A bloody romance
1 A bloody romance
Notas iniciais
Estavam todos na linha de partida, enfileirados um ao lado do outro formando uma meia lua em torno da cornucópia. Essa era a melhor hora para observar seu adversários, ou melhor, adversário. Um garoto lindo de óculos escuros do distrito 4. Ter uma crush no campo de batalha é terrível e ridículo, alem do mais você nem se lembrava do nome dele, apenas de seu distrito e do fato de que teria de matá-lo, ou seria morto por ele.
O garoto era loiro, seus olhos, que agora estavam cobertos por óculos escuros, eram vermelhos, um tom de sangue, como se ele só quisesse destruição. Mas você viu suas entrevistas, e no momento que ele foi escolhido, ele chorou feito um bebê. Seu coração dizia o contrário de seus olhos, bem, era isso que você pensava.
A buzina começou a tocar e você correu como se sua vida dependesse disso –e ela realmente dependia- sem parar na cornucópia. Tentando se enfiar na mata, você escorregou em algo. Sangue. Uma bola de canhão soou pelos ares, você seguia a trilha de sangue com seus olhos, ela levava a um corpo, você foi em direção a ele com esperanças de que não fosse o menino, e não era. Um alivio passou pelo seu corpo. Uma mochila estava posicionada ao lado do corpo, você a pegou e logo voltou a correr.
Depois de algumas horas caminhando, uma mão te puxou pelo colarinho e em fração de segundos te jogou ao chão. Você passou um tempo inconsciente e logo foi acordado, por um par de olhos vermelhos.
- Bom dia, flor do dia. – os olhos eram a única coisa não coberta pela claridade, e você sabia a quem eles pertenciam.
- Já é dia? – você perguntou levantando e sentando-se
- Ainda é dia mas não já. Eles gostam de prolongar o dia na arena. – Agora o corpo podia ser avistado, ele estava sem camisa e em seu abdômen havia um ferimento. Seus cabelos loiros estavam sujos de sangue assim como seu corpo
- Ah , não se preocupe, esse sangue não é meu. Esse é. – disse ele apontando para seu abdômen.
- Se quiser me matar, vá em frente. – você falou ainda sentado no chão
- Matar? – ele disse rindo – Eu quero me aliar a você. — Seu coração subiu até sua boca junto com um alivio por não ser assassinado pela sua crush — Então, o que você me diz? – ele perguntou lhe dando a mão. Você segurou a mão dele, e ambos foram procurar para um lugar onde passar a noite.
Aquela caverna era confortável, mas mesmo assim você não dormiu por medo de ser assassinado durante a noite. -
O que eu preciso fazer para você confiar em mim? – perguntou ele com uma voz de sono, todas suas palavras eram interrompidas por bocejos e seu rosto estava vermelho e amassado. Mas ainda sim lindo.Ele se sentou ao seu lado colocou a mão dele em sua perna, você estava vermelho e com medo de uma ereção. Ele sentava-se cada vez mais próximo ate você ser quase esmagado por ele e a parede. Os lábios dele chegavam cada vez mais próximos de seu rosto, você queria tentar desviar, mas uma de suas tentativas acabou em beijos com seu amor platônico, agora aparentemente recíproco. Por um momento esqueceram que estavam na arena e que TODO MUNDO PODIA TE VER!!! Ele se afastou mas continuou tocando sua cabeça.
- Todos podem nos ver. – você disse.
- Eles precisavam de um show. – ele te deu outro beijo – Agora confia em mim? Vocês terminaram a noite dormindo abraçados.
Na manha seguinte, saíram para buscar água, chegaram próximos ao rio e lá tinha duas pessoas, você queria recuar mas ele preferiu atacar. Você pegou a faca e ele seu arco, você foi por trás da menina e cortou-a jugular, ele atacou o que estava tentado fugir. Duas balas de canhão soaram pelos céus e 4 tributos carreiristas apareceram. Era uma armadilha. Ele tentou lutar, assim como você mas uma faca perfurou seu abdômen. Os carreiristas começaram a rir e foram embora, você tinha vontade de chorar, ate que percebeu que ele ainda estava vivo e o levou de volta a caverna. Ele sangrava em seus braços mas ainda estava consciente.
- Meu... m-meu nome é Dave – ele murmurava –É D-Dave... n-não quero morrer, n-não qu-quero morrer sem você s-saber m-meu nome
- Você não vai morrer – você chorava e suas lágrimas caiam sobre o corpo de Dave
- n-não se engane... me di-diga seu nome e me dê um bom beijo – de sua boca saia sangue. Você lhe deu um beijo, seus lábios estavam gelados e sua boca tinha um forte gosto de sangue.
- Meu nome é John. – você disse engolindo o choro
- John... amo John – essas foram as ultimas palavras de Dave, você deu um beijo em seus lábios mortos e fechou seus olhos, que agora nunca mais seriam abertos.
Uma bola de canhão soou pelos ares.
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