A antiga decisão

4 Beijo sem sucesso


Okay, ela não conseguiu resistir. E a ruiva já esperava isso dela.

– Mudou de ideia, linda? Mas que surpresa! – Denise falou ironizando o momento.

– Hã... bom... é que... a Magali já me disse o que ela acha... então suspeito que uma segunda opinião não faça mal... – A dentucinha falou, mostrando à Denise que ela realmente estava certa. Não era difícil adivinhar as atitudes dela, pois ela sempre cometia os mesmos atos.

– Aprenda que Denise não acha... Denise sabe! E Denise não tem opinião... Denise tem a verdade absoluta! E a verdade... bom, a verdade é uma só... Se joga, fofoletz! Não pensa demais!

– Como assim? Tenho que pensar! É uma decisão importante. – Mônica fala. Mesmo sem querer, se fosse outra pessoa teria tirado toda a animação. Mas estamos falando da Denise.

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Cebola saiu de sua casa e daquele clima fúnebre. Céus, que cemitério tinha invadido sua casa? Sua mãe vidrada na novela da tarde, seu pai trabalhando, ainda faria hora extra, sua irmã chata tinha ido para a casa de uma amiga... E ele estava deitado na cama, quase morrendo de sofrência. Que é isso, ele ia derrotar a Mônica! Não precisava ficar daquele jeito.

– Eu já decidi tudo! Já está totalmente planejado! A Mônica não perde por esperar! – Cebola falou sozinho na rua e tratou de colocar aquele sorriso no rosto. Nada poderia estragar seu dia.

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Ele chegou na casa dela correndo. Ela ficou desesperada, nem sabia do que se tratava. Achou que era um assunto sério, mas quando ele realmente chegou lá...

– Cascão! Você não conseguiu convencer o Cebola? – A menina falou bem nervosa. Diacho, que garoto mais insistente!

– Ah, foi mal aê Magá! Mas tipo... ele não fica satisfeito com nada! Quando eu tentei falar com ele, a criatura veio novamente com aquele papinho de derrotar a Mônica. E tipo... véi, me senti meio mal mas eu falei na cara dele que ele nunca vai derrotar a Mônica, pra ele acordar daquele transe. Mas ele não foi feliz o suficiente para poder compreender! – Cascão respondeu. Ele começou a contar tudo o que tinha acontecido e Magali ficou admirada com os acontecimentos. Caramba, esse menino gostava de sofrer mais do que a Mônica!

– Então, vamos fazer uma coisa... eu já tenho um plano, mas espero que esse seja realmente infalível! Você tá dentro? Eu te conto todos os detalhes!

– Óbvio :)

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– Mônica, presta atenção! Coloca esse capacete para pensar aê! Pelamor! – Denise estava começando a se irritar com Mônica. Mas que menina mais... burra!

– Atenção no quê? Eu tenho mesmo que pensar, Denise! Não é uma decisão fácil! Eu preciso pensar melhor sobre isso e...

– Pensar? Isso é o que você não deve fazer! Mônicazinha do meu S2... segue o seu coração! Não pensa muito! É o que você sente, e não o que você quer! – A ruiva falou, mantendo a pose de amiga conselheira.

– Ah, Denise, chega! Você realmente não entende meus sentimentos! Eu tenho sim que pensar, não pode ser de uma hora para a outra. – Mônica falou virando as costas. Pelo jeito ela e o Cebola tinham mais coisas em comum do que os outros pensavam. Um desses exemplos é a teimosia e insistência.

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Mil novecentos e Antigamente...

Naquela tarde de sol, Dona Crildes tomava conta de seu jardim. Foi quando dois moleques atingiram seu canteiro de rosas. Mas ela ficou muito furiosa, ninguém podia explicar. Esses dois moleques eram os que hoje são o Seu Cebola e o Seu Antenor. Dona Crildes tinha uma filha pequena, chamada Carmem. E os tempos mudaram.

Época dos 7 anos

Naquela tarde de sol, Dona Carmem tomava conta de seu jardim. Foi quando dois moleques atingiram seu canteiro de rosas. Mas ela ficou muito furiosa, ninguém podia explicar. Esses dois moleques eram o Cebolinha e o Cascão. Parecia que a geração não tinha mudado muita coisa.

