A biblioteca da escola pegou fogo!
11 Dia de quermesse
De todas as datas comemorativas ao longo do ano, a festa de São João parecia ser a mais importante para o colégio Batista de Mandacaru — que, inclusive, já foi chamado de São João Batista de Mandacaru quando sua principal função era catequizar povos indígenas lá na época da invasão europeia, mas isso é outra história.
As comemorações iam além dos muros da escola, claro, a cidade inteira se enchia de cores, luzes e música. O interessante é que, mesmo sendo uma comemoração de origem cristã isso não importava muito para pessoas que seguiam outras religiões, todos pareciam unidos pelo poder das comidas boas e do espírito festivo.
Mas nem o espirito festivo seria capaz de fazer com que Dennis desistisse daquele plano de vingança.
Tudo já estava planejado. Dennis estava encarregado de comprar uma discussão com Gabriel na frente de todo mundo afim de expor sua vida dupla — o garoto modelo que na verdade era um fumante descontrolado — enquanto eu teria que entrar sorrateiramente na sala dele e enfiar um maço de cigarro em sua mochila.
Era burrice. E além de irresponsável e perigoso era uma baita falta de maturidade. Mas era Dennis quem estava no comando e eu já tinha dado a minha palavra de que iria ajudar. Fora que, mesmo que eu não gostasse tanto da ideia de armar um barraco, Gabriel bem que merecia um castigo por tudo o que já tinha feito de ruim.
Só esse meu pensamento já era o suficiente para que o destino fizesse seu trabalho e me jogasse um castigo, mas até o momento eu estava preocupada com outras coisas.
Na manhã de sexta-feira, o dia da quermesse, fui à escola sentindo um desconforto que alguns poderiam chamar de pânico, e como todos os alunos voluntários já estavam na quadra ajudando na decoração e montagem de barracas, eu fui direto para a biblioteca, onde o grêmio já devia estar reunido para arrumar os toques finais do evento.
Mas quando eu cheguei — propositalmente atrasada — Gabriel não estava lá.
— Mia! Olha só o que a Vanessa arranjou pra gente usar! — Giselle me chamou, mostrando chapeuzinhos de palha decorados com fita em rosa e laranja.
Forcei um sorrisinho.
— Fofo.
Foi um erro. Eu já sabia que Giselle era extremamente observadora e mesmo assim me deixei levar pela decepção de não ter encontrado Gabriel logo de cara, se Dennis estivesse do meu lado provavelmente riria de mim.
— Não precisa usar se não quiser, tá? — Ela disse, toda meiga.
— Não, eu quero sim! Achei fofo. Só tô meio com sono porque não consegui dormir direito... cadê o Gabriel, hein? Ele nunca se atrasa.
Despejei tudo de uma vez de propósito — talvez com um pouquinho de desespero — só pra tentar descobrir em qual buraco Gabriel tinha se metido. E acabou dando certo.
— Ele disse que teve um problema em casa. Vem só de tarde — Giselle respondeu.
— Entendi — murmurei, pensando que talvez Dennis tivesse mudado os planos. — Eu vou ver se alguém precisa de ajuda na quadra, tá?
Eu já sabia que tudo daria errado ali. Gabriel com certeza sabia de alguma coisa e provavelmente era culpa de Dennis que não consegue ficar um minuto sem fazer merda. Por isso eu precisava encontrar ele o mais rápido possível.
Não precisei procurar muito, assim que pisei na quadra recebi uma mensagem dele.
Dennis Flores diz: Me avisa quando a reunião acabar, me escondi atrás da arquibancada.
Suspirei, pensando que o melhor a se fazer seria desistir. Mas não fiz isso, infelizmente.
Dei algumas voltinhas pela quadra só pra disfarçar e saí pela lateral, me espremendo entre uma goiabeira e uma pilastra até uma espécie de beco que existia pelo vão da arquibancada. Era um lugar até que bem interessante.
