A ambição de uma estrela
3 Capítulo 03 –Escuridão
Notas iniciais
Essa é a história de como duas pessoas se conheceram, se amaram e se destruíram.
Arthur Snow havia sido escalado para o papel de figurante numa nova novela, ele se despediu de todos que conhecia, terminou o namoro com a atrapalhada, mas divertida Clarice, deixou tudo para trás e foi para São Paulo onde sua vida mudaria para sempre. O talentoso garoto não se conformou com seu papel e lutou usando tudo que tinha para alavancar sua carreira, manipulou todos em seu caminho, fez o público o amar e desejar vê-lo com Peter, outro ator que acabou se apaixonando por ele na ficção e na realidade.
Castro era um diretor de grandes sucessos, mas era frustrado em sua vida pessoal, vivia saindo com prostitutas e nunca em sua vida tinha ouvido as palavras: “Eu te amo”. Não até conhecer aquele garoto tão interessante. Tudo nele o atraia, suas mentiras, sua atuação, sua manipulação, sua falsidade. Quando finalmente ficaram juntos, seu sexo, seu corpo, seu olhar desafiador o fisgaram de vez.
Depois de meses ele finalmente ouviu da boca do garoto a frase: “Eu te amo”, mas sua resposta foi um soco no queixo o nocauteando. Por que ele golpeara seu amado? Traição. Traição em vários sentidos. O homem tinha ido até o apartamento do garoto, disposto a se humilhar e dizer que o amava, disposto a chama-lo para depois da novela fugir para outro país e começar uma vida nova. No entanto o encontrara aos beijos e só de cueca com o Peter e Castro explodiu.
Arthur acordou com o barulho de choro, abriu os olhos e viu um garoto sentado com a cara ensanguentada.
—Peter?
—Ele esta louco –Ele choramingou. Arthur se sentou tentando organizar os pensamentos e lembrou de Castro furioso espancando o Peter e depois o nocauteando.
—Estamos no banheiro –Ele disse olhando pros lados, se levantou e foi até a porta.
—Não adianta, esta trancada.
—O que aconteceu?
—Eu acordei quando ele estava nos trazendo pra cá e ele acabou me batendo de novo. Gritou me chamando de idiota, que eu também estava sendo enganado, então me jogou aqui e trancou a porta. Lhe disse que ia gritar. Ele disse que boa sorte, que tinha alugado todos os quartos do oitavo andar e que podia berrar se quisesse –E caiu novamente no choro.
Arthur suspirou. O que o Castro ia fazer? Ele seria mesmo capaz de machuca-lo? O choro do Peter seguia de plano de fundo. O que devia fazer? Devia tentar manipula-lo? Choro. Devia tentar explicar o que tinha acontecido? Choro. Devia... Choro.
—PARA DE CHORAR! –Ele berrou assustando o Peter –Chorar não vai abrir a porta, chorar não vai nos tirar daqui, chorar não vai adiantar de nada! Então cala essa maldita boca e me deixa pensar! –Peter tapou a própria boca fazendo o máximo silêncio que pode –Ótimo, assim esta bem melhor.
Arthur fechou os olhos e pensou. Sessando sua visão diminuía suas distrações, o mesmo valia para sua audição. Ele estava praticamente meditando, sua respiração estava calma, assim como seu coração que batia regularmente e assim percebeu algumas coisas sobre si mesmo: “Não estou com medo. Estranho, era de se esperar que nessa situação eu estivesse apavorado. Mas não estou. Não sinto nada, só quero que o Castro venha logo para podermos resolver as coisas”. Deste modo ele sentou-se no vaso sanitário, cruzou as pernas e esperou.
Quinze minutos depois a porta se abriu e Castro entrou trazendo uma bandeja com um bolo com uma vela acesa e uma faca do lado. Assim que bateu os olhos no garoto, seu coração saltou: “Olha pra cara dele, mesmo nessa situação ainda me encara de frente, ele é tão pequeno, tão frágil que poderia o matar com minhas próprias mãos, mas olhe seu rosto! Não esboça nada!”.
—Você é algum tipo de sociopata? –Perguntou Castro.
—Eu? É você quem esta trazendo um bolo de aniversário para o banheiro onde esta mantendo dois jovens atores em cativeiro.
—Isso é para lhe dar parabéns pela sua maravilhosa atuação! Seduzir o diretor e um dos atores principais para obter destaque na novela, foi uma sacada de mestre.
