A arte de se expressar

14 14 - Aquele em que as coisas não vão nada bem


Notas iniciais
Hubuheuheu também aquele com o Bakugou sendo um bro melhor que eu huheueh

— Mais um grupo? Nós não fizemos isso ontem? – gemeu Jirou ao lado de Momo, fazendo a garota mais alta rir.

— Eu pensei que você gostasse de trabalhar em grupo.

— Eu sei trabalhar em grupo, é diferente. Todo o dia é um grupo diferente, pessoas diferentes e nem todas são suportáveis — continuou ela resmungona

— Pelo menos podemos escolher dessa vez – consolou Momo descansando a mão no ombro da amiga.

— Não da mesma sala – bufou Kyouka cruzando os braços – Você vai com a Kendo de novo?

— Sim, estamos nos dando muito bem, às vezes temos uma rivalidade saudável, é divertido.

— Não era para ser divertido – grunhiu Kyouka fazendo beicinho, ela estava com ciúmes da amiga – Era para ser um treino, não uma festa com as amigas.

— Você está com ciúmes! – riu Momo ao perceber.

— Não estou não – protestou Jirou ainda emburrada.

— Está sim! Seus fones não deixam você mentir e sabe disso – comentou Momo tão gentilmente que Kyouka teve que ceder (Maldita amizade de internatos)

— Que seja, só vai com sua nova amiga e me deixe nesse purgatório social – retrucou ela revirando os olhos.

— Onde está, Hitoshi-san? Não vai incluí-lo no seu grupo? – sugeriu Momo ainda com ar de riso. Era raro ver Kyouka demonstrando algo, Momo não iria desestimulá-la debochando disso.

— Não posso – chorou ela encostando a cabeça no ombro de Momo – Aizawa-sensei nos proibiu de estarmos em grupo, algo sobre o objetivo dos treinos ser nos fazer aprender a trabalhar em equipes aleatórias por ser comum isso acontecer em catástrofes inesperadas.

— E então? Eu e Kendo estamos sempre no mesmo grupo quando podemos escolher.

— É, mas aparentemente, você e Kendo não conhecem até a respiração uma da outra antes de cada movimento – rosnou Jirou sarcástica.

— Você e Shinsou podem fazer isso? – perguntou Momo surpresa. Ela não iria admitir, mas ela estava enciumada.

— Ele eu não sei, mas eu sim. – Ela encolheu os ombros – Eu conheço alguns dos seus também, bem, não quando você cria, só quando você luta – explicou Jirou tentando lembrar dos movimentos de Momo – Ah, e quando você começa aqueles seus planos malucos para qualquer situação.

— Você nunca disse que podia fazer isso.

— Você nunca perguntou.

— Não é algo que surja na mente de alguém com frequência – reclamou Momo, às vezes Jirou era indiferente demais para a garota da criação.

— Bem, surgiu na do Kaminari – Kyouka encolheu os ombros.

— Kamina-san tem uma mente bem criativa – comentou Yoarashi brotando do quinto dos infernos.

— Jesus Cristo! Você quer matar do coração?! – pulou Jirou. Ela odiava gente silenciosa, Inasa era uma dessas pessoas que, quando queria, tinha pés de vento (TWINKYTOES).

— Perdão! Eu não tive intenção! – desculpou-se ele segurando a mão dela. SEGURANDO.A .MÃO. DELA.

Jirou retirou a mão como um raio e a recolheu no peito instintivamente, aquilo fez Yoarashi piscar duas vezes e Jirou agradeceu a todos os céus que Momo estava ali para intervir em seu favor.

— Perdoe Jirou-chan, Yoarashi-san. Ela está acostumada a ouvir todos nós nos aproximando – Começou Momo retirando a mão de Kyouka de sua posição excessivamente protetora – Ela pode reagir sem pensar.

— Oh, entendo, novamente, me desculpe.

— Tudo bem – desculpou-se Kyouka sem jeito – Parece que dessa vez eu é quem fui impulsiva, hã? – ela riu estendendo a mão para ele – Eu disse, nós dois temos nossas manias.

Ele sorriu radiante com essas palavras, então apertou a mão de Kyouka.

— Bem, eu vou indo – despediu-se Momo com um sorriso sugestivo e as mãos atrás das costas.

— Tem certeza? – perguntou Jirou, a voz com um pedido para que Momo permanecesse.