Dennis estava lá, claro, sentado no chão coberto de grama e de olho em algum joguinho no celular.
— Ele não veio, disse quem tá com problemas em casa — falei, me sentando ao lado dele.
Dennis suspirou, como se já esperasse aquilo.
— Maldito. A gente vai ter que apelar pro plano B.
— Que plano B?
— Improvisar — ele disse, como se não fosse nada.
Eu quase engasguei, até senti o refluxo na garganta.
— Como assim improvisar? Ficou doido? Vai enfiar o cigarro na boca dele e tirar uma foto?
Eu estava obviamente brincando, mas imediatamente os olhos de Dennis se iluminaram e eu vi que tinha cometido um erro terrível.
— É isso!
Então ele se levantou, se dobrando pra não bater a cabeça na arquibancada e quase pisando no meu pé.
— Isso o quê? — Me levantei também.
— Isso! Ele deve estar em casa, eu vou ver se resolvo isso e a gente já parte pro plano B hoje à noite — e então ele parou, virou pra mim e olhou no fundo dos meus olhos como se aquilo fosse a coisa mais séria que ele já tivesse feito. — Te falo os detalhes depois, mas dessa vez vai funcionar. Confia.
Eu havia recebido vários sinais que me imploravam para desistir daquele plano, mas nenhum deles foi tão forte quanto o olhar de Dennis me pedindo pra confiar nele.
Naquele momento eu tinha duas opções, confiar em Dennis e ir contra todos os meus princípios — veja bem, confiar em homens nunca deu muito certo na minha família, deu ruim pra minha mãe, pras minhas tias avós, primas, deu ruim até pra Vó Alice que é lésbica! — ou não confiar nele e ir pra casa viver a minha vida.
Mas, assim, eu nunca fui a pessoa mais sensata do mundo. Escolhi confiar nele.
Escolha horrorosa.
— Mia? Tá tudo bem?
Ouvi assim que cheguei na biblioteca de novo, não tinha mais ninguém lá além de Giselle.
— Oi, Gi... tá precisando de ajuda?
Ela negou.
— Pega aqui seu crachá. A Luzia disse que a gente já pode ir pra casa, mas temos que voltar antes das seis. E... o Lucas deu a ideia de a gente vir com uma camisa xadrez por cima da farda, pra ficar mais no tema. Você tem?
— Não... mas posso arranjar uma, sem problema.
Enquanto eu estava presa em pensamentos, Giselle chegou mais perto como se quisesse muito me contar alguma fofoca, e eu fiquei paralisada. Ela se encostou em uma das mesas e ficou olhando os livros todo arrumados por gênero, era como se estivesse procurando quais palavras ditar.
Durante aquele silêncio, acabei pensando em como eu estava perdendo tempo. Em como eu poderia ter dito o que sinto por Giselle há tempos, em como eu nunca consegui fazer isso por medo de ser rejeitada.
Ou o medo de ter certeza de que eu seria rejeitada. Então decidi não esperar mais.
— Gi...
— Sabe, Mia...
Falamos quase ao mesmo tempo, quase como se fosse um sinal divino me dizendo para não correr atrás da humilhação. Pelo menos não daquela vez.
— O quê? — Perguntei, antes que ela me perguntasse o que eu iria dizer.
— Ah... nada, eu só... fiquei curiosa — ela riu. — Tá rolando alguma coisa entre você e o Dennis?
De novo isso?
— Oi?
— Eu sei que naquele dia cê disse que não, mas já passou um tempo e eu fiquei curiosa de novo. Desculpa perguntar, não precisa responder se não...
— Tá sim — falei, segurando o riso.
— Sério?
— Aham. Tá rolando uma grande amizade — respondi, e Giselle logo revirou os olhos.
— Só amizade?
— Como assim “só amizade”? Amizade é muita coisa. Eu e o Dennis temos algumas coisas em comum e viramos amigos por causa disso. Ele até concordou em ajudar na quermesse hoje à noite!
