A beleza das pequenas coisas
1 I - Para Atlanta Claremont: Mais Bonito Não Há
Notas iniciais
Astória Malfoy sentia-se satisfeita com a sensação da terra escorrendo por entre os dedos. Chovera há pouco e, após uma longa estiagem, não pôde resistir de seguir para o jardim cuidar de suas preciosas bubotúberas. Estavam maduras, a gosma escorria pelo tronco. Seria um sacrilégio enorme se não recolhesse seu pus.Colocou suas luvas de jardinagem e espremeu seu pus, com o auxílio de um frasco de vidro, depositou todo o conteúdo dentro. Levou o frasco à altura dos olhos, a consistência estava conforme desejado. Jogou mais terra para as bubotúberas e regou com água.
Astoria sorriu consigo mesma quando virou as costas e se deparou com a imagem imponente de sua sogra a observando pelas janelas da Mansão Malfoy. A expressão dura e os lábios crispados eram sinal de uma repulsa pelo trabalho de Astoria. Para Lucius e Narcissa, o trabalho de Astória era inadequado para sua posição social. Uma botânica! Seu precioso filho casado com uma mulher que possui a mão cheia de calos. Era inadmissível! A morena acenou e Narcissa virou as costas imediatamente.
Astoria sorriu vitoriosa. Durante toda sua vida sempre lutou contra o tradicionalismo. Quando criança era recomendado que as meninas aprendessem poesia, música clássica e artes. Trabalhos refinados e condizentes com seus status de sangue. Astoria achava graça na terra, nas criaturinhas que moravam ali, no formato das plantas, das características de cada uma. Para o desespero de sua mãe. Na adolescência se envolveu com causas sociais, apoiou o movimento para libertação dos elfos domésticos e se envolveu com nascidos-trouxas. Já no início da vida adulta, se mudou para Londres e iniciou estudos no Instituto Mágico de Ciências Naturais, obteve excelentes notas e formou-se com louvor. Neste meio tempo, conheceu Draco e logo iniciaram um relacionamento, o ex-Comensal da Morte e estudante do St. Mungus. O relacionamento fora de idas e vindas, até que Astória aceitou se casar. Sabia que muitos nutriam uma imagem deturpada de sua personalidade, a rebelde sem causa, a menina rica que tinha aversão pelos bons modos. Em seu interior sabia que, inicialmente suas decisões eram feitas apenas para irritar os pais, mas com tempo notou que o tradicionalismo era uma cela para seu espírito livre e questionador. Encontrou paz no questionamento, em ir além das expectativas e de tudo aquilo que se espera de uma boa moça. A graça sempre foi ir contra.
Astoria era da natureza, das paisagens, dos campos. Era rústica, amava a sofisticação das pequenas coisas.
Fale com o autor