A biográfia de uma bruxa
1 Onde se nasce bruxa ?
Notas iniciais
Leia de preferência só , e concentre - se , deixe que a história de leve para os lugares que ela se passa , e não irá se arrepender .
Nasci da magia , concebida sob os elementos fogo , ar , terra ,água , no manto místico da noite me fiz mulher , bruxa ? assumidamente bruxa.
Fui Maria , fui Joana , Milena , Morgana, tive o nome que eu quis , usei as vestes que escolhi , fui o que eu nasci pra ser em um tempo que mulher não tinha que querer . Se me orgulho disso ? Não , não fiz mais que obrigação , eu fui o que eu tinha que ser , eu fiz o que eu tinha que fazer , e estou onde eu tinha que estar , pois o único que pode te levar em algum lugar é você mesmo . Fui criada pra ser bruxa , em uma terra de bruxas , entregue , e destinada a uma família de bruxos , mas não seria diferente caso eu fosse destinada a outra família , o destino colabora com as nossas tendências ,mas quando você tem de ser algo , você nasce , mesmo que demore a descobrir você é marcado , e todos os seus caminhos lhe direcionaram a sua missão. Meu horário de nascimento sempre foi um mistério , na realidade pouco se sabe onde nasci , ou quem foi minha morada temporária até meu nascimento. Meu pai , me lembro como se fosse hoje , mais cedo , horário que costumávamos a dividir um pão em três , minha mãe Cecília , meu irmão Vicente , e eu , quando nos contou pela última vez a nossa história. Era uma noite fria , o céu não tinha estrelas , nem nuvens , era tomado pelo negro breu , o vendo e seu assobio agudo , balançavam árvores , e jogavam ciscos pelo telhado da pequena casa fazendo barulhos nas telhas. Cecilia já estava a muito tempo com fortes dores , meu irmão parecia rejeitar -se a vir ao mundo , a parteira temia que ela não suportasse , era frágil , meu pai sempre dizia que ela era como uma flor , qualquer toque a machucava , seus gritos eram abafados e dolorosos , e meu pai rezava para que viesse uma menina , para dar continuidade ao nosso nome que já se extinguia , Cecília não tinha irmãos , Trevon meu pai , também não ,moravamos em um lugar onde tinham poucas mulheres um menino seria dificil para dar continuidade a nossa geração e diferente de todo o resto do mundo ,na bruxaria as mulheres são muito valorizadas . Meu pai contou pela primeira vez na quela manhã , que em um último grito de Cecília ouviu o choro agudo de Vicente , quando ele caiu sobre seus joelhos e agradeceu aos Deuses , nunca escondeu de nós a tamanha decepção quando a parteira anunciou que vosso filho era um varão. Em seguida a parteira disse que Cecília não poderia ter outro filho , questionou então os Deuses e pensou que ou estavam bravos , ou que seria um sinal para que ele arrumasse outra mulher , não era bom ser casado com uma infértil , acreditava — se que mulheres nasciam apenas para reprodução , e mesmo que a bruxaria nos engrandecese pela proximidade maior com as Deusas , os homens ainda sim eram soberanos , e acreditavam que a infertilidade de uma mulher era castigo . "Por que estão fazendo isso ? " Ele dizia de joelhos olhando para as paredes de pedra da casa, onde passavam pelas frestas da porta de madeira uma luz da lua cheia , única coisa que iluminava o escuro daquela noite "Eu queria uma menina " . Então a porta se abriu e um vento frio o jogou contra uma grande parede de pedras , e algo embrulhado em couro o motivou para que levantasse , apanhou o embrulho e fechou as travas da porta e subiu com o embrulho para o quarto. -Cecília como se sente ? -Perguntou Trevon colocando o embrulho aos pés da cama. -Tivemos um lindo menino , que nome quer chama — lo ? Trevon olhou a mulher fragilizada com a criança nos braços , mas nunca tinha pensado em um nome para menino , sua obsessão para uma filha era muito grande. -Escolha você -Respondeu seco.-Vicente -Dizia em quanto amamentava o pequeno . -Aquele que vence, vai te dar muito orgulho marido , vai vencer todas as batalhas. Trevon então se pois de joelhos ao abrir totalmente o embrulho , suas mãos tremiam e ele não conseguia dizer nada apenas chorava trêmulo .-Parteira , parteira -suplicava Cecília , a parteira que estava a porta do quarto em quanto lavava suas mãos ensanguentadas em uma bacia correu para ver se a mulher precisava de algo .-Veja meu marido o que houve ? A parteira então abriu a boca e passou as mãos ainda molhadas no rosto . -Santa Edvirgens. isso é impossível , dizia olhando para o embrulhado no couro . -Me digam o que aconteceu ? -Cecília tentava se levantar mas estava fraca. A parteira então retirou um bebê ensanguentado de dentro do couro , e o enrolou nos cobertores de lãs que fora utilizado para o parto de Vicente. -Trevon de onde saiu essa criança , ela não saiu de mim -Dizia Cecília assustada. -Isso é um milagre! -Afirmou a parteira entregando o bebê nos braços de Trevon . -É uma menina senhor . Ele apanhou a criança nos braços e no chão permaneceu , não disse uma só palavra , apenas olhava aquele bebê sujo de parto rescem feito , e o ninava, balançando.Meu pai me disse que na manhã seguinte deixamos aquela casa , dois bebês era raridade naqueles tempos ,e pela dificuldade para nascer a primeira criança o surgimento da segunda era pra todos um acontecimento divino ,ele dizia disse que a cidade se encheu de boatos, caso não tivessemos partido eu e meu irmão seríamos tratados como filhos de santos — fruto do milagre , mas não conhecido pelos mesmo ,prova viva da existência de uma força superior . — O filho do santo nem sempre é santo também , não é ?
Fomos para uma pequena cidade , eram dois dias de viagem da antiga que morávamos , foram as noites mais frias que meu pai já enfrentou em toda vida dele. O filho de uma vizinha era quem guiava o cavalo da própria família , um cavalo velho mas que ainda servia de transporte ,meu pai era um bom homem ,então Eleonor deixou que o filho nos ajudasse a sair da cidade , por gratidão , e por ser também filha de bruxos e saber que tal eventualidade não se tratava de milagre ou coisa parecida. Tratava — se de uma herança mística .
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