Por algum motivo, aquela última parte pareceu deixar Giselle mais surpresa do que a ideia de ter algo romântico rolando entre Dennis e eu.
— Ele vai ajudar? O Dennis?
— Sim, ué. Foi isso que eu falei com ele antes dele ir embora.
Ela se calou por um tempinho, voltando a atenção pra estante de livros.
— É estranho, o Dennis nunca foi de ajudar nos eventos da escola... — ela sorriu. — Mas é ótimo, toda ajuda é bem-vinda.
Giselle continuava sorrindo, mas aquele sorriso não era dela. O sorriso espontâneo, cheio de vida e ternura não estava ali.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei.
Ela fez que não, mas então respirou fundo. Se preparando pra falar.
— Não, só... vocês parecem tão diferentes, mas tem uma amizade tão bonita... queria que fosse assim comigo e com a Emi.
Ah, Emily...
— Vocês brigaram?
Ela negou, por um breve momento achei mesmo que Giselle fosse chorar, mas então ela sorriu de novo. Um sorriso cinza, muito diferente dos sorrisos que ela costuma mostrar normalmente.
— Vou dar um pulo na quadra pra ver se precisam de ajuda, você vem? — Ela me perguntou, arrumando a postura, mas com aquele mesmo sorriso cinzento.
— Ah... não, acho que já vou pra casa... ainda tenho que arranjar uma camisa xadrez pra hoje...
— É verdade... então, até mais tarde?
— Até.
Eu não esperava voltar pra casa me sentindo melancólica, mas meu corpo estava todinho arrepiado quando vi Giselle sair da biblioteca e meu coração já tinha feito uma grande escolha.
O plano B não seria o único plano que eu teria em mente naquela noite.
O sol já estava se pondo quando nos reunimos novamente na biblioteca. Eu me tremia dos pés à cabeça. Já tinha trocado algumas mensagens com Dennis — inclusive pedi uma camisa quadriculada dele emprestada — mas ainda não tínhamos nos encontrado para que ele me explicasse os detalhes do maldito plano B.
E com o passar das horas, meu coração dava mais sinais de que eu não sobreviveria àquela quermesse.
— A gente pode deixar as nossas mochilas aqui mesmo na biblioteca, vai ficar tudo trancado, relaxa — ouvi Vanessa e Lucas conversando num canto e eu imediatamente me adiantei.
— Se vocês quiserem eu posso vir dar uma olhada de vez em quando pra garantir. Não tenho tanta coisa pra fazer como vocês.
Eles dois se olharam.
— Pode ser — Lucas disse. — A Luzia é capaz de me matar se eu sair de perto da barraca dela por um minuto que seja, essa mulher é fogo.
Respirei fundo, olhando as horas no relógio de parede da biblioteca a cada dois segundos. De alguma forma eu estava conseguindo controlar o pânico e todo a minha vontade de sair correndo dali.
Até que Gabriel apareceu jogando a mochila azul numa das mesas e dizendo que precisaríamos nos apressar.
— Mia?
Quase me joguei no chão. Ele sabe. Ele sabe. Ele sabe de alguma coisa e sabe que eu tô envolvida nisso!
— Oi?
— A camisa xadrez... cê conseguiu uma? — Ele perguntou bem calmo, o que me deu a permissão de respirar novamente, minha pressão quase caiu.
— Consegui sim. Pedir pro... pra Giselle trazer... — menti.
— Entendi. Falando nisso, cadê ela?
— Cheguei! — Giselle chegou, quase imediatamente, com a mochila e sacolas nos braços. O cabelo vermelho preso em duas tranças e uma camisa quadriculada cor de rosa por cima da farda. — Foi um sufoco! A corrente da minha bicicleta soltou no meio do caminho, mas tá tudo bem! Desculpa o atraso.
