
— E-eu o compreendo, mas não podemos mudar a mentalidade das pessoas de uma hora para outra... minha família me pede paciência... — Ela tocou os pulsos dele, e seus azuis se encontraram. — Você fez algo grande ao manter segredo sobre mim. Isso conta muito. Obrigada.
O caçador respirou fundo algumas vezes. O toque suave da bela o fez se acalmar vagarosamente. Quando conseguiu conter a revolta, comentou, abrandado:
— Acho que foi o reflexo do luar, mas naquela noite... seus olhos me pareceram duas luas...
A jovem esboçou um sorriso e deu um passo para trás, recitando palavras desconhecidas. Seus globos azuis tomaram uma coloração prateada.
— São lindos... — murmurou o loiro, completamente estático.
— Meu nome é Sunset... — apresentou-se.
****
Sunset e Swirl passaram a se encontrar todas as noites à beira do lago. No ritmo de se conhecerem melhor, inventavam atividades para fazer juntos: apreciavam o espetáculo dos vagalumes, que se assemelhavam a estrelas caídas, contemplavam as flores que se abriam exclusivamente sob o luar e competiam para ver quem conseguia coletar mais grilos, soltando-os ao mesmo tempo no final. Durante os passeios pela floresta, o estilo jovial de suas conversas fazia-os sentir como se fossem amigos de infância.
Certa vez, compartilharam segredos preciosos:
— Sob este solo, há incalculáveis fluxos de água. Eles são diferentes de outros que existem no mundo, porque aqui correm as vidas dos ancestrais dos bruxos da floresta, assim como as vidas de plantas e animais. Nós chamamos isso de correnteza das almas. — Sunset conduziu a mão aberta a poucos centímetros da superfície das águas cristalinas, fitando sua imagem refletida. — Uma das ramificações da correnteza se conecta com o lago, e almas passam por ele o tempo todo.
Swirl, sentado ao lado dela, absorveu o sentimentalismo da revelação. Ele acreditava na veracidade do que a bruxa lhe contava; sua mente se tornara completamente aberta após conhecer aquele ser divino.
— É magnífico saber que estou perto de várias almas. — Ele falava, achando difícil descrever a emoção que percorria seu corpo. Um pouco ruborizado, desviou a atenção para uma plantinha a trinta centímetros de seu quadril e estendeu a mão para brincar com suas pequeninas folhas. — Quando você dançava sobre o lago, ele brilhava mais.
Sunset rapidamente afastou a mão da água, fazendo-a perder o pouco de brilho que ganhava com sua magia. Encolheu as pernas, abraçando-as e escondendo o rosto atrás dos joelhos.
Mencionar o que ocorreu no lago trazia à tona o velho constrangimento. Eles não conseguiam se olhar nos olhos por mais de dois segundos quando o assunto surgia.
— É um ritual... para transferir minha energia à correnteza das almas através do lago. É uma forma de gratidão por todas as vidas que correm pelas águas, que são o maior suporte vital da floresta. É algo que me acalma... — Ela percebeu que, desde que conheceu o caçador, não havia realizado o ritual.
— Muito legal da sua parte. — Swirl soltou a plantinha e começou a coçar os joelhos por cima da calça, as pernas dobradas em um gesto de meditação. — É muito melhor do que ouvir que é um ritual demoníaco.
Sunset sorriu, às vezes duvidando da sorte de ter encontrado alguém que não fosse bruxo, mas que entendesse como ela se sentia e aprendesse sobre seu mundo.
Havia povos onde as mulheres dançavam nuas para homenagear o sol, outras acreditavam que dançar individualmente peladas em torno de um círculo, com uma planta no centro, traria a elas informações sobre o amante desejado. Esses e outros exemplos de rituais ligados à nudez carregavam significados únicos em cada civilização. Contudo, na crença da sociedade em que a bruxa vivia, tudo que fugisse do livro sagrado era considerado maligno, do diabo, das trevas, etc.
