A aventura de Alex
4 Capítulo 4
Durante um certo momento da noite, olhei pela janela e vi o que parecia dois olhos brilhando em roxo, estava distante, o ser era muito alto e todo escuro, tão escuro que parecia engolir a luz, ele pareceu perceber que estava sendo observado e se virou na minha direção, eu desviei o olhar rapidamente.
Escutei um barulho estranho a distância e eu sabia que o ser estava na minha janela observando, fiquei paralisada na cama olhando pro teto, eu tava me cagando inteira e os grunidos do lado de fora continuam, amanhã de manhã eu vou pedir no mínimo para colocarem uma curtida nessa janela.
De repente escutei algo batendo na porta com força, ainda bem que tranquei a porta. Mas mesmo com medo comecei a pensar em como esse povo que vivia aqui conseguia aguentar essa situação, eles deveriam criar uma guarda para vigiar a noite e proteger os habitantes, mas simplesmente deixavam as coisas assim, dependendo exclusivamente do golem para ter uma defesa.
Os barulhos de batida e na porta pararam e se foram, só ouvi o barulho do golem de ferro e o que parecia suas articulações enquanto se movia, me deixou um pouco aliviada, parei de escutar minha porta sendo forçada, essa porta parecia muito resistente para uma simples porta de madeira para aguentar as pancadas de antes.
Já havia passado algum tempo e aquele ser mais escuro que a própria noite e de olhos brilhante não parecia estar olhando mais na minha janela, mas eu ainda estava tremendo debaixo dos cobertores, seria impossível dormir naquele lugar se todas as noites fossem assim, eu quero voltar para minha casa, abraçar meus pais e pedir perdão por todas as mal criações que aprontei com eles.
Eu estava deitada na cama com olhos fechados pensando quando escuto o galo cantando, abro meus olhos e percebo que o quarto está mais claro, me arrisco a olhar para a janela e percebo que está amanhecendo, eu não me lembro bem se cheguei a dormir a noite, talvez eu tenha cochilado um pouco e não percebi para o tempo ter passado tão rápido, mas com certeza essa foi a pior noite da minha vida, que situação aterrorizante, será que todas a noites vão ser assim agora, não quero isso, quero a segurança e a paz do meu mundo e minha família e minha vida, antes eu achava minha vida um tédio e sempre quis viver uma aventura como nas histórias de fantasia mas hoje percebo que a gente só valoriza a tranquilidade e a paz que gente tem quando a perde.
Me levanto e fico sentada na cama, decido espera um pouco, clarear mais o dia antes de levantar, estou sentindo dor de cabeça e cansaço, acho que realmente dormir muito pouco, gostaria de tomar banho e relaxar um pouco, mas como esse vilarejo ainda parece estar na idade média duvido que tenha água corrente aquecida em algum lugar da vila, ainda não estou me sentindo suja, o dia estava fresco ontem então não suei muito, na minha mochila tenho desodorante, escova de dentes e pasta e uma blusa de frio e meus cadernos e canetas e um livro que estava lendo, A Divina comédia, estava numa jornada de parar de ler porcaria na Internet e ler alguma coisa que presta, resolvi começar pelos clássicos para adquirir cultura de verdade e esse foi o primeiro livro que peguei emprestado na escola, o livro é bom mas eu fico enrolando para ler.
Os habitantes dessa vila são burros na minha opinião, que ideologia patética de pacifismo e essa que coloca as próprias vidas deles em risco, até no meu mundo essa forma de viver seria perigosa, agora imagine em um mundo como esse, cheio de monstros e sabe-se quais outros perigos.
Quando o dia está finalmente mais claro tomei coragem e decidi abrir a porta e sair, assim que abro a porta e me coloco para fora, vejo ao meu lado um corpo com tom de pele verde e que está pegando fogo, o cheiro é horrível, e o monstro está grunindo, até que ele morre e seu corpo começa a evaporar, olho a cena horrorizada.
Saio correndo e vou para o centro da vila, lá estão alguns habitantes reunidos, parecem estar conversando e fazendo trocas, me aproximo e vejo o alquimista vindo na minha direção.
“Bom dia, forasteira Alex”
“Como você consegue estar tão tranquilo depois de ontem a noite?”
“O que aconteceu? Não me diga que você saiu a noite?”
“Não, não, eu não sai, tranquei a porta, mas escutei os barulhos dos monstros a noite toda, e quando sai de casa vi um monstro no chão derretendo”
“Que bom que não te aconteceu nada, lembre-se de sair só quando estiver totalmente claro”
“Eu não consegui dormir a noite inteira”
“Por que?” Ele pergunta.
“Por tinha monstros cercando a casa e a vila inteira provavelmente, como vocês conseguem viver assim”
“Vivemos da forma que possível devido às circunstâncias”
“Já pensou em construir um muro ao redor da vila, seila, ja que vocês não podem treinar guardas”
“Para construir um muro ao redor da vila seria necessário muitos recursos, e teríamos que sair em excursão para consegui-los, levaria dias e estaríamos expostos a diversos perigos durante a noite”
“Então vocês preferem continuar vivendo com medo?”
“Que escolha nos temos?”
Olhei para ele incrédula, se eles criassem espadas e flechas poderiam lutar e ir atrás de recursos.
“Criem armas”
“Criar armas? Mas para quê?” Ele pergunta.
Eu olho para ele sem acreditar, ele e tão burro assim? Como essas pessoas ainda estão vivas?
“Criar armas para se defenderem dos monstros e poder ir atrás de recursos para construção de um muro, ora, o que mais seria?”
Ele franziu os olhos e olhou pra mim muito seriamente.
“Não de nossa natureza sermos violentos, simplesmente não conseguimos, pare com essas ideias ou teremos problemas com você aqui”
“Mas…”
Ele me interrompe “Nada de mas, se você quiser continuar vivendo aqui, pare de tentar forçar ideias que vão contra nossa natureza, ou saia da vila e vire-se no mundo a fora”
“Tá bom, não precisa me expulsar, eu só queria tornar a vida das pessoas aqui mais segura, não vou mais questionar” digo isso sentindo uma profunda indignação no meu peito.
“Que bom, temos uma possível ocupação para você aqui na vila, você pode ser ajudante o bibliotecário, ele faz muito além de apenas cuidar dos livros antigos, ele escreve todos os acontecimentos marcantes da nossa vila e notícias de fora, e registros e cálculos de tudo produzimos no ano para a sobrevivência da nossa comunidade, além de negociar com os mercadores que passam por aqui as vezes” Ele diz.
“Tudo bem e o que eu recebo com isso”
“Com esse serviço você pode fazer trocas e serviços na vila, dessa forma você consegue o que precisa para sua subsistência”
“Entendi”
“Pode ir até o biblioteca, ela e esse prédio ao lado, o segundo maior da vila, o bibliotecário está te esperando”
“Ta bom estou indo” respondo e depois vou em direção a biblioteca, parece que vou trabalhar de contadora e escrivã nessa vila.
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