Depois de uma breve discussão sobre a cor da camisa quadriculada de Giselle — aparentemente todos haviam concordado que a cor padrão seria vermelho, mas nem mesmo Gabriel cumpriu aquela norma, já que estava com uma camisa azul — seguimos todos para a quadra.
Era realmente uma festa. Diferente de tudo que eu já havia visto. Tinha bandeirolas coloridas espalhadas por todos os lugares, enfeites feitos com EVA colorido e uma banda montava os equipamentos e testavam o som em uma das extremidades da quadra. Tudo era muito iluminado, alegre, festivo.
Os alunos voluntários e grande parte do corpo docente estavam cuidando das barracas — que estavam decoradas de acordo com seu propósito. Tinha barracas de comida (arroz branco com vatapá, canjica, pamonha e mugunzá), barracas de jogos, barracas de pipoca, barracas de milho. O cheiro era espetacular.
A quadra começou a se encher de gente, a banda começou a tocar e eu me sentei na arquibancada com a chave da biblioteca guardada no bolso da minha calça. Depois de observar o movimento da quermesse, eu me senti um tantinho emocionada. Todos os preparativos tinham sido muito cansativos, mas o resultado era aquilo: pessoas felizes, sorrindo e se divertindo juntas.
E eu poderia até ter chorado se não tivesse sido interrompida.
— Tá fazendo o quê? — Dennis apareceu.
— Aonde você tava? — Perguntei, me afastando pro lado pra ele poder se sentar.
— Toma — ele me entregou uma sacola. — Tive que passar na casa da minha mãe pra pegar.
Abri a sacola. Era a camisa xadrez vermelha que eu tinha pedido emprestado, com um cheiro de Dennis inconfundível. E, por algum motivo, isso me deixou sem fala, o que não foi um problema já que Dennis queria ir direto ao ponto.
— Tá com a chave?
— Tu quer fazer confusão agora? A quermesse acabou de começar!
Ele negou, sem expressar qualquer emoção.
— Agora não. Mas eu mesmo vou colocar o cigarro lá — quase suspirei de alivio. — E tu vai levar a mochila dele pra diretoria.
— Eu?
— Claro, se for eu o diretor Paiva não vai acreditar. É capaz de ele achar que a mochila e o cigarro são meus.
— O Gabriel vai saber que fui eu.
— Não vai. Ele vai saber que fui eu. Cê vai ser tipo o cavalo de Tróia.
Revirei os olhos, sem ter como refutar.
— Me devolve quando sair — falei, tirando a chave do bolso disfarçadamente. — Eu preciso fazer ronda na biblioteca de vinte em vinte minutos, vê se não demora.
— Pode deixar.
Depois que Dennis saiu da arquibancada várias perguntas surgiram na minha cabeça. Seria mesmo justo eu me meter numa briga que nem era minha? Seria justo estragar a reputação de alguém por causa de um desentendimento de família?
E outra coisa, o que aconteceria com Gabriel depois de tudo aquilo? Ele perderia o posto de presidente por estar fumando? Por que ele começou a fumar afinal de contas? Será que vale a pena estar do lado de Dennis numa briga em que ele está obviamente em desvantagem?
Seja lá qual fosse a resposta dessas perguntas, eu já tinha feito a minha escolha.
Tentei não pensar mais nisso, coloquei a camisa que Dennis me emprestou — com cheiro de canela, café e perfume amadeirado — e resolvi dar uma volta pelas barracas, pra tentar me acalmar. Fui algumas vezes até o esconderijo de Dennis, embaixo das arquibancadas só pra ver se ele já teria resolvido o plano B, mas nem sinal dele.
Até que lá pelas sete e meia, ele apareceu na arquibancada, no mesmo lugar de antes enquanto eu estava na quadra tomando um caldo e vendo as pessoas dançarem. Fui até lá e ele me devolveu a chave com um sorriso enorme no rosto.
De uma forma bem estranha, me senti cometendo um crime. E de certa forma, acho até que era um crime mesmo.