—Obrigado –Arthur se levantou, assoprou a vela e voltou a se sentar no vaso. Castro abriu a boca sem palavras. Ele adorava aquilo. Podia estar furioso, mas a forma provocante e desafiadora do outro ainda o excitava muito –Vejo que agora esta mais calmo, talvez esteja disposto à ouvir minha explicação.
—Ok, vamos assistir mais um dos seus espetáculos de atuação –Castro pôs a bandeja sobre a pia.
—Obrigado, sou de fato uma estrela –A mente dele virou um furacão de memorias, a primeira aula de canto, de piano, de dança, de interpretação. As chacotas dos amigos, as piadas, a mãe costurando seu figurino, Clarice se declarando pra ele e pedindo pra ser sua namorada, os testes, o comercial, os ensaios, o suor, a luta, a ascensão! –E você conhece muito bem meu brilho, mas onde há luz, há trevas.
—Então me mostre sua escuridão.
—Você tem que tentar me entender, Castro. Desde sempre soube que nasci para brilhar! Vim de uma família pobre, filho de mãe solteira, ela lutou muito para me criar bem e me apoiou em meus sonhos!
—O que isso tem de escuridão?
—Tudo! Eu sou uma péssima pessoa! Eu tenho nojo daquela pobreza, prefiro morrer do que voltar para aquele lixo de cidade –Peter observava tudo calado e chocado –Agora que finalmente sou uma estrela, que todos veem meu brilho e me veneram, me sinto feliz! Sinto que tenho tudo que sempre quis!
—Mas a que preço?! –Castro se alterou novamente –Você manipulou todo mundo! Tudo em você é falso, ninguém te conhece de verdade! Cada sorriso, cada bom dia, tudo não passa de atuação! Fale a verdade pelo menos uma vez na sua vida! Diga que usou todos como degraus para chega ao topo! Diga que eu não passo de mais um degrau pra você!
—Eu não me arrependo de nada! Tudo que você disse é verdade, com uma única exceção.
—Qual?
—Você não é um degrau.
—Sim, entendo! Sou um trouxa de um elevador que te fez subir muito mais rápido do que as escadas.
—Não é isso...
—Você fala de escuridão, estão esta bem, vou te mostrar a minha! –Ele deu um soco no espelho. Peter gritou e se encolheu no canto, os cacos voaram para todos os lados, um deles passou de raspão no rosto de Arthur o cortando e ainda assim ele se manteve imóvel. Castro pegou uma toalha de rosto e enrolou a mão machucada –Eu sou violento! Me irrito fácil e sinto raiva de tudo, ainda assim, nem mesmo o monstro do meu pai me fez sentir o ódio que você me fez! Ele pelo menos nunca mentiu pra mim, me chamava de merdinha imprestável o tempo todo, cuspia em mim suas opiniões fedidas e desprezíveis! Mas nunca me fez pensar que me amava, nunca me deu a falsa esperança de ser feliz ao seu lado! E isso é o pior de você.
Ele deu uma pausa para respirar olhando nos olhos do outro, o homem estava completamente alterado, enquanto o jovem mantinha total calma.
—Você me atraiu, me seduziu, me fez sentir... Feliz. Veio com esse papo de que agia como sigo mesmo apenas comigo, me fez sentir como se o tivesse apenas pra mim. Você é uma pessoa desprezível! Mas me mostrava todos os seus lados, você é mau, mas para mim era bom o bastante. Foi a primeira pessoa que transou comigo aceitando meus gostos violentos, você me provocava com olhar, me desafiava a ir mais forte. Você parecia ser a pessoa perfeita pra mim! E agora descubro que tudo era uma grande mentira. Que você era pior que eu pensava, que só estava me usando como usava todos ao seu redor. E ainda... Como consegue ficar assim desse jeito? Como consegue continuar sem esboçar nada! Eu posso te matar, sabia?! EU POSSO TE MATAR! Então tenha medo! –Ele bateu na pia e a bandeja caiu no chão fazendo a maior sujeira de bolo de glacê pra todo lado e a faca deslizou quase como um presente para os pés do assustado Peter.
—Eu não tenho medo de você –Arthur disse.
—Mas deveria.
—Eu sei, mas não sinto, eu... –Ele olhou nos olhos do homem enorme e furioso à sua frente –Sei que tenho algum problema, pois não consigo sentir as coisas como a maioria das pessoas, mas admito isso, talvez realmente tenha algum problema mental, mas vou dizer a verdade. Nunca menti pra você! Já menti pra mim mesmo, mas nunca pra você!
—Não me venha com essa!
—Sim, eu vou! Pois essa é a verdade! Posso não entender meus próprios sentimentos ou a ausência deles, mas um em especial enxergo perfeitamente! Eu te amo! –Aquela frase machucava o coração de Castro.
