Acordei desesperada num quarto, bonito, mas sem janelas, por Deus, sou claustrofóbica! Levantei num pulo ainda atordoada, então ando em direção a porta, e tento abri-la, mas para meu azar, novamente, ela estava trancada, bati com meus punhos na porta.

–Por favor!! Alguém? Me tirem daqui! Quando sair daqui irei chamar a polícia! Estou avisando! Por favor! Me ajuda!!! – Gritei por um bom tempo, porém não houve respostas, então cansada volto o meu corpo para a cama e me sento, cobrindo meu rosto para não permitir que as lagrimas caiam, tudo estava um caos em minha cabeça, e a vontade de morrer quase que me dominava, mas era covarde o suficiente para me matar, sou muito orgulhosa ao ponto de achar que tudo tem solução, esperançosa, seria a palavra certa, afinal, não há problemas sem solução, e eu tenho que ser forte, digo a mim mesma, para achar essa solução, custe o que custar, desafiar a mim mesma é uma maneira que encontrei de seguir a risca meus objetivos, desafiando a mim mesma, estou aberta a melhoras, e é melhorando que eu acho a solução. Mas naquele momento, não havia nada a se fazer. Eu teria que ser calma e esperar.

Olho para a cabeceira do meu lado, e vi que havia roupas novas, não eram minhas, claro, não teria dinheiro para comprar um sobretudo que nem aquele, levantei, e fui em direção ao um pequeno banheiro que tinha naquele quarto, e no espelho vi uma mensagem escrita a mão num papel de propaganda

“ Senhorita Hills, nos perdoe por nossa péssima recepção ontem á noite, estamos realmente muito constrangidos, por favor aceite as roupas como presente de pedido de desculpas, peço para que se arrume, tome um banho se quiser, no final desta tarde Filipe irá busca-la para que possamos conversar melhor .

Com carinho, Senhor Walger.”

– Quem é a senhorita Hills? — Me pergunto em voz alta — Tanto faz.

Tiro a roupa e entro no chuveiro. Por quanto tempo eu fiquei desmaiada? e que lugar era aquele e porque eu vim parar aqui? E porque meu ex namorado foi fazer aquilo no dia do meu aniversário? E de quem era aquela ligação que eu recebi no meio da noite? Foi tipo o que a Margo fez com aquela amiga vaca que roubou o namorado dela, só que em vez de ligar para os pais, ela ligou para mim, e invés de denunciar a amiga dela ela denunciou meu ex-namorado, e alias que seria a pessoa por trás do telefone? Por azar ou sorte, eu tinha uma cópia da chave da casa daquele canalha.

Fazia pouco tempo que minha mãe morreu, e eu já sentia falta dela, se aquele câncer desse para ela pelo menos duas semanas a mais de vida, talvez eu chegaria a tempo de salva-la, só pude conversar com ela a última vez na internação do hospital. Ainda me lembro dos seu olhos castanhos e cabelos ruivos, agora um pouco grisalhos e desarrumados, puxei apenas a cor da pele e os olhos de minha mãe, os cabelos castanhos puxei de meu pai, que havia nos deixado fazia um tempão, ouvimos que ele sofreu um acidente e morreu, mas eu realmente não me importo com ele, me importava principalmente com ela, apenas com ela, a minha melhor amiga, minha companheira de sempre, e no momento que ela mais precisava, eu não estava lá, se pelo menos eu tivesse percebido isso.

“- Não se culpe por isso querida, não importa o que você fizer, ou onde estiver, vou sempre te amar... E vou sempre te proteger, não importa aonde eu esteja. ”

Essas palavras ficaram na minha mente, e mesmo depois de sua morte, eram essas palavras que me consolavam, é engraçado o poder que as palavras tem; elas podem machucar, matar, salvar ou até curar feridas abertas e não fechadas pelo tempo. E Aquelas palavras e salvaram durante o mais doloroso ano de minha vida.

– Sinto sua falta mama — Digo baixo, e em seguida fecho o chuveiro, me enrolo na toalha e vou em direção ao quarto me seco e começo a me trocar, aquelas roupas ficavam incrivelmente justas em mim, uma calça jeans preta, uma lusa regata branca uma bota de salto médio e o sobretudo, me senti um pouco desconfortável ao me olhar no espelho do banheiro, fiquei parecendo uma pessoa rica, ou coisa parecida, meu cabelo ondulado estava incrivelmente desarrumado abri as gavetas em busca de um pente, escova ou coisa parecida mas não achei nada, me agacho para per nas gavetas inferiores, mas nada.

Percebo que estou com uma grande dor nas costas e na cabeça, como se eu tivesse batido a cabeça, então deixo isso para lá e vou dormir novamente, acordo com um homem moreno de olhos verdes me acordando, o estilo Boy da Capricho, seus olhos verdes me fitava.