— E o que eu faço? — Perguntei, todo aquele sorriso no rosto dele me dizia que eu tinha que ficar com medo.
— Por enquanto nada... segunda-feira de manhã você vai na diretoria e fala que achou um maço de cigarro, um isqueiro e a identidade de alguém.
Gelei.
— Cara...
— Relaxa, é só falar que achou na arquibancada e que achou melhor levar pro diretor.
— Eu não vou fazer isso.
Então ele parou de sorrir.
— Por que não?
— Porque isso tá parecendo cada vez menos uma pegadinha e cada vez mais um crime. Tu pegou a identidade dele, Dennis, a identidade!
— E daí?
Eu me segurei pra não explodir.
— E daí que tu é burro! Quem vai acreditar que o Gabriel perdeu a identidade junto do maço de cigarro que ele tava fumando? Tu pelo menos abriu o maço pra fingir que ele fumou algum daqueles cigarros?
Ele ficou em silêncio. E eu respirei fundo. Realmente, foi um erro ter confiado nele numa tarefa tão complexa.
— Eu não vou fazer isso e ponto — falei, cruzando os braços fazendo questão de não falar mais nada.
Dennis ficou em silêncio também, mas nem a barulheira da quermesse foi o suficiente pra impedir que ele pensasse muito naquilo.
— Me dá a chave de novo.
— Pra quê?
— Vou colocar a identidade dele lá de volta — revirou os olhos. — E vou pensar em outra coisa.
— Não demora — falei. E antes que ele saísse, acabei jogando — vou falar pra Giselle hoje.
Ele parou no mesmo lugar, como se processasse a informação. Meu cérebro funcionava daquele jeito também.
— Hoje? Tipo, agora?
— Quando ela desocupar da barraca...
Por mais nervosa que eu estivesse, eu sabia que Dennis não era lá a pessoa mais sensível do mundo. E mesmo assim ele voltou, se sentou do meu lado de novo e apertou meu ombro, como que para me encorajar.
— Vai dar tudo certo.
Aquilo não era comum então, óbvio, precisei me segurar pra não rir.
— Não, não vai. Mas tudo bem.
— Do que cê tá falando?
— Eu só vou fazer isso porque eu sei que vou ser rejeitada. Eu já sei a resposta que ela vai me dar e eu só... quero comprovar. — Suspirei. — Já tenho o não, vou correr atrás da humilhação.
Dennis se afastou um pouco, olhando bem no meu rosto como se procurasse alguma coisa que confirmasse que eu estava brincando. E ele não achou.
— Tu é masoquista, é?
Revirei os olhos. Mas... é, talvez eu fosse. E não num sentido bom.
— Deixa a chave na porta da biblioteca e daqui cinco minutos eu vou buscar... o Gabriel já deve estar estranhando esse vai e volta.
— Me conta os detalhes da declaração depois — ele brincou, saindo da quadra aos pulos.
E logo foi a minha vez de encarar o destino.
Depois de algumas horas, o movimento já tinha diminuído bastante, e os voluntários já esvaziavam as barracas que seriam desmontadas no fim de semana. Eu acabei ajudando a levar e trazer panelas e juntar o lixo da quadra, até que tudo parecia estar sob controle.
Foi aí que eu vi Giselle completamente desocupada.
— Ei, Gi...
— Oi, Mia? O que achou da quermesse? Cansativo, né? Mas sempre vale a pena, eu não sei o que vou fazer quando a gente se formar e não poder organizar tudo.
Ela estava sorrindo. Era um sorriso muito parecido com o de costume, mas não era o mesmo.
— Giselle — falei, séria, tentando não atropelar as palavras. — Eu tenho que te falar uma coisa. Pode me encontrar na biblioteca daqui uns dez minutos?
Ela parecia confusa. E eu não posso culpá-la por isso, posso?
— Ah... tá bem.
— Beleza.
Beleza.
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