Assim que entrei no prédio vi o alquimista da vila conversando com outros dois habitantes do vilarejo, me aproximei devagar e resolvi esperar eles terminaram seu papo. Fiquei quieta olhando um pouco envergonhada até que o alquimista me viu e resolveu terminar sua conversa com os outros, eles foram embora e ele pediu para mim me aproximar, fui até ele e disse:


"Oi"


"Olá, o que está achando da nossa vila forasteira?"


"Todos são bem simpáticos, e eu gostaria de saber como fui parar aqui"


"Sinceramente essa pergunta eu não sei responder, vocês humanos não deveriam estar aparecendo do nada por ai"


"Espera existem outros como eu aparecendo, onde?"


"Bom a pouco tempo recebemos a notícia que apareceu um humano em uma vila próxima daqui apareceu e agora apareceu você, são só vocês dois até agora"


"Isso tem algum motivo"


"Talvez possamos descobrir, de onde você é?"


“Sou de uma cidade chamada Toronto”


“Nunca ouvi falar dessa cidade, apenas as da antiguidade”


“Imaginei, esqueci de dizer mas me chamo Alex”


“Prazer e conhecer Alex, me chamo Jamil”


“Aqui sobre esse outro humano que apareceu perto daqui, como ele é?”


“Só sabemos que ele se chama Steve”


“Então é um homem”


“Como vc sabe que é homem se não o viu?”


“Steve e um nome masculino” Alex respondeu.


“Interessante, vocês humanos tem diferença nos nomes masculinos e femininos”


“Por que isso seria interessante? vocês não tem também?”

“Não, nós não temos diferença sexual entre nós”


“Como assim não tem diferença sexual, vocês não são divididos entre homens e mulheres?”


“Não tenho certeza do que significa exatamente assim palavras homens e mulheres, mas se estiver se referindo a machos e fêmeas, nós não temos necessidade de ter tal divisão sexual”


“Se vocês não tem machos e fêmeas, como é possível se reproduzirem? Eu vi o que aparentava ser crianças lá fora”


“Somos Hermafroditas, somos tanto masculino como feminino, tirando as bruxas que são exclusivamente fêmeas e os illagers que são machos, mas ambos são inférteis”


“Que estranho, vocês quando são dividos em machos em fêmeas, se tornam inférteis, mas quando são hermafroditas podem se reproduzir normalmente”


“Com vocês humanos não é assim também?” Ele pergunta.


“Não, eu por exemplo, caso você não tenha percebido sou fêmea humana, uma mulher”


“Então você é exemplar do feminino nos humanos! interessante, gostaria de saber mais sobre como funcionam as relações entre os humanos”


“Tenho uma duvida, nesse mundo existem bruxas de verdade mesmo? e o que são Illagers?” Ótimo é só o que faltava, além dos monstros existem bruxas nesse mundo, pensei.


“Sim, existem bruxas e quando um de nós somos atingidos por um raio na cabeça, somos transformados em exclusivamente em fêmeas nos transformamos em bruxas, nos tornamos hostis e esses são expulsos por segurança. E sobre os Illagers prefiro nem fazer comentários, só não se meta com eles, são hostis a tudo que e bom e nos caçam e capturam nossas crianças”


“Nossa, vocês tem diferentes monstros aparecendo a noite, são transformados em bruxas por causa de raios, tem esse illagers que sequestram seus filhos e vocês só tem o golem para proteger, nenhuma guarda nem nada do tipo para a vila?”


“Não da nossa natureza agir com violência, independente da situação”


“Esse modo de pensar e bem arriscado de se pensar”


“Vamos mudar de assunto. no que você e boa?”


“Como assim no que sou boa?”


“Sim, o que você fazia antes de chegar aqui? Precisamos arrumar algo para você fazer ou você quer ser como o idiota da vila?”


“Idiota da vila? quem é esse?” pergunto achando graça,


“E um rapaz de tunica verde que não faz nada o dia inteiro”


“Bom, eu não sou uma idiota e antes de vir para aqui eu estudava”


“Estudava o que?” Ele pergunta.