—Não ama não! –Ele berrou.
—Amo sim! –Arthur berrou de volta se levantando e indo pra cima do outro –Você quer a verdade não quer? Pois bem! Hoje recebi uma mensagem de uma ex namorada me desejando tudo de bom, mas que como sabia que agora eu já tinha tudo que o dinheiro podia comprar, me desejou um amor verdadeiro. E foi então que percebi que eu já tinha isso também! Eu já estava pronto para ir atrás de você me declarar quando ele apareceu.
Os dois olharam para Peter que esconde uma mão nas costas. Eles o ignoram e voltam para discursão.
—Você sabe que sou desprezível. Eu estava namorando escondido com ele, mas nunca nem transamos, eram só beijinhos sem graça! Ele é um tédio!
—Você estava ficando com nós dois ao mesmo tempo!
—E daí?! Nunca demos um rótulo ao que temos e eu tinha que continuar com meus planos para minha carreira. Quando soubessem que estávamos namorando escondidos, eu e o Peter, a mídia e os fãs iriam à loucura e faríamos mais sucesso que o casal principal da novela.
—E depois? Você ia me deixar?
—Não, Castro. Eu não ia e não vou te deixar! Meus planos vão surgindo aos poucos, não sabia até onde iria com esse namoro com o Peter, mas sabia que uma hora ia terminar, pois era com você que queria ficar por tempo indeterminado.
—Sabe que esse discurso faz de você uma das pessoas mais desprezíveis que existem, não sabe?
—Sei, mas é tudo verdade. Quando estou com você posso ser eu mesmo, anseio por ficar sozinho contigo, pra transar com força, derrubar tudo e depois abrir meu coração feio e negro para ter um pouquinho de paz –Lágrimas começaram a percorrer seu rosto até seu queixo e saltarem suicidas numa queda até o chão.
Em seguida um vulto se chocou contra Castro e depois uma mancha vermelha e gritos. Peter esfaqueou o diretor na lateral do corpo, Arthur ficou em choque e sem palavras, vendo aquele ator chorão empurrar o homenzarrão na banheira e lhe apontar a faca. Castro sentia muita dor, levou as mãos até a ferida que sangrava muito e à sua frente um garoto tremendo com as mãos ensanguentadas lhe apontando uma faca.
—Não se mecha seu desgraçado! –Ele berrou.
—Peter –Disse Arthur.
—Se acalme Arthur, nós vamos conseguir sair dessa. Cara, você merece um óscar pela sua atuação! Distraiu ele direitinho!
Castro olhou surpreso para Arthur. Então era isso? Ele o tinha enganado de novo? O tinha lhe distraído para que o outro o golpeasse? E o que acontecia a seguir? Eles iriam chamar a polícia, lhe entregar, contar uma história de como ele se aproveitou de Arthur e como tentou matar os dois garotos num surto de ciúmes? Aquele sem dúvida era o fim de sua carreira! Mas e a novela? Seria cancelada? Não, sem dúvida iriam o substituir por outro diretor, Arthur diria que em nome dos fãs continuaria as filmagens lutando contra seu trauma de ter sido abusado sexualmente e ainda quase ter sido assassinado. O jovem casal que sobrevivera e continuara com sua arte! Porra! Eles fariam um sucesso do caralho.
—Você me enganou, era tudo mentira –Castro disse olhando para cima, olhando diretamente para Arthur, ignorando os gritos de ameaça de Peter chacoalhando a faca –Que assim seja, que você se torne a estrela que sempre quis ser, mas pelo menos uma vez vou ter dito com sinceridade a frase que nunca disse ou ouvi: “Eu te amo”.
Arthur tremeu do pés a cabeça, parecia que estava levando um choque, olhou para suas mãos, para a situação em que se encontrava. O que é verdade e o que é mentira? Será que passara tanto tempo atuando que se esqueceu quem era de verdade?
—Arthur vá buscar o telefone! –Mandou Peter –Não se preocupe vou te proteger, vou cuidar dele! Ele não vai te fazer mal outra vez.
Arthur da Silva. Arthur Snow. Cláudio. Quem ele era? Já atuara na escola como Peter Pan, inocente e aventureiro, Romeu, romântico e trágico, que papel ele devia assumir agora? Que máscara devia colocar? Quem devia ser?
Ele se virou em direção a porta.
“Sempre que precisar ser um pouco você mesmo, pode me procurar –Aquilo fez o coração do jovem saltar –Eu meio que te odeio e tenho vontade de te matar, mas não posso negar que minha novela é um sucesso e que você faz parte dela, então irei relevar suas mentiras, afinal consigo ver através delas mesmo.