Quando Sunset dirigia seus olhos prateados ao caçador, via nele a esperança de um futuro diferente, onde as pessoas fossem mais tolerantes.
— Quando você morrer, sua alma se juntará à correnteza das almas? — perguntou Swirl, receoso.
— Sim... — respondeu ela, com um pingo de insegurança. Após os acontecimentos em Salém, viver a eternidade como parte da natureza que tanto amava parecia um destino honroso. Porém, no presente, essa ideia não lhe trazia cem por cento de satisfação. — E você? Gostaria de ter uma pós-morte tranquila na eternidade?
Swirl respirou fundo, esticando os braços para trás e arrastando as palmas no solo. Com a cabeça erguida, observava as estrelas, desdobrando as pernas à beira das águas. Embora sua resposta viesse calma, um desespero o consumia por dentro.
— Nunca contei a ninguém, mas o que vem depois da morte me assusta. Quando eu era criança, ouvir que viveria eternamente em um paraíso ao lado das pessoas que amo me confortava. Mas agora, com tudo que acontece, não sei se iremos para esse lugar que dizem ser maravilhoso. Não consigo enxergar um propósito... viver sem objetivo em uma calmaria infinita... para mim, isso é tão assustador quanto ir para o que consideram inferno. — Ele sorriu, mesmo sendo alvo de uma torrente de perturbação. — Eu pareço louco falando isso? Sinto-me em pânico.
Calmamente, a linda moça negou e se aproximou dele, colocando as mãos nos lados do pescoço, subindo o toque para as laterais do rosto quente.
Prolongaram-se em um silêncio onde apenas as expressões dialogavam. A bruxa deu a ele o tempo necessário para recuperar-se do pânico e respondeu:
— Estamos incertos quanto aos nossos destinos, e é normal ter dúvidas. As pessoas alimentaram a crença de que as bruxas são seres maléficos por tanto tempo. Você está vendo que não são, então quem pode garantir que os humanos estejam certos sobre o que acreditam a respeito do que vem depois da morte?
O caçador, pensativo, foi envolvido pela tranquilidade que o gesto carinhoso e as palavras reconfortantes da bruxa proporcionavam. Ele segurou os pulsos dela e sorriu, recebendo o mesmo gesto em troca.
Os centros de suas testas se uniram, e, apesar da vergonha de exibir tamanha intimidade, permaneceram assim.
— Além da vida das plantas e animais, apenas as almas dos bruxos da floresta fazem parte da correnteza das almas?
— Sim...
Ambos fecharam os olhos.
Ambos ouviram o ritmo de suas respirações.
— Eu queria que fosse possível eu ficar perto de ti... nossas almas correndo sem parar, contribuindo para a vida da floresta, contanto que estivéssemos juntos... seria o destino perfeito... — As palavras de Swirl saíam como preces.
— Eu também... eu também... — repetia baixinho a bruxa, passando as mãos nos cabelos loiros dele.
— Swirl!!!
Os dois abriram os olhos e se afastaram rapidamente um do outro, buscando se colocar em pé.
— É a voz do meu pai. — Ele falou, soltando alguns resmungos em seguida.
— E-ele o seguiu?
— Estávamos caçando juntos antes de eu vir para cá, mas avisei a ele que voltaria para casa porque estava tendo dor de estômago.
— Como estão indo suas caças?
— Boas... eu caço um animal por dia, apenas o necessário. Isso está irritando minha família, mas eu não ligo.
A bruxa sorriu; ele se esforçava pela natureza, e isso aquecia seu coração.
— Swirl!!!
No próximo chamado, o jovem caçador deu um selinho nos lábios rosadinhos da bruxa e saiu correndo, acenando para ela e se despedindo alegremente com palavras que a moça não entendeu, pois estava paralisada pelo carinho recebido. Tocou a boca com os dedos trêmulos e o coração acelerado. Foi quase o seu primeiro beijo.
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