— É, tenho. Só vá com seu novo amigo e me deixe ir – Respondeu Momo parafraseando Jirou em deboche.

Kyouka fez uma careta de desprezo pela audácia da amiga. Inasa pareceu não notar, pois ele logo perguntou sobre os planos para a noite.

— Posso visita-la hoje à noite?

— Já é praticamente uma tradição, certo? – brincou ela trocando o peso das pernas.

— Eu gostaria de ver com mais calma seus instrumentos, ontem não pude ver os detalhes, eles parecem incríveis! – explicou ele empolgando-se – Não sabia que tinha tantos, você desenhou todos?

— Não, nem todos. — Jirou apenas riu. — Na verdade, nenhum daqueles que você viu, bem, exceto uma das guitarras, os personalizados ficam guardados. Eu mostro hoje à noite!

Kyouka estava acompanhando a empolgação de Inasa, ela realmente amava seus instrumentos, e era muito gostoso compartilhar com seus amigos. Inasa lhe dava ainda mais vontade de compartilhar, ele tinha essa animação extrema, esse brilho nos olhos que retirava qualquer insegurança dela, fazia Jirou se sentir confortável em se ser 100% animada com o que amava, sem medo de ser julgada.

—Tem mais?! Como couberam todos no seu quarto?!

— Oh, eu vou te mostrar quando você estiver lá – provocou ela querendo arrancar toda a curiosidade do menino.

De súbito, ela percebeu o que iria acontecer: Inasa estaria em seu quarto, com ela, sozinho.

— Chame Azura também!! – exclamou ela mais desesperada do que pretendia – Quer dizer, se ela quiser vir também. Ia ser legal, certo?

— Certo! Eu vou avisá-la agora mesmo! – declarou Inasa animado.

Ele correu para longe, deixando Jirou. Ela o observou partir e soltou um suspiro aliviado. Isso não estava nada bem, definitivamente nada bem. Kyouka estava acostumada com suas amigas importunando-a com suas amizades masculinas (ela não tem culpa se a UA tem muito mais meninos que meninas, nem se ela se dá bem com quase todos eles – até mesmo Bakugou pelo amor de deus!).

Kaminari foi o primeiro a ser alvo de suas insinuações, por isso Jirou era um pouco mais rigorosa com o loiro, para garantir que suas amigas – Mina – não criassem expectativas e a deixassem fora dos papos românticos. O que não quer dizer que ela não as ouvisse falar enquanto elas conversavam sobre isso (Jirou era uma garota afinal). E com sua parca experiência no assunto, esses nervosismos e reações perto de Yoarashi não podiam indicar coisas boas.

Você não pode culpa-la, você ouviu o que o garoto diz?! Essas coisas não se dizem sem mais nem menos. Ninguém ensinou para ele o que é duplo sentido?!

Ao menos Yoarashi iria embora em uma semana e então ela poderia voltar ao seu mundo normal, onde ela se mantém no anonimato, sem ninguém importunando-a e sem tantos grupos!

O treino da tarde não ocorreu muito bem, houve formação de duplas novamente e, de alguma forma, ela acabou com um aluno da Shiketsu, um secundarista, um garoto muito infantil para o gosto de Jirou. Ele não facilitou um único segundo para ela, sempre agindo como superior, tentando comandá-la e ignorando suas sugestões.

Para piorar, o treino foi contra Bakugou e Camie – que surpreendentemente trabalharam muito bem juntos. E agora ela e Bakugou estavam recebendo um sermão de um Aizawa-sensei irritado e estressado.

— Vocês não podem agir como idiotas. – advertiu o sensei autoritário – Eu não vou admitir meus alunos iniciando lutas sem sentido.

— Mas não foi para isso que servia esse treino?! – protestou Bakugou irritado.

— Não, servia para trabalharem em equipe! – respondeu Aizawa encarando o garoto com uma fúria silenciosa – Vocês ignoraram seus parceiros e começaram uma luta pessoal.

— Mas...!

— Nada de “Mas” – Aizawa interrompeu Jirou – Se vocês tem problemas entre si, resolvam fora da escola.

Fácil falar, difícil fazer, eles estavam em um internato, porra! Kyouka mordeu a língua para não expressar seu pensamento. Ela e Bakugou sabiam que o melhor era permanecer calados, o que não diminuiu sua revolta. Apesar de tudo, ela nem queria brigar com Bakugou, como sempre, foi ele quem explodiu por qualquer coisa e agora ela estava ouvindo por ele também.