De volta ao tempo normal...

– Eureca! É isso! – Magali gritou e Cascão tomou um susto.

– Isso o quê? – O garoto interrogou sem saber do que se tratava.

– Lembra da Carmem da esquina? – Magali perguntou e Cascão fez que sim com a cabeça. Ela continuou. – Então, ela ficava brava quando a gente esbarrava ou fazia alguma coisa com aquele canteiro de rosas dela, não é? – Novamente ele fez que sim. Quantas vezes ela ia perguntar uma coisa que já sabia que ele ia afirmar?

– Tá, mas o que isso tem a ver?

– Essa é a nossa chance, seu sonso! De tentar fazer o Cebola abrir os olhos e perceber que ele nunca irá derrotar a Mônica... ou de abrir os olhos da Mônica para ela não ser mais cachorrinha do Cebola. Algum dos dois tem que notar que há algo muito errado nessa relação.

– E a Carmem da esquina? – O garoto perguntou novamente sem entender.

– Dai-me paciência!

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Ela tinha visto aquilo mesmo? Seus olhos ainda não podiam acreditar. Como assim isso estava acontecendo?

Seus olhos lacrimejaram ao ver Do Contra beijando a Irene. Claro, tinha que ser essa idiota da Irene. Ela queria não acreditar, mas...

– Tá vendo, Mônica? Quando eu entrei no facebook da Irene tava esse post, e eu vim correndo te mostrar! Afinal, amigos são pra isso né?

Ela ainda não conseguia acreditar. Do Contra? Irene? Juntos? Ela ainda pensou que Irene poderia ter roubado beijo dela e ele não estivesse correspondendo. Mas dava pra ver... que meio que o Contrariador estava se amarrando naquela história.

– Cebola... você tem certeza de que isso não é montagem? – Mônica falou tentando se convencer que DC não seria capaz de fazer isso.

– Tenho! E a Irene postou no facebook dela ainda com a legenda “se esse lindo te daria, você também corresponderia”.

– Que tosco! Olha, me decepcionei com o Do Contra. E quer saber de uma coisa? – Mônica não disse mais nada. Apenas se jogou para o Cebola e lhe deu um Ultra-beijo. Aquele sim era um beijo de amor.

– Mônica... eu te amo muito...

– Eu também te amo!

– ...mas antes eu... – Ele disse se afastando um pouco. – ...eu preciso estar à sua altura. Me desculpa, eu queria muito que fosse agora, mas não dá! Não quero te rebaixar, mas também não quero me sentir rebaixado. Sinto muito, muito mesmo Mônica. Preciso que você compreenda isso. Espero que entenda que não é falta de amor... – Ele lhe deu outro selinho e saiu. Mônica não estava acreditando naquilo. Será que essa cisma nunca ia acabar? Será que ele tinha medo dela? Ela já não sabia mais. Não queria ser uma cachorrinha andando presa na coleira carregada pelo Cebola, mas por outro lado... não queria namorar um pegador, que saía por aí fazendo oferta de beijo. O que mais lhe estressava é que ela estava tão confiante de que o DC não iria lhe decepcionar. Ela não sabia mais o que fazer. Talvez fosse esperar o Cebola. Talvez conversar com o Do Contra. E se ela fizesse os dois? Poderia colocar essa hipótese, de falar com o Do Contra e, se ele realmente tivesse lhe desapontado, ela esperaria o tempo que fosse preciso até que o Cebola lhe “derrotasse” e finalmente dizer as palavras que ela tanto queria ouvir novamente; um “quer namorar comigo?” definitivo. Porque aquele namoro que eles tiveram de, digamos, algumas páginas, não pode ser contado como um namoro de verdade. E ela queria muito que esse sonho se realizasse. O problema era saber até quando isso ia durar. Será que ela teria paciência para esperar?

Notas finais
Pessoal, depois de ler a história "La Revenge" da Mallagueta, eu fiquei com raiva da Irene e resolvi vilanizar um pouco a personagem. Espero que tenham gostado do capítulo. Deixem suas considerações! :D