Notas iniciais
Este livro está sendo postado ao mesmo tempo no wattpad, personagens são fictícios. Espero que gostem e apreciem a leitura. Glossário: Himation: manto de uso tanto feminino como masculino. Esta peça de vestuário era tão versátil que também era usada como manta para a cama. Quíton: peça de vestuário utilizada na Grécia Antiga. Era uma túnica usada tanto por homens quanto por mulheres.

Alguns dizem que o mar é refúgio do imprevisível, um local onde segredos obscuros e relíquias poderosas se encontram. No entanto, os deuses sabem que tudo está sujeito aos caprichos de Poseidon.

O senhor dos oceanos caminhava pelos corredores de seu palácio, onde as flores reluziam como preciosas joias. Estava maravilhado com a beleza das raras rosas azuis de seu jardim, as pétalas pareciam cintilar sob a luz aquática. Uma brisa suave soprava, carregada com o aroma de água salgada. Um dia favorável e tranquilo, um belo sinal de que Poseidon estava de bom humor.

Seus guardas acompanhavam cada passo, mantendo a segurança, mesmo que proteger uma divindade fosse desnecessário. Rumores afirmavam que o deus era reservado, enquanto outros já diziam que ele era um tanto abusado. Buscava sempre entretenimento ao lado de várias mulheres.

— Senhor Poseidon. — Chamou um dos guardas.

Poseidon parou, lançando um olhar frio em sua direção. Odiava ser interrompido em sua caminhada matinal. Às vezes, desejava sumir e abandonar as responsabilidades para trás, mas sabia que seus irmãos o repreenderiam se o fizesse.

— O que foi? Aconteceu algo? — perguntou o deus imponente. Seu olhar para o jovem guarda deixava claro o desejo de não ser incomodado.

— Os mares ao redor de Atenas estão conturbados, diversos mortais relatam terem visto monstros. — Gaguejou o jovem de cabelos negros, ajoelhando-se em respeito ao deus.

Poseidon revirou os olhos; estava exausto. Quase todos os dias, ouvia relatos sobre bestas marítimas que assolavam a orla dos grandes portos gregos.

— Estou cansado. Se eu tivesse uma solução, já teria resolvido. Não ouse me perturbar mais com esse assunto. Se alguém estiver aprontando comigo, punirei e condenarei ao inferno. — Gritou, já farto de ser questionado sobre tais problemas. — Não sou o único deus aqui; meus irmãos podem lidar com isso.

O jovem silenciou-se e Poseidon continuou sua caminhada pelo corredor, observando as paredes de mármore detalhadas com cristais e corais. A suave luz do sol atravessava a barreira criada para proteger Atlantis, iluminando o palácio.

Há muitos anos, Atlantis foi fundada próxima ao mar Egeu e algumas ilhas. Poseidon criou uma barreira para ocultá-la dos olhos mortais, mantendo assim a lei dos deuses de não se revelarem à humanidade. Com o passar das eras, optou por submergir a cidade no oceano, protegida pela barreira contra a água, monstros e olhos humanos.

Ele prosseguiu caminhando até se deparar com uma grande porta negra. Por meio de movimentos lentos de sua mão, abriu e encontrou uma joia azul no centro da sala. Tinha o formato de uma estrela-do-mar e estava protegida pelos sigilos mais poderosos. Aquela pequena relíquia era seu tesouro mais valioso. O toque leve do deus dos mares fez com que ela brilhasse intensamente.

Conhecida como Joia dos Oceanos, concedia ao seu dono total controle sobre as águas. Forjada com parte dos poderes da titã Gaia, a pequena pedra auxiliava Poseidon a manter o equilíbrio dos mares.

— É, somos só eu e você. — afirmou baixo, observando a joia que sempre lhe fazia companhia. Um certo pesar tomou conta dele.

Diferente de seus irmãos, Poseidon gostava de trazer leveza às situações complicadas, muitas vezes buscando humor em meio ao caos. No entanto, uma certa tristeza o consumia por dentro, uma emoção que o próprio deus não compreendia. Seria o fato de estar só, ou algo mais profundo? Depois de um certo tempo refletindo, decidiu retornar a seus afazeres.

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Ao retornar ao salão principal de seu palácio azul, cujas paredes eram feitas de mármore e cristais e abrigavam água em constante movimento. Vislumbrou a fonte feita de gesso branco com uma estátua de golfinho que jorrava água morna. Atrás dela erguia-se um grande trono dourado. Ele se acomodou na majestosa cadeira e, em seguida, deitou-se, contemplando o grande espelho ao teto adornado com entalhes dourados de criaturas marinhas.