—Obrigado, eu... Com certeza voltarei”.
Os lábios dele tremeram e ele chorou, caiu de joelhos e berrou chorando de verdade, deixou correr suas lágrimas como nunca antes. Desmoronou, caiu, uma estrela cadente.
—Arthur, vai ficar tudo bem –Dizia Peter, mas não tirava os olhos do Castro com medo de ser pego desprevenido. E mesmo com todo esse cuidado foi realmente pego desprevenido.
—Raaaaaa! –Arthur o golpeou na cabaça com a bandeja de prata. Peter caiu de lado atordoado soltando a faca. Arthur o golpeou na cara o fazendo desmaiar.
Ele procurou a faca com os olhos, se abaixou, a pegou, se ergueu sobre o outro e ia esfaqueá-lo, quando da banheira uma mão firme segurou a sua.
—Você não é um assassino.
—Você acredita em mim? –Arthur o olhou e soltou a faca.
—Depois de hoje ambas nossas carreiras já eram. Você teve a chance de ficar do lado dele e escolheu me salvar.
Arthur se levantou e entrou na banheira, ligou o chuveiro e água quente caiu sobre seus corpos, ele montou em Castro o beijando. Aquele era um beijo doloroso e sangrento, mas era verdadeiro.
—Eu te amo de verdade.
—Eu acredito agora.
Eles tiraram as roupas sujas de sangue intercalando o ato com beijos e gemidos, logo estavam pelados se lavando. O ferimento de Castro não era tão fundo, mas sangrava e doía, no entanto a situação era tão bizarramente excitante que eles transaram na banheira. Seus movimentos eram famintos, famintos por verdade, por fervor, por prazer, por amor. Aquele sexo foi o mais doloroso e libertador de suas vidas.
As atitudes que tomaram em seguida foram cruciais para definir como queriam passar o resto de seus dias.
—É hora de fazer a melhor interpretação da minha vida! –As notícias daquele dia seriam capa de revistas, blogs, jornais e poderia ser o fim de suas carreiras, era tudo ou nada.
Tudo começou quando telefonaram para polícia.
“Hoje as notícias do dia parecem trama de Hollywood, explode na mídia o caso romântico do famoso produtor de novelas Gustavo Castro com um dos atores da novela ‘Cante-me uma canção’. Eles mantiveram seu relacionamento em segredo há três meses, mas quando planejam comemorar seu aniversário de namoro no quarto de hotel de Arthur Snow, foram surpreendidos pela chegada de Peter Torres, que faz par romântico com Arthur na novela, pelo jeito o jovem não soube separar ficção da realidade e atacou o casal.
—Éramos muito amigos e ele confundiu as coisas –Disse Arthur chorando em entrevista –Certa vez ele até me beijou num restaurante –Ele disse lembrando-se do único beijo que deram num lugar público, então resolveu mencionar o ocorrido caso surgisse alguma filmagem ou relato de uma testemunha –Eu ainda nem consigo acreditar que ele fez isso.
O diretor Castro havia reservado todos os quartos do oitavo andar para não serem interrompidos em sua comemoração de aniversário. Como eles presavam pele discrição, assim o fizeram. Antes que Castro chegasse ao hotel, Peter saiu de seu quarto no décimo andar e foi até o quarto de Arthur. Imagens de segurança mostram o percurso que ele fez até o quarto. As últimas imagens são da surpresa de Arthur ao vê-lo –Arthur se lembra que desejava encontrar o Castro na porta e que se surpreendeu e se decepcionou ao ver que era o Peter –Depois de entrar no quarto só temos informações do que aconteceu pelos presentes.
—Eu cometi um erro –Disse Arthur –O Peter se declarou pra mim e como não pude retribuir seus sentimentos, o dispensei dizendo que meu coração já pertencia à outro –Arthur fez uma pausa olhando pro lado como se estivesse revivendo aquele momento –Ele se alterou e me deu um soco –Ele tocou num machucado no queixo que tinha sido um golpe que Castro tinha dado –Nessa hora o Castro entrou.
—Eu ia bater na porta, mas primeiro resolvi tentar a maçaneta, como estava aberta tentei fazer uma surpresa –Explicou o diretor na entrevista.
—Peter pegou uma faca que estava numa bandeja do café da manhã, ele me agarrou, pôs a faca no meu pescoço ameaçando me matar se o Castro se aproximasse –Ele engoliu em seco –Ele até cortou meu rosto para mostrar que estava falando sério –Ele indicou o corte em sua face que tinha sido feito quando Castro quebrou o espelho.
