Notas iniciais
então isso meio que faz parte de uma au de op que se passa no universo de os piratas do caribe/época das grandes navegações que provavelmente nunca sairá das minhas notas mas...

também foi escrito para a kinktober (dias não são importantes mas o prompt é “kissing/beijando”) mas não tem realmente nenhum sexo ou insinuação. então sla kkkkkkkkkkkkkkk tá aí de qualquer forma e eu espero que tu goste

boa leitura

único — respire

Os lábios de Luffy beijam com cuidado o primeiro pedaço de pele exposta que encontram. Os lábios dele estão rachados e secos, mas o toque é tão suave que Sanji sente todos os ossos do corpo se enchendo com um calor bem vindo.

Ondas suaves batem contra o casco do navio, a estrutura de madeira balançando suavemente com o embalo da água. O ajuda a se acalmar, por mais que o suor frio ainda escorre pelas suas costas, manchando as bandagens limpas que Chopper trocou a algumas horas e colando o tecido da sua camiseta contra a pele de uma maneira desconfortável.

Sanji respira fundo. As mãos de Luffy estão quentes, circulando o seus pulsos com a suavidade que um lutador não deveria ter. Com uma suavidade e um cuidado do qual Sanji não está acostumado ainda, mas é sempre bem-vindo e apreciado — ele é egoísta o suficiente para querer monopolizar os toques de Luffy, mesmo que a culpa ainda o corroa por dentro, por mais vezes que ele gostaria de admitir.

O dedão de Luffy escova com cuidado uma queimadura irregular que corta a pele, causada por fricção. É apenas uma pequena linha em vermelho que irá sumir daqui a não mais que algum par de semanas, mas as lembranças que o assombram na penumbra ainda são recentes e reais demais para caírem por terra tão facilmente quanto as cicatrizes físicas. Ainda sim, o arrepia. Uma marca tão visível de uma memória terrível.

Luffy beija novamente. Ele não diz nenhuma palavra por ora e Sanji é absolutamente grato por isso. Os lábios dele pressionam a pele pálida, correndo a garganta até a extremidade do osso das clavículas, proeminente no ombro de Sanji, afastando a malha da camisa para o lado.

Ele guia uma das mãos para segurar a mandíbula de Sanji. A ponta dos dedos dele mal encosta na pele, rondando um hematoma empoeirado no encontro com o pescoço, um tom esverdeado relativamente aparente contra a palidez de Sanji, antes de puxar fios finos de cabelo loiro, empurrando a franja expressa de Sanji para trás da orelha. Ele enxuga com as costas da mão desajeitadamente pequenas gotículas de suor que escorrem contra a têmpora.

A voz de Luffy treme um pouquinho quando ele fala, baixinho. Não é tão suave, mas Luffy está trabalhando nisso; oferecer todo o carinho que foi negado a Sanji, o embalar em seus braços e dar tudo o que o seu cozinheiro precisa. “Sanji.” É uma pergunta silenciosa, amor rondando a maneira com que o nome de seu amante é pronunciado, tomando cuidado para não empurrar Sanji, se ele não quiser falar sobre a maneira com que o seu corpo treme. Luffy pode ser paciente, quando quer.

Sanji olha para ele. “Tudo bem”, ele diz, por mais que não seja completamente verdade. Luffy não diz mais nada, mas o seu olhar não é totalmente contente. Sanji limpa a garganta. “Irá ficar tudo bem.”

“Eles não o pegarão novamente, Sanji”, Luffy garante com a respiração pesada, não precisando de uma versão completa dos pesadelos de Sanji.

Sanji morde a língua para não responder. Ele não dúvida das palavras de Luffy, inferno como ele poderia?, mas as coisas não são assim. Boa Hancock pode gostar muito de Luffy, mas nem mesmo a Imperatriz Pirata, que controla toda a rota marítima comercial entre o Oriente e a Europa pode segurar a coroa francesa por muito tempo, embargos econômicos envolvidos ou não. Ela ainda responde a um governo, no fim do dia.

Uma das mãos de Luffy corre pelo seu peito coberto, descansando sobre os ossos do quadril e brincando distraidamente com o tecido das calças largas de Sanji. Suave, cuidadoso, protetor.

Há uma pequena faísca negra que escorre dentro do cérebro de Sanji. “Porque você faz isso? Eu sou apenas um homem, você sabe”, Sanji questiona, quando o silêncio faz com que os seus pensamentos ecoem mais alto dentro das suas entranhas. O tom dele parece casual, mas Luffy não teria chegado aonde chegou se não conseguisse distinguir as emoções reais das que são inteligentemente tecidas para mascarar os medos mais profundos do homem com quem ele divide a cama a alguns anos. Então ele pesca no ar a incerteza e a hesitação.

“Eu te amo”, Luffy responde depois de algum tempo, por cima da respiração audível de Sanji e da movimentação calma do mar. Você não é apenas mais um homem, você é tudo, você é tudo para mim e eu não conseguiria nem menos me olhar no espelho novamente se você não estivesse aqui. Sanji pisca, parecendo surpreso, como se não esperasse por isso. Luffy respira fundo. “Eu não trato com bondade aqueles que querem o que é meu, Sanji.”