Flashback

— Droga, eles são muito rápidos! – reclamou a dupla de Jirou.

— Foi por isso que eu falei para começarmos pela Utisushimi-san! – rosnou Kyouka de volta. Eles estavam levando uma surra de Bakugou e Camie.

— Para de fugir, orelha! – gritou Bakugou correndo em direção a eles.

— Faz alguma coisa!- berrou o outro garoto.

Aquilo enfureceu Kyouka, esse idiota estava deixando-a louca. Ela socou seu companheiro de treino e começou a gritar com ele, fazendo Bakugou parar de avançar com a reação inesperada da garota.

— Pare de ser um maldito idiota e de pensar que eu sou alguma espécie de cachorro que faz o que você manda ou eu juro por tudo que eu tenho de mais sagrado – ela baixou o tom de voz e puxou o garoto (mais alto que ela) pela camisa ao nível dos olhos – eu vou explodir seu cérebro com o meu som.

Bakugou gargalhou, trazendo a atenção para si, Camie só olhou para todos, imaginando que a parada repentina da ação significava a suspensão do treino ou algo assim.

— Ela pode fazer isso, engomadinho – afirmou Bakugou com um sorriso confiante — Resta saber se você tem um cérebro para ela explodir.

— Não se mete, Bomberman! – rosnou Kyouka para Bakugou. Toda a sua paciência estava perdida e o escárnio de Bakugou só piorava tudo.

— Ei! Que você chamou de Bomberman?!

— Quem você acha, seu idiota?!

Fim do Flashback

E foi assim que ela e sua dupla levaram uma surra sem piedade do garoto explosivo. Kyouka tinha certeza que alguns hematomas ficariam por semanas.

— Os dois estão dispensados, vão para o vestiário e tirem seus uniformes de herói – ordenou Aizawa, ele não tentou forçar uma reconciliação, ele sabia que Bakugou era irremediável socialmente e isso só o faria brigar mais.

Aizawa virou-se para ir embora, com os ouvidos atentos aos passos dos dois. Ele sabia que os vestiários eram opostos, então ele quis garantir que eles se encaminhariam para lá sem maiores problemas. Para surpresa de Shota, não foram passos que ele ouviu.

— Toma essa merda e melhora essa porra de humor! – Foi a voz de Bakugou resmungando que o sensei ouviu.

— O quê? – Jirou devolveu surpresa.

Quando Aizawa virou-se novamente, ele viu Bakugou segurando uma barra de chocolates em direção à Kyouka.

— Eu comprei para te dar depois do jantar, mas você ameaçou explodir o cérebro de alguém, esse não é seu estilo, é o meu – explicou ele sacudindo a barra impaciente – Só eu posso fazer isso! Então come essa merda e pare de ser um gremlin!

Por essa Aizawa não esperava, ele já havia presenciado esse jeito distorcido de Bakugou ao se preocupar com seus amigos, só não esperava que Jirou fosse um deles. O mais surpreendente veio em seguida, quando Kyouka sorriu, tomou a barra e abraçou Bakugou de surpresa. O garoto ficou sem reação por alguns segundos antes de berrar.

— Você tá me abraçando, porra!

— Eu sei – concordou Jirou afastando-se com os braços para trás e um sorriso “inocente”. – Desculpa, obrigada – acrescentou ela mostrando a barra de chocolate.

Ela não iria abusar da sorte, Jirou sabia do temperamento de Bakugou e de sua aversão ao afeto. Entretanto, ela estava feliz por Bakugou demonstrar que estava preocupado com ela (não que ele admitisse isso), e também por não estar irritado com ela. Durante alguns minutos Kyouka pensou realmente ter ofendido o loiro explosivo com o apelido que iniciara a briga.

Bakugou fez várias caretas, confuso, querendo atacar a garota pelo ultraje e ao mesmo tempo fingir que não fez nada por ela. No final ele só ficou vermelho de raiva e vergonha. Ela não deveria ter abraçado ele, ela devia estar puta, não ter agido como... como... como uma garota. Porra! Jirou não age como uma garota!

— Garotas e suas malditas trocas de humor! – resmungou ele virando as costas para sair – Eu odeio internatos! – ele gritou em direção a Aizawa-sensei.

Kyouka apenas escondeu o chocolate (esse é um dos poucos momentos em que seu egoísmo impera) e despediu-se do sensei com um aceno antes de correr para o vestiário feminino.