— Como as coisas andam calmas ultimamente. — pensou, observando o mundo superior através do espelho.

Uma jovem de cabelos loiros e pele bronzeada entrou na sala, trazendo uma carta em mãos, estava apressada. Em seu alvoroço, tropeçou no próprio vestido azul e caiu diante do deus. Poseidon se sentou para a observar e pensou que era uma vergonha alguém cair diante de sua presença de forma tão banal.

— Levante logo, o que traz em mãos? — perguntou ele de forma grosseira. Afinal, para ele tanto fazia se era algo importante ou não; só desejava não ser incomodado com histórias tolas.

— É uma carta de Zeus, meu senhor. — respondeu a jovem, ajoelhando-se na presença do deus. Estava envergonhada por sua queda e preocupada com como o deus a puniria.

— Traga para mim. — ordenou ele, observando a garota enquanto se aproximava para entregar a carta de Zeus. — Tenha mais cuidado ao andar por aí. Não me responsabilizo se vocês se machucarem.

A face da jovem corou, ao perceber que Poseidon tinha notado sua vergonha e ele ficou satisfeito por não a deixar tão desconfortável. Rapidamente, ela sorriu e se retirou, fechando a porta do grande salão. Curioso, ele devagar abriu o selo dourado da carta com cuidado.

Sei que não temos nos falado desde os acontecimentos envolvendo Hades, e agora ele encontrou Nikaia. Espero que esteja bem, Poseidon. Você ainda é o único de nós que está solitário. Ouvi dizer que uma guerra se aproxima em Atenas. Gostaria de pedir para você averiguar junto à Atena, claro, se isso não for incômodo.

Poseidon leu atentamente as palavras do irmão e ponderou sobre elas. Seria interessante sair um pouco, afinal. Desde a luta, de Cronos focaram em reconstruir o que ele destruiu. Mais de vinte anos se passaram, e parece que os mortais ainda não aprenderam a lição. A ganância, as guerras e a soberba crescem, e é difícil ver mudanças significativas entre eles. São poucos os que realmente aprendem com seus erros.

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O dia estava avançando quando ele se preparou para viajar até Atenas, abandonando a calmaria de seu palácio para lidar com a sobrinha. Em alguns momentos precisava de um balançar de ânimos.

Devagar Poseidon desceu as escadas até uma sala esquecida no térreo de seu palácio marinho, guardas estavam a postos protegendo a enorme porta branca adornada com símbolo de um tridente dourado. O deus ajustou suas vestes, certificando-se que seu Quíton branco de linho estava bem preso e cobriu-se com o himation, um manto vermelho.

Seus guardas fizeram reverência enquanto ele abria a porta, fazendo com que uma luz azul surgisse, revelando a entrada de Atenas. Atravessou rapidamente, emergindo perto de uma grande árvore em uma clareira próxima à cidade.

Caminhou pela estrada, contemplando a cidade majestosa a sua frente. As muralhas, erguidas com mármore resplandecente, reluziam sob os raios de sol. À medida que se aproximava, o envolvente aroma de incenso e especiarias pairava pelo ar, mesclando-se com o som dos mercadores e o burburinho das vozes dos cidadãos. No horizonte, avistava-se o Partenon, imponente no topo da Acrópole. Próximo ao mercado avistou a deusa com seus longos cabelos salpicados por algumas mechas loiras, percebeu que seus olhos castanhos o observavam com desaprovação. Embora tivesse atrasado, aquilo não lhe importava.

— Achei que não saísse muito. — disse, aguardando uma desculpa do deus dos mares.

— Apenas quando é necessário. — Poseidon estava cansado, mas não desejava questionar ou entrar em discussões desnecessárias com sua sobrinha.

— Espero que não seja um problema para você. — comentou ela. — Sei bem que não gosta de mim, mas no mínimo gostaria que houvesse certo comprometimento da sua parte. Não estamos brincando.

Poseidon se estressou, afinal estava se esforçando tentando evitar uma briga com Atena, mas ela parecia não valorizar seus esforços. Se soubesse que a deusa lhe trataria assim, teria ficado em seu palácio, desfrutando da companhia de belas mulheres.

— Vamos encerrar isso, tenho assuntos a tratar. — respondeu, esforçava-se ao máximo para evitar a desaprovação dela e brigas, desejava encerrar o assunto o mais rápido e partir.

