Notas iniciais
—Renê eu realmente não sei...
—Mamãe, vem brincar!
Isa entrou na cozinha inesperadamente, livrando Helena de responder aquela pergunta pelo menos por algum tempo. Ela ficou brincando com Isa na sala, até que Renê apareceu na sala para chama-las para jantar, ele mesmo havia terminado de preparar o strogonoff.
Sentados na mesa, Isa contava animada de uma nova amiga que havia feito na escola, Larissa. Helena e Renê estavam felizes por Isa, enfim, ter encontrado uma amiguinha com quem se identificasse.
Depois que o jantar acabou, Renê e Helena foram para sala, conversavam sobre coisas aleatórias e brincavam com Isa. Até que a pequena acabou adormecendo no colo de Helena, Renê levou a pequena para seu quarto e pediu para que uma de suas empregadas a olhasse, já que precisava levar Helena até seu apartamento, pois mesmo depois de sua insistência, Helena não quis dormir na mansão.
[...]
Eram exatamente quatro horas da manhã quando o celular de Renê começou a tocar de forma desesperada, mesmo tendo consciência de que pudesse ser algo importante, não queria interromper seu sono. Mas continuou a tocar até que na quinta vez ele resolveu não ignorar mais e atendeu. Era Helena quase chorando de dor pedindo para que ele a socorresse. O mesmo sem pensar duas vezes, levantou da cama colocou uma calça de moletom, um chinelo e um casaco qualquer. Não se importava de sair assim, estava afobado e preocupado demais para pensar em qualquer outra coisa que não fosse Helena.
Apesar do horário a rua ainda estava bastante movimentada, por isso não hesitou em ultrapassar os sinais vermelhos para chegar o quanto antes no apartamento da Helena. Assim que chegou, o porteiro logo liberou sua entrada, porém Helena já o esperava no térreo a mesma estava com a mão na barriga visivelmente irritada e com dor.
Ela entrou no carro antes mesmo que fosse autorizada e, xingou Renê de todos os nomes possíveis e impossíveis por ele ter demorado tanto para atender o celular e, depois que se acalmou mandou ele leva-la para o hospital.
Nos primeiros cinco minutos Helena só xingava e reclamava, depois, ficou em silêncio, a dor havia passado, alguns minutos depois, ela começou a chorar a dor havia voltado e com mais intensidade.
[...]
— Para onde está me levando?- perguntou irritada ao ver que aquele não era o caminho para sua casa.
—Para casa.
—Este não é o caminho para a minha casa.- falou dando ênfase no ‘’minha’’.
— Se você acha que eu vou te deixar sozinha depois de você ter quase perdido o bebê, você está completamente fora de si.
—eu quero ir pra minha casa, agora!- Helena começou a gritar, eram oito horas da manhã, os carros passavam atrasados para ir ao trabalho, e os motoristas olhavam assustados para o escândalo que a mesma fazia dentro do carro. Renê deu um sorriso amigável, subiu o vidro, passou o sinal e parou o carro em uma rua deserta.
—O que é isso?- ela parou de gritar e o olhou.
—Você que ir para casa? Tudo bem, vá a pé. – disse ele cruzando os braços, a deixando boquiaberta.- Eu sei que você me odeia pelo que eu fiz e eu já disse mil vezes que me arrependo e que faria de tudo para consertar meu erro, mas você parece não acreditar. Beleza, me bata, me xingue, me mate se quiser mas pense no nosso filho. Eu só quero cuidar de vocês, depois que você melhorar pode ir para sua casa até numa vassoura de bruxa se quiser. Mas que droga Helena!
— Eu sei me cuidar sozinha, agora me leve para a minha casa.
—eu já disse, se quiser vá sozinha e não me ligue durante a madrugada quando estiver quase morrendo de dor.
Renê fazia isso porque sabia que ela não era capaz de se virar sozinha durante uma crise, por mais que ela não aceitasse isso, ela não conseguiria se virar sozinha, o próprio médico havia lhe dito isso.
—Eu não quero ir para sua casa.
—Tudo bem, atrás dessa rua tem um ponto de ônibus,mas quando tiver crises não me ligue e depois não venha jogar na minha cara que eu não tentei te ajudar.- ele abriu a porta do carro para que ela saísse mas não aconteceu, ele sorriu vitorioso e deu partida para sua casa.
—Eu me arrependo de ter te ligado.- ela reclamava dentro do carro.
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