“Matemática, história, linguagens, esse tipo de coisa”


“Acho que você ficará bem ajudando o bibliotecário”


“Ok, pode ser” Eu respondo só aceitando.


“Você vai dormir no mesmo lugar que deixou sua bolsa, tem camas livres lá, fique a vontade para usá-las e lembre-se, quando tocar o sino e todos se recolherem para dormir você deve fazer o mesmo e não saia por nada”


“tudo bem, não irei sair”


“E pela sua própria segurança”


“Eu entendo, por causa dos monstros”


“Que bom que já sabe, então fique a vontade para explorar o resto da vila, tenho que ir”


“Está bem, até mais”


Sair daquele pequeno prédio chocada com minhas descobertas, esse mundo é definitivamente muito estranho, será que os animais nesse mundo também são hermafroditas?

Me questionei. Andando pelo vilarejo vejo crianças brincando e os moradores adultos trabalhando em suas funções. A uma pequena estradinha de terra leva para fora da vila, decido seguir e chego a um pequeno rio, a um aldeão pescando. Ele percebe minha presença.


“Olá, forasteiro, você não deve ter me visto, sou o pescador da vila, me chamo Loriu.”

Na verdade notei sua presença sim, vocês são todos muito parecidos.


“Olá Loriu, me chamo Alex”


Prazer em conhecê-lo Alex, quer me fazer companhia?”


“Por que não”


Me aproximo e me sento ao lado dele. Fico observando o lago até que a vara de pescar dele começa a balançar, ele puxa e um peixe vem voando na nossa direção.


“Olha o peixe!” Ele diz com entusiasmo.


Quase que esse peixe acerta minha cara. Ele pega o peixe que está se machucado no chão e me mostra.


“E uma bela truta, das grades”


Eu que não sei nada sobre peixes e pescaria apenas concordo.


“Você quer tentar pescar?” Ele diz me oferecendo a vara.


“Eu não sei pescar e também não quero te atrapalhar” respondo desconfortável.


“Você não atrapalha em nada, a pescaria e uma ótima forma de se conseguir alimento, é bom aprender desde já”


Eu pego a vara e ele me conduz a sentar no banco e colocar a isca e depois jogar a linha da vara na água. Passa um tempo e nada, passa mais tempo e nada ainda até que derrepente a vara começa a se mexer com força e ele diz.


“Puxa, rápido ou vai perder ele”


Eu puxo mas por não estar acostumada acabo quase perdendo a vara e quase o peixe a arrasta, perco a pescaria e quase estrago a vara.


“Tudo bem, nas primeiras vezes e assim mesmo, não fique triste, está bem” Ele diz.


“Eu quase perdi a sua ferramenta de trabalho, desculpe”


“Não tem problema, eu tenho várias iguais a essa na vila”


Ele olha para o céu e fica sério de repente.


“Daqui a pouco vai começar a escurecer, melhor voltarmos para vila o mais rápido possível”


Ele começa a recolher as coisas e a pescaria e voltamos correndo para vila. Chegando lá todos parecem estar organizando suas coisas para terminar o dia de serviço. Loriu se despede de mim vai para sua casa, todos estão se recolhendo, eu vou em direção a casa onde deixei minha bolsa e adentro e fecho a porta. Vou até minha bolsa que está em cima da mesa e pego meu celular que é novinho e está com a carga completa por eu não ter usado o dia todo está marcado seis horas da tarde, meu relógio a mesma coisa.


Vou até uma das camas e me sento e começo a pensar no dia de hoje, preciso encontrar uma forma de voltar para casa e minha família, esse mundo é bizarro e aparentemente perigoso pelo que me falaram.


Enquanto pensava na minha vida e na preocupação da minha família, começo a escutar uns grunidos do lado de fora, e barulho de diversos passos acompanhados de batidas que não sei identificar o que é. Olho meu relógio e é muito cedo para dormir, mas mesmo assim retiro meu tênis e me enrolei no cobertor da cama com medo.