Os dois passaram o dia examinando documentos e procurando informações com mortais, porém não encontraram nada relevante sobre uma possível guerra, estaria certamente às escondidas ou eram apenas rumores. Poseidon despediu-se rapidamente de Atena ao fim do dia e retornou para o mar.

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Próximo da chegada de seu palácio, viu o caos. Corpos jaziam pelo chão e a sala principal estava escancarada, o sangue manchava o mármore do piso, seu coração acelerou. Os corpos estavam destroçados, uma batalha tinha acontecido em sua ausência.

Correu desesperadamente e observou a caixa que antes guardava a joia dos oceanos, agora vazia, sem qualquer vestígio. Seu olhar se fixou em um ponto ao chão onde encontrou escamas e um lenço negro com uma caveira branca desenhada.

— Piratas. — disse baixinho com tom de desgosto. — Precisam aprender a temer aquele que lhes concede passe livre pelos oceanos. Como e com qual motivo adentram meus domínios?

Estava nervoso; os estrondos das ondas quebrando nas rochas e praias ecoavam a quilômetros. De um dia belo e calmo tudo se transformara em tempestade e destruição, engolindo tudo com as águas. Poseidon caiu de joelhos, sem a joia. O mar se tornaria um berço de terror e medo. Questionava se seria prudente pensar em seus irmãos como rivais, afinal tudo aconteceu quando ele deixou o palácio para averiguar com Atena.

Ouvindo passos pesados, se virou e notou um de seus homens entrar pela porta gravemente ferido, desabou ao chão em estado de fraqueza. Sua armadura prateada estava toda amassada e ele sangrava muito, manchando o chão. Este homem fora seu melhor guerreiro, e Poseidon se questionava o que levou a esse estado lamentável. Correu até ele e o segurou em seus braços, enquanto o homem tossia sangue. Erguendo as mãos, convocou as águas da fonte próxima, envolvendo o corpo do soldado com elas em uma tentativa desesperada de curá-lo.

— Lucian. — Proferiu o deus, enquanto internamente clamava pela sobrevivência do homem, embora seu semblante expressasse um misto de desespero e incerteza diante da situação.

— Não consegui protegê-lo, meu senhor, falhei. — respondeu o homem debilitado, buscando reunir suas últimas forças. Poseidon cobriu seu corpo com água e tentou deter o sangramento dos ferimentos, porém tudo foi em vão.

— O mar lhe aguarda. Você me serviu bem. Se encontrar com Hades, diga-lhe que seja feliz e cuide de Perséfone. — solicitou o deus, enquanto passava a mão aos olhos, que se fecharam, anunciando sua partida deste mundo.

Poseidon sabia ser misericordioso quando necessário, mas agora sentia-se nervoso e inquieto. A joia era mais do que uma simples peça, não podia ser substituída ou trocada como qualquer objeto. Após deixar o corpo do homem, alguns soldados vieram ajudá-lo. Tomado pela fúria, o senhor dos oceanos levantou-se e saiu da sala. Caminhou até o centro do jardim e com seu tridente dourado o bateu ao chão, fazendo com que o mar se transformasse, tornando-se impiedoso, maléfico e obscuro. Nuvens negras começaram a surgir ao longo da costa, e o vento derrubava casas. Longe de seu palácio as embarcações sofriam e algumas almas foram levadas.

A pedra havia se perdido e permaneceria assim por muitos anos, até que uma lenda espalhada por Poseidon começou a ser contada pelos mortais.

“O deus dos mares ficou devastado com a perda de sua relíquia mais preciosa e o oceano, antes sereno e tranquilo, tornou-se furioso e tempestuoso, refletindo a raiva e a tristeza de Poseidon.

Aquele que encontrasse a joia dos oceanos e se provasse digno aos olhos do deus receberia um desejo. Mas o desafio era grande, pois a relíquia estava perdida, entre um mundo de bestas, monstros marinhos e perigos inimagináveis.

Muitos aventureiros tentaram encontrar atraídos pela promessa de um desejo concedido pelo poderoso deus do mar. Alguns jamais retornaram. A lenda persiste até hoje, e alguns acreditam que a joia ainda repousa no oceano, e outros que esteja em alguma ilha ou guardada por um monstro.

A espera de alguém digno o suficiente para encontrá-la e receber o tão desejado presente de Poseidon. Enquanto isso, os mares permanecem agitados e perversos.”

Notas finais
Espero que tenham gostado galera, Prólogo para situar vocês na nossa aventura ♡