Sanji sente a respiração quase falhar. Ele se inclina para Luffy, a mente rodando. “Você não deveria”, ele sussurra. “Eu não sou um bom homem, Luffy. E você precisa apenas do melhor do melhor.” Há um suspiro profundo, o barulho pacífico imperturbável do mar e Luffy, apenas o encarando com olhos negros faiscando sombriamente, silenciosamente esperando Sanji derramar tudo o que está preso na garganta. “Eu matei mais pessoas do que posso contar. Eu feri mais do que eu posso lembrar. Eu sou quebrado e preciso de atenção constante. Eu- eu não sou alguém para se orgulhar de ter por perto.”

Luffy o encara e é como se ele pudesse ver o fundo da alma de Sanji. Deveria ser mais intimidante, mas Sanji sabe que Luffy conhece cada pedacinho dele, a esta altura. Ele parou de tentar esconder os cacos quebrados da sua alma quando todo o fiasco com Judge aconteceu. Quando bandeiras azuis, brancas e vermelhas saíram como fantasmas vivos dos seus sonhos e vieram o assombrar sob o sol escaldante. Quando Luffy apenas o acolheu e o deixou chorar sobre a terra manchada de sangue.

“Não é sobre o que eu preciso, Sanji”, ele fala. “É sobre o que eu quero. E eu tenho tudo o que quero, Sanji.” Luffy diz e se Sanji não sentisse os dedos trêmulos que empurram a pele dos quadris para baixo, poderia dizer que Luffy está com raiva. Mas ele não está. Ele está apenas garantindo que Sanji sabia que o seu lugar é ao lado do capitão — não abaixo, nunca abaixo. Sanji é uma rocha sólida e Luffy precisa dele para não afundar na água gelada.

“Você fez o que tinha que fazer”, Luffy continua, a voz mais alta e confiante. ”Você fez acreditava ser o certo e ninguém, eu, não irei o julgar por isso. Eu nunca irei o julgar pelos seus fantasmas porque você não julga os meus.”

Luffy sabe. Ele sabe que precisa de Sanji porque Sanji é o único que pode o abraçar a noite quando as lembranças do sangue de Ace grudando na pele machucada e encharcada de suor são vividas demais. Quando tudo o que ele consegue sentir é a terra vermelha sobre as unhas e tudo é sujo e sujo e sujo e a culpa o come de dentro para fora.

Os dedos de Sanji coçam por um cigarro, mas de repente tentar mover os braços parece exaustivo demais. Ele prefere apenas fechar os olhos, absorvendo o calor da pele de Luffy, ajoelhado e esparramado entre as pernas de Sanji. “As pessoas certamente não pensam o mesmo, querido.” O tom dele é seco, um ronronar sarcástico.

“Eu não me importo com o que as pessoas pensam.” Luffy fala e então sorri. Luffy apenas sorri como se tudo fosse fodidamente simples. Talvez fosse, para ele, e Sanji amava todo aquele brilho de ingenuidade que rodeava o seu capitão, apesar dos calos incontáveis em suas palmas. “E eu apenas irei bater nos idiotas que discordarem”, ele promete, como se fosse um ultimato.

Sanji não pode deixar de rir, abrindo os olhos preguiçosamente para olhar para Luffy, suavidade escorrendo pelas arestas duras do coração dele. “Não se pode resolver todos os problemas do mundo batendo nas pessoas, capitão”, Sanji murmura divertido, brincando com o título.

Luffy bufa. “Eu posso fazer o que eu quiser. Eu serei o rei dos sete mares.” É uma afirmação. Não há um se, apenas certeza sólida. Sanji não duvida das palavras nem por um segundo. Tolo, ele sabe. Dez bandidos sem joias, reputações ou riquezas ansiando se erguer mais alto do que os navios de guerra espanhóis e força bruta inglesa. Declarando guerra contra um rei que vive em um castelo com quartos de ouro puro e que se intitula o próprio sol.

Mas é Luffy. É Luffy segurando-o perto, sussurrando e diminuindo todos os crimes que Sanji cometeu, os quais ele cometeria novamente e novamente e novamente, sem um pingo de arrependimento. Mas é Luffy e Sanji nunca duvidou de uma palavra que saiu da boca daquele homem, por mais que promessas não sejam garantia de absolutamente nada.

Luffy queimou tudo por ele, até o chão. Sanji não cometerá o erro de vacilar com o seu capitão novamente.

Sanji sabia que estavam zarpando em direção a morte. Em direção ao inferno. E ele estava feliz com isso, em seguir o seu capitão para onde, deuses, Luffy quisesse ir. O segurar perto, sentindo a respiração contra o pescoço e o coração batendo na ponta dos dedos.

E talvez o fim deles se resumisse a carne queimada no meio de um mar vermelho de sangue, sussurros quebrados e soluços sobre o homem que se achava mais poderoso do que Deus.

Não importa. Sanji já se acostumou com a ideia da morte e se o seu sangue derramado pelo convés significasse que Luffy poderia ver outro nascer do sol, não haveriam arrependimentos.

Deus há de o perdoar, porque Sanji mataria ao próprio Todo Poderoso para Luffy se sentar em um trono de ouro e reinar sobre a destruição.

Há um pequeno sorriso no canto dos lábios de Sanji quando ele responde. Porque é Luffy e ele já sangrou, vermelho rubro quente, nas palmas de Sanji, mas o seu sangue ainda é mais azul do que qualquer um dos homens de porcelana que erguem a cabeça com uma coroa. “É claro que você será.”

Notas finais
deem mais amor pros sanlu ok

muito obrigada por ler e me desculpe por qualquer erro ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!