E assim o relato prosseguiu, como a forma doentia que Peter mandou que Castro colocasse o bolo na bandeja e levasse até o banheiro. Lá ele tinha mandado primeiro Castro socar o espelho, depois que pegasse um caco de vidro e cortasse os próprios pulsos.
—‘Vamos ver se você o ama tanto assim, morra por ele’ Peter dizia –Arthur fez um pausa para chorar e o apresentador pôs a mão em seu ombro –Não aguentei assistir o meu amor se matar por mim. Dei uma cotovelada com toda a minha força em seu estomago, houve uma luta –Ele seguiu narrando cada golpe que Peter tinha recebido no corpo, ele esfaqueando Castro que cai na banheira, Arthur pegando a bandeja e nocauteando o assassino. Eles ligando o chuveiro para limpar o ferimento e então telefonando para polícia”.
O caso rendeu bastante alvoroço na mídia, Peter e seus advogados tentaram protestar pela verdade, mas a atuação de Arthur, os detalhes, as filmagens, tudo se encaixava perfeitamente demais. E foi assim que Peter foi condenado a vinte anos de prisão.
O escândalo foi tão grande que a novela foi cancelada, os fãs ficaram devastados. Castro anunciou sua aposentadoria, Arthur desistiu de atuar e disse que por medo da fúria de Peter caso ele fosse liberado por bom comportamento ou algo do tipo, iria morar em outro país com seu amado. Deste modo pediu o apoio dos fãs e mídia suplicando por ser esquecido. Os dois partiram sem deixar rastro e nunca mais foram vistos.
A mãe de Arthur recebeu uma enorme quantidade de dinheiro, ela chorou muito por nunca mais poder ver seu filho. Anos mais tarde finalmente encontrou o amor e seguiu com sua vida tendo até mesmo outros filhos.
Clarice tinha ficado chocada ao saber das notícias de seu ex namorado, mas estava feliz por tudo ter terminado bem, o psicopata ter sido preso e o Arthur estar em algum lugar tendo seus “felizes pra sempre” com alguém que amava.
—É uma pena, ele era um ótimo artista –Disse seu namorado tailandês.
—Tudo bem, o importante é que ele deve estar muito feliz –Ela disse sorrindo e beijando seu namorado.
Numa cidadezinha no interior da Holanda, um novo casal acabara de se mudar para a fazenda que os Mendes tinham vendido. Embora fosse comum verem casais gays na Holanda, era o primeiro naquele lugar pequeno e pacato. Arthur, agora era loiro e usava lentes azuis e atendia pelo nome de ‘Aert’, a versão holandesa do nome ‘Arthur’, um pouco óbvio, mas preferiu assim. Castro mudou o visual para aparentar ser mais novo e adotou o nome Cornelis.
Os dois que mais queriam verdade em suas vidas, tinham destruído a vida de um inocente e agora viviam uma nova mentira, mas estavam muito felizes. Moravam distante da cidade, de modo que podiam fazer barulho à vontade durante o sexo. Fingiam trabalhar, mas desfrutavam de sua fortuna dividida em várias contas.
—Espero sinceramente que o Peter seja solto muito antes de sua pena –Disse Arthur deitado no peito de seu amado. Estavam deitados em palha num celeiro realizando uma fantasia sexual.
—Sabe como é a justiça no Brasil, ele tem muito dinheiro, vai ser solto logo.
—Obrigado por me impedir de mata-lo.
—Você não o faria, mesmo que estivesse sozinho, você não é um assassino, Aert –Disse lhe chamando por seu nome holandês e Arthur sorriu e o beijou.
—Você me conhece tão bem, Cornelis.
—Por que esta me olhando assim?
—Quer ir de novo?
E assim um casal inesperado se formou, Arthur sonhava com o estrelado, conseguiu tudo que sempre quis, fez mais mal do que bem, no entanto ainda sim teve seu final feliz. Ele é o protagonista dessa história, mas nem de longe é o herói dela, pois aqui não se trata de herói ou vilão, bem ou mal, se trata de quem atua melhor! E Arthur era tão bom que sua atuação foi mais real que a própria verdade.
Essa devia ser uma história de amor, entretanto os acontecimentos levaram-na a se tornar uma batalha pelo estrelato, um relato da ambição de um figurante e a fúria de um diretor diante de uma sombra que sonhava em ser luz. Mas foram por caminho tortos, errados e criminosos onde verdades e mentiras se misturaram cominando num controverso final feliz.
—FIM-
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