Acordar e não ver o sol nascendo era algo que Rhelly ainda não havia se acostumado, sentir o frio e ver apenas a escuridão com alguns traços de luzes e calor que emanavam das fogueiras. Ela sabia que não ficaria ali por muito tempo, os Outros estavam chegando e os selvagens, indo embora.

Levantou e foi falar com Sober sobre a longa caminhada do dia. Quando chegou ele estava amolando seu grande machado.

– Eu o conheço há anos e nunca o vi amolar tanto esse machado, do que você está com medo?- Perguntou Rhelly com um tom debochado. No fundo, ela sabia qual era a resposta.

– Estou me preparando para nossos futuros visitantes, eles estão perto demais, receio que os encontraremos hoje. — Disse ele, em um tom sério.

– Eles estão tão perto assim? Ontem eles estavam milhas de distância e estamos apenas a quilômetros da muralha.

– Eles se movem rápido demais. Você deve se preparar para hoje, pegue a sua espada e seu arco e vá se juntar com o povo — Disse ele, levantando e logo sumindo atrás das grandes rochas.

Rhelly nunca teve medo, mas era uma sensação que ela estava começando a sentir, e que não gostou nenhum pouco. Os Outros estavam perto e eles traziam consigo morte, e definitivamente, era o oposto de tudo o que desejava.

Depois de almoçar na escuridão do dia, ouviu as trombetas soarem e então entendeu que eles estavam perto e que era hora de juntar as armas e lutar.

Ela procurou Sober na multidão mas a única coisa que encontrou foi morte, sangue e frio. Com um archote na mão e a espada na outra , investiu contra o primeiro Outro, cravando a espada no seu coração e logo o mergulhando nas chamas.

O segundo era muito maior do que ela e com certeza mais forte do que o primeiro. Investiu contra ele, o feriu de raspão no braço, ele deu um grande golpe na sua coxa e ela pode sentir o sangue escorrendo por dentro de suas vestes. Pegou a espada e lutou, acertou uma, duas vezes, e ele não se feriu, então, lembrou-se de seu arco, jogou o archote no chão, pegou uma flecha, mergulhou-a no fogo e atirou. Ela pode ver apenas o clarão que vinha daquele rosto semi-desfigurado, mas o que ela menos esperava é que atrás dela haviam mais dois a espera de sua morte.

Quando virou, logo viu que não tinha a menor chance contra os dois, eram grandes e fortes. Desviou da investida do maior com a cicatriz no rosto, atirou algumas flechas em vão até que sentiu o toque de uma espada em sua barriga, era o segundo dando sua indesejada recepção. Lutou com todas as forças que tinha, mas sabia que ali era o fim, ela estava sozinha e machucada em meio ao seu povo morrendo, até que caiu, sentiu a neve nos longos cabelos prateados.

Quando acordou, olhou para o lado e viu seu amigo Sober, deitado, ferido e morto. Não sabia como foi parar ali, levantou com a cabeça girando, olhou para a paisagem, lá estava seu povo, todos mortos.

Deitou novamente, tentou pensar em uma maneira de sobreviver ou processar todos aqueles acontecimentos, mas a única coisa que ela sabia era que estava perdida e sozinha, precisava de ajuda. Então pensou na única coisa que alguma pessoa desesperada pensaria: ir para muralha tirar a sorte, poderia até sobreviver, mas quem garantia?

Então, juntou suas armas, pegou de Sober seu odre de água e começou a caminhada em direção a grande muralha, ou até mesmo, a sua morte.

Notas finais
Continua...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.